sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Laerte Braga, o cobra, fala das cobras daqui e de além-mar


AS COBRAS DO MEU BRASIL E DE OUTRAS PLAGAS


“Não vi, não conheço e nem sei quem é”. Foi mais ou menos desse jeito que o governador de São Paulo referiu-se à governadora tucana do Rio Grande do Sul atolada até alma em corrupção plena e absoluta. Serra teme que o fato (há um pedido de impedimento aceito pela Assembléia Legislativa) prejudique sua candidatura e, pior, que a mania de investigar corrupção tucana chegue a São Paulo e aí afunde de vez seu sonho de ser o próximo presidente da República.

Em público, temeroso que Yeda Crusius abra o bico e ponha os podres para fora, desde os tempos do governo FHC, diz que não é nada disso, que a governadora é honesta e vai livrar-se do processo, sendo importante aliada na campanha presidencial. Por trás mandou a bancada tucana na Assembléia gaúcha apressar o processo para evitar que, longo, respingue em sua candidatura.

Aécio Neves que não é bobo, nem dorme de touca, mandou dizer a Yeda que está às suas ordens e pode contar com sua ajuda se essa se fizer necessária.

O maior medo, no entanto, é de FHC. O ex-presidente fez um acordo com a governadora e o marido de Yeda, ainda no governo Itamar Franco. Yeda virou ministra, era um dos xodós de Itamar, tipo agente duplo, gerou um grande problema com outra ministra Léa Franco (mulher do senador Albano Franco) e por pouco Itamar não vira prefeito de Aracaju passando por Niterói (não me perguntem por que), com escala em Porto Alegre.

Uma diretoria dum trem qualquer aquietou o marido da governadora. Aquietou e enriqueceu.

Daí para frente o casal resolveu fazer vôo solo e terminou no Palácio Piratini. Desafinou. O consorte já esteve em São Paulo buscando “proteção”. Não disse, mas insinuou que certas histórias poderiam cair em mãos indesejadas e a essa altura do campeonato não está muito preocupado com honra pessoal, não, mas com o patrimônio amealhado em anos de trapaças, etc, etc.

Mas não é que um cara foi ao banheiro, assentou-se sobre o vaso, foi picado por uma cobra em local indesejado. Na China, onde mais? Como o veneno não é da espécie, tucana não corre risco de vida, deve ser liberado do hospital em breve, tão logo esteja afastado o risco de infecção.

Ester Orrino, de 87 anos, foi picada por uma cobra da espécie Sílvio Berlusconi. Matou-a com as próprias mãos. Italiana, mora nos EUA e achou que esse tipo de réptil estivesse sendo exportado para a América do Norte, tal e qual para o Brasil. Aqui experiências genéticas com a espécie Gilmar Mendes, resultam em cobras com patas, já conhecidas também na China. O objetivo é chegar a um tipo de cobra outrora identificada como UDN, só que agora com bico de tucano.

Já na Inglaterra um supermercado decidiu patrocinar uma experiência destinada a verificar o volume de gases despejados por vacas na atmosfera e o que isso pode significar em termos de poluição ambiental. As vacas foram adornadas com colares especiais que de duas em duas horas aferem a quantidade de gases emitidos e seus efeitos.

Brincadeira? Olha aí, ninguém, pelo menos eu, vai entender nada, mas a cobra está lá. Em chinês e tudo.

Essa moça da foto abaixo é Alzbeta. Com o fim do comunismo deixou seu país, a Eslováquia. Foi parar na Inglaterra e acolhida por Denys Morley. O súdito de sua majestade a rainha Elizabeth II comprou-lhe roupas, um casaco de vison e casou-se com Alzbeta.

Segundo ela o advento do capitalismo gerou fome e miséria na Eslováquia, e sair do país é um sonho de todos os jovens. E diziam que era o contrário. Mas vai daí que Alzbeta, que nunca ouviu falar em tucanos, mas conhece bem o esquema, recebeu proposta de 500 mil libras, perto de um milhão e meio de reais para largar Denys e ir viver com um banqueiro, Yann Samuellides, da Goldman Sachs (aquela que calcula o risco Brasil e outros riscos e faz a festa de Miriam Leitão).

Alzbeta Holmokova aceitou. Pediu o divórcio e já está na casa nova.

Segundo disse a jornalistas, o novo marido, entre outros itens do acordo, vai incrementar a carreira de modelo, sonho dourado da moça. Sobre eventuais prejuízos causados a Denys, como o casaco de vison, disse que não tem o que explicar: “Não o obriguei a nada, deu porque quis”.

Alzbeta espera que a carreira decole em curto espaço de tempo, e o contrato com o novo marido tem tempo certo. Terminado, vai ser necessária uma nova negociação e novas garantias, do contrário estuda outras ofertas.

Sobre voltar para Denys neca de pitibiriba. Denys não tem condições de abrir o mercado para que a moça se transforme em modelo e brilhe nas passarelas. Pode até estudar um eventual interesse de Sílvio Berlusconi, mas não aceita ser deputada no parlamento europeu pelo partido do primeiro-ministro italiano. Quer mesmo é ser modelo.

Na impossibilidade de perguntar a Alzbeta sobre se interessava em namorar o governador de Minas, ou ser governadora do Rio Grande do Sul, fica a sugestão para que a moça, agora numa grande casa do mercado financeiro, seja convidada a vir ao Brasil assistir ao carnaval, direito a camarote, com chance de conhecer Eike Batista que, num primor de justificativa para terras griladas, disse que seus filhos também têm direitos, pois “são filhos de índios”. Estava justificando os arrozeiros de Roraima.

O que não ficou claro é se a moça faz parte da Goldman Sachs, ou só do patrimônio pessoal de Yann ,ou se a compra foi feita após o cálculo dos riscos e no mercado futuro.

Com a palavra Miriam Leitão. Falsa astróloga da economia e cobra da espécie catástrofe iminente, resultado de cruzamentos GLOBO/TUCANOS, com laivos DEMocratas.

Ah! Obama fala palavrão, ou quase, se é que isso ainda é considerado como tal. O líder da organização Casa Branca chamou o deputado que o “ofendeu” com o epíteto de socialista, de “babaca”.

Cobra “Colômbia”, da espécie Uribe/cocaínas (assim mesmo).

Eu se fosse Lula, depois daquele negócio de “Lula é o cara”, ia me benzer.

Sabe lá se levanta a tampa do vaso e lá está Alzbeta! Um milhão e meio de reais!

Putz! Artur Virgílio e Tasso Jereissati, da espécie “sou, mas quem não é” iam querer uma CPI, e a serpente Kátia Abreu ia dar um bote do tamanho do seu latifúndio. Benze Lula, benze. Se fosse só isso, mas tem lá o Reinold Stephanes. Benze!


Laerte Braga é jornalista, escritor, cineasta e colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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PressAA

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Brasil do faz-de-conta



FAZ DE CONTA QUE AS COISAS SÃO ASSIM, NÃO IMPORTA QUE SEJAM ASSADO

Laerte Braga

Num determinado momento o grande dilema da vida passa a ser a escolha do creme dental. Se você vai usar “colgate” ou “sensodyne”. A “máquina de fazer doido”, definição magistral de Sérgio Porto para a televisão mostra a você dentistas com aparências sérias, de competência inquestionável e cada qual recomendando um ou outro dos maravilhosos cremes dentais. A categoria não tem culpa.

Pula para os desinfetantes domésticos. Aqueles que trazem os aromas da natureza para dentro da sua casa. De repente você descobre que existe um produto que tira manchas, vem em forma de pó, numa embalagem rosa (existe a embalagem alternativa, branca, alva) e que, além disso, é “inteligente”. Procura as manchas ocultas.

Aí você fica petrificado. No bom sentido da palavra, na verdade, você fica coisa assim, sem perceber que está sendo assado em fogo baixo. Terminados os comerciais volta o filme, a novela, ou então aparece William Bonner, especialista em Homer Simpson, para dizer que “os terroristas” estão à sua volta e é preciso fechar as janelas, não olhar para os lados, desconfiar de quase tudo (para confiar só nele e no que representa) e tudo termina numa pesquisa do IBOPE.

A notícia mais importante é que na Feira do Livro, no Rio de Janeiro, quando Xuxa chegou, para além do frisson que despertou ao abaixar-se, deixou à mostra um “tattoo”. É um golfinho.

Os produtores de milho transgênico estão se descabelando. É que os consumidores europeus cismaram de não consumir produtos transgênicos. Por lá a lei exige que essas aberrações sejam muito bem definidas nas embalagens.

Aí, por aqui, terra descoberta por Cabral, a senadora Kátia Abreu, envolvida em desvios de recursos de campanha eleitoral, quer uma CPI para apurar os recursos transferidos pelo governo federal aos projetos de agricultura familiar do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra). A revista VEJA, da editora ABRIL, beneficiária de contratos milionários com o governo de São Paulo (país vizinho que fala a mesma língua), vem em seguida para mostrar que tudo não passa de uma “farra” e que por detrás desse negócio de reforma agrária existe um monstro pré-histórico que quer deter a formidável máquina do progresso.

Depende de como você vê o progresso. Se comum a todos pode até ser. Se só para alguns, não passa de privilégio.

“O mundo segundo a Monsanto”, empresa produtora de sementes transgênicas é um filme de Marie-Monique Robin, francesa, foi produzido em 2008, tem 109 minutos de duração e mostra como a empresa coloca em risco o meio ambiente e a segurança alimentar da humanidade.

Nem uma notícia na GLOBO ou nos acessórios de menor porte. A Monsanto é anunciante. Veicula os milagres da tecnologia.

Mas isso é coisa para depois, nem você e nem eu estaremos aqui para ver. Ou sentir. Importante é ter consciência que Paris Hilton é um exemplo de sucesso e vai para o livro de “frases sábias”, uma coletânea de idiotices transformadas em auto-ajuda para elevar a estima dos consumidores e preferencialmente a freqüência aos shoppings. Não importa que você não seja herdeira de uma grande fortuna, ou que não seja bonita para os padrões definidos pelos senhores da beleza, o que vale é seguir o modelo Paris Hilton, afinal democracia é isso, direitos iguais.

Matricule seu filho na “escola” da Xuxa e tenha a paz dos justos, assegurando a ele o deserto do futuro.

Esse vem pelas mãos de Antônio Ermírio de Moraes, homem do ano todos os anos, na faina predadora da destruição ambiental, mas que gera empregos, tanto quanto doenças, fome, miséria e papel para que a FOLHA DE SÃO PAULO convença você através de um infográfico que José Serra pode não saber direito o que é uma vaca, mas sabe o que é um caixa dois de campanha.

A direção de jornalismo do complexo GLOBO (jornal, rádios, tevês e revista) decidiu que os jornalistas do grupo deverão tratar a candidatura Marina da Silva só no que diz respeito a questões ambientais. Se Marina apresentar uma proposta para além de sua bandeira principal neca de pitibiriba, pois pode atrapalhar o DEMônio tucano (fica parecendo até Edir Macedo) e o papel que cabe a Marina é servir de tapete para a marcha triunfal de José Serra até Brasília.

Se a moça vai se deixar engolir é outra história. Não tem cara de quem vai permitir esse estupro e nem essa história, essa transformação em instrumento dócil e ingênuo dos senhores do mundo.


Sílvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália e patrão de Gilmar Mendes, presidente da STF DANTAS INCORPORARTION LTD, está enrolado com essa moça da foto. É Patrizia D´Addario. Exercia o ofício de “garota de programa” e foi contratada várias vezes para as festas do primeiro-ministro. Mil euros por participação e mais mil se topasse ir para a cama. Isso duas vezes por semana. Fez, admite ela, um razoável pé de meia e só não foi candidata ao Parlamento Europeu por conta de um jornal independente que cismou de mostrar a história e publicar algumas fotos. Berlusconi tinha prometido a ela a candidatura por seu partido.

De quebra usou o celular para gravar os momentos íntimos com o primeiro-ministro. Vive hoje de palestras nos melhores centros culturais e universidades européias, onde conta tudo o que viu e ouviu nos palácios berlusconianos.

Já o primeiro-ministro, misto de político, banqueiro e pilantra, afirma que é tudo mentira, que nunca pagou por sexo, pois o prazer do homem é a conquista. Quando o jornalista Miguel Mora do EL PAÍS, espanhol, perguntou-lhe se pagava por programas com garotas, olhou-o de cima embaixo, ajeitou o nó da gravata e disparou – “o senhor está é com inveja” –. Nem quis falar sobre o cafetão. Um empreiteiro que em troca recebia contratos para obras públicas.


Tão logo soube das declarações de Berlusconi a moça desafiou-o para um debate público, em rede nacional de rádio e tevê.

Cega é a justiça e culpado é Cesare Battisti.



A foto acima é de um desembargador do Tribunal de Justiça do estado da Bahia. O tribunal estava em sessão, considerada de importância e o magistrado decidiu recorrer ao xadrez, na certa, para ajudá-lo a resolver as intricadas questões jurídicas que dizem respeito ao mundo democrático, ocidental, cristão e capitalista. O nome do enxadrista é Carlos Roberto Santos Araújo.

Eu se fosse o delegado Protógenes Queiroz tratava de arranjar um habeas corpus preventivo. Na certa VEJA vai dizer que tudo não passa de gravações ilegais no gabinete de Gilmar Mendes, onde as questões são resolvidas pela porta dos fundos. Se as gravações existem ou não, isso é irrelevante. O que conta mesmo é o tira manchas inteligente.

Do outro lado, no conceito deles, está o Homer Simpson.

E um detalhe, têm indicações mágicas para todos os casos. Se o seu padrão de consumidor não for o padrão “colgate” ou o padrão “sensodyne”, não se preocupe, tem um sabão em forma de pasta e com o sugestivo nome de Sorriso.

“Vista-se bem onde quer que vá, a vida é curta demais para se passar despercebido”. Inteiro teor da contribuição de Paris Hilton ao bem estar do ser humano. Se você não puder vestir-se como Paris Hilton, monte um jegue e saia nu ou nua pelas ruas. Vai ser percebido. E detido aos costumes.

Um cidadão de 41 anos, em Sorocaba, interior de São Paulo, invadiu a prisão da cidade e pediu para ser preso, trancafiado de forma tal que pudesse ter segurança e tranqüilidade. “Aqui é melhor que lá fora, me sinto mais seguro”. O dito cujo já tentara sem êxito ser preso em outras oportunidades. Condenado por homicídio doloso estava em regime semi-aberto. Preferiu o trancafiado.

Coelho Neto, um tanto reacionário, mas com virtude de ter sido um dos fundadores do Fluminense Football Club, escreveu que “ser mãe é padecer num paraíso”. Não sei, mas prevejo, no futuro, invasões constantes de úteros na tentativa de pare o mundo que eu quero descer. Vai ser uma volta às origens. O Fluminense não, é uma espécie em extinção.

É que o assim aqui está ficando assado. E nessa lógica perversa do progresso, o tal progresso que contribui para o tal PIB, a classe média está de volta ao quarto e sala. Quem diz isso é a revista ÉPOCA, uma das espécies voltadas a Homer Simpsons. E o altar está lá. Digital de não sei quantas polegadas, com imagem HD, acho que é isso. O título? “Famílias encaixotadas”.

Bem faz o Pastinha que se perceber a chance de dez mil segura quinhentos que já dá para o torresmo, a cerveja e um troféu no próximo torneio de sinuca.

E fique atento, vem aí o parto de Ivete Sangalo. Cobertura completa, com todos os detalhes e exclusiva. Com direito ao primeiro choro do bebê. E as lágrimas de emoção dos distintos telespectadores.

Se tudo falhar, não se desespere. Barack Obama é um cidadão branco, dizem que presidente dos Estados Unidos (existem dúvidas). Trabalha de garçom, mágico vendedor de ilusões e agora incorporou o biscate de pintor. Garçons, mágicos e pintores cuidado. O cara é um prodígio de “sou, mas quem não é?"

Laerte Braga é jornalista, escritor, cineasta e colabora com esta Agência Assaz Atroz
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PressAA
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O gato subiu no telhado...



Por Fernando Soares Campos


Numa redação de jornal em Porto Alegre.

Um foca ofegante adentra na sala do redator-chefe. O jovem jornalista está mais assustado que cachorro em canoa.

Foca Ofegante: - Chefe, a casa caiu! O povo nas ruas só fala em impeachment!

O redator-chefe, com uma cuia na mão, leva a bomba à boca e suga profundamente o chimarrão. Em seguida, calmo que nem água de poço, fala:

Redator-Chefe: - Que povo mal informado, tchê! Já faz quase duas décadas que o Collor foi impeachmentado, até já voltou como senador. E, se duvidar, chega novamente à Presidência da República. Bah! Mas que povo atrasado, piá!

Foca Ofegante: - Chefe, não é do impeachment do Collor que estão falando!

Redator-Chefe: - E de quem mais poderia ser?

Foca Ofegante: - O povo, chefe, está falando do pedido de impeachment dela! Entendeu? Dela...

Redator-Chefe: - Seja mais claro, piá! Não estou entendendo bulhufas!

Foca Ofegante: - Tá bem, chefe, vou ser sincero como a vaca pro touro. O povo, chefe, está falando do pedido de impeachment da governadora! Pronto, acho que agora o senhor entendeu.

O redator-chefe fica, por um momento, de boca aberta que nem burro que comeu urtiga. Súbito, salta da cadeira, mais ligeiro que enterro de pobre, e larga um berro mais forte que peido de burro atolado.

O foca se assusta e cai de costas.

O redator-chefe corre pela sala mais nervoso que gato em dia de faxina, porém feliz como puta em dia de pagamento de quartel!

Redator-Chefe: - Por que você não falou logo, seu destrambelhado?! Então, é isso?! Quer dizer que, finalmente, pediram o impeachment da governadora Ana Júlia Carepa?!

O foca, ainda no chão, pega o celular e liga para o deputado que o encarregou de dar a notícia ao seu chefe.

Foca Ofegante: - Deputado, acho bom o senhor dar uma chegadinha aqui na redação...

Deputado: - O que está havendo? Você já deu a notícia pro seu chefe?

Foca Ofegante: - Dei umas dicas, deputado, mas estou com medo de abrir totalmente o jogo e contar tudo. Isso pode provocar um infarto no homem.

Deputado: - Vá devagar. Faça rodeios e, quando sentir que vai causar o menor impacto possível, conte pra ele que a Assembleia acatou o pedido de impeachment da Yeda.

Foca Ofegante: - Eu já comecei, fui quase direto ao assunto, com muito cuidado, mas o homem tá mais por fora que arco de barril.

Deputado: - Faça como achar melhor, mas tenha cuidado, seja sutil como gato que vai pegar passarinho.

O foca desliga o celular, observa que o chefe agora também está desligado, absorto em pensamentos, recostado naquela cadeira enfeitada como bidê de china. Provavelmente está bolando uma manchete mais bonita que laranja de amostra.

Foca Ofegante: - Chefe, eu sei que o senhor tem razão de estar mais por fora que surdo em bingo, pois viajou muito nos últimos tempos. Ficou umas três semanas em Não-Me-Toque...

Redator-Chefe: - Eu, por fora?! Nada disso, piá! Enquanto estive por lá, toda semana eu lia o Boletim da Associação dos Suinocultores.

Foca Ofegante: - Chefe, o que estou querendo dizer é que... Bom, eu sei que, para o senhor, isso vai ser mais difícil que nadar de poncho, portanto precisa ser mais forte que sapato de padre!

Redator-Chefe: - Vai logo, piá, desembucha! O que é que você ainda tem pra me contar?

Foca Ofegante: - Chefe... - o foca pigarreia, olha pros lados, respira fundo e finalmente solta a bomba: - Chefe, o gato subiu no telhado!

O redator-chefe leva a mão ao peito e escancara a boca. Porém o grito fica preso na garganta, e o homem desaba no chão. BÁ!

Mais duro que salame de colônia!

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Dica da PressAA: Não espere que um foca lhe ponha a par das últimas notícias sobre o pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius. Conte ainda menos com a imprensa gaúcha em geral. Acesse o DIALÓGICO, leia as últimas atualizações e fique mais bem informado que gerente de funerária.

Impedimento da Governadora nos jornais de hoje:

Capa e agenda positiva, ou seja, é preciso anunciar, mas a principal voz é a do Governo Estadual:













































Capa do tipo "desculpe, mas é preciso anunciar":























É preciso lupa para ler a manchete acima de O Sul.


























Capa silêncio total e a comunidade popular que se exploda em matéria de informação:

























http://dialogico.blogspot.com/2009/09/impedimento-da-governadora-nos-jornais.html


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PressAA
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Editor da FSP dá uma de Tavares: "Sou! Mas... quem não é?"

Raul Longo recebeu mensagem de sua amiga Guidinha, que lhe enviou artiguete assinado por Sérgio Malbergier, editor do caderno Dinheiro, da Folha de S. Paulo, no qual o colaboracionista do time FSP (PIG-SP), empregando linguagem pseudomoralista, tenta construir uma imagem do presidente contrária à do título de sua escrevinhação: "Lula gigante". Porém até o mais desatento leitor identifica seu mal dissimulado sarcasmo.

Não vale a pena reproduzir as malícias mal-acabadas do Malbergier metido a malandro, mas destacamos aqui as suas conclusões. O sujeito encerra o texto atacando os brasileiros em geral, sem meias palavras ou exceção:

E, para completar, há ainda o filme "Lula, o filho do Brasil", sendo finalizado pelo clã dos Barreto (o PMDB do cinema nacional). Quem já viu trechos diz que é de chorar e arrepiar. O blockbuster certamente elevará a lulamania a patamares nunca antes vistos neste país desde Getúlio Vargas.

A trajetória de Lula é de fato heróica e lacrimejante. Mas, como o ditador gaúcho que tanto bem (e mal) fez ao país, seu apoio explícito ao banditismo político brasileiro manchará seu enorme legado.

Filho do Brasil, não poderia ser diferente
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“Filho do Brasil”, aí no fechamento, não tem nada a ver com o título do filme, o sujeito quis dizer apenas “brasileiro”, “sendo brasileiro”, “por ser brasileiro”, “na condição de brasileiro”. Basta observar a vírgula.

Malbergier é brasileiro? Estará ele falando sob auto-análise? Por que generaliza? Olhos nos olhos diante do espelho? Atenta observação a tudo que se passa ao seu redor? O que leva um indivíduo a acreditar que toda uma nação é formada por elementos que dão apoio explícito ao “banditismo político”? Por que Malbergier usou o verbo “manchar” no futuro do presente? “Manchará”?! Aparente advertência ao presidente, no entanto isso não passa de mera sutileza; pois, para o escrevinhador, Lula não passa de um corrompido político que empenhou “apoio explícito ao banditismo político brasileiro”.

Só se pode deduzir que o cara cometeu ato falho, revelando ser adepto da filosofia do Tavares, personagem de Chico Anysio, casado com a feiosa, porém rica, Biscoito. O malandro encerrava o quadro no programa com o bordão: "Sou! Mas... quem não é?"

Mas nós contamos com um perspicaz periodista participante das páginas da PressAA, Raul Longo. Leia a resposta do Raul à sua correspondente.

É imperdível!

Fernando Soares Campos

Editor-Assaz-Atroz-Chefe

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Raul Longo

Guidinha:

Eu vou bem, e aguardando nova visita sua. E os meninos, como vão?

Também vou me divertindo, com as que coisas que me enviam vez por outra, como essa matéria que você me manda desse editor da Folha de São Paulo.

Adoro ler esse tipo de coisa! Trabalhei na Folha de São Paulo por pouco tempo, mas a freqüentei bastante em função dos amigos que trabalhavam na redação, e por colaborar com o Maurício de Souza quando a Abril começou a publicar suas revistas. Eu já colaborava com as publicações infantis da Abril, e fui convidado a desenvolver roteiros de HQ para os personagens do Maurício que, na época, tinha o estúdio montado no último andar do prédio da Folha, na Barão de Limeira.

Por essa época, todos sabíamos do envolvimento do Frias com a ditadura, mas sabíamos também que toda a grande imprensa se tornara grande pela mão suja de sangue dos milicanalhas. A TV Globo era apenas uma pequena emissora carioca e do dia pra noite se tornou isso que é hoje. A Abril, no ano em que nasci, se iniciou em uma garagem da casa do Civita. Cresceu e ocupou alguns andares de um pequeno prédio na João Adolfo, no Centro de São Paulo. De repente virou o maior parque gráfico do continente. Os Mesquitas, do O Estado de São Paulo, já eram ricos e pernósticos. Tinham rádio, hotel e o jornal, antigo. Desde que me lembre era na Major Quedinho. Prédio próprio, grande. Durante a ditadura construíram outro maior na Marginal, e o prédio da Major Quedinho abrigou o Diário Popular, que por um tempo foi o segundo jornal em circulação na cidade.

O Otávio Frias ganhava mais dinheiro com a antiga rodoviária de São Paulo, de sua propriedade, do que com o jornal. Até que teve participação ativa na repressão aos opositores do regime criminoso. Entregou os veículos de sua frota de carros de entrega para o que foi chamado de Operação Oban. O cara estava em casa, aparecia um carro de entrega de jornais e ele imaginava que estariam procurando alguma banca de jornal ou trazendo alguma informação urgente. Quando abria a porta para alguém vestido de entregador da Folha, não era entregador. Era polícia.
Aí, enquanto uns ficavam revistando a casa do sujeito, outros o enfiavam dentro do furgão e a vizinhança não se apercebia de nada. As vezes eram levados para o DOPS, outras vezes para lugar algum, pois muitos dos aprendidos na Operação Oban desapareceram. Só quando alguns dos aprisionados nos quartéis começaram a ser resgatados, em troca de diplomatas seqüestrados, a participação do grupo Folha de São Paulo veio a público. Não é à toa que hoje a Folha se refere à ditadura como "ditabranda"

Mas naquela época, enquanto a Folha da Tarde, a outra publicação da empresa, estampava na capa fotos de vítimas do regime que sabiam já assassinadas pela repressão, apontando-as como procurados por subversão, a Folha de São Paulo era considerado um jornal mais à esquerda. Chegou a ser editada por Cláudio Abramo, um mestre do jornalismo e socialista. Mais tarde Abramo também foi preso.

Nessa época eu já não morava em São Paulo e anos mais tarde soube que assumiu a editoria da Folha o Boris Casoy, um sujeito pernóstico e extremamente formal, de quem todos tínhamos aversão, pois anos antes integrara o CCC - Comando de Caça aos Comunistas -, grupo terrorista de direita que invadiu o teatro Oficina e atacou os atores da peça Roda Vida, do Chico Buarque, entre outras ações violentas, inclusive a morte de um estudante secundarista na Rua Maria Antônia.

Durante uma passagem por São Paulo, encontro o Lizoel Costa, que então integrava o grupo Língua de Trapo e me contou da morte do Touchê, um jovem poeta muito querido e conhecido entre os boêmios de São Paulo dos anos 80. Touchê trabalhava na Folha e a secretária do Otavinho Frias (já no lugar do pai) se enamorou por ele. Acontece que a secretária era amante do Otavinho e o Casoy tornou a vida do Touchê um inferno. Ele ia aguentando. Era romântico e não desistia da moça, era pobre e não podia desistir do emprego, embora confessasse aos amigos que estava doido para ser demitido e poder pegar a indenização.

Não o demitiam, mas o Boris Casoy o atormentou até o dia em que encontraram o Touchê morto no apartamento onde morava sozinho e asmático. A causa da morte foi uma crise de asma após um dia infernal no trabalho, conforme relataram seus colegas da redação.

Então é por toda essa história e algumas outras mais, que adorei ler o desespero desses calhordas nesta matéria. Adoro quando recebo notícias como essa. Dados divulgados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) apontam queda média de 4,8% dos títulos filiados no primeiro semestre, em comparação a circulação média destes mesmos títulos nos seis primeiros meses de 2008. Segundo o IVC, a circulação média diária total dos jornais filiados nos primeiros seis meses de 2009 foi de 4.231.165 exemplares. Em 2009, foi de 4.394.047 exemplares. No dia 3 de agosto, M&M Online já havia adiantado que a circulação dos 20 maiores jornais diários brasileiros caiu 6% no primeiros semestre. Além disso, o faturamento publicitário dos jornais também está em queda. Segundo Projeto Inter-Meios, houve retração de 9,48% no período de janeiro a maio de 2009, na comparação com os cinco primeiros meses de 2008. Meio & Mensagem – 18/08/2009.

Pra quem sonhou em ser jornalista desde menino, no tempo em que a atividade era uma profissão...

Pra quem ingressou no jornalismo no início da obrigatoriedade do curso universitário ao qual foi barrado pela repressão e, apesar de desiludido por perceber que a profissão pela qual tanto sonhara estava se tornando um negócio mafioso e mancomunado com os milicanalhas do poder, continuou acreditando que ainda viria o tempo em que a informação poderia auxiliar na formação de uma sociedade melhor...

Para quem depois de 30 anos de tentativa de fazer jornalismo sério pelo que então se chamou de imprensa alternativa, ou nanica e marginal, como nos menosprezavam os pseudojornalistas da imprensa-empresa...

Para quem teve de reconhecer que acabara-se o jornalismo no país, substituído pela chamada "pena de aluguel" e os pistoleiros da palavra...

Para quem mesmo já tendo desistido da profissão, ainda se envergonhou por ela quando a transformaram em partido político para a montagem do escândalo do mensalão, o que hoje é conhecido como PIG - Partido da Imprensa Golpista...

Pra quem, como eu, é muito bom ver o desespero desses calhordas neste texto que você envia. Me dá um alívio muito grande saber que, não só o negócio da enganação de leitores através da atividade jornalística, vai mal financeiramente, como também vai mal politicamente.

O estertor, mesmo que de um animal, mesmo que de uma mosca, uma barata, sempre é trágico. Ninguém pisa numa barata e fica assistindo o inseto estrebuchar.

Até o sofrimento de uma barata nos penaliza e compulsivamente abreviamos a morte numa segunda chinelada, não é verdade?

Mas esse texto de estertor do editor da Folha de São Paulo é muito engraçado. Por um momento cheguei a pensar haver algo de errado comigo, em achar graça de algo tão trágico como o explícito estertor desse editor da Folha. Mas percebo que a diversão que esse texto me proporciona não é por mim nem pela história do mal que ele representa. Não é por nenhum sentimento de vingança.

É engraçado, porque até na hora da morte eles conseguem ser ridículos. Impressionantemente ridículos!

Cotidianamente, todos os 365 dias de cada ano, sejam quantos forem antes de eleições, eles fazem a mais nítida e evidente campanha eleitoral dos candidatos que protegem seus interesses. Mas quando o presidente que os derrotou politicamente nas duas últimas eleições anuncia o mais importante e promissor evento ocorrido no país nos últimos 4 séculos, acusam esse anúncio de manobra eleitoreira. Eles, que construíram o escândalo do mensalão! Eles, que publicaram montagens fotográficas, transformando em motoqueiro quem jamais pilotou uma moto! Eles, que montaram uma ficha policial que foi provada como falsa! Eles, que criaram um encontro de uma secretária de alta escalão que não consegue lembrar data e hora do compromisso que ela mesma acusa como sumamente importante e comprometedor! Uma secretária sem memória nem agenda!

Tudo isso seria abjeto! Seria revoltante! Seria nojento em uma barata esmagada! Mas nesse caso é tão ridículo que se torna muito engraçado. Muito divertido. E me divirto com muito gosto.

Tento raciocinar que algo tamanhamente ridículo também não deixa de ser trágico, mas não consigo parar de sentir que ao contrário da morte das baratas, esse estertor é engraçado. É muito engraçado o jeito ridículo de morrer desses caras. Morrem com tamanha falta de um mínimo de dignidade, que dá vontade de rir.

Não... Não me sinto vingado. Não é isso o que estou sentindo.

Se fosse para me vingar, escreveria agora um texto sobre esse do "Lula gigante" da Folha, com o título: "O jornal anão"

Seria um desrespeito, imerecido, aos anões. Pigmeu também, afinal é uma etnia valorosa da querida mãe-África.

Já sei! O título seria: "O efeito Rodox", lembrando aquela baratinha do comercial reconhecendo que Rodox mata. Na época tiveram que tirar o comercial do ar, porque o consumidor acabou ficando com pena da barata.

Incrivelmente a Folha não faz pena alguma, mas que é muito engraçada, é.

No entanto, não vou escrever nada... Não quero me vingar. Não sinto necessidade de me vingar. Mas agradeço muito você ter me enviado esse texto da Folha de São Paulo, pois, confesso, ele me faz sentir bastante aliviado.

Agora só falta você aparecer, para me aliviar a saudade.

Beijo grande!


Raul Longo
pousopoesia@ig.com.br
pousopoesia@gmail.com
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
88.051-001 - Floripa/SC


Raul Longo é jornalista, escritor, pousadeiro e colabora com a nossa Agência Assaz Atroz.

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PressAA
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domingo, 6 de setembro de 2009

Pesquisadora inglesa revela: o Coisa Ruim sempre foi um entreguista de carteirinha

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Prosaico papiar de periodistas pauteiros da PressAA


Paul Long: -Cresce o movimento baseado na constatação elementar de que essa reserva petrolífera quilômetros abaixo da superfície do mar e da costa não teria sido descoberta por acaso. A reserva do pré-sal, anunciada ao mundo há dois anos, depois de uma série de pesquisas e estudos, já teria sido descoberta quando se planejava a privatização da Petrobrás com o nome de Petrobrax.






Foca: - Você está querendo dizer que o governo do Coisa Ruim já sabia da existência dessa reserva, mas escondeu o fato apenas para facilitar a venda da Petrobras a preço de banana em fim de feira?





Paul Long: - Existem muitos indícios de que foi isso que aconteceu. Era por isso que os peessedebistas e demo-pefelistas tratavam a Petrobras como dinossauro ou paquiderme. E não foi só o pré-sal, não! Os gringos que trabalharam sob os antigos contratos de risco encontraram muitas outras jazidas de petróleo em solo brasileiro e não informaram nada. Até hoje eles mantêm tudo mapeado e guardado a sete chaves. Se comprarem a Petrobras, aí, sim, vão fazer jorrar petróleo até na Lagoa Rodrigo de Freitas!

Foca: - Contratos de risco?! O que vem a ser isso?

Sind Kalista: - Durante a crise do petróleo, no auge da ditadura militar bancada pelas elites burguesas, o Brasil adotou os contratos de risco, que eram assinados entre a Petrobras e companhias particulares, com o propósito de intensificar as pesquisas e descoberta de novas jazidas. Pra se ter uma idéia, basta saber que empresas estrangeiras como British Petroleum, Shell, Elf, Exxon e Texaco, em doze anos de contrato, só encontraram uma pequena reserva de gás, exatamente na bacia de Santos. Quer dizer, isso foi o que eles informaram.


Foca: - Então, todo o petróleo que jorra em território brasileiro foi encontrado pela Petrobras?

Justus: - Algumas poucas empresas brasileiras que assumiram os contratos de risco descobriram pequenas jazidas em terra, no Rio Grande do Norte. O resto foi tudo descoberta da Petrobras.

Parceiro do Justus: - Isso mesmo! Mas a gente não pode esquecer que o governo do Coisa Ruim mandou vender grande parte das ações da Petrobras na Bolsa de Nova Iorque, por um preço irrisório... O que interessava a eles eram as propinas. O resto que se danasse!

Sind Kalista: - Fizeram pior! Afundaram a maior plataforma de prospecção de petróleo do mundo, a P-36. Nessa sabotagem morreram dez companheiros nossos. Arrombaram tanques de armazenamento de petróleo e oleodutos, provocando os mais apavorantes acidentes ecológicos ocorridos em território brasileiro. Tudo com o propósito de desvalorizar a mais importante empresa estatal do Brasil.

Foca: - Peralá!, pelo que tô entendendo, fizeram muita sacanagem com a Petrobras. A empresa escapou da ditadura militar, mas quase morre sob tortura no governo do Coisa Ruim.



Marakview: - Vocês conhecem o livro da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders? Ela desmascara de uma vez por todas o Coisa Ruim! O sujeito, como cabo Anselmo, sempre foi um entreguista de carteirinha. O tio dele, general Felicíssimo Cardoso, costumava alertar: “Esse meu sobrinho não é de confiança”.




Foca: - Já ouvi falar nesse livro, é... deix’eu ver se lembro o título... É... “Quem pagou o pato?”. Confere?

Paul Long: - Quase isso, ou melhor, tem o mesmo sentido, mas o verdadeiro título é “Quem pagou a conta?”


Plantonista da PressAA no Planalto: - O próprio ACM, que sabia das coisas, quando estava brigado com FHC mandava suas farpas pra cima do colega vendilhão da pátria. Foi o Malvadeza quem disse: “Ele nunca sofreu na ditadura. Ele era o homem da Mercedes-Benz no Chile, nunca foi um verdadeiro exilado”.



Paul Long: - Fernando Henrique exilado?! Isso é conversa fiada! Logo após o golpe que derrubou Jango, em 1964, o Coisa Ruim saiu por aí espalhando que estava sendo ameaçado de prisão e se escondeu no Guarujá. Daí viajou para o Chile, ficando por lá até 1967. Quando fez sua parte no trabalho sujo de alcaguete, se mandou para a França. Agora entenda por que ele voltou para o Brasil em 1968, muitos anos antes da anistia. Sacou?

Akadêmiko: - Claro, o sujeito não era perseguido político coisa nenhuma! Tinha trânsito livre... A sua volta em 1968 foi para disputar uma cátedra de ciência política na USP. Conseguiu. Mas tinha outras tarefas a executar na condição de xis-nove do regime linha dura. Por isso mesmo, os golpistas resolveram aposentar FHC. Foi aposentado compulsoriamente. Quer dizer, se fosse realmente um militante de esquerda, não teria sido aposentado, seria apenas barrado. Isso se não fosse preso e torturado.

Foca: - E quais eram as novas tarefas do Coisa Ruim?



Prosélito: - Angariar a simpatia da inlectualidade tupiniquim! Arregimentar intelectuais brasileiros para as fileiras dos entreguistas! O primeiro passo foi a criação do Cebrap, o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, uma instituição financiada pela CIA, através da Fundação Ford, que, de cara, forneceu 180 mil dólares ao agente FHC. A pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders fala, no seu livro, em 145 mil, mas a primeira remessa foi mesmo de 180 mil. E hoje há quem calcule que o repasse total, durante alguns poucos anos, foi de 800 mil a 1 milhão de dólares. Não sei se a pesquisadora cita em seu livro, mas, além do Cebrap, o Coisa Ruim, na época, trabalhou no Centro de Estudos Latino-Americanos da Smithsonian Institution


Foca: - Smithsonian Institution?! Que diabos vem a ser isso? Deix’eu ver se encontro alguma coisa....

O Foca digita o nome da instituição e logo aparece a ficha na tela do monitor:

“A Smithsonian Institution (Instituto Smithsoniano) é uma instituição educacional e de pesquisa associada a um complexo de museus, administrada e fundada pelo governo dos Estados Unidos. Com grande parte de seus prédios localizados em Washington, DC, o instituto compreende 19 museus e sete centros de pesquisa, e tem 142 milhões de itens em suas coleções. A Smithsonian Institution foi fundada para a promoção e disseminação de conhecimento pelo cientista britânico James Smithson (1765-1829). No testamento de Smithson, ele declarou que se o herdeiro, seu sobrinho Henry James Hungerford, morresse sem deixar descendentes, o patrimônio dos Smithson deveria ser doado ao governo dos Estados Unidos para a criação de um "estabelecimento para a expansão e difusão de conhecimento entre os homens". Após Henry James morrer em 1835 sem deixar herdeiros, o presidente Andrew Jackson informou o Congresso do patrimônio de Smithson, que consistia de 100,000 moedas de ouro e 500,000 dólares (9,235,277 em valores de 2005). A Smithsonian Institution foi então estabelecida como um truste por uma lei do Congresso, sendo funcionalmente e legalmente um órgão do governo dos Estados Unidos.”

Arca d’Itam: - Engraçado, o Glauber Rocha denunciava tudo isso, ainda em 1969. Estive com ele, então, em Veneza, e viajamos juntos de carro, com Rosinha, até Paris. A tchiurma, principalmente cineastas, já avançava os primeiros ataques ao seu caráter e sanidade mental. Diziam que Glauber era louco! Depois nos revimos em Roma, na virada do ano, quando ele insistia, na casa do Barcelloni e nas conversas de restaurantes e bares, nas implicações do Cebrap com a Ford e a CIA.



Foca: - É o que falam até hoje sobre o Glauber, que ele era maluco, piradão, coisas assim...

Arca d’Itam: - E assim foi, no correr de 1970 a 71, período em que teve de reexilar-se e fazer filmes para comer, por sinal obras-primas, no Congo-Brazzaville, onde fez "Der leon has sept cabeças", e na Espanha, com a produção de "Cabezas cortadas". Sem ter nunca sabido que, na Tailândia dos anos 50 e 60, os agentes do Pentágono e da CIA eram pagos mediante o narcotráfico, acusava a introdução da maconha na mocidade de classe média, como coisa da colusão de ambos órgãos. De igual maneira, o Cebrap de FHC foi instituído com a grana dos EUA, a fim de conquistar a intelectualidade bempensante do Brasil e preparar uma alternativa civil para comandar o País, em seguida aos militares.

Fulirado: - E conseguiram?! Canalhas! Os descarados ainda querem voltar!

Arca d’Itam: - Glauber expressava essas coisas e deixou tudo por escrito. Vejo agora que a pesquisadora inglesa teve de muito investigar um assunto em que o grande cineasta se obstinava por espalhar, sem sucesso, suas conclusões "loucas", a ponto de vir a ser isolado da convivência com seus co-irmãos do Cinema Novo. Quando, em 1974, hipotecou solidariedade ao general Geisel, ele já se certificara que um Albuquerque Lima ou um Euler Bentes eram o que menos desejavam os falcões de Washington.

Retrô: - Só agora estou entendendo aquela atitude de Glauber em relação ao general Geisel, a quem ele chamou de “estadista”. Foi aí que o Jaguar barrou um artigo dele no Pasquim.

Arca d’Itam: É preciso que se perca de vez o tom jocoso dos que se referem a Glauber Rocha ou contam lances de sua vida, como se vê no já clássico "Glauber, o filme - Labirinto do Brasil", de Silvio Tendler. Ele jamais quis ser pesquisador ou estudioso, por metodologias de praxe, mas convém não ficar em brancas nuvens o que dizia.


Kon Kluzão: - Porra!, acho que já nem preciso ler o livro “Quem pagou a conta?”. Todo mundo já sabe a resposta, foi o povo brasileiro. A privataria que o Coisa Ruim promoveu só serviu para locupletar as novas revelações da corruptália e enriquecer ainda mais os que comeram no cocho da ditadura.


Editor-Assaz-Atroz-Chefe: - É preciso ler, sim! O livro revela muito mais do que foi dito e ouvido aqui. Nada de se sentir assaz esclarecido apenas através de conversas de botequim ou de um prosaico papiar de periodistas pauteiros da PressAA.







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PressAA

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Guris e pintinhos moídos


PINTINHOS DE UM DIA, SERES HUMANOS

SENHORAS E SENHORES, CUIDADO, VEM AÍ O HOMEM DA LEI

Laerte Braga


Em determinadas circunstâncias, no salão oval da Casa Branca é possível escolher a marca da cerveja. O garçom Barack Obama vai lá dentro, no freezer, é prestativo, traz, abre e serve. Em outros momentos não. A polícia baixa a borduna e fica tudo do mesmo tamanho.

Tortura é crime hediondo em qualquer lugar do mundo. A Constituição do Brasil transformou essa prática em crime inafiançável. Mas essa prática é rotina em nosso País. Tanto contra presos como contra eventuais suspeitos, ou desafetos de policiais; polícias, faz parte do processo de “manutenção da ordem e da lei”, ou dos bons costumes, como se costuma dizer.

A Polícia Militar de Minas Gerais incentiva uma crença que é diferente, por exemplo, da Polícia Militar do Rio ou de São Paulo. Nem tanto. Na cidade de Leopoldina, Minas, um preso conhecido como Guri, tranqüilo e de bom comportamento, deixou de voltar ao presídio após o vencimento do benefício de visita familiar, ou à sua casa. A Polícia foi ao seu encalço. O que é natural, papel da Polícia.

Deu-se, no entanto, que os policiais além de prender Guri o espancaram, na rua, diante de sua comunidade, de forma ultrajante, ilegal, humilhante, o que torna os policiais e particularmente aquele que acabou por gerar a morte de Guri, em criminoso tanto quanto todos os “Guris”, em qualquer presídio do Brasil ou do mundo.

Guri morreu dois dias depois em conseqüência dos golpes sofridos (foi inclusive submetido a sessões de afogamento num riacho próximo à casa). Testemunhas? Inúmeras.

Feita a denúncia ao Ministério Público, o promotor Gustavo Garcia Araújo, daquela cidade, decidiu investigar o crime, a barbárie, e tomou as providências cabíveis. Testemunhas dispostas a relatar os fatos? Nenhuma. O policial espancador, o principal, com fama de matador, já avisou que quem falar alguma coisa morre também.

O comunicado da Polícia Militar sobre o assunto é igualzinho a todos os outros comunicados em casos assim, em qualquer lugar do mundo. Está apurando os fatos e vai “punir os responsáveis”. O fato aconteceu no dia 17 de julho deste ano. Foram dois os detidos, o outro está recolhido à cadeia pública de Leopoldina depois de atendido num hospital da cidade. Dentre as providências requeridas pelo promotor está a exumação do cadáver de Guri para que seja feita uma autópsia que determine a natureza dos ferimentos, a causa mortis com precisão. Sequer isso foi feito.

Nos Estados Unidos a granja Hy Line joga numa máquina de moer cerca de 150 mil pintinhos de um dia por dia. Segundo os empresários os pintinhos sacrificados não atendem aos padrões de qualidade da empresa. Falam de crescimento, carne e capacidade de pôr ou não ovos, em sendo o caso. Logo, não dão lucro.

A denúncia foi feita pela ONG MERCY FOR ANIMALS, que gravou com uma câmera oculta os procedimentos na granja. São trinta milhões de aves por ano. São moídas vivas.

Um comunicado oficial do grupo Hy-Line International, líder mundial do setor, reconhece que o vídeo gravado pela ONG é real e “parece mostrar práticas desapropriadas que contraria sua política de bem estar dos animais”. Tom Jorgensen, diretor da empresa lamenta que a ONG tenha trazido o assunto a público sem antes tentar avisar a empresa para providências cabíveis.

Vai ver não sabia de nada, está inocente.

O policial militar que matou Guri vai, naturalmente, alegar que houve resistência, tentativa de desmoralizar sua autoridade H2O, essas impressionantes manifestações de cinismo que são, antes de mais nada, reflexos de um modelo em que os jovens crescem eliminando “terroristas” em jogos de vídeo game e depois em aviões carregados de bombas de alta precisão nas guerras que travam para “libertar” o mundo.

E quem vai libertar o mundo dessa gente? No site do jornal RECOMEÇO, que trabalha com a recuperação de detentos, está uma frase de Graciliano Ramos, um dos maiores escritores da língua portuguesa e ele próprio, durante um período, freqüentador de cadeias por conta dessa mania boba de querer exercer os seus direitos.

Diz o seguinte a frase: “Se eu fosse autoridade, soltaria os presos e prenderia os bandidos”.

De um modo geral as pessoas só se incomodam com fatos como esse da morte de Guri quando a vítima da violência policial, ou qualquer tipo de violência, lhes está próxima. Fora isso, daqui a pouco é hora da novela.

O que não percebem é que a boçalidade criminosa desse policial militar que matou Guri é regra geral e incentivada nessa obsessão de “lei e ordem”, boa parte herança da ditadura militar, no caso a impunidade nos crimes de tortura, é parte de um modelo violento em si e por si e que só sobrevive na violência das classes dominantes.

Na execução de um preso como Guri, ou nas bombas despejadas sobre aqueles que não querem ceder, por exemplo, o petróleo. Ou a água.

São como o lobo na fábula de La Fontaine. Comem os cordeiros diariamente, assim como se fossem pintinhos de um dia, em “legítima defesa” do direito de ser boçal. De ser bárbaro.

Polícia Militar é um braço desse modelo. Em Leopoldina, ou atirando em trabalhador rural sem terra pelas costas. Ou no massacre de Eldorado do Carajás. Em todos os momentos que a violência impune se mostra como face de um estado democrático de mentirinha.

Ou será que existe alguém ingênuo que acredite que é possível lei e ordem, civilização, com Sarney presidente do Senado? FHC solto e impune depois de vender o País e embolsar grossas propinas para sua pirâmide de faraó do século XXI? José Serra e Aécio Neves governadores de São Paulo e Minas, os dois maiores estados da suposta federação brasileira? Artur Virgílio e Tasso Jereissati senadores?

Não se tem notícia que a violência policial contra Guri e a que ocorre todos os dias em qualquer canto do Brasil contra quem quer que seja tenham sido objeto de denúncia da GLOBO. Ou da RECORDE. Ou de VEJA.

Da violência e barbárie do latifúndio da senadora Kátia Abreu no trabalho escravo de milhares de brasileiros. Homens e mulheres submetidos às mais abjetas condições de sobrevivência por conta da tal “lei e da tal ordem”.

Sobral Pinto, quanto esgotados todos os recursos para a defesa de Olga Benário e Luís Carlos Prestes, na ditadura Vargas, apelou para o acordo internacional dos direitos dos animais.

Já sabia que essa máquina de moer pintos de um dia mói bem mais que isso. Mói seres humanos.

Senhores e senhoras aos shoppings, que hoje é dia de liquidação. E sorria, pois o senhor ou a senhora estão sendo gravados para sua própria segurança. E não se preocupe, além das câmeras para “sua segurança”, lá estarão imensos televisores para que o senhor e a senhora não percam nem o JORNAL NACIONAL nem a novela das oito.

Já o Guri...

Foi moído tal e qual o senhor e a senhora, na máquina de moer gente. Uns, como o Guri, sem calças desenhadas por Pierre Cardin; outros, montados em tênis ADIDAS e que tais na presunção que um dia chegam a Ermírio de Moraes.


Laerte Braga é jornalista, escritor, cineasta e colaborador da nossa Agência Assaz Atroz

Leia no Jornal Recomeço: "A Morte sob Tortura"

http://jornalrecomeco.blogspot.com/2009/08/sergio-esta-cova-em-que-estas-com_12.html


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PressAA

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Danuza Leão incorpora Regina Duarte

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Sonia Montenegro

Não tenho muito saco para discutir política com pessoas fúteis, que não entendem patavina de política, e não querem entender. Em geral, assistem ao Jornal televisivo do Holmer William Bonner e saem repetindo o que ouviram, sem nem mesmo entender. Questionar não faz parte do mundo deles, cujo verbo preferido é comprar. Mas a pedido de dois amigos, escrevi uma resposta a um texto cômico da Danuza Leão.

Dona Danuza, antes de qualquer coisa, vale a máxima popular: “A inveja é uma merda!!!

Nem ao menos alguma originalidade nesse texto de medo, porque como a senhora bem lembrou, a Regina Duarte já representou esse personagem antes...

Quem é a senhora? Irmã da Nara Leão, que não a suportava, certamente por não compartilhar da sua futilidade?

Mulher do Samuel Weiner, com quem se casou para ter o direito de se exibir nas “altas rodas”, dando asas ao seu narcisismo?

Bonitinha mas ordinária? Bonita a senhora nunca foi, mas para ser justa, devo dizer que perto da quantidade absurda de botox da sua atual aparência, a senhora era linda. Tive a infelicidade de vê-la pessoalmente há algum tempo, e pensei: como é que ela tem coragem de sair na rua com essa cara? Eu morri de medo!!!

Falta inteligência no seu texto, porque a senhora mesmo se denuncia. A senhora afirma que tem medo às avessas. Tem medo de barata, mas não tem de Leão. Tem medo de rato, mas não tem de urso. Tem medo da polícia mas não tem de assaltante, portanto, está coerente, a senhora tem medo da doce Dilma, mas não tem medo do Serra. Nada a estranhar. Tá tudo coerente.

Acho até que a senhora se arriscou, ao dizer que não tem medo de assaltantes, e que pelo contrário, “acho que vai dar para levar um lero”. Se essa matéria cai na mão de assaltantes, pode ser uma brilhante idéia!

A única coisa imperdoável para uma pessoa que escreve em um órgão de imprensa é a falta de informação. Como é que uma pessoa tem a cara-de-pau de escrever sobre assuntos que ignora?

Segue um texto dito LITERALMENTE pelo ex-Secretário da Receita Federal no governo de FHC, em entrevista a Bob Fernandes no Portal Terra, que aliás foi a repetição do que disse anteriormente à Mônica Waldvogel, no programa “Entre Aspas” da Globonews : “Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.”

Sorry periferia...

Sonia Montenegro.

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Morro de medo de Dilma Rousseff

Por Danuza Leão

VOU CONFESSAR: morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.

Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância. Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.

Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.

Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador.

E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira.

A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.

Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.

Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo -nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.

Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.

Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno.

[Nota PressAA: É isso aí, a esperança de Danuza Leão é que, em 2010, Marina Silva desempenhe o papel de Heloísa Helena sem histerismos, na tentativa de fazer emplacar o entreguista Serrassuga na Presidência da República. Vade retro!]


Sonia Montenegro, articulista das mais lúcidas que se pode encontrar na blogosfera política, é colaboradora da nossa Agência Assaz Atroz.

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PressAA

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