
Lou Micaldas*

Até pensei: graças a Deus! Merecia o descanso eterno!
Ele não nos deixou órfãos, porque não era nosso pai. Porém, nos deixou um legado de valor altíssimo: exemplo de vida, de amor ao trabalho, aos amigos, aos colegas e alunos.
Deixou uma das suas maiores riquezas: a arte de fazer rir sem apelação, humor crítico aos político com classe.
Através da personagem Dona Salomé, dava seu recado ao General Figueiredo, presidente do regime militar, que se tornou seu fã e até foi cumprimentá-lo no teatro, acompanhado de Dona Dulce.
Recriou a “Escolinha do Professor Raimundo” a fim de trazer de volta os velhos comediantes que estavam fora do ar, no esquecimento.
Ninguém é eterno aqui na terra.
Como poderia eu chorar sua morte se ele estava em péssimo estado num leito de hospital e seus familiares, em contínuo sofrimento diário, vendo sua vida se extinguir?
Ele partiu, mas seus personagens e sua história ficaram aqui: seus programas humorísticos estão documentados e, felizmente, poderão ser reprisados.
Lá no céu as cortinas se abriram para ele.
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoon
PressAA
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