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EL CHE, roteiro romanceado para película cinematográfica, Composto de ..X.. sequências, podendo desdobrar-se em tantas outras, o quanto for necessário, considerando que o protagonista exibe uma biografia significativa entre as que se desenvolveram no Século XX. É certamente uma das mais admiráveis, pois se trata de Ernesto Guevara de la Serna, o Che Guevara, extraordinário combatente das guerrilhas latino-americanas. Portanto, não há como negar, distorcer ou simplesmente ignorar esta verdade: Che Guevara é importante vulto histórico contemporâneo. Sua memória ocupa posição de destaque entre os mais expressivos ícones da História.
015 — Rua dos “Apartamientos Imperial”/Fachada da loja — Ext./Dia
Dona Leda saindo da loja. Atravessa a rua, caminha pela calçada até o prédio “Apartamientos Imperial” e entra neste. Corta para o interior do prédio. Dona leda caminhando pelo hall até a escadaria. Subindo pela escadaria; entra em um corredor de apartamentos. Para em frente ao apartamento dos cubanos e bate à porta, que, após alguns segundos, se abre. Aparece Ñico.
Dona Leda: — O coronel Bayo está?
Ñico: — Está sim, dona Leda, entre.
Corta para o interior do apartamento. Dona Leda entrando, Ñico fechando a porta. Fidel, Hermes e o coronel Bayo estão em pé ao redor da mesa, sobre esta se encontra um grande mapa aberto. Os três param de verificar o mapa e observam a chegada de Dona Leda, que se aproxima deles. Ela para em frente aos homens, olha para cada um deles e fixa-se no coronel Bayo.
Coronel Bayo: — Fique à vontade, dona Leda. Sente-se.
Dona Leda: — Obrigada, coronel, mas não vou me demorar.
Os três homens entreolham-se. Dona Leda aparenta um misto de apreensão e contentamento.
Fidel: — Que bons ventos a trouxeram, dona Leda?
Apertando as mãos entrelaçadas, Dona Leda faz suspense, novamente olha para cada um dos presentes, inclusive para Ñico ao seu lado. Finalmente, fixando-se no coronel Bayo, fala.
Dona Leda: — Coronel Bayo...
Faz-se alguns segundos de silêncio.
Coronel Bayo: — Sim, dona Leda, em que posso ajudá-la?
Dona Leda: — A encomenda chegou. Será entregue esta noite.
Após um instante de silêncio, os homens vibram eufóricos. Fidel e o coronel Bayo se abraçam. A câmera fecha no rosto de Dona Leda, emocionada, sorridente, olhos marejados.
016 — Rua dos “Apartamientos Imperial” — Ext./Noite
Um caminhão entra na rua, roda um trecho e para em frente ao prédio “Apartamientos Imperial”. Segundos depois, Fidel e Bayo, este portando um pequeno embrulho, saem do prédio, aproximam-se do veículo e entram na boleia. Corta para o interior da boleia, os dois se acomodando ao lado do velho motorista, de barba crescida, boné e com um toco de cigarro pendendo num canto da boca.
Velho Motorista: — Até que enfim, a carga chegou!
Fidel: — Já era tempo.
Caminhão partindo.
017 — Docas do cais do porto — Ext./Noite
Caminhão, rodando devagar até estacionar entre dois armazéns de carga. Apagam-se os faróis. Corta para o interior da boleia, os três homens estão atentos. Close de Fidel. Ponto de vista: Fidel observa o navio atracado à frente. Expectativa. Do convés escuro, surgem sinais de uma lanterna piscando.
Fidel: — O sinal. Vamos lá.
Corta para caminhão estacionado, porta da boleia se abre, Fidel e Bayo saem, caminham até a escada de portaló do cargueiro, pela qual Tipo X e o comandante do navio estão descendo. Os quatro homens chegam simultaneamente ao pé da escada apoiada no cais.
Tipo X: — Tudo em ordem, vamos transportar a carga para o caminhão.
O comandante acena para o convés. Alguns homens começam a descer a escada transportando compridas caixas de madeira, aparentemente muito pesadas (cada caixa é transportada por dois homens). Os primeiros carregadores passam pelos quatro homens no cais e seguem para o caminhão. À passagem dos que vêm em seguida, Tipo X acena, os carregadores param e arriam a caixa. Um dos carregadores tira um grande martelo que traz preso ao cinto e o entrega a Tipo X, que abre a caixa revelando seu conteúdo. Detalhe da caixa aberta: ela contém fuzis automáticos. Fidel e Bayo entreolham-se serenos e acenam a cabeça, um para o outro, afirmativamente. Câmera fecha no caixote aberto com as armas expostas. Coronel Bayo entrega o embrulho com a segunda parte do pagamento a Tipo X.
018 — Vista parcial da Cidade do México — Ext./Dia
Manhã. Rua dos Apartamientos Imperial. Fachada da livraria de Dona Leda. Corta para o interior da livraria. Dona Leda está sentada à mesa de trabalho, cataloga livros. Maria arruma-os nas prateleiras. De repente, Dona Leda interrompe sua tarefa e torna-se absorta, parece alheia ao ambiente. Recosta-se na cadeira.
Dona Leda: — Sabe, Maria, pode parecer bobagem...
Maria: — Do que a senhora está falando?
Dona Leda olha para a porta de entrada da loja.
Dona Leda: — Não me tome por louca, mas...
Maria: — Louca?! Logo a senhora, uma das pessoas mais equilibradas que conheço? Jamais! Nem que eu visse a senhora jogando pedra em crianças. Nem assim, eu pensaria uma coisa dessas.
Dona Leda: — Acontece que, às vezes, tenho a impressão de ver meus filhos entrando por aquela porta. É estranho!
Maria: — Não, senhora, não vejo nada de estranho nisso. Eu sei muito bem do que a saudade é capaz.
Dona Leda: — É como se o Rodrigo estivesse chegando da universidade. Como sempre, esfomeado... “Mãe, tem pernil?” E eu: “Tem, mas é para o almoço”. Não adiantava falar, logo ele fazia um sanduíche de pernil. Sanduíche de pernil e Coca-Cola, sua dupla preferida. Quando a tia Mercedes nos visitava, trazia sempre uma de suas receitas especiais. Para o Rodrigo, eram “especialíssimas!” Não se cansava de elogiar as “delícias da tia Mercedes”. Assim, ele garantia que ela não se esquecesse de trazer seus quitutes, nas vindas a Havana.
Maria: — E Diego? Ele também costumava pilhar a geladeira?
Dona Leda: — Não, esse era mais parcimonioso. Ao contrário do irmão, até deu trabalho para se alimentar corretamente. “Peixe!”, dizia fazendo gesto de enjoo, quando via peixe servido à mesa.
Maria: — Acho que Hemingway perdeu um bom título: “Um cubano que não gostava de peixe”.
Dona Leda: — Quando era pequeno, vivia grudado naquela tralha toda. Usava madeira, rolimãs, pregos e as ferramentas do Oscar... Falava que queria ser piloto de corrida de automóvel. Certo dia, os dois chegaram em casa arranhados, roupas rasgadas e empoeiradas. Diego culpava a falta de equilíbrio do irmão, e Rodrigo transferia a culpa para a engenhoca que Diego havia construído e batizado com o sugestivo nome de “Speed”. Imagina! Ah, deu trabalho consertar sua jaqueta preferida para as “provas de resistência”.
Maria (rindo): — Resistência do tórax contra o solo.
Dona Leda: — Tá rindo porque nem imagina o que realmente aconteceu.
Maria: — E o que foi que aconteceu?
Dona Leda: — Anos depois, quando já estavam na universidade... Eles entraram juntos para a universidade. Pois bem, foi aí que me contaram, com detalhes, o que ocorreu naquela ocasião. Até então, havia sido apenas um tombo sem muita importância.
Maria: — E não foi?
Dona Leda: — Não, não foi tão sem importância. Foi bem mais grave do que aquilo que eles me contaram ao chegar em casa.
Maria: — Ah, dona Leda, a senhora me deixou curiosa!
Dona Leda: — Contaram que, quando o carrinho de rolimãs, ladeira abaixo, desenfreado, tombou com os dois, Rodrigo foi jogado na calçada e Diego estatelou-se no meio da rua. Aí, pelo visto, aconteceu um verdadeiro milagre.
Maria: — Um milagre?!
Dona Leda: — Sim, minha filha, só pode ter sido um milagre. Um milagre por intervenção da Virgem de Guadalupe. Um caminhão quase o esmaga. O motorista conseguiu frear a tempo. A cabeça de Diego ficou a poucos centímetros do pneu. Ele disse que sentiu o calor do motor no seu rosto.
Maria expressa exagerado espanto.
Maria: — Nossa, que horror! Saber disso, para a senhora, deve ter sido torturante!
Rosto de Dona Leda, olhos esbugalhados, volta-se, subitamente, para Maria, lábios trêmulos, balbuciante. Maria nota a brusca mudança da patroa, leva a mão à boca, deixa cair alguns livros; rapidamente se aproxima dela, põe uma mão no seu ombro e segura uma de suas mãos delicadamente.
Maria: — Ah, meu Deus! Me desculpe, dona Leda... eu não pretendia trazer recordações desagradáveis.
Close de Dona Leda, estarrecida.
FLASH BACK
Efeitos de abertura: inicialmente, alternam-se as imagens do rosto de Dona Leda e das cenas de sua memória, até a exibição contínua destas lembranças, fatos conforme lhe foram contados por um agente do governo, um conhecido do Sr. Oscar:
Numa sala sem móveis há três homens: dois agentes em pé e um jovem sentado numa cadeira, mãos algemadas para trás, cabeça tombada para a frente, hematomas no rosto, sangra pela boca e nariz, roupa ensanguentada. Um dos agentes ergue a cabeça do rapaz, segurando-a pelos cabelos.
Agente I: — Tá se fazendo de durão? Vamos lá, diga os nomes, os nomes! Quero nomes!
Close do prisioneiro abrindo os olhos. Sonoplastia: voz do agente ecoando: “nomes, nomes, nomes...”
Agente II finge amabilidade: — Vamos, rapaz, apenas um, e ficará tudo bem. Você vai poder voltar para a sua casa. Diga o nome de um dos seus parceiros...
Agente I: — Fala, comunista! Agitador! Terrorista! Quem mais faz parte do teu bando, ordinário?!
Prisioneiro abrindo os olhos. Ponto de vista: ele entrevê imagens embaçadas dos rostos dos agentes próximos do seu. Ouve vozes, a mesma exigência: Nomes! Quem são seus comparsas?! Onde se escondem?! Nomes! Nomes!
Prisioneiro balbucia: — Di... ego. O que fizeram... com o meu... irmão?
Agente I: — Você está aqui para responder, não para perguntar, idiota!
Prisioneiro: — Onde está... meu... irmão?
Agente I aplica um soco na barriga do prisioneiro.
Flashs: imagens do rosto de Dona Leda alternando-se com as imagens de uma cela, na qual se encontra outro rapaz, estendido no chão, ensanguentado. As imagens se sucedem em flashs, até que a cena do rapaz estendido no chão da cela torna-se contínua. Câmera desliza, devagar, dos seus pés ao rosto do jovem. Este, de olhos fechados, balbucia:
Rapaz estendido no chão: — Ro...dri...go...
Flashs de imagens congeladas se alternam entre a cela do rapaz desfalecido e a sala de interrogatório. Após algumas sucessões de flashs entre essas duas cenas, um terceiro cenário (trecho campestre, no qual se vê um rio estreito e montanhas ao fundo) passa a participar das intercalações, até que, finalmente, esse último cenário torna-se imagem contínua. À margem do rio, estão os corpos dos rapazes torturados, dispõem-se próximos um do outro. Quase à beira de uma estrada de terra. há um homem com aparência de camponês. Corta para tomada aérea: um automóvel rodando pela estrada, levantando poeira. Corta para o camponês avistando a chegada do automóvel, que estaciona próximo a ele. Motorista saindo do carro (é o velho motorista do caminhão, aqui, ele tem a aparência mais cuidada). O Sr. Oscar saindo pela porta traseira, em seguida Dona Leda sai, sob os cuidados do marido, que a ajuda a desembarcar; ela está visivelmente nervosa. O motorista fala (off) com o camponês, este aponta para o local onde se encontram os corpos dos rapazes. Dona Leda abraçada ao Sr. Oscar. O motorista se aproxima do casal, fala (off), gesticula e aponta para o lado onde se encontram os corpos dos rapazes. Os três caminham em direção à margem do rio. Param ao avistarem os corpos. Dona Leda explode num grito, solta-se do Sr. Oscar, corre aos prantos, cai sobre um dos corpos, abraça e beija-o; em seguida, arrasta-se até o outro corpo e enlaça-o, beijando-o. Os três homens assistindo à cena; o Sr. Oscar tira um lenço do bolso e leva-o aos olhos; o motorista põe a mão no seu ombro, consolando-o. O camponês segurando o chapéu de palha, com as duas mãos, na altura do peito, numa postura de reverência. Dona Leda ajoelhada, abraçando o corpo de um dos filhos, olhando para o céu, em prantos. Panorâmica: câmera desfila a região até enquadrar as montanhas no horizonte; em zoom, capta o voo de duas aves, que se deslocam em direção às serras distantes.
Sonoplastia: o grasnar das aves.
(Encerra-se o flash back)
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Dona Leda, abraçada à cintura de Maria, chora convulsivamente.
Maria: — Acalme-se, dona Leda. Justiça será feita. A dos homens e a de Deus.
019 — Hospital Central — Ext./Dia
Raul parado em frente ao hospital. Guevara saindo do hospital se aproxima do seu ex-paciente. Cumprimentam-se com um aperto de mão, parecem contentes.
Guevara: — Está esperando há muito tempo?
Raul: — Acabei de chegar.
Caminham, atravessam a rua, param na calçada, aguardam conversando (off) e gesticulando. Um ônibus se aproxima e para. Os dois embarcam, o ônibus parte, percorre alguns trechos da cidade. Corta para o interior do ônibus onde Guevara e Raul estão acomodados numa poltrona, conversam; ambos olham para a frente.
Guevara: — Na Guatemala havia médicos do Programa de Combate à Malária que estavam a serviço do mercenário Castillo Armas, o comandante dos contrarrevolucionários.
Raul: — Pelo visto, o que eles combatiam mesmo era a revolução...
Guevara: — Médicos não são sacerdotes. Muito menos, santos.
Raul: — Sabemos disso. Aliás, pelo que me consta, também havia sacerdotes colaborando para o inimigo.
Guevara: — Confere.
Raul: — Quanto aos santos... bem, dizem que São Pedro negou seu relacionamento com Jesus.
Guevara: — Três vezes... numa só noite!
Guevara e Raul entreolham-se sérios, em seguida riem, passando de leve sorriso ao riso solto.
020 — Parada de ônibus — Ext./Dia
O ônibus parando no ponto. Raul e Guevara desembarcando. Atravessam a rua, caminham pela calçada e dobram uma esquina. Caminham agora pela rua dos “Apartamientos Imperial”, conversam (off). Corta para os dois entrando no prédio onde os cubanos estão morando.
021 — Prédio “Apartamientos Imperial” — Int./Dia
No andar térreo, Raul bate à porta de um dos apartamentos. Uma mulher atende. É Maria Antônia.
Maria Antônia: — Raul!
Raul: — Trouxe um amigo para o jantar. (Indicando um ao outro) Maria Antônia, esse é o doutor Guevara.
Maria Antônia: — Ah! então, é você o doutor Guevara?! Bem-vindo. Entre, por favor.
Corta para o interior do apartamento: Raul e Guevara chegando à sala. O ambiente é simples, discretamente decorado. Guevara se põe a observar um quadro. O quadro em detalhe: um antigo navio à vela enfrentando gigantescas ondas, sob violenta tempestade. Guevara aponta para um escaler ao lado do navio; marinheiros a bordo do pequeno barco ajudam outros que estão dependurados em cordas, buscando socorro, abandonando o navio.
Guevara: — Como eles sabem que o navio inevitavelmente naufragará?
Raul: — Provavelmente algumas cavernas estão arrebentadas.
Maria Antônia: — E nesse caso, deve estar fazendo muita água nos porões.
Guevara: — Então, a equipe de combate a avarias não é lá muito eficiente, tchê!
Corta para Fidel chegando à sala, vindo do pequeno corredor que dá acesso a outros cômodos do apartamento, está acompanhado do coronel Bayo.
Fidel: — Talvez a quilha já esteja partida.
Todos se voltam para os recém-chegados. Guevara torna a olhar para o quadro.
Guevara: — Não vejo rachaduras no casco.
Raul: — Mano, esse é o doutor Guevara, o médico que tratou das minhas amígdalas.
Após os cumprimentos, Fidel e Guevara sentam-se no sofá, Raul acomoda-se numa poltrona, Maria Antônia, numa cadeira e Bayo permanece de pé.
Fidel: — Nota-se que entende de marinharia. Onde aprendeu?
Guevara: — Fiz muita faxina em porões de cargueiros. Valiam a passagem e a comida.
Coronel Bayo tira um charuto de uma caixa em cima da mesinha de centro e oferece-o a Guevara.
Coronel Bayo: — Aceita?
Guevara pega o charuto e observa-o.
Guevara: — Um legítimo havana?
Coronel Bayo exibindo outro charuto.
Coronel Bayo: — Legítimos.
Fidel: — Aprecia tabacos cubanos?
Guevara: — Batem os americanos.
Fidel: — No momento, estão em desvantagem.
Guevara: — É uma questão de estratégia econômica: Tio Sam coloca todos na bolsa de Nova York, assim, ninguém consegue identificar quem é quem. Simples, não?
Maria Antônia: — Além de médico, marinheiro e economista, o que mais você faz na vida?
Todos riem, inclusive Guevara.
Guevara: — Bem, com a ajuda de Hilda, minha esposa, já tenho uma filha.
Maria Antônia ruboriza-se; os demais riem.
Fidel: — Raul me falou que você esteve na Guatemala.
Guevara: — Até a queda de Arbenz e a consequente derrocada do processo revolucionário.
Fidel: — Por que não permaneceu lá? É cidadão argentino.
Guevara: — Incluso na lista negra de Castillo Armas.
Fidel: — Colaborava com o governo revolucionário?
Guevara: — Prefiro dizer que colaborava com a Revolução. Eu e minha esposa... (olha para Maria Antônia; ela lhe sorri). Hilda trabalhava no Instituto de Desenvolvimento Agroindustrial. Eu participava de atividades voltadas para pesquisas arqueológicas, cultura maia, na universidade.
Fidel: — Na universidade?! Então, estava num ambiente politizado, próprio para organizar resistências contra o inimigo invasor.
Guevara: — Tentamos, tínhamos planos para enfraquecer e liquidar os mercenários. Na verdade, um grupo ridículo que só alcançou seus objetivos devido a covardes traições.
Coronel Bayo: — Além disso, quais as outras dificuldades que encontraram para se organizar?
Guevara: — Quase ninguém mais se importava com os destinos da Revolução. Eu pretendia resistir, achava que valia a pena, mas o embaixador argentino me convenceu a recuar, dizendo: “Você não pode fazer sozinho aquilo que nem o governo está disposto a fazer”. Acabei aceitando o asilo na embaixada.
Raul: — Guevara esteve me contando sobre as condições no campo.
Fidel: — Os camponeses não estavam bem preparados para defender as conquistas da reforma agrária?
Guevara: — Me surpreende que você desconheça os fatos, tchê!
Fidel: — Estou tentando conhecer a sua opinião.
Guevara: — O presidente Jacobo Arbenz superestimou o exército profissional, de onde emergiram seus mais temíveis inimigos, os traidores. Ele não permitiu a formação de milícias camponesas. Desdenhou o grande potencial do homem do campo.
Fidel tira um charuto da caixa sobre a mesa de centro e prepara-o para acender. Faz-se um instante de silêncio.
Fidel: — Não desdenharemos.
Guevara: — Não entendi...
Fidel: — Me surpreende que você desconheça as intenções... tchê! Seja lá o que isso signifique.
Guevara: — Eu estava apenas tentando conhecer a verdade sobre o que corre por aí.
Exceto Fidel, que acende seu charuto e solta longa baforada, os demais personagens trocam olhares entre si, como se estivessem interrogando-se um ao outro. Raul esboça um sorriso, Maria Antônia e o coronel Bayo imitam o gesto, a seguir todos estão rindo.
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OBJETIVO DESTA PUBLICAÇÃO:
Com a publicação do roteiro “EL CHE”, o autor tem como principal objetivo a busca de parcerias e recursos técnicos, humanos e financeiros que viabilizem a transformação deste trabalho em livro (roteiro romanceado), filme ou série especial para plataforma de exibição pelo método streaming.
O AUTOR: Fernando Soares Campos é escritor (contista, articulista e colaborador de diversos portais de notícias), com quatro livros publicados e participação em diversas obras de autoria coletiva, destacando-se estudo de caso em "Para além das grades: elementos para a transformação do sistema socioeducativo". Editora PUC/Rio. Coedição: Edições Loyola.
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