domingo, 29 de novembro de 2009

Tudo pólvora do mesmo cartucho

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Fernando Soares Campos

Por que eu teria que acreditar em jornais como a Folha, revistas como a Veja, redes de TV como a Globo se eles já deixaram bem claro que estão a serviço do golpe contra o metalúrgico que lhes “usurpou” o poder institucional?

Bom, se querem que eu acredite neles, então vou ter que acreditar no que a repressão diz sobre César Benjamin. Nada mais justo. Se esses golpistas publicam o que César Benjamin escreve, deveriam publicar o que os golpistas de pijama publicam sobre o mesmo sujeito.

Se o site Ternuma, por exemplo, publicasse sobre Lula o que publicaram sobre César Benjamin, toda a imprensa golpistas daria crédito ao site Ternuma e reproduziria o que pudessem ter dito contra Lula. Bastava que eles considerassem relevantes as denúncias contra Lula.

Quem faz o Ternuma?

Para não perder tempo, copiei e colo aqui a página da Wikipédia sobre a tal instituição:

Ternuma ou Terrorismo Nunca Mais é um grupo de extrema direita composto por simpatizantes e ex-integrantes da Ditadura Militar Brasileira. O termo "terrorismo" é usado pelo grupo para se referir aos guerrilheiros que se opuseram à ditadura militar no Brasil.

O Ternuma é totalmente contrário aos movimentos sociais e estudantis de esquerda. A organização Também apoia integrantes da ditadura militar que estiveram envolvidos em casos de tortura e morte de militantes políticos, como Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi condenado recentemente pela justiça brasileira.[1] No fim de 2008, o Ternuma publicou uma nota, classificando o comando do exército do Brasil de "covarde" e "omisso", por não ter defendido o coronel Ustra de sua condenação.[2]

A definição de "esquerdista" usada pelo grupo vai além do posicionamento político. Para o Ternuma, pessoas que participam de passeatas, manifestações e que de alguma maneira criticam o próprio Ternuma também são "comunistas" ou de "esquerda".

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Eu jamais condenaria a atitude de alguém que, sob tortura, entregasse seus companheiros. Eu nunca a experimentei na pele, mas tenho idéia do quanto deve ser doloroso.

Os golpistas contam a história de repressão chamando-a de “combate ao terrorismo”. E, para eles, a ditadura foi apenas uma “ditabranda”.

Em alguns casos, eles foram os próprios autores das verdadeiras ações terroristas, e essas eles costumam saltar, ou soltam uma versão insustentável. Como no caso da bomba do Rio Centro.

Em outros episódios, “suicidaram” as vítimas.

Existem casos de “confronto” em que os que tombaram estavam até desarmados, e os agentes da repressão “provam” que eles resistiram “trocando tiros”.

Sobre o caso do assassinato do marinheiro inglês, atribuído a um grupo de esquerda (“terroristas”, para os membros do Ternuma), já escrevi artigo que chegou a ficar em destaque por quase dois meses no site do jornal russo PRAVDA: "Justiceiros do IRA ou ira dos justiceiros?" http://port.pravda.ru/cplp/brasil/17848-0/

Publicado inicialmente no diário espanhol La Insignia: http://www.lainsignia.org/2005/diciembre/ibe_025.htm

Qual a diferença entre os generais e oficiais de alta patente que formam o grupo Ternuma e determinados diretores, editores e chefes de redação de grandes empresas detentoras de importantes veículos de comunicação de massa no Brasil?

É que os militares do Ternuma assumem claramente suas posturas reacionárias, declaram-se golpistas de carteirinha, evocam o golpe aos brados, enquanto os camuflados golpistas das redações são (eram?) mais sutis, falsas vestais que falam em nome da “democracia”. De resto, são todos iguais, pólvora do mesmo cartucho.

Sendo assim, indicado por um assaz antenado leitor da nossa agência, o qual me indicou uma página do site Ternuma, fui conferir o que eles falam sobre César Benjamin, o “Cesinha”.

Da seção “RECORDANDO A HISTÓRIA”, capítulo intitulado “Lamarca: a trajetória de um desertor”, vou copiar e colar aqui o item 7 – "A Morte no Sertão da Bahia”, com o nosso grifo em todo o antepenúltimo parágrafo:

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07. A MORTE NO SERTÃO DA BAHIA

À primeira vista, parecia que o MR-8 se fortalecia com a vinda do "Cid" ou "Cláudio", aumentando o seu prestígio junto às esquerdas. Na realidade, a organização recebia, mais do que um militante, um verdadeiro "elefante branco" e a responsabilidade de mantê-lo na absoluta clandestinidade. Para Lamarca, o ingresso no MR-8 representou, nada menos, que o início do seu fim.

Carlos Lamarca e Iara Iavelberg passaram os meses de abril, maio e junho de 1971 escondidos de "aparelho" em "aparelho", dentre os quais o de Renato Perrault de Laforet ("Zé"), em Botafogo, e o de José Gomes Teixeira ("P1").

A prisão deste último, em 11 de junho, que veio a se somar a uma série de prisões de militantes e dirigentes do MR-8, precipitou a decisão de levar o casal para o sertão da Bahia, junto ao trabalho de campo na região do Médio São Francisco. Para o transporte, conseguiu-se um Volks e uma Kombi, cujos proprietários e também motoristas eram, respectivamente, Rui Berford Dias ("Aguiar") e Waldir Fiock da Silva ("Dirceu", "Pantera", "Gota Serena", "Roberto").

No início da noite de 25 de junho, os quatro encontraram-se, junto ao BOB'S da Avenida Brasil, com José Carlos de Souza, que viera especialmente para buscá-los. No Volks, seguiram Lamarca, Iara e José Carlos. Um pouco mais à frente, para verificar as barreiras policiais, a Kombi com Waldir e Rui.

No dia seguinte, ao chegarem em Vitória da Conquista, Rui retornou com seu Volks e os outros quatro seguiram com a Kombi até Jequié. Depois de pernoitarem, o casal se separou: Iara e Waldir foram de ônibus para Salvador, enquanto Lamarca e José Carlos dirigiram-se para Itaberaba e Ibotirama. Ao chegarem na ponte da BR-242 sobre o Rio Paramirim, encontraram-se, no fim da tarde de 27, com José Campos Barreto, o "Zequinha". Depois de dormirem numa pensão no início da estrada que demanda a Brotas de Macaúbas, chegaram nessa cidade na tarde de 28 e, no dia seguinte, Lamarca e Zequinha foram a Buriti Cristalino, enquanto José Carlos seguia com a Kombi para Salvador, a fim de encontrar-se com Iara e Waldir. Sem o saber, Lamarca, acobertando-se como o "geólogo Cirilo", chegara em sua penúltima morada.

Na tarde de 06 de agosto, encontraram-se, no centro de Salvador, César de Queiroz Benjamin ("Menininho") e José Carlos de Souza. Como assunto principal, estabeleceram que Iara seguiria para Feira de Santana, onde havia melhores condições de segurança, e ele, José Carlos, incorporar-se-ia ao trabalho de campo, em Brotas. Há algum tempo na vigilância, policiais deram voz de prisão aos dois militantes. O "Menininho" atracou-se com os agentes, chegou a atirar e conseguiu fugir (pela 2ª vez) ao cerco, dirigindo-se para a então Guanabara. Menos feliz, José Carlos foi preso e começou a denunciar diversos companheiros.

A partir de 17 de agosto, Iara Iavelberg, agora com os novos codinomes de "Gil", "Liana" e "Leila", passou a residir no apartamento 201, do Edifício Santa Terezinha, na Rua Minas Gerais, 125, na Pituba, com Jaileno Sampaio da Silva e sua companheira Nilda Carvalho Cunha, além da irmã desta, Lúcia Bernardeth Cunha.

No dia 20 de agosto de 1971, através das declarações de José Carlos, a polícia cercou o Edifício Santa Terezinha e exigiu a rendição dos ocupantes do apartamento 201. Após terem sido presos Lúcia, Jaileno e Nilda, Iara Iavelberg foi encontrada no apartamento vizinho, o 202, onde se escondera no início do cerco. Não vendo possibilidades de fuga e assolada por bombas de gás lacrimogênio, a amante de Lamarca suicidou-se com um tiro no coração.

No dia seguinte, um sábado, às 1900 horas, logo depois de passar um telegrama do Rio de Janeiro para Iara (sem saber que ela já estava morta), o "Menininho", num Volks com Ney Roitman, Alberto Jak Schprejer ("Souza", "Beto") e sua amante Teresa Cristina de Moura Peixoto ("Tetê"), é detido por uma "Operação Pára-Pedro", na Avenida Vieira Souto, na altura do Jardim de Alá. Ao serem solicitados os documentos, o "Menininho" saiu rapidamente do carro, fugindo correndo entre os transeuntes. Pela 3ª vez, conseguia escapar de um cerco policial. No veículo, ficaram o diário de Lamarca e cartas para Iara, escritas de 29 de junho a 16 de agosto, que forneceram, aos órgãos de segurança, a certeza de onde deveriam procurar e concentrar esforços a fim de capturá-lo.

Enquanto isso, as declarações de José Carlos de Souza ajudavam a colocar mais dirigentes do MR-8 na cadeia. Em 27 de agosto, foi a vez de Diogo Assunção de Santana e Milton Mendes Filho.

No dia seguinte, a polícia chegou em Buriti Cristalino, dando voz de prisão aos ocupantes da casa dos irmãos Campos Barreto, que reagiram com intenso tiroteio. Ao final, Olderico foi preso, ferido no rosto e na mão direita, enquanto Otoniel foi morto, quando tentava a fuga. Dentro da casa, o cadáver de Luiz Antônio Santa Bárbara, que se matara com um tiro na cabeça. Era o 3º suicídio de militantes do MR-8 para não denunciarem Lamarca que, acampado a poucos quilômetros do lugarejo de Buriti Cristalino, ouvira os tiros e fugira, internando-se com Zequinha mata a dentro.

Sem saber do acontecido e sentindo-se "queimado" no Rio de Janeiro, César de Queiroz Benjamin retornou a Salvador, sendo preso em 30 de agosto, num "ponto" delatado por Jaileno, no Rio Vermelho. Após longa série de assaltos e ter escapado de três choques com a polícia, o "terrível Menininho", com apenas 17 anos, mostrou-se extremamente dócil nos interrogatórios. Suas extensas declarações, todas de próprio punho, desvendaram a linha política e as ações do MR-8. Muitos militantes foram, então, identificados. Chegou, inclusive, a fazer uma análise dos métodos de interrogatório aplicados, declarando-se surpreso com o bom tratamento recebido e com o nível de seus interlocutores.

Com essa nova e importante fonte, os órgãos de segurança, que já haviam retirado boa parte de seus efetivos da região de Brotas de Macaúbas, retornaram ao local, iniciando-se nova caçada a Lamarca e a Zequinha.

No meio da tarde de 17 de setembro de 1971, uma equipe de agentes, integrantes da Operação Pajussara, localizou os dois militantes, que descansavam à sombra de uma árvore, perto do arruado de Pintada, município de Oliveira dos Brejinhos. À voz de prisão, tentaram sacar de suas armas. Uma série de tiros pôs fim ao ex-Capitão comunista - que deixara um rastro de sangue atrás de si - e a José Campos Barreto.
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Agora analisemos.

Nesse item, os militares falam em três escapadas do Benjamin, mas só relatam duas, uma delas de forma “espetacular”. Faz até lembrar uma daquelas ações de “Bond, James Bond”, que naquela época fazia tremendo sucesso nas telas. A segunda não é tão espetacular, lembra mais um trombadinha escapando da vítima que se aventura a persegui-lo.

Estranhos, muito estranhos, ambos os casos são estranhos. Muita sorte! Só cabo Anselmo teve tanta facilidade quando de suas fugas. Gostaria de saber como ocorreu o outro caso, pois falam de três escapadas, três dribles em cima dos preparados agentes da “redentora”.

Mas isso aí é fichinha, pois tudo é possível, até César Benjamin ter desempenhado na vida real o que os agentes de verdade só conseguem nas produções hollywoodianas.

O que impressiona mesmo é um dos mais “corajosos” elementos da guerrilha contra a ditadura militar, capaz até de fazer Fleury tremer nas bases e pedir o penico quando ouvia seu nome, “Menininho, o terrível!”, esse elemento, ao ser preso, foi “extremamente dócil nos interrogatórios”, ao ponto de elogiar os seus inquisidores e “Suas extensas declarações, todas de próprio punho, desvendaram a linha política e as ações do MR-8. Muitos militantes foram, então, identificados.”

Sabe de uma coisa? Não acredito em uma só linha do que o grupo Ternuma publica. Como não dou o menor crédito à Folha, tudo pólvora do mesmo cartucho.

Só sei que eles fizeram muita gente perder tempo escrevendo desmentidos sobre o que César Benjamin escreveu sobre Lula, muita atenção foi desviada de casos realmente graves, como o de Tuma e Maluf acusados pelo Ministério Público de terem ocultado cadáveres de pessoas desaparecidas, vítimas das forças de repressão a serviço da ditadura que se abateu sobre este país a partir de 1964. Isso praticamente passou batido. A crônica do Cesinha deu até um refresco no caso da corrupção do José Roberto Arruda, o governador (DEM) do Distrito Federal, cotado para ser candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra.

Tirando o foco da reta

- Alô! Cesinha, é o Pé-de-Mesa.

(...)

- Hein?! Num lembra de mim?!

(...)

- Como?!

(...)

- Não, menino...

(...)

- Ah! Lembrou-se? Bem, a parada é a seguinte: me contaram que você escreve bem pacas, e hoje um chapa meu me falou que o MP, depois do caso do Tuma e Maluf, vai ajuizar uma ação contra a raia miúda...

(...)

- Isso mesmo, vai ser uma gritaria duca!

(...)

- É verdade, eu ainda uso gírias daquela época. Mas, como eu ia lhe dizendo, vem aí uma ação coletiva contra a turma mão na massa... Você entende... Aí, eu queria saber se dá pra você escrever alguma coisa sobre alguma coisa...

(...)

- Hein?! Eu não disse coisa com coisa?! Então vou ser mais direto, primeiro quero que você saiba que tenho uma boa memória...

(...)

- Ah, sim! Num preciso falar mais nada, né?

(...)

- Então, tá! Beijunda!

(Crackt! Scrasht!)

- Tô brincando, cara! É só trocadilho infame daquela época!

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PressAA

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Um comentário:

julio cesar disse...

realizações do comunismo pelo mundo
1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas)
2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas
só isso é o suficiente para mostrar que comunismo não presta