sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A lanterna mágica

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A lanterna mágica

Urda Alice Klueger

Era uma noite fria de 2004, um pouco antes de chegar o frio brabo, no planalto catarinense, lugar onde até neve cai, e era uma noite de grandes acontecimentos, onde 500 famílias ocupavam e tomavam posse da terra do maior latifúndio deste meu estado, que um dia fora uma fazenda dedicada ao reflorestamento, mas que agora, em tempos de neoliberalismo, não passava de terra arrasada. O lugar ficara tão abandonado depois que seus indefinidos proprietários internacionais o esqueceram, que a pequena cidade de São Cristóvão do Sul praticamente falira: as pessoas tinham ido embora, a escola tinha fechado, A IGREJA TINHA FECHADO, e era a primeira vez na minha vida que eu ouvia que uma igreja fechara, daí o meu espanto! Daí, também, a grande receptividade no escuro da madrugada , com as autoridades regionais de braços abertos, esperando aquela ocupação que vinha trazer gente para salvar aquele lugar do mundo que até o Capital esquecera – e eu tinha o privilégio de estar lá, apoiando aquela gente, e penso que nem em toda a vida irei lembrar do tanto que há para contar sobre aquela noite!

Pelas três, quatro da madrugada, deu-se a grande ocupação – era inverno, amanhecia tarde, faltava muito, ainda, para o dia chegar, e aquela gente que tinha como rumo único a solidariedade e o sonho de uma terra para plantar, acostumada que era a viver sem coisas como luz elétrica tratava de se organizar, e por todos os lados surgiam lanternas que começaram a iluminar o imenso campo devastado. Como os demais, eu vagava por ali, esperando a chegada do dia e vendo os vultos escuros. As lanternas que estavam com as pessoas tinham os mais diversos modelos e formatos: iam desde as mais sofisticadas, aquelas que se usam em luxuosas barracas de grandes famílias, no verão dos campings, alimentadas não-sei-a-que, até... bem, até aquela como nunca vira na minha vida, a não ser parecidas, existentes em desenhos ilustrativos de histórias infantis que se passavam antigamente em países cheios de neve. É melhor explicar logo: alguém pegara uma lata dessas de conserva de pepinos ou de pêssegos, cortara um quadradinho na parede da lata, fizera uma alça de arame, e lá dentro da lata acendera uma vela. Era um homem que a segurava – as paredes de lata impediam que a vela fosse apagada pelo vento, e aquele pequeno quadrado era uma janelinha de luz que liberava sua luminosidade quase que em forma de cone, ampliando-a – e o dono da lanterna sabia manejá-la muito bem, direcionando a luz para onde bem lhe aprouvesse.

Fazia um frio danado e a manhã tardava a chegar. Zanzando por ali tudo, acabei me aproximando do homem da rusticíssima lanterna, curiosa com o funcionamento dela. Na pouca luminosidade daquela madrugada, o homem me mostrou a praticidade dela, falou do baixo custo para mantê-la, essas coisas que costumam ser faladas por quem está acostumado a viver com quase nada.

A mulher do homem se juntara a nós, e eram ambos seres muito maltratados pela vida, envelhecidos – imaginei que tivessem já seus quarenta anos.

- Quer ver nossas crianças? – o homem perguntou, direcionando sua luz precária para um colchãozinho infantil que descansava na grama, escondido sob um cobertor de lã. Com muito cuidado, ele e a mulher levantaram parte da lã... e sob ela dormiam SEIS criancinhas, uma escadinha que ia de zero a sete anos.

- Perdemos uma... – o homem se emocionava, iluminando seus tesouros com aquela lanterna mágica que me atraíra.

- Que aconteceu?

- Ficou doente. A gente não tinha como tratar. Morreu – e tanto ele quanto a mulher ficaram ali, inclinados e tristes, chorando um no ombro do outro. Tinham seis anjinhos ali dormindo naquele colchãozinho, mas sentiam falta daquele outro que partira – já não eram completos; uma parte deles lhes fora tirada pela pobreza, ficara no meio do caminho, quebrara-se a sua cadeia da vida. Estavam tão tristes assim chorando naquela iluminação precária, que procurei desconversar.

- Vocês são de onde?

- Vim do interior de São Paulo, dona. A mulher eu roubei no Paraná, faz sete anos! Ela tinha 14 anos! – a alegria lhes voltara com aquelas lembranças quase que de capa-e- espada, provavelmente a única grande aventura das suas vidas. Agora riam seus risos desdentados e feios de quem só conhecera a dura pobreza extrema, e então fiz a conta, considerando a criança mais velha:

- Mas então tu tens 21 anos...

Sim, aquela mulher maltratada, envelhecida prematuramente, só tinha 21 anos, um marido decerto um pouquinho mais velho, e o colar incompleto de seis crianças que eram as suas pérolas. E juntos, os dois tinham aquele colchãozinho infantil, um cobertor, aquela lanterna – e um sentimento enorme que os unia.

Fiquei ali, parva, pensando como poderiam sobreviver aquelas oito criaturas se não tivessem se amparando uns aos outros dentro daquele movimento que clamava pela justiça do fim das capitanias hereditárias.

Nunca me esqueci daquela família com sua lanterna mágica, seu amor tão grande até por aquele anjinho que voara embora, aquele anjinho que fazia falta no colchãozinho onde dormiam outros seis.

Penso que se passaram uns três ou quatro anos até encontrar aquele homem de novo. Era de dia, mas o reconheci. Desta vez, como eu, ele estava de apoiador para um povo inteiro em risco de vida por conta de um fazendeiro pestilencialmente mau. Rimos um para o outro, e perguntei por sua mulher, pelas crianças. Todos estavam bem, e agora TINHAM A SUA TERRA! Ele me disse o nome do assentamento onde moravam, e eu sabia que aquele era um lugar bom, onde as pessoas estavam conseguindo viver felizes.

- Dona, lá dá de tudo! Tem feijão, tem milho, tem melancia... e as vacas, dona, eu estou criando vacas! É a coisa mais linda! Já tem leite para vender, e nunca mais que as crianças ficaram sem leite!

Foi a maior alegria encontrar de novo aquele homem que possuía uma lanterna mágica, agora seguro e bem alimentado! Decerto sua mulher rejuvenescera também, no novo regime de leite, manteiga e tantas melancias, “olha dona, precisava ver cada melancia!”.

De vez em quando eu fico lembrando do homem que tinha aquela lanterna única. E então penso também no punhado de bobões que acredita na imprensa que se curva diante do Capital e se posiciona ao lado dela, falando as maiores barbaridades contra quem procura seu direito à terra, sem ter nenhum conhecimento sobre o que seja verdade ou não. Daí eu sei que sempre vou poder contar com aquele homem e a sua família. Há uma lanterna mágica a nos unir para sempre.

Blumenau, 09 de Novembro de 2009.

Urda Alice Klueger, escritora e historiadora, colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Para deputado italiano, Sargentelli teria sido presidente do STF


DANÇARINAS E JURISTAS

Laerte Braga

“Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas. Portanto, antes de pretender nos dar lições de Direito, o ministro da Justiça faria bem se pensasse nisso não uma, mas mil vezes”. A afirmação foi feita pelo deputado italiano Ettore Pirovano, da Liga Norte, partido de extrema direita Referia-se à decisão do ministro da Justiça Tarso Genro de conceder a Cesare Battisti o status de refugiado político.

Um dos pontos chaves da plataforma do partido desse deputado é a divisão da Itália. O norte, mais rico e o sul, mais pobre.

A primeira dançarina que o embaixador italiano contratou no Brasil foi Gilmar Mendes, funcionário de Daniel Dantas e posto por conta da irresponsabilidade do chamado estado democrático, na função de presidente do que deveria ser a corte suprema de justiça.

Michele Valensise, ao retornar ao Brasil, havia sido chamado pelo governo (governo ou filme pornô?) de Sílvio Berlusconi em atitude de protesto contra a decisão de Tarso Genro, visitou Gilmar Mendes. Como convém a esse tipo de “visita”, entrou pela porta dos fundos do camarim da dançarina preferida de Daniel Dantas.

Levou flores, perfumes e uma garrafa de bom vinho italiano com certeza. E outros mimos, lógico, dançarinas como Gilmar adoram aquele negócio de dançar agarradas a um mastro (epa!) e ir juntando os dólares que são jogados pela platéia. Guardam estrategicamente no sutiã ou na parte debaixo, digamos assim, pudicamente, do modelo duas peças que usam.

Daí a somar outras dançarinas e complicar a situação tentando subverter a constituição, não foi tão difícil assim. As luzes e neon italianos, naturalmente tudo acrescido de presunto de Parma e queijos os mais variados, fizeram com que todos terminassem no reservado do gabinete e uma grande farsa fosse montada para justificar aquela noite de excessos e libações.

Lembra as casas de banho dos imperadores romanos.

Desde os dois habeas corpus concedidos a Daniel Dantas, a impunidade em torno de suas negociatas com o tal instituto que montou para vender diplomas, empregar outras dançarinas, inclusive supostos repórteres de tevê (da GLOBO, lógico, Eraldo Pereira), e receber verbas públicas em convênios fajutos, Gilmar se acha a primeira dançarina da companhia e acredita que suas curvas lhe dão o direito de submeter o Brasil ao regime podre e fétido do tucanato DEMocrata. É muito silicone.

Boa parte de culpa nesse strip tease é do governo Lula, que aceitou passivo as falsas denúncias feitas pela mídia corrompida (VEJA) no caso de gravações inexistentes no gabinete da dançarina em epígrafe, desmontando um trabalho extraordinário do delegado Protógenes Queiroz e por extensão, todo um processo posto em marcha na Polícia Federal contra esse tipo de prostituição, a pior de todas.

A frase do deputado Ettore Pirovano, por exemplo, jamais foi citada pela REDE GLOBO, ou qualquer veículo do grupo, sabidamente uma agência estrangeira em ação no País.

Em contrapartida William Bonner, porta-voz da boate BBB, uma espécie de conglomerado FIESP/DASLU, PSDB, DEM, latifundiários, grandes empresários e banqueiros, compareceu ao programa de Maria Beltrão para discorrer sobre como mentir e formar Homer Simpsons em série, abóboras, permitindo que os telespectadores escolhessem a cor da gravata a ser usada na edição do JORNAL NACIONAL (NACIONAL deles, nunca é demais lembrar).

Você escolhe a gravata de Bonner, especialistas tecem comentários em torno das gravatas oferecidas como opção, e Bonner fala as mentiras de todo o dia, secundado por figuras como Miriam Leitão, engravatado e enfarpelado pelo próprio “abóbora”. O falecido Jô Soares costumava dizer quando vivo que “homem de gravata eu respeito”. Deve ser por aí.

Cesare Battisti é só o bode expiatório de um processo bem mais amplo. A face visível de um jogo sórdido transformado em espetáculo, como convém aos dias atuais. Gilmar no mastro principal, tudo a média luz e Cezar Peluzo em performances de acrobacia jurídico/dançarina.



Não contavam com Marco Aurélio Mello no tipo batida policial desmontando toda a jogatina e toda a prostituição que rolava na aparente agência funerária, quer dizer, corte suprema.

Nem por isso Gilmar se deu por vencido. Já anunciou que o caso pode ter novos desdobramentos, ou seja, mantém a disposição de continuar dançando e se for o caso ir tirando os adereços até a nudez total, sem o menor constrangimento, está lá para isso.

Na Vila Mimosa tem mais respeito, é proibido cuspir no chão, que dirá travestir-se de ministro do que deveria ser uma corte suprema.

O presidente da República só tem uma opção. Conceder o status de refugiado a Battisti, ou se for o caso, até de exilado, já que demonstrado à larga que por trás de todo esse tango Fernando Henrique Cardoso andou na cozinha e colocou a cozinheira no Senado em troca do silêncio.

Do contrário deixa claro que foi seduzido pela dançarina Gilmar Mendes, e a bota vai lhe ser aplicada da forma mais vergonhosa possível, como tacão fascista, no lugar mais humilhante já imaginado.

A sentença que condenou Battisti na Itália usa trinta e quatro vezes, o ministro Marco Aurélio citou isso em seu voto, a expressão “crime político”. A presença acintosa do embaixador da Itália na primeira mesa do salão principal da boate fere a soberania brasileira, tanto quanto a declaração estúpida do deputado Ettore Pirovano.

As declarações do presidente do Senado José Sarney “recomendando” a Lula que cumpra a decisão do STF fazem jus a uma velha mundana, já desdentada e ornada por bigodes imorais, que montou praça na política e vendeu tudo o que podia, como se deixou comprar todas as vezes que a relação custo despesa lhe era favorável.

Existem determinados momentos na vida que ou você passa batido e nem olha para o lado, do contrário vira estátua de sal. Não é o dilema de Lula.

É só ser Lula, nada além disso.

A empreiteira responsável pela parte que desabou do Rodoanel em São Paulo, obra superfaturada e contribuinte da caixinha tucana, havia sido desqualificada de mentirinha no primeiro lance da licitação. Associou-se a uma das ganhadoras e, segundo um engenheiro disse hoje, empregado da firma, não usou sequer material de segunda, mas de quinta. Não vai dar na GLOBO.

O destaque vai ser a gravata de Bonner. E a culpa é da falta de ranhuras nas pistas do aeroporto de Congonhas.

Dizer que as instituições ditas democráticas estão virando um circo é ser injusto com o circo e os que ali trabalham. Um prostíbulo, é faltar com respeito a mulheres que são pegas em condições desfavoráveis de trabalho.

Mas dizer que está uma bagunça não ofende ninguém. E que a boate da dançarina Gilmar Mendes está fora de qualquer padrão que se possa imaginar como mínimo de justificativa, é só estar constatando uma realidade.

Cinco dançarinas e quatro ministros.

Velhos tempos de Adauto Lúcio Cardoso, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Vitor Nunes Leal, Ribeiro da Costa, Aliomar Baleeiros, Bilac Pinto que, a despeito de estarem à esquerda ou à direita sabiam que o STF não é lugar para dançarinas com todo respeito e toda reverencia a todas as dançarinas.

Só se espera que Lula não caia no conto dessas sereias falsificadas e com perfume italiano de quinta categoria.

Pela dignidade do Brasil.

Quem sabe na próxima Gilmar não permite aos brasileiros escolher a cor do biquíni a ser usado no show?

E antes que me esqueça, o novo filho de FHC também virou empregado do Senado.

Quem sabe?


O jornalista Laerte braga é colaborador desta nossa Agência Assaz Atroz

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Supremo Tribunal Federal decidiu que Lula é quem decide


"...na conversa mantida com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, no fim de semana, Lula prometeu respeitar a decisão do STF."

Fernando Soares Campos

"Lula prometeu respeitar a decisão do STF", e a decisão do STF foi: "Lula é quem decide".

Vamos recordar:

Penúltima decisão do STF: "Pela Extradição de Cesare Batistti".

Última decisão do STF: "Lula é quem decide pela extradição ou não".

Lula, respeitando a última decisão do STF, pode decidir que ele permaneça no Brasil.

Simples, né?

Estadão

Lula deve contrariar STF e manter Battisti no Brasil

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-deve-contrariar-stf-e-manter-battisti-no-brasil,468838,0.htm

Veja

Lula deve contrariar STF e manter Battisti no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve manter o terrorista italiano Cesare Battisti no Brasil. [Nota Assaz Atroz: Leia postagem nossa imediatamente anterior a esta] O governo pretende alegar "razões humanitárias" para não extraditar Battisti, argumentando que o ex-integrante do movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) está doente. A mesma justificativa foi adotada pelo governo francês para não entregar à Itália a militante de esquerda Marina Petrella.
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/lula-deve-contrariar-stf-manter-battisti-brasil-513394.shtml?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+noticiasveja+(VEJA.com+%7C+Not%C3%ADcias)


O título correto desses e de alguns outros deveria ser: "Lula vai nos contrariar mantendo Batistti no Brasil"

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COPIADO DO BLOG JUNTOS SOMOS FORTES

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Dia do "FICO": Lula deverá manter refugio humanitário. Battisti ficará.

A ESPERANÇA VENCE O MEDO. Dá-lhe Lula, que orgulho do "barbudinho" fomentador da Paz.

TODOS apoiamos você.

http://br.noticias.yahoo.com/s/19112009/25/politica-lula-deve-contrariar-stf-manter.html


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve manter o ex-ativista italiano Cesare Battisti no Brasil. O governo pretende alegar "razões humanitárias" para não extraditar Battisti, argumentando que o ex-integrante do movimento Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) está doente. A mesma justificativa foi adotada pelo governo francês para não entregar à Itália a militante de esquerda Marina Petrella.

Além disso, Battisti responde a processo penal no Brasil por falsificação de documento e uso de passaporte falso e deve ficar no País até que seja julgado. "A lei é clara nesse sentido e não há o que discutir", afirmou o ministro da Justiça, Tarso Genro, que disse ter ficado "surpreso" com o voto, ontem, do presidente do Supremo Tribunal Federal(STF), Gilmar Mendes, favorável à extradição.

Mendes criticou o refúgio concedido por Tarso a Battisti, sob a alegação de que não se pode atribuir motivação política a "crimes de sangue". Foi enfático, ainda, ao defender a tese de que o italiano - em greve de fome para pressionar a Justiça a absolvê-lo - deveria ser condenado pelos delitos, independentemente de seus objetivos. "Estou surpreso com esse sentimento dúbio", provocou Tarso.

Para o ministro, o endosso à extradição de Battisti contraria a jurisprudência do Supremo, uma vez que outros julgamentos da Corte decidiram pela concessão de refúgio a estrangeiros acusados de crimes políticos. Na Itália, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos nos anos 70.

Lula sempre apoiou a decisão do Ministério da Justiça de abrigar Battisti. O presidente foi convencido por amigos de que, se o ex-militante de extrema-esquerda retornar à Itália, corre risco de vida. De qualquer forma, na conversa mantida com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, no fim de semana, Lula prometeu respeitar a decisão do STF.

http://juntosomos-fortes.blogspot.com/

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O supremo Gilmar do STF

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Para evitar apoio às manifestações contra a extradição de Cesare Batistti, a Rede Globo evitou ao máximo tratar do assunto em seus noticiários mais populares, como, por exemplo, o Jornal Nacional.

Mas comemora o resultado n'O Globo Online. Provavelmente hoje o JN abrirá o noticiário com a chamada: "Supremo Tribunal Federal autoriza extradição de Cesare Battisti para Itália". Ou, como fez na edição do Globo Online, em vez de "Supremo Tribunal Federal", vai preferir atribuir a desisão a "Gilmar Mendes", o supremo.

Mas as Organizações Globo não dizem nada por acaso.

Dizer que "Gilmar Mendes autoriza extradição de Cesare Batistti para a Itália", como no título da matéria de O Globo Online, tem como objetivo colocar o presidente Lula em confronto com o "supremo presidente do Supremo".

Agora é só bater na tecla: "Gilmar Mendes autoriza a extradição do terrorista italiano".

E aguardar o momento de fazer o contraponto do enredo: "Lula se nega a entregar o terrorista". "Lula mantém o terrorista no Brasil". Isso enquanto 2010 durar, ou, pelo menos, até outubro. Mesmo que o italiano esteja apenas respondendo a outros processos na Justiça brasileira.

"Lula acoberta terrorista...", bom, esta ficaria por conta do entendimento daqueles que a Globo chama de Homer Simpson.

Fernando Soares Campos
Editor-Assaz-Atroz-Chefe

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Gilmar Mendes autoriza extradição de Cesare Battisti para Itália

Publicada em 18/11/2009 às 16h14m

O Globo; Agência Brasil

RIO [E eu que pensava que o STF era em Brasília]- O presidente da Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, apresentou na tarde desta quarta-feira voto pela extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti , condenado em seu país por participar do homicídio de quatro pessoas na década de 1970, quando integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). O voto de Gilmar Mendes desempata o julgamento, suspenso na semana passada , quando o placar registrava quatro votos pela extradição e outros quatro pela permanência de Battisti no Brasil. Até o final da sessão, os ministros ainda podem mudar o voto.

- Certas espécies de crimes, independentemente de sua finalidade política, não constituem crimes políticos. Levado às últimas consequências, logo poderíamos ter casos de estupro, pedofilia, genocídio ou tortura, entre outros, tratados como crimes meramente políticos - disse Gilmar ao ler seu voto.

Agora, será discutido se a decisão da Corte é determinativa ou se o presidente Lula tem o direito de descumpri-la e manter Battisti no Brasil. Pelo menos dois ministros - o relator, Cezar Peluso, e o presidente, Gilmar Mendes - já disseram que Lula não tem escolha, pois a última palavra é do STF. A declaração de Peluso foi dada em seu voto, em setembro .

Marco Aurélio diz agora que sentença contra Battisti não prescreveu

No início da sessão, o ministro Marco Aurélio Mello retificou parte de seu voto proferido na semana passada. O ministro, que havia dito que a sentença contra Battisti já prescreveu, voltou atrás e agora afirma que não. Mas manteve seu voto contra a extradição. A retificação enfraquece a estratégia da defesa do italiano, que pretendia levantar a tese de que a pena do réu está prescrita. ( Battisti está 'magro, pálido e debilitado', diz deputado )

Logo após a abertura da sessão, quatro manifestantes foram retirados à força do plenário. As manifestações pró Battisti têm ocorrido em todos as fases do julgamento. Na semana passada, o mesmo grupo chegou a empunhar uma faixa no plenário e também foi retirado à força.

Independentemente da decisão da Corte, Lula tem uma carta na manga se quiser manter Battisti no Brasil. É que o italiano responde a processo na 2ª Vara Federal Criminal do Rio por falsificação e uso de passaporte falso. Segundo o Estatuto do Estrangeiro, o governo pode entregar imediatamente o réu para o país de origem, se o STF concordar. Mas pode também aguardar o fim de processos contra o extraditando que tramitem no Brasil. Sobre esse ponto, não há divergências no tribunal.

Se Battisti for extraditado para a Itália, cumprirá pena de 30 anos. Lá, ele foi condenado pela participação no assassinato de quatro pessoas na década de 1970. O italiano alega que foram crimes políticos e luta para manter seu status de refugiado político no Brasil, concedido pelo Ministério da Justiça - o que lhe dá direito a ficar em liberdade, morar e trabalhar no Brasil.

Battisti está 'magro, pálido e debilitado', diz deputado
Na véspera, 12 parlamentares fizeram uma visita a Battisti na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele está em greve de fome desde sexta-feira, em protesto contra a provável decisão do STF de aprovar sua extradição. Segundo o senador José Nery (PSOL-PA) e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), Battisti está magro, abatido e ansioso , mas disposto a levar a greve de fome até as últimas consequências.

- Ele não está nem tomando soro. Está magro, pálido, debilitado. Ele nos disse que não tem nenhum ímpeto suicida, mas como está numa situação extrema tem que ir ao limite. Disse também que não quer morrer nas mãos de seu carrasco (o governo italiano) e, por isso, prefere sair da vida por decisão própria - contou Chico Alencar.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/11/17/gilmar-mendes-autoriza-extradicao-de-cesare-battisti-para-italia-914798301.asp

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos

A liberdade de uma democracia não é segura se o povo tolera o crescimento de poder privado ao ponto de tornar-se mais forte que o próprio Estado democrático. Isto, em essência, é fascismo – o apossamento do governo por uma pessoa, por um grupo, ou qualquer poder privado de controle. (Franklin Delano Roosevelt)

Texto recebido por e-mail da Rede Castorphoto

Caros

Depois de ter iniciado o desenvolvimento de um artigo que viesse a esclarecer a todos a importancia do pano de fundo do Caso Battisti, que foi a Operação Gladio no ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial, encontrei o trabalho já feito, o que apenas me deu o trabalho de traduzi-lo à noite até ha pouco. Poderia adicionar alguns outros detalhes importantes mas o tempo nos é exíguo para que chegue às mãos dos Ministros do Supremo e às suas para que repassem de imediato a fim de fazermos uso dessa matéria importantissima.

Infelizmente os e-mails dos Ministros Gilmar Mendes (o principal) Ayres Britto, Cesar Peluso e Ricardo Lewandowski me foram passados errado. Se puderem chegar às suas mãos ficariamos muito gratos.

Abraços

Marcos Rebello
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Excelentíssimos Ministros

Já há algum tempo venho participando de debates sobre esse tema, particularmente depois que o pedido de extradição de Cesare battisti pela Itália foi submetido ao Supremo Tribunal de Justiça da nação brasileira.

Acabo de traduzir esse ensaio fartamente documentado (não só por jornais) que trata o mais suscintamente sobre a base daquilo que viemos a conhecer na realidade como a guerra fria no ocidente perpetrada por agentes do próprio estabelecimento politico e de inteligencia ocidentais contra as nossas sociedades.

Este é, portanto, o pano de fundo contra o qual V. Exs. estão julgando o Caso Battisti.

Conclui-se que pela extradição de Cesare Battisti a Itália em vez de darmos início à resolução das atrocidades cometidas pelos serviços de inteligencia ocidentais operando particularmente na Itália e no Brasil durante a decada de 70 em seu auge, estaremos falhando inequivocamente em darmos um claro sinal a esses agentes de que essas práticas não mais serão toleradas em nossos paises por serem hediondas e monstruosas transgresões aos Direitos Humanos.

É por mantermos a dignidade humana e a soberania nacional, no que concerne os nossos Direitos Humanos, que Vossas Excelências têm a obrigação de impor e preservá-los pela simples e clara interpretação do espírito das leis no julgamento desse pedido de extradição que não procede. Porque não é um homem que está sendo julgado, mas todo um sistema de terror a que todo o mundo ocidental tem sido vítima como pretexto de, por controle estatal repressivo e violento, submeter centenas de milhões de seres humanos.

Como sabemos, por já termos conhecimento de causa, não há como Cesare Battisti ser julgado imparcialmente na Itália. Ele seria mais um bode expiatório no processo de encobrir aqueles que mantém o mesmo esquema politico-institucional.

Atenciosamente

Marcos Rebello


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Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos

O “sacrifício” de Aldo Moro

por Andrew G. Marshall

Pela OTAN, trabalhando com várias agências de inteligência européias, a CIA construiu uma rede dos que foram deixados atrás “dos serviços secretos” responsáveis por dúzias de atrocidades terroristas através de Europa ocidental por décadas. Este relatório estará focado no exército deixado atrás na Italia, porque é o mais documentado. O nome de código era Operação Gladio, a “espada”.

Uma vista geral

A finalidade das tropas “deixadas atrás”


No inicio dos anos 50, os Estados Unidos começaram a treinar redes dos “deixados atrás” dos voluntários na Europa ocidental, de modo que no caso de uma invasão soviética, “recolhessem a inteligência, abrissem vias de fuga e formassem movimentos de resistência.” A CIA financiou e educou estes grupos, trabalhando mais tarde com unidades de inteligência militar européias ocidentais sob a coordenação de um comitê da OTAN. Em 1990, os investigadores italianos e belgas começaram pesquisar as ligações entre estes “deixados atrás dos exércitos” e a ocorrência do terrorismo na Europa ocidental por um período de 20 anos. [1]

“Exércitos secretos” ou grupos terroristas?

Estes que “permaneceram atrás” dos exércitos conspiraram, financiaram e frequentemente dirigiram organizações terroristas durante toda a Europa no que foi denominado uma “estratégia de tensão” com o alvo de impedir uma ascensão da esquerda na política européia ocidental. Os “exércitos secretos” da OTAN conduziram atividades subversivas e criminais em diversos países. Na Turquia em 1960, o deixados-atrás do exército, trabalhando com o exército turco, encenou golpes de estado e matou o primeiro ministro Adnan Menderes; na Argélia em 1961, o deixados-atrás do exército francês encenou um golpe com a CIA contra o governo francês de Argel, que eventualmente malogrou; em 1967, o exército grego deixado-atrás encenou um golpe e impôs uma ditadura militar; em 1971 na Turquia, após um golpe militar, o deixados-atrás do exército organizou “o terror doméstico” e matou centenas; em 1977 na Espanha, o deixados-atrás do exército realizou um massacre em Madrid; em 1980 na Turquia, o lider do deixados-atrás do exército encenou um golpe e tomou o poder; em 1985 em Bélgica, o deixados-atrás assassinou aleatoriamente pessoas nos supermercados, matando 28; na Suiça em 1990, o anterior líder do deixados-atrás escreveu ao departamento de defesa dos E.U. que revelaria “toda a verdade” e foi encontrado morto no dia seguinte com sua própria baioneta; e em 1995, a Inglaterra revelou que o MI6 e o SAS ajudaram na instalação dos deixados-atrás dos exércitos através de toda a Europa ocidental. [2]

O nascimento da operação Gladio

Uma “estratégia de tensão”

Em 1990, o primeiro ministro italiano confirmou que os “deixados-atrás” do exército, denominado “Gladio” (espada), existiu desde 1958, com a aprovação do governo italiano. No princípio dos anos 70, o apoio comunista na Italia começou a crescer, de maneira que o governo mudou para uma “estratégia da tensão” usando a rede do Gladio. Em 1972 durante uma reunião extremamente secreta do Gladio, um oficial sugeriu que se fizesse “um ataque preventivo” nos comunistas. Como o jornal britanico The Guardian reportou, as ligações entre o Gladio na Italia, todos os três serviços secretos italianos e a ala italiana da Loja Maçonica P2 eram muito bem documentados, porque o chefe de cada unidade da inteligência eram membros da Loja P2. [3]

Preparando a rede

Em 1949, a CIA ajudou a instalação da unidade de inteligência secreta italiana das forças armadas, nomeada SIFAR, provida com parte do pessoal de antigos membros da polícia secreta de Mussolini. Mais tarde o nome mudou para SID. Na final da Segunda Guerra Mundial , um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, estava prestes a ser executado por suas atividades durante a guerra, mas negociou pela vida juntando-se ao corpo de contra-informação do exército dos EUA. Nos anos 50, Gelli foi recrutado pela SIFAR. Gelli era tambem um dos líderes da Loja Maçonica P2 na Italia e, em 1969, desenvolveu laços intimos com o general Alexander Haig, que era então assistente do Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger. Através desta rede, Gelli transformou-se no principal intermediário entre a CIA e o Geral De Lorenzo, chefe da SID. [4]

Gladio cria a “tensão”

A Gladio foi envolvida nos silenciosos golpes de estado da Italia, quando o general Giovanni de Lorenzo forçou os ministros socialistas italianos a deixar o governo. [5] Em 12 de dezembro de 1969, uma bomba explode no banco agrário nacional, matando 17 pessoas e ferindo outras 88. Nessa mesma tarde, mais três bombas explodem em Roma e em Milão. A inteligência dos E.U. era informada com antecedencia sobre os atentados, mas não informava as autoridades italianas. [6] Em 2000, um antigo General do Serviço Secreto Italiano afirmou que a CIA “deu sua tácita aprovação a uma série de atentados à bomba na Italia nos anos 60 e nos anos 70.” [7] Estabeleceu-se que os atentados tinham ligações a dois neo-fascistas e a um agente do SID. [8]

Em depoimento em tribunal durante julgamento de quatro homens acusados da participação em atentados à bomba em bancos durante 1969 em Milão, o general Gianadelio Maletti, anterior líder da contra-informação militar de 1971 a 1975, indicou que sua unidade descobriu evidência de que os explosivos foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, e que a inteligência dos E.U. pode ter ajudado na transferência dos explosivos. Foi dito que ele declarou que a CIA, “seguindo as diretrizes orientadoras de seu governo, quis criar um nacionalismo italiano capaz de sustar o que foi considerado como uma guinada à esquerda e, com esta finalidade, pode ter sido empregado terrorismo de direita,” e que, “eu acredito isso foi o que tambem aconteceu em outros países. ” [9]

O Relatório

O governo italiano liberou um relatório de 300 páginas em operações da Gladio na Italia em 2000, documentando conexões com os Estados Unidos. Declararam que os E.U. eram responsáveis por inspirar uma “estratégia da tensão.” No examinar o porque aqueles que cometeram os atentados à bomba na Italia foram raramente apreendidos, o relatório disse, “aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares tinham sido organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens dentro das instituições italianas do estado e, como foi descoberto, pelos homens ligados às estruturas da inteligência dos Estados Unidos. ” [10]

As Brigadas Vermelhas

As Brigadas Vermelhas eram uma organização italiana de esquerda terrorista formada em 1970. Em 1974, os fundadores das Brigadas Vermelhas Renato Curcio e Alberto Franceschini foram apreendidos. Alberto Franceschini acusou mais tarde um membro superior das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti, de delatá-los, e que ambos Moretti e um outro membro principal das Brigadas Vermelas, Giovanni Senzani, eram espiões para os serviços secretos italiano e dos E.U. [11] Moretti subiu no poder das Brigadas Vermelhas em conseqüência da apreensão dos dois fundadores.

As Brigadas Vermelhas e a CIA

As Brigadas Bermelhas trabalharam em comum acordo com escola de línguas Hyperion em Paris, fundada por Corrado Simioni, por Duccio Berio e por Mario Moretti. Corrado Simoni havia trabalhado para o CIA na Radio Free Europe, Duccio Berio havia fornecido à SID italiana informações de grupos esquerdistas, e Mario Moretti, àparte de ser acusado pelos fundadores das Brigadas Vermelhas como sendo um agente da inteligência, igualmente aconteceu ser o arquiteto e o assassino do primeiro ministro italiano anterior, Aldo Moro. Em relatório polícial italiano a escola de línguas Hyperion foi referida como “o escritório mais importante da CIA na Europa. ” [12]

O assassinato de Aldo Moro

Moro faz inimigos poderosos


Aldo Moro, que serviu como Primeiro Ministro da Italia de 1963 até 1968 e mais tarde, de 1973 até 1976, foi sequestrado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978, quando ainda um político proeminente no partido Democrata-Cristão. Quando foi sequestrado, Moro estava em trajeto ao Parlamento para votar na inauguração de um novo governo, que ele proprio negociou, pela primeira vez desde 1947, para ser apoiado pelo Partido Comunista Italiano (PCI). A política de Moro de trabalhar de comum acordo e de trazer os comunistas ao governo foi delatada pela URSS e pelos Estados Unidos.

A ameaça de Kissinger

Moro foi mantido sequestrado por 55 dias antes de seu assassinato. O raciocínio era para que o seu plano trouxesse o partido comunista ao governo. Quatro anos antes de sua morte, em 1974, Moro estava em uma visita como Primeiro Ministro Italiano aos Estados Unidos. En sua visita encontrou-se com o Secretário de Estado dos E.U. Henry Kissinger que disse: Moro, “você deve abandonar a sua política de trazer todas as forças políticas em seu país nessa colaboração direta… ou você pagará caro por ela. ” [13]

Moro “foi sacrificado”

Steve Pieczenik, um antigo negociador de refens do Departamento de Estado e entendido gerente em crises internacionais, “afirmou que teve um papel crítico no destino de Aldo Moro.

Pieczenik disse que Moro “tinha sido sacrificado” para “a estabilidade” da Italia. Ele tinha sido enviado a Italia pelo presidente Jimmy Carter no dia do sequestro de Moro para ser parte de um comitê sobre a crise, da qual disse: “foi criada repentinamente pelo temor de que Moro revelasse segredos de estado na tentativa de se livrar.” A ação tomada pelo comitê foi a de vazar um memorando dizendo que Moro estava inoperante, e atribuir o memorando às Brigadas Vermelhas. A finalidade dessa operação era “preparar o público italiano para o pior e deixar as Brigadas Vermelhas saberem que o estado não negociaria por Moro, considerado-lhe já morto.” [14] Em um documentário no assunto, Pieczenik indica que, “A decisão foi feita na quarta semana do sequestro, quando as cartas de Moro se tornaram desesperadas e que ele estava a ponto de revelar segredos de estado,” e isso, “era uma decisão extremamente difícil, mas a pessoa que a fez no final foi o Ministro do Interior Francesco Cossiga, e, aparentemente, também o Primeiro Ministro Giulio Andreotti. ” [15]

As cartas de Moro

Entre as cartas liberadas de Moro, que as escrevia quando no cativeiro, indica que temia que uma organização secreta, com “outros serviços secretos do ocidente… pudesse estar implicada na desestabilização de nosso país.” [16] Durante sua interrogação quando no cativeiro, Moro ainda se referiu à “atividades da anti-guerrilha da OTAN.” Entretanto, as Brigadas Vermelhas não usaram esta informação, [17] talvez porque, de acordo com os fundadores das Brigadas Vermelhas, o líder da organização durante o sequestro de Moro, Mario Moretti, estava trabalhando para os serviços italiano ou de inteligência dos E.U. [18]

Jornalista independente morto pelo presidente?

Imediatamente depois da morte de Moro, o journalista italiano, Mino Pecorelli, um homem com “excelentes contatos no serviço secreto,” exprimiu sua suspeita em um artigo em 1978 no qual a morte de Moro estava ligada a Gladio, fato que não foi oficialmente reconhecido até 1990. Um ano após a morte de Moro, Pecorelli foi baleado em Roma. Disse que o sequestro de Moro foi orquestrado “por uma superpotência lúcida.” Em 2002, o sete-vezes Primeiro Ministro anterior, Giulio Andreotti, foi condenado por ter “ordenado” o assassinato de Pecorelli. [19] Pecorelli estava prestes a publicar um livro “contendo críticas prejudiciais ao [Primeiro Ministro Giulio] Andreotti pelo assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro. ” [20]

O atentado em Bolonha

Na manhã do 2 de agosto de 1980, a Italia experimentou seu pior ataque terrorista da historia na estação de trem de Bolonha, que matou 85 pessoas, e feriu mais de 200 outras. Foi feita uma longa e complicada investigação e, eventualmente, deu-se início a um julgamento. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à vida na prisão. Outros dois réus foram condenados por difamação à investigação, “Francesco Pazienza, um antigo financeiro ligado a diversos casos criminosos na Italia, e Licio Gelli, antigo grão-mestre da notória Loja Maçonica P2. ” [21] Este é o mesmo Licio Gelli que passou a ser um intermediário entre a CIA e a liderança da inteligência italiana para a rede da Gladio. Entretanto, mais tarde Gelli foi absolvido dos crimes.

Notas

[1] Bruce W. Nelan, Europe Nato's Secret Armies. Time Magazine: November 26, 1990:
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,971772,00.html

2] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[3] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[4] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[5] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[6] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[7] CBC, CIA knew, but didn't stop bombings in Italy - report. CBC News: August 5, 2000:
http://www.cbc.ca/world/story/2000/08/05/cia000805.html

[8] Peter Dale Scott, The Road to 9/11: Wealth, Empire, and the Future of America. University of California Press, 2007: page 181

[9] Philip Willan, Terrorists 'helped by CIA' to stop rise of left in Italy. The Guardian: March 26, 2001:
http://www.guardian.co.uk/world/2001/mar/26/terrorism

[10] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[11] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[12 - 13] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[14] Malcolm Moore, US envoy admits role in Aldo Moro killing. The Telegraph: March 16, 2008:
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1581425/US-envoy-admits-role-in-Aldo-Moro-killing.html

[15] Saviona Mane, A murder still fresh. Haaretz: May 9, 2008:
http://www.haaretz.com/hasen/spages/981929.html

[16] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[17] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[18] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[19] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[20] BBC News, Giulio Andreotti: Mr Italy. BBC: October 23, 1999:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/483295.stm

[21] AP, Four Get Life in Prison In Bombing in Bologna. The New York Times: July 12, 1988:
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=940DE0D61131F931A25754C0A96E948260


Andrew G. Marshall contribuiu para romper o consenso das alterações climáticas em um celebrado artigo em 2006 intitulado “Aquecimento Global Uma Mentira Conveniente”, em que desafiou os resultados que são a base do documentário de Al Gore. De acordo com Marshall, “assim que os povos começarem indicar que “o debate acabou”, tomem cuidado, porque a base fundamental de todas as ciências é que o debate nunca termina”. Andrew Marshall igualmente escreveu sobre a militarização da África Central, sobre questões de segurança nacional e sobre o processo de integração de America do Norte. É igualmente um contribuinte para o GeopoliticalMonitor.com para Centre for Research on Globalization (CRG) em Montreal e está estudando ciência política e história na Simon Fraser University, British Columbia.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A vida só tem sentido quando vivida com dignidade

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“O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, disse que Lula pode sofrer processo de impeachment caso se recuse a entregar Battisti à Itália: ‘Por que o presidente da República cumpre uma decisão? Não é porque será eventualmente afastado do cargo se não vier a cumpri-la. Porque respeita a Constituição. Sabemos que as condições políticas para seu afastamento são extremamente difíceis. Precisaria haver um processo instalado pelo procurador-geral da República e uma aprovação por dois terços da Câmara dos Deputados.’ A declaração, feita na sessão, provocou estranhamento entre ministros.” (www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091114/not_imp466328,0.php)

Fernando Soares Campos

O primeiro grande golpe contra o governo Lula, pelo menos o golpe aberto ao conhecimento da Nação, ocorreu em meados de 2005, com o chamado escândalo de “mensalão”. Hoje falam que, naquela ocasião, o golpe do impeachment não se consumou porque o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria preferido fazer o presidente Lula “sangrar”, ou seja, Lula teria sido poupado, naquele momento, apenas para que FHC tivesse oportunidade de extravasar seu sádico instinto, ou desfrutasse do seu doentio prazer de vingança.

Mas... vingança contra o quê?

Vingança contra a ousadia de um “analfabeto”, um “jeca”, um “baiano”, um “peão”, que se aproveitou de um momento de descuido das elites abastadas e não cumpriu o ritual dos miseráveis que se arriscam em “aventuras” políticas.

Mas a verdade é outra. FHC et caterva amarelaram, botaram o rabo entre as pernas e mudaram de plano. Essa história de “deixar sangrar” é balela.

Como assim, “ritual dos miseráveis que se arriscam em ‘aventuras’ políticas?” Amarelaram por quê?

Gente da laia de FHC acredita que indivíduos da classe trabalhadora devem fazer política como os militares das classes subalternas fazem suas carreiras.

Nas Forças Armadas, o indivíduo que iniciar carreira pelas classes subalternas não têm o direito de alcançar postos de comando nem de chegar aos mais altos postos da hierarquia militar.

Se um brasileiro for admitido em qualquer das corporações das Forças Armadas como recruta ou sargento, está ele destinado a alcançar, no máximo, o coronelato. Raríssimos chegam aí. A grande maioria encerra a carreira como sargento, alguns como suboficial. E de nada adianta estudar para se tornar um general, almirante ou brigadeiro. A não ser que o subalterno dê baixa ainda muito jovem, preste exames para uma das academias militares, seja aprovado e inicie nova carreira militar (o que ficou para trás conta apenas como tempo de serviço para efeitos de aposentadoria/reforma).

Mas o que isso tem a ver com política?

Sujeitos da laia de FHC estão acostumados a lidar com gente não apenas subordinada, mas submissa, que faz o jogo político consciente de estar fazendo o papel de rato para o gato, de empregado para o patrão, de serviçal para o senhor de suas vontades. São indivíduos conscientes de que se elegeriam, no máximo, para cargos legislativos nos âmbitos municipal, estadual, ou, com muita sorte, para uma das casas do Congresso.

O jogo sempre foi esse, até que ocorreu a ascensão de candidatos do Partido dos Trabalhadores a importantes prefeituras de capitais e cidades de grande porte. O PT cresceu, ganhou inicialmente aquilo que precisava para chegar à Presidência da República e a governanças estaduais: o apoio da classe média; em seguida vieram os trabalhadores da base da pirâmide social.

Se fôssemos teorizar aqui sobre as razões que fizeram Lula chegar à Presidência da República, teríamos que nos estender em laudas e mais laudas, portanto vamos saltar as teorias a esse respeito e firmar os pés apenas aqui e agora, com Lula já no segundo mandato.

Mas, em resumo: Collor foi eleito para que se evitasse Lula; Lula, por sua vez, conseguiu chegar à Presidência porque, entre outros fatores, precisavam evitar a ascensão de Brizola.

Quando Collor foi eleito, no dia da eleição, reconhecida sua vitória, eu mesmo disse em casa: “Os que colocaram ele lá são os mesmos que vão derrubá-lo”. As cartas estavam marcadas e os trapaceiros sabiam usá-las.

Caixa dois, compra de voto, fraude em eleições, nada disso é novidade para aqueles que usam essas armas para se eleger; mas são suficientes para se evocar um falso moralismo capaz de derrubar quem quer que ouse cruzar seus caminhos. Tiram Collor do Planalto como quem diz: “Vá pra casa, garoto, você já brincou bastante de presidente”.

Pensaram que poderiam reeditar o teatro armado contra Collor. Acreditaram que poderiam usar o argumento do caixa dois contra o PT e o governo Lula (coisa utilizada por todos os políticos deste país, até porque a legislação, de certa forma, obriga a isso). Quebraram a cara.

O PT fez caixa dois como qualquer partido já fez, faz e fará. E, por isso mesmo, os golpistas estavam tranquilos. Mandaram o Roberto Jefferson espalhar que o caixa dois petista era “mensalão”, compra de voto de parlamentares para aprovar projetos do governo Lula. O pau-mandado-rabo-preso cumpriu sua parte e saiu de cena, até sacrificou seu próprio mandato.

Deflagraram o escândalo. Até comemoraram: “Trinta anos sem essa raça para atrapalhar nossos planos de venda do que restou depois de FHC”.

Prepararam o impeachment.

Mas aí o bicho pegou!

Como assim?!

Sentiram que Lula não era Collor. Com Lula o buraco era mais embaixo. Lula tinha o apoio do povo, apoio de gente disposta a defender o governo até as últimas consequências.

Como assim?!

Pessoas Dispostas a derramar seu próprio sangue por uma causa.

Como assim?!

Ora, disposição para matar ou morrer em defesa dos seus direitos.

Como assim?!

Como em Honduras! Como em Cuba! Como na Venezuela! Como na Bolívia! Como no Brasil nos tempos da “redentora”! Como as Farc na Colômbia! Como no Vietnam! Como na China! Como na Revolução Francesa! Como na Nicarágua sandinista! Como no Chile, no Uruguai, na Argentina, na Palestina, no Iraque, na Coreia, na Rússia, em Angola... Enfim, como se derrama sangue em qualquer parte do mundo.

Cesare Batistti condenado à extradição, Lula pode entregá-lo ou não ao governo italiano. Ele é o presidente, e a ele cabe a decisão.

Se entregar, respeito. Mas me afasto de qualquer apoio a um governo desses, que entraria para a História como Getúlio entregando Olga Benário aos nazistas. E um erro desses é muito mais grave que qualquer caixa dois eleitoral.

Se não entregar e, por isso, sofrer o golpe do impeachment, pode contar com o meu sangue.

Se Lula sofrer o golpe do impeachment, tenho certeza de que, neste país, não surgirão "Cesares Battistis", pois o italiano jura que não matou ninguém. E eu acredito.

Surgirão no Brasil pessoas como eu, por exemplo, pegando em armas; matando ou morrendo. Pois, pra mim, a vida só tem sentido se for vivida com dignidade.

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domingo, 15 de novembro de 2009

Por que a Polícia Federal praticamente parou? Parou por quê?!

Fernando Soares Campos

Por que as operações da Polícia Federal emperraram?

Por que delegados da Polícia Federal considerados operantes, competentes, combativos, foram afastados dos cargos e até ameaçados de serem expulsos da corporação?

Não pretendo responder a essas perguntas, pois, ao ler a nota do Castor Filho (responsável pela Rede Castorphoto) e a republicação de artigo de minha autoria (“Quando buchas de canhão são promovidas a generais”), creio que, da leitura desses textos, o leitor pode tirar suas próprias conclusões.

Antes, porém, reproduzo aqui trecho de outro artigo meu, a fim de reavivar alguns episódios desbotados nas paredes da memória de muita gente:

“No período de 12 a 20 de maio de 2006, cerca de 400 pessoas foram assassinadas no Estado de São Paulo, vítimas do mais sangrento ataque atribuído à facção criminosa conhecida como PCC (Primeiro Comando da Capital), cuja liderança mais expressiva é o presidiário Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, condenado por assalto a banco. Quer dizer, é apenas um assaltante que assaltava colegas. Depois dessa primeira grande onda de ataques, outras se sucederam. Chegaram a ocorrer 54 rebeliões simultâneas em unidades prisionais do Estado de São Paulo, vários presídios foram depredados. Nas ruas os ataques atingiram principalmente a frota de ônibus da capital paulista, dezenas de coletivos foram queimados, agências bancárias sofreram danos em suas fachadas causados por bombas e tiros de armas de grosso calibre. Policiais foram assassinados em emboscadas. Tudo debitado na conta do PCC. (escrevi isso em agosto de 2006, e foi publicado no diário espanhol La Insígnia,” http://www.lainsignia.org/2006/agosto/ibe_045.htm)

Agora circula internet adentro artigo intitulado “Eles ajudaram a destruir o Rio”, por Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, através do qual o autor nos faz lembrar que “Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.”

Até aí, morreu Neves. A questão é que o autor quer imputar a culpa pela guerra do narcotráfico e suas desastrosas consequências a esse fato: a contribuição dada pelos cheiradores de cocaína fumadores de maconha da classe média, a "ajuda" da classe média (na verdade, o autor tenta passar a idéia de principal culpado pelo “sucesso” das organizações criminosas que abastecem de drogas e armas as bocas do narcotráfico no Rio).

E vai além, ele conclui: “E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. [Grifo Assaz Atroz]. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacueras, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa-lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.”

No artigo de Sylvio Guedes, nenhuma frase ou simples palavra apontando os verdadeiros responsáveis pela catástrofe que se abateu sobre os cariocas e se disseminou por toda a Nação, em função do tráfico de entorpecentes e dos armamentos bélicos colocados nas mãos dos rastaqueras e pés-de-chinelo que ele aponta; nada contra os verdadeiros comandantes do crime organizado, nada contra generais, secretários de segurança pública, empresário bandidos, instituições bancárias que lavam o dinheiro do narcotráfico, governos mafiosos, milionários traficantes de armas e drogas (a imprensa só mostra os varejistas, pequenas buchas que são plantadas nas fronteiras, indicadas aos policias rodoviários, que fazem a abordagem, prendem e exibem na TV). O camarada ainda tem o desplante de chamar os buchas das favelas de "barões", "senhores de um império". Putz!

Os pés-de-chinelo não “...cortam cabeças de quem ousa-lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade”. Eles cortam cabeças de seus pares do submundo do crime nas comunidades faveladas. E, quando abatem alguma figura um pouco mais afastada desse ambiente, não ficam impunes. Observe as invasões dos morros e favelas cariocas pelas forças policiais. Ali são abatidas dezenas de pessoas, bandidos e trabalhadores. Ocorrem verdadeiros massacres.

Com as ações da Polícia Federal, a gente já estava começando a ver outro tipo de incursão policial. Bem distante dos morros e favelas. Acontecia nos condomínios e escritórios luxuosos. Mas essas ações foram estancadas, emperraram, foram abortadas.

O governo Lula pode executar centenas de obras. Pode realizar centenas de programas sociais. Mas o que me fazia admirar era ele estar conseguindo implementar um programa de combate à corrupção e ao tráfico de drogas. Isso era o que eu mais admirava. Sempre disse isso, que a obra mais difícil de ser implementada pelo governo Lula seria o combate à corrupção. Estava eu realmente deslumbrado com o que via: banqueiros, políticos de alta influência, sonegadores de bilhões de reais, tudo indo pra cadeia. Assisti ao desbaratamento de quadrilhas de funcionários instaladas nas repartições públicas; mandados de busca e apreensão em importantes escritórios de advocacia, algemas nos punhos de gente graúda...

De repente, não mais que de repente, tudo isso parou. Os passageiros de camburão da polícia voltaram a ser os bandidos pés-de-chinelo. Aliás, hoje está ocorrendo coisa bem mais grave, nem a passeio de camburão eles têm direito. São mandados diretamente para o cemitério. Massacre mesmo! E ainda sobra pra quem não tem nada com o peixe.

Por que não revelam o número exato de mortos nessas investidas da polícia nos morros e favelas cariocas? Nas ações da polícia depois da derrubada do helicóptero (quem derrubou? Alguém aí é capaz de responder?), falaram em cerca de 50 mortos (até citaram “algumas” vítimas inocentes). Mas tudo fica apenas no gogó dos repórteres e autoridades. Nada de expor cadáveres e familiares. Cadê a tal imprensa investigativa? Não, nesses casos a imprensa “confia” nos números fornecidos. Mas você pode multiplicar por 5 tudo que disserem a respeito do número de mortos nessas invasões militares às favelas. Uma parte vai para o IML, outra vai adubar as matas, a Floresta da Tijuca. Muitos não têm parentes nem aderentes, são almas penadas no mundo, que não contam com uma só voz que os defenda. Mesmo porque fica difícil defender indivíduos que foram transformados em feras, “monstros”.

Alguém aí já assistiu a um verdadeiro confronto da polícia com os traficantes dos morros do Rio?

Bom, eu já assisti àquele caso em que dois infelizes correm e são abatidos de um helicóptero, abatidos como animais num safári. O resto é apresentado da seguinte forma: os repórteres enquadram o morro e gravam o som do pipocar das armas. Tudo parece confronto; mas nem sempre o é! Em muitos casos é simples massacre. E o telespectador fica impressionado, acreditando que tudo aquilo é confronto. Raros são os verdadeiros confrontos. E só correm quando os infelizes deixados como buchas não têm para onde correr. A maior parte dos que morrem já havia arriado as armas, levantado as mão, ou se ajoelhado, deitado no chão, para serem executados. Isso sem contar os que voltavam do trabalho e foram alvejados simplesmente pela “aparência” ou por um gesto de autodefesa (correr, por exemplo).

Durante 5 anos conversei com cerca de 3.000 adolescentes que trabalhavam para o tráfico de drogas. As histórias que eles me contaram e as confissões que fazeram indicam o medo que eles têm da polícia. Nas entrevistas que dão a alguns repórteres, costumam arrotar valentia. Mas aquilo é só nas entrevistas. Eles confiam mesmo é no poder de corrupção. Eles costumam tranquilizar a população favelada e os consumidores que se arriscam a subir o morro, dizendo: "Tá tudo manero, nóis já fizemo o acerto da semana com os home".

E o aditor encerra seu artigo afirmando:

“Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é digamos assim, tolerado. Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: 'Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro.'
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.' ",
Sylvio Guedes, Jornal de Brasília.

Pelo que me consta (ou devo estar muito atrasado em relação à ascensão da classe média), são raros os artistas que usam esses tipos de automóveis (minoria), raríssimos são os intelectuais que desfilam neles. Isso aí são carros de chefes de redação, gente conivente com o crime organizado.

Agora vamos aos comentários do Castor:

Prezados amigos

Este artigo do Sylvio Guedes
[“Eles ajudaram a destruir o Rio”] é o típico artigo "jornalístico" que, como diz fartamente a Caia, é típico do jornalismo que desgraça o Brasil 2009 e periga continuar a desgraçar ainda por muitos e muitos anos.

Conclamar a "crasse mérdia" e seus representantes a se auto-inflingir pena de colocar adesivo na traseira de seu automóvel é a típica "coisa-de-viado"(não confundir com homossexual).

Será que do alto da sua sapiência o SG não sabe que os traficantes não estão nos morros nem nas favelas? Traficantes estão na ZONA SUL - Ipanema/Leblon/Jarim Botânico/Gávea de preferência. Excluo propositalmente Leme/Copacabana/Botafogo/Flamengo/Laranjeiras, pois são bairros de "crasse mérdia" um pouco mais baixa e pouco dignas dos verdadeiros TRAFICANTES.

Aqueles que REALMENTE ganham com o tráfico são os ATACADISTAS, estes sim, os verdadeiros BARÕES das drogas. Essa gente nem passa perto dos morros ou favelas. Qualquer ameaça de construção de favela nas proximidades de suas residências é logo dissuadida por diligente ação policial. Outras coisa, a POLÍCIA e a JUSTIÇA sabem quem são esses BARÕES. Tão bem como sabem quem são os donos do JOGO-DO-BICHO. Só que NÃO INTERESSA acabar nem com o TRÁFICO, nem com o BICHO. A polícia e a justiça, além da POLÍTICA cariocas (não estou excluindo o resto Brasil, estou apenas me fixando no RJ) vivem deles, principalmente. Não há exceções.

A ÚNICA saída "legal/institucional" e mais a "mão", para o que está acontecendo é CRIMINALIZAR A POBREZA. Esta é a tradicional desculpa para "livrar-a-cara" destas corrompidas instituições. POBRE é sinônimo de bandido.

Os "passadores" de drogas nos morros e favelas são pequenos varejistas. Na maioria dos casos a "governança" dos morros e favelas tem apenas subsidiariamente a ver com tráfico de drogas. Tem muito mais a ver com LUTA PELO PODER. Pura e simplesmente o DOMÍNIO POLÍTICO e ECONÔMICO do morro ou da favela. Muito mais importância que as drogas tem o controle das "biroscas"(comércio varejista nos morros e favelas), da entrada e saída de materiais de construção, além de uma infinidade de "pedágios" que cada morador tem que pagar ou "contribuir para o bem estar da comunidade". Este é o verdadeiro objetivo do DONO DO MORRO ou FAVELA.

Aí ficam os "jornalistas" tipo Sérgio Guedes escrevendo viadagens e "se achando o máximo"... Aconselhando a "crasse mérdia" a botar plastiquinho auto-flagelante nos seus "bólidos" meia-boca...

Abraço
Castor

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E aqui está a reprodução de artigo de minha autoria, escrito e publicado há quase três anos e que hoje pode ser encontrado em diversos sites e blogs, basta colocar o título em pesquisa do Google:

Quando buchas de canhão são promovidas a generais



Fernando Soares Campos

Marcola, PCC e "grupo de chefões de Bangu" são apenas a mão grande e suja das SSP’s, PM’s, políticos safados, imprensa sem-vergonha e outros cretinos. Servem ainda para alimentar a inconsciência da classe média idiotizada, que, à falta dos antigos bandidos românticos, teorizam sobre a rebeldia dos injustiçados, ao mesmo tempo em que faz o seu papel de vítima.

Saulo de Castro (SP) e Álvaro Lins (RJ) são muito mais perigosos que qualquer Beira-Mar ou Marcola.

"Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro, não pode ser tratada como crime comum. Isso é terrorismo e tem que ser tratado com política forte e mão forte do Estado brasileiro. Aí já extrapolou o banditismo convencional que nós já conhecíamos, quando um grupo de chefes de dentro da cadeia consegue dar ordem para fazer uma barbaridade daquelas, matando inocentes. Foi uma prática terrorista das mais violentas que eu tenho visto neste país, e tem que ser combatida ." — presidente Lula, em discurso de improviso, em 1° de janeiro de 2007, dia da posse do seu segundo mandato.

Creio que, quando o presidente Lula falou de "terrorismo", ele não visou apenas os sujeitos que entram nos ônibus e os incendeiam, matando inocentes vítimas dessa guerra covarde, na qual os cabos são apresentados como generais. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência sabe que, aqui no nosso país, as chamadas "organizações criminosas" (ou "crime organizado") que a população consegue enxergar não passam de bodes expiatórios de uma elite criminosa que está muito além dos "grupos de chefes encarcerados".

Nenhum desses grupos ou indivíduos isoladamente eleitos pela mídia como "poderosos chefões", como se representassem o extremo, o máximo, a cúpula, entre os detentores do poder criminoso... pois bem, nenhum deles teria como agir se não contasse com a anuência do poder maior, aquele que não aparece; aliás, às vezes alguns de seus representantes aparecem "protestando" contra a violência, em muitos casos angariando votos, reclamando demagogicamente contra o degradante estado de violência que eles mesmos criaram e até "se comprometendo" em combatê-la. A população está pagando caro pela cretinice do crime politicamente organizado nos gabinetes, comandado por sujeitos insatisfeitos com as ações do NOVO Departamento de Polícia Federal, da nova estrutura de combate à sonegação de impostos, ao contrabando, ao tráfico de drogas, às práticas de corrupção nas instituições públicas.

Recentemente, com a Operação Tingüí, deflagrada no dia 15 de dezembro passado, a Polícia Federal desbaratou um esquema de policias do Estado do Rio de Janeiro envolvidos com o crime organizado. Mais de 70 policiais foram presos de uma só vez, o que, segundo o comandante-geral da Polícia Militar, foi a maior prisão de policiais na história da PMRJ. Concomitantemente, deflagrou-se a Operação Gladiador, resultado de investigações que duraram sete meses e acabaram por desmantelar um esquema de quadrilhas de caça-níqueis que agiam em diversos estados. Neste caso, escutas telefônicas revelaram que Álvaro Lins, eleito deputado estadual (RJ) e ex-chefe de polícia dos governos Garotinho/Rosinha, está envolvido até a medula com a máfia dos bingos eletrônicos. Os grampos mostraram o ex-chefe de polícia agradecendo a um dos cabeças do bando: "Estou ligando para agradecer aí a ajuda, a torcida, todo o trabalho de vocês. Continuamos juntos, vamos em frente que tem muito trabalho ainda". Álvaro Lins foi eleito com mais de 100 mil votos. Resta saber se, de ex-chefe de polícia, ele passa a representante do crime organizado na Assembléia Legislativa.

O que vem ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro é terrorismo sim! Mas não parte dos idiotas que são usados para fazer o trabalho sujo. Muito menos se origina dentro das penitenciárias, como estão tentando fazer a população acreditar.

Não foram os que estão nas penitenciárias que ordenaram a chacina da Candelária, de Vigário Geral, da Baixada e tantas outras. Também não se pode afirmar que os executantes são os principais ou únicos responsáveis, não se pode dizer que agiram por conta própria. Nenhum desses grupos tem autonomia para realizar tamanhas barbaridades. Claro que eles se acham os donos da cocada preta, mas não é qualquer chefete do tráfico de drogas que sabe de onde partem as ordens; os verdadeiros cretinos se protegem, e os buchas são queimados; a população entra com o sangue derramado.

O presidente Lula disse: " Aí já extrapolou o banditismo convencional que nós já conhecíamos, quando um grupo de chefes de dentro da cadeia consegue dar ordem para fazer uma barbaridade daquelas, matando inocentes".

Como eles "conseguem"?!

Esse "grupo de grupo de chefes dentro da cadeia" está para o Rio, assim como PCC e Marcola estão para São Paulo.

Em depoimento à CPI do Tráfico de Armas, Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, a facção paulista a serviço do verdadeiro crime politicamente organizado, declarou:

"Fui criado por determinadas pessoas, agindo de má-fé para ter um bode expiatório. E cada vez que as coisas dessem errado e eles não soubessem como controlar e a quem punir, tinha lá o Marcola".

E ainda completou:

"É muito fácil ter um cara igual a mim. Se eu fosse político, eu ia arrumar um Marcola também. Se eu fosse um governador, ter um Marcola, não é bom, não? A segurança pública tá um caos, a culpa é do Marcola!". (*)

A quem as autoridades responsáveis pela segurança pública e a imprensa serviçal querem tratar como "burro": a população em geral, ou "um grupo de chefes de dentro da cadeia"?

A imprensa e as autoridades sabem que os chefes do tráfico não são burros, portanto sabem muito bem que eles não dariam ordem para aterrorizar a população da maneira como supostamente esses grupos estariam fazendo. Nunca deram, nem no Rio nem em São Paulo. As ordens dos chefes de grupo sempre foram em relação a intrigas internas, ou às rebeliões nos presídios (estas sempre negociadas com os politiqueiros pendurados nas secretarias de segurança, às vezes até ordenadas por estes).

Lembremo-nos de um dos mais famosos chefes do tráfico de drogas nas favelas mandando executar, de dentro de um presídio, através de telefone celular, quem descumpriu o regulamento da boca. Ordens que foram cumpridas, e os estampidos das armas que efetivaram as execuções foram transmitidos em rede nacional de televisão. Aquilo foi usado para impressionar a população e até hoje serve para dar uma aparência de que todo o terrorismo que ocorre nas ruas possa vir de dentro das cadeias e seja debitado na conta dos chefes do varejo do tráfico de drogas. Os cabeças do crime politicamente organizado, engravatados nos gabinetes, mandam toda barbaridade pra cima dos chefes presos. Aliás, é exatamente por isso que os chefes do varejo do tráfico estão na cadeia: para servirem de bucha ao maldito sistema de (in)segurança pública, o terrorismo.

Então só resta entender que imprensa e autoridades consideram a população burra. Não, isso também eles sabem que não é. Mas sabem que é apenas mal informada. Pra eles é o suficiente.

A inveja, o despeito, o ódio, sentimentos que muitos canalhas nutrem contra o presidente Lula, são algumas das armas dos seus inimigos. Inveja do seu carisma, de ver que sua autenticidade política não depende de formação acadêmica e até desmistifica o conceito de que somente os letrados poderiam exercer o poder institucional; despeito por acreditarem que um ex-retirante da seca nordestina, indivíduo de origem paupérrima, ex-operário ainda com características de homem do povo, tenha lhes "usurpado" um lugar que a eles pertence por pretensioso direito "hereditariamente natural". Isso já seria suficiente para explicar o ódio que essa gente vem nutrindo pelo presidente Lula, porém existem outras razões mais objetivas para explicar esse rancor.

Para desqualificar a competência do governo Lula, a oposição pode interpretar todos os números, planilhas, indicadores econômicos, sociais e o que bem mais entender, usando linguagem técnica, científica, chula, coloquial, ou como bem lhe convier. Superávit vira déficit, política social vira populismo, investimentos viram gastos... mas eles se calam e enfiam o rabo entre pernas quando o assunto é Departamento de Polícia Federal e sua atual operacionalidade.

No governo FHC do PSDB, no qual o PFL não passava de esquadrão lambe-botas, o verdadeiro crime organizado não tinha o que temer. As máfias enclausuradas nas mansões à beira-mar e nos jardins paulistanos, ou turistando mundo afora, se mantiveram intocáveis. FHC quase fechou as portas dos principais setores da PF, que, em seu governo da impunidade, mal servia para expedir passaporte. A média de prisões efetuadas pela Polícia Federal no governo FHC foi de apenas 27 por ano. Num país com as dimensões do Brasil, acho que isso representa um índice abaixo do que pode ter ocorrido, por exemplo, no Haiti.

Antes do governo Lula, a gente conhecia a guerra do tráfico como uma guerra de facções pelo domínio das bocas, principalmente nos morros cariocas. Traficantes de varejo de drogas nunca gostaram de se meter com a população, exceto em casos isolados e que ocorriam sem que nem mesmo as populações não faveladas viessem a tomar conhecimento. Agora está se tornando banal o ataque de "traficantes" contra as pessoas em geral. Observe que os policiais vitimados são, geralmente, elementos exemplares da corporação, sempre em postos que não se relacionam diretamente com o combate ao crime organizado. Os presos nunca são apresentados à imprensa, fala-se apenas em suspeitos, indivíduos que tinham passagem pelas delegacias, certamente pequenos varejistas de drogas, ladrões de carro, assaltantes de ônibus, coisas assim. Nenhum nome de expressão no submundo do crime (no Jornal Hoje de hoje, 4/1, exibiram as fotos de alguns "suspeitos", todos pés-de-chinelo).

Enquanto isso, as operações da Polícia Federal continuam incomodando os verdadeiros chefões, tanto que, quando passou a pegar a raia graúda, esta vem tentado passar a bola para os peixinhos de aquário e piabas de cacimba.

Para quem quiser conhecer a verdadeira origem do ódio das elites criminosas ao presidente Lula, deixo alguns links do site do Departamento de Polícia Federal. A leitura das sinopses de centenas de operações e milhares de detenções realizadas contra o crime organizado no Brasil durante o primeiro mandato do presidente Lula pode ser gratificante. Garanto que isso dará uma idéia mais precisa do motivo pelo qual a oposição tem pressa em tomar de volta o poder institucional. Pelo visto, se não lograrem êxito, urgentemente, arriscam-se a perder cada vez mais o poder criminal.

Departamento de Polícia Federal

Operações realizadas 2006
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2006.htm

Operações realizadas em 2005
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2005.htm

Operações realizadas em 2003 e 2004
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2003-2004.htm

Revista digital NovaE

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=504

Recentemente, em discurso para a platéia do 12º Congresso do PCdoB, o presidente Lula afirmou que chegar ao governo não é o mesmo que chegar ao poder, “Há instituições poderosíssimas”, conclui o presidente da República.

Acredito que ele e muita gente já deve ter chegado a essa conclusão.

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PressAA

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