terça-feira, 9 de junho de 2009

O blog da Petrobras e o histerismo dos barões da mídia

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Fernando Soares Campos

Chefes de redação acostumados a montar matérias editando ao bel prazer dos patrões, conforme interesses às vezes escusos, estão reclamando do blog que a Petrobras criou para apresentar “fatos e dados recentes” da Companhia e deixar claro “o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”. Dessa forma, o blog também se dispõe a prestar assessoria à imprensa, atendendo a jornalistas que necessitem de informações complementares para fechar suas matérias. (Certamente os repórteres não devem se conformar com as informações prestadas pela empresa através do blog; mas, sim, confrontá-las com o que possam obter de qualquer fonte.)

Tão logo o blog da Petrobras estreou, jornalistas enviaram e-mail para testar a novidade. As perguntas eram do tipo “penico de barro enferruja?” (Tudo bem, era só um teste.) Os responsáveis pelo blog responderam as indagações, mas o fizeram, naturalmente, no próprio blog, com leitura ao dispor de qualquer internauta. Órgãos de imprensa, pasme, consideraram aquilo um “vazamento” de informação, “quebra de sigilo”. O Globo estampou: “Petrobras vaza em blog informações obtidas por jornalistas” Tem cabimento?! Ora, aquilo lá é um blog!

No próprio blog da Petrobras, entre oito itens postados para esclarecimento dessa questão, copiei este, que já seria suficiente para os grandes jornais entenderem o que é um blog e em que ano estamos: “A iniciativa de criar o blog Fatos e Dados, na opinião da Petrobras, é um marco na construção de novas pontes de comunicação com os públicos de relacionamento da companhia em uma nova era de circulação de informação digital em tempo real. A chamada blogosfera permite uma relação direta entre a fonte divulgadora de informação e leitores, sem a necessidade de filtros, de maneira que a decisão sobre o que interessa de fato ao receptor seja por ele selecionada, na medida em que tem acesso a íntegra das perguntas e respostas”.

Confiram o restante na própria página da empresa.

Acontece que tem jornal habituado a noticiar à base de “um pescador me confirmou que um passarinho lhe cantou”, como no caso em que acusaram Lula de xingar a mãe de Evo Morales, quando o presidente boliviano encampou empresas estrangeiras; entre elas, uma unidade da Petrobras. Tratei desse assunto no Observatório da Imprensa, artigo intitulado “Intrigas, boatos e jornalismo de opinião”. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=380JDB010

No diário espanhol La Insignia saiu com o título: “Hijo de puta es lo más cariñoso” http://www.lainsignia.org/2006/mayo/ibe_011.htm .

Ainda discorrendo sobre artimanhas na maneira de noticiar, comentei matéria da Folha de S. Paulo, que especulava sobre suposta viagem de Zé Dirceu a não se sabe bem onde. O artigo pode ser lido também no Observatório da Imprensa: “A não-reportagem sobre uma não-informação”.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=389CIR002 .

Mesmo diante das evidências, os grandes jornais e revistas de expressiva tiragem não sabem por que estão perdendo leitores.

Turbulência no esgoto

O blog CLOACA NEWS, como o próprio título sugere, faz um excelente trabalho de “revirar lixo e desentranhar porcarias, entre outras sujidades”. O lema do blog é: “As últimas do jornalismo de esgoto (e dos coliformes favoritos da Imprensa Golpista)”.

Na atualização do dia 7/6 (domingo), o Cloaca, que trabalha em prol da limpeza e transparência dos fatos e notícias que a grande imprensa costuma emporcalhar com tendenciosas opiniões, postou a seguinte nota:

“...revolvíamos o arquivo morto da Agência Brasil quando encontramos esta curiosa informação na sinopse de O Globo, de 31/01/98:

"O ministro das Comunicações, Sérgio Motta, disse ontem que a Petrobras é "um dos últimos esqueletos da República" e que o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, terá de desmontá-la "osso por osso". Motta referiu-se à estatal como um paquiderme que consome US$ 9 bilhões em importações, prejudicando a balança comercial do País e a sociedade brasileira. (pág. 1 e 30)".

Isso é resultado de um trabalho de prospecção, como faz a Petrobras em busca de petróleo em águas profundas.

Desmontar a Petrobras “osso por osso”, assim dito em plena era FHC, por gente do próprio governo, parece não ter sentido, pois esse é o objetivo de políticos que querem hoje desmontar o governo Lula atacando a empresa. O que o ministro queria dizer era “despedaçar” a Petrobras. Transformá-la em sucata, desacreditar suas metas, fazer a população pensar que ela era um peso morto, incapaz de levar o Brasil a uma produção de petróleo autossuficiente.

O método Sérgio Motta foi posto em prática. Sabotaram tanques de armazenamento de óleo e oleodutos, fazendo jorrar petróleo por todos os lados, provocando catástrofes ambientais nunca antes (nem depois) ocorridas neste país. Afundaram a maior plataforma de prospecção de petróleo do mundo, a P-36, que hoje repousa no fundo mar com dez trabalhadores que não puderam ser resgatados. Venderam ações da empresa na Bolsa de Nova York por valores muito abaixo do que podiam obter. Quebraram o monopólio estatal do petróleo a troco de propinas. E praticaram muitas outras bandalheiras, coisas que fariam corar até Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc.

Sérgio Motta foi o ministro dos “recursos não contabilizados” das privatizações do governo FHC. O Serjão bateu as botas e se transformou num dos esqueletos mais bem guardados, enterrado no quintal do PSDB, com pá de cal do DEMo; virou arquivo morto das negociatas praticadas na época do “Brasil: Ame-o ou venda-o”.

A Petrobras, empregando avançada tecnologia, vai a fosso de petróleo nas profundezas do Oceano. A oposição, com o apoio de setores golpistas da imprensa, permanece no fundo da fossa.

Chama a Cloaca News

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1291

Leia também Fernando Soares Campos no Observatório da Imprensa desta semana:


PLANTÃO DA GLOBO

Cadê a vinheta sinistra?!

(...)

A mensagem subliminar

Eu pretendia escrever nesta edição do OI as minhas observações e impressões sobre a cobertura dos telejornais no caso da queda do avião da Air France, vôo 447. Mas o próprio Laerte é rápido no teclado e nos mandou excelente artigo ("Lencinho de papel umedecido – A cura para todos os males"), publicado no Jornal dos Vales. Laerte também é um dos titulares do time de colaboradores do blog República Vermelha, que tem como reserva este autor que vos fala, pronto para apoiar craques como Urariano Mota, Gilson Caroni Filho, Celso Lungaretti e outros, não menos importantes, da mesma equipe. Laerte é um jornalista ligado no cotidiano, permanentemente atualizado, só tira os olhos do teclado para, eventualmente, conferir aquilo que registrou na tela do monitor. Espero que ele continue assim, pois seu incansável trabalho é de grande importância para os leitores da blogosfera, que defende as suadas conquistas do povo brasileiro nos últimos anos.

Para mim restou comentar propaganda atualmente veiculada pelas grandes emissoras de TV.

Confira texto completo...
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=541FDS006


(Todos os textos publicados pelo ASSAZ ATROZ são de autoria de Fernando Soares Campos: sátiras, contos, fábulas, crônicas, paródias, artigos de opinião... Qualquer outro texto que acompanhar as postagens terá indicada a referida fonte. Autorizamos cópia, republicação e distribuição do conteúdo deste blog, desde que a fonte e a autoria sejam informadas onde ocorrerem as postagens. Cordialmente. Editor-ASSAZ-ATROZ-Chefe.)

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

O castelo de Sarney e os "órgãos" de imprensa

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Castelo que Sarney comprou em Portugal
quando terminou o mandato de
presidente da República Federativa do Brasil


O caso do castelo do deputado mineiro até que foi badalado pela grande imprensa, mas o castelo de Sarney em Portugal circulou apenas por entre blogs e papos de botequim.

Compreende-se, pois o senador Sarney, atual presidente do Senado, ex-presidente da República, é também barão da mídia, e seus comparsas jamais alardeariam que o dono do Maranhão e sócio majoritário do Estado do Amapá comprou (ou ganhou de presente) um arremedo de castelo medieval no Jardim d'Europa, à Beira-Mar.

É uma espécie de monumento histórico encravado numa área de 23.400 metros quadrados, na cidade de Sintra, Portugal, bem pertinho de Lisboa. Avaliado em R$ 30 milhões, o imóvel pertenceu a Sarney durante 4 anos. Mas ele nunca declarou aquela propriedade à Receita Federal nem à Justiça Eleitoral.

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Acho que, na nota acima, foi respondida a pergunta que o Hélio Fernandes fez, referindo-se ao tal castelo, na sua Tribuna da Imprensa: "A revista portuguesa Olá e o Jornal Pequeno, do Maranhão, denunciaram o fato. Nenhum órgão de comunicação do Brasil (radio, televisão, jornal, internet) se interessou. Por que o silêncio? "

“Orgão”, aí na pergunta do HF, quer dizer “manjuba”, “pé-de-mesa”, coisa grossa, que chega pela tela do televisor, e o Homer, que foi "fiscal do Sarney", manda entubar.




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domingo, 7 de junho de 2009

Promessas

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Existem pessoas que não gostam dos seus próprios nomes. Alguns casos são até justificáveis, como, por exemplo, o dos filhos daquele farmacêutico baiano: Antipirina, Exalgina, Fenacetina e o jovem Piramidon, que, provavelmente, devem atender pelos apelidos de "Ina", "Gina", "Tina" e "Don". No entanto há casos em que as aversões aos nomes não se justificam. Tive um colega de trabalho que só assinava "Éthel", assim, com "th", e fazia questão da pronúncia paroxítona. Assumidamente não gostava do seu nome de batismo: Etelvino.


Mulher prometendo ao marido que nunca mais o trairá -->
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Outro dia eu estava na fila de um caixa de banco e acompanhei o bate-papo de duas senhoras à minha frente. Uma delas, que já havia se identificado (professora, pernambucana, morando no Rio de Janeiro há mais de 40 anos), explicava à outra a razão do seu nome.

— Minha mãe podia ter-se apegado a qualquer outro santo, mas escolheu mesmo foi São Severino do Ramo e prometeu que, se aquele filho que ela trazia na barriga nascesse em perfeitas condições de saúde, ela ia batizá-lo com o seu santo nome. Nasci. E, como eu não tinha o que reclamar do meu estado de saúde, minha mãe cumpriu a promessa, me tascou esse "Severina". Mas ninguém nunca me chamou pelo nome, desde criança só me chamam de "Lina". Alguma brasileira pode dizer, com toda sinceridade, que gostaria de se chamar Severina? Acho que não. Mas promessa é promessa, e quem não cumpre promessa é político ou caloteiro. Isso quando o indivíduo não é as duas coisas ao mesmo tempo. Mas com minha mãe não tinha disso não! Aprendi com ela: ajoelhou, tem que rezar.

— Lá em casa também sempre foi assim...

— Pois é! Nós somos do tempo em que as pessoas tinham palavra! Agora me responda: você já pensou se alguém faz uma promessa dessas a São Bartolomeu e nasce uma menina? Como é que fica, hein? Só pode ser Bartolominha. Se a gente quisesse seguir a norma que faz de "judeu" "judia", aí dava até pra ser Bartolomia. De um jeito ou de outro, ia ficar esquisito, não é mesmo? Ainda bem que hoje em dia já se pode saber o sexo da criança antes do nascimento. Naquele tempo não tinha essa de ultrassonografia, não! As pessoas até faziam umas simpatias pra saber o sexo da criança na barriga da mãe. Você conhece alguma?

— Conheço sim...

— Vou lhe ensinar umas. Essa aqui, por exemplo, é infalível! Você bota um quiabo pra ferver, se ele se abrir depois da fervura, aí num dá outra, é menina; mas, se ficar fechadinho, sem nenhuma rachadura, pode apostar que é menino. Tem outra muito boa, é tiro e queda. Você dá um talho num coração de galinha e bota pra cozinhar. Se o talho se abrir, vai nascer uma menina; mas, se ficar fechado, nasce um menino.

— Ah, entendi, sempre que...

— Isso mesmo! Tem tudo a ver com a mulher, né? Conheço muitas simpatias! Por exemplo, você manda a gestante ficar em pé, encostada numa parede. Ela fica lá, paradinha. Aí você pede pra ela andar. Se o primeiro passo for com o pé direito, pode ficar certa de que vai nascer um menino. Claro que, se for com o esquerdo, vem menina por aí.

— Interessante!

— Mas, como eu estava falando, no Nordeste tem muito dessa coisa de se fazer promessa a santo. Promessa pra tudo: pra lavoura não se perder com a seca, pra sarar de doença crônica, pra se casar, pra pagar dívida... e também pra receber; pra fazer uma boa viagem, pra ganhar eleição... Além de prometer pros eleitores, os candidatos prometem também pros santos! Lá as pessoas fazem promessa pro marido ou pra mulher voltar; pra conseguir a casa própria, o carro; pra passar de ano na escola, no vestibular; pra arranjar emprego... Essa, então, acho que é a promessa que mais se faz atualmente no Nordeste. Aliás, não só no Nordeste, mas acredito que em todo o Brasil. Promessa pra arranjar emprego e promessa pro time ganhar devem ser as mais prometidas aos santos hoje em dia.

— É verdade...

— Ah! tem até uma história interessante sobre uma dessas promessas pro time ganhar. Contam que um maluco lá no Recife, um sujeito amalucado que morava lá pras bandas de Casa Amarela, prometeu pra São Benedito... Deu até no jornal, ele explicando que escolheu São Benedito porque, tendo como tem muito negro jogando bola, ele achava que São Benedito tinha obrigação de ser padroeiro do futebol. Pois bem, faz muitos anos isso, o camarada prometeu que, se o seu time fosse campeão, ele ia comer uma bola de couro, igual as que eram usadas nos jogos, todinha, ajoelhado em frente ao altar do santo. O time venceu o campeonato. Então, ele mandou a mulher cozinhar uma bola de couro. Ela cozinhou até ficar no ponto. Gastou um botijão de gás, mas cozinhou. O maluco levou aquela coisa pra igreja, numa bandeja. Aí, faca e garfo na mão, traçou aquele troço, que podia ser chamado de qualquer coisa, menos de comida.

— Credo!

— Conheço gente que fez promessa pra outra pessoa pagar. Assim é fácil, né?! Já me contaram uma história dessas. Uma mulher que morava em Água Fria prometeu a Santa Luzia que, se a filha sarasse de um certo problema na vista, a menina ia passar um mês indo todo dia pro Centro do Recife pra ajudar os cegos a atravessar a rua. É, minha filha!, porque, naquela época, no Centro do Recife, era assim de cego!, sabia? Pois bem, a menina ficou curada, mas foi difícil fazer ela cumprir a promessa.

— Imagino!

— Pois é, veja se tem cabimento: você acha que uma garota de treze anos, na flor da idade, né?, toda vaidosa como são as meninas nessa idade, ia querer ficar no centro da cidade ajudando cego a atravessar a rua?! Ah! tenha paciência! Detinha... esse era o apelido da menina, o nome era Bernadete, tenho certeza de que era em homenagem à santa. Promessa, claro! Pois bem, a Detinha se recusou a cumprir a promessa da mãe. Quis trocar por outras penitências, mas a mãe não aceitou. Foram consultar o padre, pedir a opinião dele. Dizem que o vigário falou: "A Igreja não obriga que as pessoas cumpram as promessas feitas aos santos em momentos de angústia, de desespero. Se não puder cumprir, santo nenhum vai condenar o fiel por isso". Mas a mãe continuou achando que quem não cumpre promessa a santo não é fiel coisa nenhuma! E também ela não queria ter na família uma pessoa que não paga nem promessa a santo, pois todo mundo sabe que uma pessoa assim é muito mal afamada. O jeito foi ela mesma, a mãe, pagar a promessa. Passou um mês carregando cego de um lado pro outro da Avenida Guararapes.

— Coitada!

— Mas se você pensa que a coisa ficou nisso, se enganou. Dizem que algumas vezes, quando ela estava parada no meio-fio da calçada, esperando o sinal abrir, com um ceguinho ali do lado segurando no seu ombro, aí, de vez em quando, acontecia de um passante dar uma moedinha pra ela. Quer dizer, pro cego, né? Nas primeiras ela estranhou, não quis receber e, por isso mesmo, às vezes ouvia a caridosa alma chamar ela de "mal agradecida" e ainda dizer: "Tá achando pouco? Vá trabalhar pra sustentar seu marido". Depois ela foi se acostumando, foi recebendo as esmolas, até que passou a gostar daquilo e resolveu ganhar a vida com um cego de mentira, no Centro do Recife. Dizem! Eu mesma nunca vi. Quer dizer, pode até ser que eu tenha visto, porque ela podia ser qualquer uma daquelas mulheres que serviam de guia de cego lá na Guararapes. Mas aí, no meio de tantas, a gente não podia dizer qual era a verdadeira ou qual era a que tava fingindo, podia?

— Não...

Discreto, eu já estava fazendo algumas anotações, quando, infelizmente, chegou sua vez de ser atendida. Ela entregou ao caixa uma papeleta acompanhada de sua carteira de identidade. Antes de o rapaz falar qualquer coisa, foi logo adiantando: "Minha mãe me colocou esse nome por causa de uma promessa que fez a São Severino do Ramo...". E arrematou: "Mas eu não sou porteira não!" (riu).


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(Todos os textos publicados pelo ASSAZ ATROZ são de autoria de Fernando Soares Campos: sátiras, contos, fábulas, crônicas, paródias, artigos de opinião... Qualquer outro texto que acompanhar as postagens terá indicada a referida fonte. Autorizamos cópia, republicação e distribuição do conteúdo deste blog, desde que a fonte e a autoria sejam informadas onde ocorrerem as postagens. Cordialmente. Editor-ASSAZ-ATROZ-Chefe.)

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Berluslígula, a saga de um Calingualá

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A Metro Goldwyn Sex

Apresenta


Berluslígula, a performance de um Cornuscone



Sinopse

Superprodução com grande elenco de michês a serviço do governo italiano, financiada pela Agência Viva Camorra Filmes, empresa estatal d’Italia produtora e distribuidora de pornopelículas. Berluslígula, imperador da Bell'Italia, membro rijo da disnatia Calingualá, promove bacanal em mansão na Sardenha. Em meio à orgia, o telefone toca, Berlus atende:

- Alô!

- Sacanagem, cara! Um festão desses e você não me convidou! - grita alguém do outro lado da linha.

- Perdão, colega, eu me lembrei de você... Mas pensei que governava um país sério, como o Charles insinuou quando esteve no Brasil... Então...

- Então, coisa nenhuma, seu egoista! Vai ter troco! - desliga.

A michê que faz boquete em Berlus interrompe seu trabalho e pergunta:

- Quem era?

- Era o Sarcô, pê da vida comigo... - respira fundo. - Vai, amore mio, continua... HÃÃÃ...

Depois de cheirar a calcinha de uma menor por ele estuprada,

Berluslígula joga fora o fetiche.






Categoria: Pornô-político-chanchada

Cotação: 15 cm (confira na foto)










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(Todos os textos publicados pelo ASSAZ ATROZ são de autoria de Fernando Soares Campos: sátiras, contos, fábulas, crônicas, paródias, artigos de opinião... Qualquer outro texto que acompanhar as postagens terá indicada a referida fonte. Autorizamos cópia, republicação e distribuição do conteúdo deste blog, desde que a fonte e a autoria sejam informadas onde ocorrerem as postagens. Cordialmente. Editor-ASSAZ-ATROZ-Chefe.)

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Lembrei-me de...

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"A cada 15 anos o Brasil esquece os últimos 15 anos", Ivan Lessa(*)




Li, não sei onde nem quando, uma frase que não me lembro bem o que realmente enunciava. Na ânsia de lembrá-la, tenho sempre a nítida vaga impressão de que tratava dos meandros da mente, o raciocínio, ou, talvez, o sonho, a imaginação... O inconsciente?! É, isso mesmo... quer dizer, não tenho clara consciência disso, mas pode ser o inconsciente sim... Não, não, definitivamente, creio que não. Ah! cheguei, agora tenho defectiva absoluta certeza de que se referia a qualquer coisa sobre a memória. Isso, memória, quem sabe?!

Se a memória não me trai, li a tal frase num livro de auto-ajuda que discorria acerca de um método infalível de memorização. Memorização de textos. Memorização e, possivelmente, compreensão de textos. O título da obra poderia ser "Não esqueça: você tem uma memória", ou "Lembre-se de usar a memória". Contudo o mais adequado, sem dúvida, seria, talvez, "A memória ao alcance de todos", como prometiam quase todos os manuais de qualquer coisa, há não sei quantos anos.

Ilustrando a tal frase, havia uma inesquecível foto de incerto animal. Creio que o objetivo da ilustração era estabelecer uma exata relação meio indireta entre a mente humana e a daquela inolvidável criatura esquecida. O animal, lembro-me bem, não era um elefante, pois bem me lembro que o bicho não tinha penas, e ninguém esqueceria um elefante penudo. E, se não tinha penas, fica descartada a possibilidade de ser um jacaré-galinha, mesmo porque jacarés-galinha não existem.

(**)

Outro dia, tentei me lembrar do telefone de um amigo para quem eu ligava frequentemente. Nada. Deu branco. Lembrei-me da frase, quer dizer, não propriamente dela, mas de que ela existia. Fiz o que chamam de esforço mental: fechei os olhos, franzi o cenho e contraí o couro cabeludo. Mentalizei um número de telefone formado por zeros: 0000-0000. Imaginei os números sucedendo-se rápida e progressivamente, como nos caça-níqueis. Logo as roletas pararam de girar e formaram o número 9876-5432. Mesmo descrente da possibilidade de ter acertado, liguei. Vocês não vão acreditar, portanto não vou contar o que aconteceu.

(Ainda tentei fazer outras combinações com os quatro últimos algarismos, mas desisti quando me aproximava da milésima tentativa. Além do mais, o telefone que eu buscava não era da telefonia celular.)

Finalmente consegui me lembrar que a frase começava com a preposição "para". Fiquei um bom tempo repetindo: "Para... Para... Para...". Tentei: "Para lembrar-se de...", "Para não se esquecer de...", "Para ter boa memória...", "Para trazer à mente...". A todas acrescentei "...é preciso...", ou "...basta...". No entanto meu saite de busca não a localizou. Não houve jeito de chegar à frase que dizia: "Para lembrar-se de alguma coisa, basta seguir as seguintes instruções...". Mas aí é que está o problema, não consigo me lembrar das instruções, sei apenas que estavam relacionadas por ordem numérica, e a primeira começava pela letra "a". Já visitei diversos sebos em busca do livro no qual li a tal frase sobre memorização. Não encontrei nada que pudesse lembrá-la. Nem mesmo uma metáfrase. Plágio. Versão. Arremedo. Estou quase convicto de que, se ler novamente aquela sentença, não a esquecerei enquanto dela me lembrar.


P.S.: Se você estranhou alguma passagem do texto acima, isso indica que não lê jornal há muito tempo. Ou, como eu, não consegue memorizar, menos ainda compreender, certos textos jornalísticos.


(*) Faz tanto tempo que o Ivan Lessa disse isso que hoje, para relembrar a frase original, ele próprio precisa usar o Google, como nós fizemos.


(**) Entretanto eu nunca poderia esquecer o pêlo azulado e brilhante, se o animal tivesse asas avermelhadas e bacentas.

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(Todos os textos publicados pelo ASSAZ ATROZ são de autoria de Fernando Soares Campos: sátiras, contos, fábulas, crônicas, paródias, artigos de opinião... Qualquer outro texto que acompanhar as postagens terá indicada a referida fonte. Autorizamos cópia, republicação e distribuição do conteúdo deste blog, desde que a fonte e a autoria sejam informadas onde ocorrerem as postagens. Cordialmente. Editor-ASSAZ-ATROZ-Chefe.)

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terça-feira, 2 de junho de 2009

A arte de ler jornal



FATO & NOTÍCIA

A informação que a grande imprensa não deu

Por Fernando Soares Campos em 2/6/2009


"E bota abunda e medra nisso!" (Jaguar)

O lema deste Observatório da Imprensa é "Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito", o que me faz lembrar o antigo Pasquim, que tinha como símbolo o Sig, "o rato que ruge". Foi o velho Pasquim (1969-1991) que, em plena vigência do regime militar, ampliou a visão dos leitores tornando-os mais reflexivos e críticos diante de uma imprensa que expressava a defesa da ordem político-ideológica da época e os interesses econômicos, como nos dias de hoje. Quando eu queria me instruir sobre a "arte" de ler jornal, abria o Pasquim diretamente na coluna de Alberto Dines, este mesmo, atual editor responsável do OI; ou na página do Fausto Wolff, que ano passado foi pro céu dos jornalistas escanteados pela grande imprensa.

Aqui, no OI, o espírito pasquineiro de noticiar e informar, com doses de humor na medida certa, pode ser sentido na coluna do Carlos Brickmann, que foi da patota.

Comentar as arapucas jornalísticas da imprensa brasileira cansa um pouco, em vista dos diversos artifícios por ela aplicados para desvirtuar fatos e confundir os leitores. Sofismas, falácias, enquetes tendenciosas, má-fé, indiferença a acontecimentos relevantes, acusações sem provas, elogios sem o devido mérito ao sujeito, enfim, sutilezas de toda ordem vão sendo empregadas com o propósito de fazer o Homer se indignar ou se ufanar; depende do alvo e dos interesses dos patrões, os barões do oligopólio, esse monstro de tentáculos multimidiáticos. São os meios justificando obscuras finalidades.

Distorcendo verdades e deformando opiniões

Os editoriais, que deveriam servir de bússola, norteando jornalistas e colaboradores em busca da verdade dos fatos, acabam funcionando como "ditatoriais" regras da casa. Os patrões sabem que, para muitos brasileiros, o que se publica em jornais e revistas funciona como no jogo do bicho: "vale o escrito". Daí se entende o desabafo do deputado que afirmou estar "se lixando para a opinião pública". Apesar de que eu não conheço político que esteja realmente preocupado com a dita cuja; nada além das eventuais inquietações que os baixos índices de uma pesquisa eleitoral possam lhes provocar.

Mesmo assim, continuamos pagando para ler revistas e jornais impressos, além dos respectivos sítios internéticos exclusivos para assinantes. E ainda perdemos precioso tempo de olho na tela.

Recebi por e-mail com a seguinte mensagem:

"Notícia do Blue Bus – 25/05/09

`Não se iludam, acabou´, disse há pouco por viva voz o empresário Luiz Fernando Levy. Falava por telefone com os funcionários da Gazeta Mercantil. Levy foi procurado pelo pessoal do jornal, preocupado em saber os desdobramentos da notícia de que Nelson Tanure pretende devolver a Gazeta Mercantil a Levy. Deixou claro que não quer o título de volta. E avisou que na 4ª ou na 5ª feira vai publicar comunicados nos jornais rebatendo os argumentos de Tanure para justificar sua decisão de desistir da Gazeta. Blue Bus ouviu as informações ainda agora de fonte do jornal. No momento, a diretoria está em reunião com alguns editores e há expectativa de que algum anúncio seja feito mais tarde."


Provavelmente, o seleto clube dos leitores da Gazeta Mercantil prefere publicações que tratam a economia pelo ângulo essencialmente político, distorcendo verdades e deformando opiniões, às que lidam com a matéria de forma profissional e competente.

Internet e papo de botequim

A maioria dos jornalistas brasileiros, empregados e desempregados, tenho certeza, é formada por competentes profissionais, pessoas bem intencionadas, cheias de boas idéias. Mas os postos de decisão e mando das redações são ocupados por gente amestrada e aí acaba prevalecendo a lei do "manda quem pode e obedece quem tem noção das dificuldades do mercado de trabalho". Se uma dessas mega inutilidades jornalísticas que ainda ocupa espaço nas bancas fechar as portas, seus donos continuaram tão milionários quanto o são hoje. O mesmo não se pode dizer daqueles que compõem o quadro funcional dessas empresas, que vão engrossar os índices de desemprego em tempos de crise.

Abundam e medram (êpa!) maus exemplos de manipulação da notícia. Banalizam-se os métodos de veicular a informação, que deveria ter caráter de imparcialidade... melhor, de justiça, por parte dos órgãos de imprensa. Que um jornal tome partido, que seja parcial, assumindo, com todas as letras, posição (vá lá!) político-ideológica, mas que não se esqueça o senso de justiça.

Hoje, se não fosse a internet e os papos de botequim, o que teríamos para nos fazer razoavelmente bem informados?

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=540FDS005


Assista ao programa Observatório da Imprensa na TV
nesta terça-feira, às 22h40, ao vivo pela TV Brasil e afiliadas,
pela Net canal 4 (São Paulo) e pelo site da TV Brasil.

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A edição do Observatório da Imprensa desta semana traz Fernando Soares Campos em dose dupla.

Além do artigo supra, leia também:

MÍDIA & GEOPOLÍTICA

Considerações sobre a tensão na Península Coreana

“A Coréia do Norte entendeu a ameaça de interceptação de seus navios por parte dos EUA e seu aliado como uma declaração de guerra e prometeu aplicar a Lei de Talião: olho por olho, dente por dente; caso algum barco sul-coreano ou americano invada suas fronteiras marítimas ou muito próximo delas navegue em atitude suspeita. O regime da República Democrática Popular da Coréia (RPDC) até já anunciou o fim do armistício que encerrou oficialmente a guerra travada entre o Norte e o Sul em meados do século passado.

A imprensa brasileira parece ignorar o fato de que o Brasil, neste exato momento, está empenhado em inaugurar embaixada em Piondjiangue (Pyongyang), apesar de sermos a primeira democracia das Américas a estabelecer relações diplomáticas residenciais com a Coréia do Norte.

Para o cargo de embaixador brasileiro junto ao governo norte-coreano foi designado o experiente diplomata Arnaldo Carrilho.”

Leia texto completo...

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=540FDS008

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

O pintassilva aquilino e o tucano condottiere

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(A fábula que Esopo perdeu)

Um pintassilva alçou voo do seu ninho na copa de uma caatingueira com o propósito de emigrar do Nordeste do Reino Unido do Pau-Brasilis em busca de farinha, xerém ou, com muita sorte, alpiste, que andavam escassos devido à seca que castigava a região.

Chegando à maior cidade do seu país, uma das maiores do mundo, o pintassilva notou que os pardais que ali viviam se adaptaram aos costumes da vida urbana e assim conseguiam sobreviver, porém empregando artifícios pouco convencionais aos de sua espécie.

No princípio o pintassilva de arribação decidiu se comportar como os pardais urbanos, fazendo malabarismo nos faróis de trânsito, capturando insetos e catando migalhas de pão que escapavam das vistas e bicos dos espertos pardais.

Certo dia o pintassilva pegou carona numa corrente de ar poluído e foi parar numa cidade portuária localizada no litoral daquele mesmo estado. Foi lá que ele, sem querer, comeu uma isca de polvo jogada à entrada de um restaurante especializado em frutos do mar. O polvo estava estragado, mas, sabe-se lá por que cargas d’água, o alimento provocou uma reação no seu organismo, gerando fenômeno nunca antes detectado pela ciência. Deu-se então um processo metamórfico, e o raquítico pintassilva retirante da seca se transformou numa águia.

Alguns anos se passaram...

A fauna do Reino Unido do Pau-Brasil estava sendo governada por um tucano travestido de condor...

O PinTassilva, agora metamorfoseado em águia, tornou-se líder dos pardais e, encabeçando movimento revolucionário nunca antes exitoso naquele país, depôs do trono o tucano condottiere e assumiu os destinos da nação.

O aventureiro tucano havia deixado o país no mais lamentável estado de penúria, nunca antes registrado pela História, submisso aos ditames da FMI (Fauna Mamífera Internacional) e empobrecido pela pilhagem a que os autóctones comparsas se aventuraram durante muitos anos, saqueando os cofres públicos e vendendo quase todo o patrimônio do Reino a preço de banana-d’água.

Já no segundo mandato de governo, o PinTassilva aquilino havia conseguido resgatar da miséria boa parte dos pardais, até prometera construir um milhão de novos e decentes ninhos, onde eles pudessem se reproduzir e criar seus filhotes com dignidade.

O invejoso tucano vivia o ostracismo a que os governantes corruptos devem ser relegados (sem prejuízo das ações penais às quais a lei possa submetê-los). Porém... Eis que o empalhado tucano sai de sua alcova e, com a ajuda de um bando de urubus malandros, investe em revoada contra o governo democrático do PinTassilva aquilino.

Contudo, por onde os urubus chefiados pelo tucano despenado passavam, toda a fauna se manifestava em retumbante protesto:

– Pipipipipi... Piratas! – piavam os pardais.

– Corru... corru... corru... Corruptos! – arrulhavam os pombos.


Moral da história nunca antes moralizada: Quem tem telhado de vidro pode até jogar merda nos outros; mas, pedra, jamais!

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