terça-feira, 8 de junho de 2010

Se alguém tem alguma coisa a dizer em favor dessa união, cale-se agora e para sempre

.

Olho no voto e defesa da Constituição

Cunca Bocayuva

Na entrevista no TSE jornalistas fizeram perguntas especulativas ao Presidente daquele órgão auxiliar das intituições judiciais, Marco Aurélio Mello, sobre a hipótese de seu poder de impugnar o resultado do pleito, por força do dossiê sobre a participação dos tucanos no caso dos "sanguessugas". Curiosamente a resposta deste senhor deixou entrever que o TSE possuiria o poder de impugnação após a proclamação dos resultados. Mesmo vendo empenho e a lisura do governo e da PF no processo de investigação sobre a compra de dossiê e as várias tramas conexas essa entrevista tentou produzir umas nuvens cinzentas. O TSE nada pode nem poderá, o crime eleitoral processual não se verificou posto que face aos fatos todas as controvérisias mesmo que indiquem responsabilidades de pessoas já afastadas do PT só beneficiaram de maneira evidente o candidato da minoria. O tucanato que representa as forças minoritárias da nação não pode ganhar no tapetão.

O clima especulativo que visa produzir uma suposta possibilidade constitucional de resolução de controvérsia no âmbito do TSE é o início do intento para uma nova provocação. O objetivo midiático de ganhar pela naturalização da indústria provacativa do simulacro de informação tenta gerar uma ficção pseudo-jurídica, um discurso que fere a Constituição. O exercício de extrapolação especulativa de atribuições para que o TSE possa impugnar resultados de eleições, para além de suas atribuições técnico-processuais derivadas do exercício das atribuições constitucionais dos poderes.

A produção da impugnação do resultado é impossível, a não ser que o Dr.Mello tenha na cabeça repetir o triste episódio de 1982 no Rio de Janeiro. A proclamação dos resultados fará cessar as atribuições do TSE. O resto passa por denúncia nas instâncias jurídicas, num processo que, mesmo passando pelo Supremo só pode se concluir em julgamento político de impedimento pelas casas congressuais instaurando um processo, com pelo menos 3 etapas.

Mas esse processo de provocação golpista só serve para desestabilizar a democracia e ameaçar a Constituição. Novamente cabe lembrar que a praça é do povo como o seu é do condor, Castro Alves tinha razão, e o velho Presidente também, nosso povo não será mais escravo de ninguém. Até mesmo os poderes reacionários da sociedade e do Estado norte-americano não dão ouvidos aos idiotas e aos corvos de plantão. Todo esse murmúrio só fará nos fortalecer ou produzir uma rápida marcha para a bárbarie. As elites do capital devem decidir se preferem a marcha totalitária a uma mudança democrática legítima na estrutura centenária das desigualdades. A rede da resistência democrática defende a legalidade constitucional apoiada na Carta de 1988, na força das urnas, no funcionamento das instituições, na pressão ativa da opinião emancipada e organizada.

O golpismo só pode vir das cabeças que sonham com banhos de sangue. Os responsáveis pelo nosso ambiente de corrupção e violência sistêmica derivada do capitalismo autoritário, selvagem e dependente, não tem dignidade ético-política face a uma vontade livremente manifesta. As regras do jogo funcionaram, a Constituição prevalecerá, o poder constituinte que emana da Carta continua vivo.

[Texto escrito em outubro de 2006, recebido por e-mail da lista de debates da Universidade Nômade, antes de este Editor-Assaz-Atroz-Chefe ser expulso daquela comunidade.]


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

NETANYAHOU É KAMIKASE ISRAELENSE?

.
Rui Martins*

A política israelense de Netanyahou que isola Israel e aumenta o número de seus inimigos não é um ato kamikase?

Daniel Cohen Bendit deu a ênfase necessária, num discurso pronunciado no Parlamento Europeu, no lançamento, em maio, da campanha por uma paz durável entre israelenses e palestinos, num abaixo-assinado que circula entre judeus principalmente da Europa.*

Daniel Cohen Bendit, o Daniel Vermelho da revolta estudantil de maio de 68, em Paris, agora Daniel deputado Verde na União Européia, fez uma comparação pertinente – o ódio entre israelenses e palestinos é o equivalente ao que existia entre alemães e franceses e, hoje, disso ninguém mais se lembra.

O abaixo-assinado, chamado de Apelo à Razão, já tem quase 7 mil assinaturas e viu confirmados seus temores, no episódio da flotilha comandada pelo navio Mavi Marmara, do qual sai reforçado o apelo de tantos intelectuais judeus para que Israel mude sua política e evite o atual isolamento, numa espécie de suicídio diplomático e político de Netanyahou e do governo israelense.

O apelo condena a política de implantação de novas colônias na Cisjordânia e na parte árabe de Jerusalém, por constituir uma falta moral e política e por constituir uma deslegitimação de Israel como Estado. O documento deplora também a manutenção do bloqueio de Gaza, com o objetivo de obter a libertação do soldado Guilat Shalid, que produz como resultado o reforço do movimento Hamas e do fundamentalismo islâmico.

Bernard-Henry Levy, filósofo francês judeu, assinou o manifesto e lamenta a política atual de Netanyaou que, pelo jeito, « está pouco ligando para o que pensa o mundo ». É verdade que são assinaturas de judeus de esquerda e Daniel Cohen Bendit afirma não ter feito sua bar mitzva e que sete mil assinaturas é muito pouco num país onde vive uma enorme comunidade judaica, de um milhão de pessoas, mas serve para mostrar que entre os intelectuais judeus da diáspora européia existe um clima de oposição à política de Netanyahou, qualificada de perigosa para a própria existência de Israel.

Como as relações entre Israel e os palestinos puderam se deteriorar de tal maneira, desde o promissor 13 de setembro de 1993, em Washington, quando Bill Clinton saudava o aperto de mão entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat? Como aquele « processo de paz » talhou e virou processo de guerra, se naquele dia Arafat reconhecia a existência de Israel e Israel reconhecia a OLP e cedia uma parcela do território ocupado?

Era justamente o inverso do que ocorre hoje. Com esse acordo, Israel saía do isolamento em que se encontrava, o mesmo isolamento no qual retorna. Mas esse acordo tinha sérios opositores – a direita israelense do Likud, o lobby americano do Aipac, que não queriam negociar nenhuma parcela do território. Eram igualmente contra esse acordo os islamitas palestinos do Hamas, que ia se fortalecendo e se opondo ao Fatha de Arafat, contrário a qualquer negociação com Israel, e o Irã, por questões geopolíticas.

Por mais absurdo que possa parecer, esses inimigos do processo de paz agiram com o mesmo objetivo para torpedeá-lo. Assim, logo a seguir, o Irã qualificou Arafat de traidor e pediu a destruição de Israel. Dizem especialistas que o Irã temia ficar de lado com o surgimento de uma potência israelopalestina. Mas foi a direita israelense que agiu rapidamente assassinando Rabin, e provocando o sepultamento do acordo de paz israelopalestino.

Seguem-se os atentados em Israel que provocam a vitória de Netanyahou em 96. Ao contrário de Rabin e Peres, em lugar de acusar os iranianos ele acusa os palestinos e os árabes em geral, é o começo do fim do processo de paz. Seu retorno ao poder é o retorno ao mesmo processo. Obama quer forçar Israel a suspender a implantação de colônias, mas não consegue convencer Netanyahou, que evita ir a Washington, no dia seguinte ao ataque israelense à flotilha comandada pelo Mavi Marmara.

Alguns europeus vêem na maneira como Israel quis impedir o avanço da flotilha, uma punição à Turquia por ter agido junto com o Brasil no sentido de se encontrar uma solução para o impasse nuclear do Irã. Entretanto, o cálculo teria sido mal feito, pois a reação da Turquia pode significar o fim de numerosos acordos com Israel, isolando-o ainda mais, pois a Turquia é o único país muçulmano que tem acordos, inclusive militares, com Israel.

Paradoxalmente, se a própria criação de Israel tem suas raízes no navio Exodus, impedido de aportar, é um outro navio, impedido de acostar, que isola, destrói a imagem e coloca em questão a própria existência de Israel. Com sua intransigência, implantando novas colônias, desafiando até um antigo e importante aliado, Netanyahou não está se transformando no mais perigoso kamikase do Oriente Médio ?

*www.jcall.eu

_________________________

Para Rui Martins, o governo brasileiro deveria criar uma nova política de emigração a exemplo de Portugal, França, Itália e mesmo México e Equador.

Leia mais em...


http://www.francophones-de-berne.ch/




http://www.estadodoemigrante.org/

*Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

O dossiê do simulacro de imprensa

.

A direita não se deu sequer ao trabalho de atualizar métodos. A “venezuelização” do monopólio global já lançou sua palavra de ordem: a eleição não será televisionada. Este é o mote que assusta.

Gilson Caroni Filho

Pena que a ficção tenha durado tão pouco. Mas a trama era tão frágil que foi desconstruída com um simples artigo de Luiz Nassif. Trabalhando com a lógica dos fatos, o blogueiro mostrou que o anunciado “novo escorregão petista" era, na verdade, um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Uma obra tão reveladora dos bastidores tucanos que, antes mesmo de existir editorialmente, já virou leitura obrigatória

Quem acompanha a história da imprensa brasileira sabe de suas conexões com interesses dominantes na sociedade fracionada. Conhece, e bem, como são editados fatos e discursos. Tem noção aguda de que a autonomia relativa de uma redação encontra seus limites nos interesses do patronato. Franklin Martins, Helena Chagas e Rodrigo Viana, demitidos em 2006, estão aí como “respaldo de provas robustas”, “evidências empíricas", sempre solicitadas pelos defensores da grande mídia corporativa quando acusados de trabalhar para partidos da direita, com doses descomunais de panfletarismo.

É de autoria de Paulo Francis a máxima segundo a qual “a história é monótona, a cada minuto nasce um leitor idiota”. Parece que, pelo que temos visto nos últimos oito anos, a suposta idiotia do leitor é algo datado, sem sinalização concreta nos dias atuais. Ainda assim, convém confrontar supostas espertezas que podem custar caro ao campo democrático-popular. Quando isso ocorre, a direita comemora com blocos editorializados no Jornal Nacional. E, claro, a nau dos insensatos ainda chama de bom jornalismo o que não passa de desabrida propaganda ideológica.

Na verdade, os jornalões produzem noticiário somente para leitores alinhados com sua política editorial e os colunistas, do alto de sua insignificância, escrevem para prestar conta apenas a seus patrões. Laurindo Leal Lalo Filho foi preciso ao definir o papel que sobrou o jornalismo impresso protofascista: ser fonte de munição para os veículos eletrônicos (rádio, TV e internet).

Faltou pouco para que as última edição do JN (sábado, 6/6) tivesse fundo musical. Afinal, era comemorativa e o regozijo com um suposto gol contra do adversário é conhecido do torcedor brasileiro. Se servir para ocultar as conquistas do atual governo, e o crescimento da candidatura de Dilma Roussef, tanto melhor. Saímos do campo futebolístico e adentramos a arena da luta de classes, sempre com a elegância da boa diagramação e o capricho nos títulos fortes.

O "dossiê", supostamente produzido pelo núcleo de campanha da ex-ministra, envolvendo Serra e pessoas próximas a ele, foi um “presente” inesperado para aqueles 5% que não se conformam com a reedição de um fenômeno inédito até 2006: uma vitória política, já consolidada no imaginário do eleitorado, não se desdobrar em vitória eleitoral.

Sejamos francos, só mesmo sendo muito ingênuo para cair no “conto do dossiê”. Qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, farejaria de longe a óbvia “trampa”. Um mínimo de pragmatismo saberia que vídeos e papéis, ainda que bombásticos, não teriam qualquer efeito prático a essa altura do campeonato em que, para o PT, a terceira eleição para a presidência da República é um fato altamente provável.

Tentou-se, sem o menor cuidado investigativo, reeditar a aventura midiática de 2006. Qual foi a construção que se procurou vender à época, no chamado “escândalo dos aloprados”? Um pouco de tática de luta sindical misturada ao desespero da facção paulista do partido, ávida por assegurar uma hegemonia em risco, poderia explicar o tiro eleitoral que quase acertou o pé. Ainda mais quando se farejavam as intenções de tucanos lacerdistas e os seguidos pronunciamentos do presidente do TSE (Marco Aurélio Mello) a lhes prometer sustentação legal em sua aventura. Os desmentidos não tardaram a aparecer e o "escândalo", tal como o do “mensalão”, passou a ter valor tão somente como provisão para efetiva perda de estoque informativo.

Para piorar, nas eleições passadas, ainda haveria um outro “dossiê” a ser escondido no noticiário global. E ele veio do Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio). Para desespero dos expoentes da Teoria da Dependência, que agora elegeram a UDN como modelo, o nível de pobreza caiu 19,18% nos três primeiros anos do governo Lula, o maior recuo em dez anos. Somemos a isso a retomada do emprego, estagnada há uma década, segundo Marcelo Néri, coordenador da pesquisa.

Mas, há quatro anos, o que mais impressionava no “dossiê” a ser ocultado viria a seguir: Os pobres e ricos obtiveram ganhos. Porém, segundo Néri, "50% dos mais pobres aumentaram sua renda em 8,5%, enquanto os 10% mais ricos, depois de cinco anos de perdas, tiveram ganhos de cerca 6%. A classe média teve um crescimento um pouco menor, de 5,5% da renda.”

Era esse o governo que tinha privilegiado banqueiros? Os editores se calaram. Aqueles que deveriam sempre se pautar por evidências empíricas que valem o sal de todo mês ficaram calados. Desde então, a grande imprensa se condenou a não cobrir questões programáticas, fugir da grande política, chafurdando no sistema de valências, da desqualificação pessoal e de histórias fantasiosas.

Se a grande mídia acreditasse em suas próprias representações, seria desnecessário reiterar que, se existem indícios, por mais tênues que sejam, de possível envolvimento de José Serra com as irregularidades da privataria, por ação ou omissão, tal possibilidade deveria ser investigada. Para um jornalismo correto denúncias não são liminarmente desqualificadas.

Para gáudio dos golpistas, seu colosso midiático produzirá edições inesquecíveis de “Vejas” e “Épocas” nas próximas semanas. Muito embora a população já tenha sinalizado que a direita pode estar gastando tinta e papel em vão, a dobradinha TSE-TV Globo estará no ar “orientando” os eleitores a não votar em candidatos envolvidos em “escândalos”. Claro que não relembra que a maioria deles é peça de ficção produzida nas melhores redações. Nunca, desde 1964, o empenho em derrotar uma liderança foi tão evidente a ponto de pôr no chão o marketing editorial de várias publicações.

Com tudo isso, creio que é bom lembrar que sobressaltos no período eleitoral já eram esperados. Mas alguns, convenhamos, são evitáveis. A direita não se deu sequer ao trabalho de atualizar métodos. A “venezuelização” do monopólio global já lançou sua palavra de ordem: a eleição não será televisionada. Este é o mote que assusta. E, que me desculpem os observadores mais apaixonados pelo ofício, as generalizações não incorrem em risco de erro. Lanzettas e Onésimos frequentarão páginas e telas por um bom tempo ainda. São os personagens à procura de um autor. Pobre Pirandello.

***
Em tempo – Nunca as evidências estiveram tão à mostra e custaram tão barato. O pesquisador deve ir à banca e procurar pelos seguintes títulos: O Globo, O Estado de São Paulo e Zero Hora. Uma olhada nas manchetes e títulos das dobras superiores já será de grande valia. Se quiser uma amostragem repleta de cores e luzes, deve procurar por publicações semanais. São um pouco mais caras, mas são muito piores.

____________________________

Gilson Caroni Filho, sociólogo, mestre em ciências políticas, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), é colunista da Carta Maior, colabora com o Jornal do Brasil e com esta nossa Agência Assaz Atroz.

Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

domingo, 6 de junho de 2010

“My Sweet Dossier” - parece ficção, mas é pura safadeza

.



Fernando Soares Campos

José Serra, pré-candidato à Presidência da República, membro da organização criminosa conhecida pela sigla PSDB, que conta com o apoio dos subgrupos DEM e PPS, acusou Dilma Rousseff de ter forjado um dossiê contra ele. Serra se fundamente em reportagem da revista 'Veja', órgão oficial de divulgação das atividades do bando, tratando de suposta ação petista, a qual consistiria em forjar um dossiê sobre as atividades ilícitas de Verônica, filha de Serra. Para este, as supostas manobras petistas teriam como objetivo prejudicar a sua candidatura.

Serra acusou a pré-candidata do PT, sua adversária Dilma Rousseff, de ter montado um dossiê contendo denúncias que o atingiriam.

O testa-de-ferro da organização criminosa, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), fingiu estar indignado, deu chilique, exigiu que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, explique "por que montou uma equipe de espiões e arapongas para fabricar dossiês contra adversários". Guerra deu uma de João-sem-Braço, fez de conta que desconhecia que qualquer informação a respeito do envolvimento da filha de Serra com o banqueiro Daniel Dantas está disponível na internet, com fácil acesso para qualquer usuário. Não se trata de coisa sigilosa que possa vir a ser considerada elemento de um dossiê, que normalmente é composto de documentos importantes e que não estariam à disposição de qualquer mortal.

Entretanto o senador pernambucano de certa forma acertou quando disse que aquela ação teria sido “vergonhosa, indecente e coisa de gente safada”. Todo o País hoje concorda que aquilo é realmente coisa de gente safada, pois gente safada é que age assim: mergulha na lama e acusa os outros de o terem empurrado. Gente safada é capaz de atirar no próprio pé para incriminar um inimigo. Gente safada é chegada a uma chantagem. Político safado, por exemplo, é capaz de ameaçar um dos seus companheiros com um “dossiê do pó”, caso ele se recuse a compor uma chapa de vice-qualquer-coisa. Portanto, Guerra olhou para o espelho e disparou: “Isso é coisa de gente safada!”

Quanto a Serra, quem melhor definiu o comportamento do capo foi André Vargas, secretário de Comunicação do PT, que disse: “Para falar desse pseudo-dossiê sobre as ligações da filha dele com Daniel Dantas, basta Serra procurar no Google! (...) Serra se comporta como aquele que bate a carteira e sai gritando: pega ladrão!”

Reunidos no bunker de FHC, os cabeças das diversas facções mancomunadas decidiram “contra-atacar” quem não atacou. É mais ou menos como na história do lobo e do cordeiro bebendo água no riacho. Acontece que, dessa vez, o lobo, com a vista cansada e a mente atrofiada pelo ódio, implicou com uma onça, pensando que estava diante de mais uma refeição. E a onça vai levar o caso à Justiça, para que o lobo, quer dizer, Serra e seus comparsas se expliquem.

Mas quem estaria interessado em amarrar a corda no pescoço de Serra neste momento em que as pesquisas de intenção de voto indicam que ele está desabando em profundo precipício, que é o lugar para onde os fichas-sujas devem ir?

O tal dossiê, na verdade, é um livro que será lançado ainda este ano e que revela detalhes sobre as falcatruas da organização criminosa PSDB-DEM, que conta com os serviços sujos do PPS, que por sua vez está fazendo propaganda do tal “Ministério da Segurança Pública” apregoado por Serra.

O livro é de autoria do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que durante alguns anos investigou os escândalos da roubalheira em que se transformou o processo de privatizações no governo FHC.

“Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC.” (Viomundo)

"O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC. Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário." (Leandro Fortes, Carta Capital)

Quando Serra teve a certeza de que o livro seria lançado antes das eleições (se viesse depois, ele não se incomodaria, pois aposta na impunidade e no apoio do PIG para encobrir suas mutretas) , tratou de encontrar um bode expiatório, pois já sabia que o incentivo para a publicação vem de Minas. Serra sabe que o livro vai ser servido como um prato de mingau quente, mas tão quente que não dá nem pra comer pelas beiras. Serra sabe que o livro vai lavar a alma de muita gente, inclusive de alguns dos seus comparsas na organização criminosa.

Amaury Ribeiro JR., o autor, é um jornalista muito bem relacionado com Aécio, a quem Serra ameaça indiretamente com “dossiês”, a fim de que o governador de Minas se renda e aceite ser o seu candidato a vice-presidente da República. Como disse Guerra, isso é coisa de gente safada.

Para compreender melhor a história mal contada pela gangue demotucana, leia o artigo “O dossiê do dossiê do dossiê...”, por Leandro Fortes, na revista Carta Capital.

Antes, leia...

GLOBO – A CENTRAL DE MENTIRAS



Laerte Braga

A edição de sábado do JORNAL NACIONAL – O DA MENTIRA – foi um primor de desinformação, distorção de notícias e fatos para atender a interesses do grupo e àqueles a que representa. É prática rotineira na emissora.

Num dado momento da edição, com o ar de sério, seriedade que não tem, o jornalista Alexandre Garcia, começou a falar do dossiê “supostamente” atribuído a setores da campanha de Dilma Rousseff e contra o candidato tucano José Arruda Serra.

Para não enfiar a emissora no bolo e aparentar inocência na história, repercutiu a matéria de capa da revista VEJA sobre o assunto. VEJA é aquela que pegou mais de 400 milhões de reais em contratos com o governo de São Paulo – José Arruda Serra – sem licitação e num favorecimento escandaloso, com, lógico, um percentual para o caixa de campanha do tucano.

É aquela também que quando não conseguiu culpar o governo Lula pela queda do avião da TAM (os defeitos eram no reverso e numa das turbinas por falta de manutenção da empresa), estampou numa capa que “a culpa foi do piloto”. O plano para privatização de aeroportos começou a dar com os burros n’água por ali. Que acha que a flotilha que foi levar ajuda humanitária a palestinos sitiados em Gaza pelo governo terrorista de Israel foi provocação. Posição também da GLOBO.

Quando Alexandre Garcia, ex-funcionário do Banco do Brasil, do antigo SNI e do Gabinete Militar da presidência da República, demitido por assédio sexual, governo Figueiredo, mostrou os “fatos” relacionados ao dossiê, esqueceu-se de dizer que o jornalista do ESTADO DE MINAS é ligado ao ex-governador Aécio Neves e que a imensa e esmagadora maioria da mídia já havia ligado o dossiê a Aécio.

Toda a trajetória totalitária, corrupta e venal de José Arruda Serra foi levantada a pedido do governador de Minas, então disputando a indicação presidencial com o tucano paulista, quando tomou conhecimento que Arruda Serra havia preparado um dossiê contra ele.

Uma espécie de legítima defesa, digamos assim, num ambiente fétido, o tucanato. Disputa pela chefia da quadrilha.

Para não perder a viagem, envolveram um delegado corrupto e aposentado da Polícia Federal, que fala qualquer coisa por dinheiro, atribuindo a responsabilidade a Dilma Rousseff e ao seu partido.

É prática corriqueira da GLOBO vem desde os tempos de Collor de Mello quando editaram o último debate entre o alagoano e Lula. Ou ainda, nos tempos da ditadura, quando omitiu a campanha para as diretas já, quando encobriu a tortura e foi parte dela na cumplicidade ativa de vender um Brasil maravilhoso quando o País estava à matroca em mãos de militares irresponsáveis e criminosos.

Ou quando foi fundada, há 45 anos, como braço de Washington com o propósito de vender a ideologia disneylândia que hoje, se sabe, chega até a prostituição (Operação Harém da Polícia Federal), seja no BBB, seja nas “moças” contratadas por laranjas para dançarem literalmente, em todos os sentidos, com direito a cachê/michê de 20 mil reais, depende da estatura dentro da emissora e do cliente.

Toda a farsa do dossiê já havia sido contada de “a” a “z” pelo jornalista Luís Nassif em seu portal. Todo o esquema de disputa entre Arruda Serra e Aécio é público e notório desde que o funcionário de Arruda Serra, Juka Kfoury, pegou Aécio no contrapé.

A GLOBO ignorou, deliberadamente, todos os fatos.

Um pouco antes de dar um trato mentiroso no tal dossiê, foi divulgada uma pesquisa do antigo IBOPE (hoje GLOBOPE), onde Dilma e Serra aparecem empatados na magia de fabricar números, sabe-se que a realidade é diferente, Arruda Serra está em queda e Dilma em ascensão e nem tocaram no fato que dentre os candidatos o tucano é o mais rejeitado pelos eleitores ouvidos. Mostraram na telinha, mas não comentaram.

Quando pegos na mentira e na farsa, práticas comuns e corriqueiras ali, sacam da pasta de canalhice a tal liberdade de expressão. Deve ter outro sentido para eles. Liberdade de mentir, de falsear, de enganar, de ludibriar e de contratar dançarinas para “ajudar” nos “negócios” com clientes promissores.

Tipo sabão OMO, lavou está pronto para outra.

Canalhice pura.

A legislação brasileira propicia a esse tipo de imprensa marrom, venal, que o direito de resposta seja um fato raro, por conta da lentidão do poder Judiciário, sem falar que a GLOBO tem em mãos muitos dos ministros de tribunais regionais e superiores e nada contra ela anda.

Praticam o crime, a rigor, de forma impune.

A GLOBO é isso e até as eleições de outubro fatos assim serão comuns, todos revestidos de preocupação democrática da rede em todos os seus tentáculos. Jornais, rádios e tevês.

Existe para isso e por isso. Daí porque abriga gente tipo Alexandre Garcia, William Bonner, Lúcia Hipólito, Miriam Leitão, paladinos da sem-vergonhice jornalística.

E traveste-se de defensora da democracia e dos valores cristãos e ocidentais, desde que as faturas sejam pagas em dia e os favores e ilicitudes permaneçam encobertos e protegidos às vezes, muitas vezes, pelos encarregados de zelar pela lei.

A edição de sábado foi um primor de mentira, de desrespeito ao telespectador, por isso o rotulam de idiota, apostam nessa característica e contam que enquanto a turma está ali para esperar a novela das oito, de quebra, levam a informação mentirosa.

A GLOBO é outro câncer, como VEJA, não há nada de liberdade de expressão em seu caminho.

Só mentira e empulhação.

__________________

Laerte Braga é jornalista. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

DONA DADÁ DA JACA

.

No bairro de Aparecida, em Manaus, o apelido é uma instituição. Lá, ninguém tem nome. Só apelido, que é sempre cortante como um bisturi. Perguntem quem é dona Darcicleide, mãe do Thomáz Augusto, ninguém sabe; mas dona Dadá, a mãe do Fon-Fon, todo mundo conhece. Conhecia. Ela morava na Rua Coronel Salgado, na beira de uma enorme cratera, chamada de ‘Covão’, depois aterrada e, hoje, ocupada, às terças-feiras, pela feirinha livre. Sua casa ficava nos fundos do terreno baldio que, no mês de setembro, abrigava o Bingo da Quermesse da Paróquia.

No final dos anos 50, quando os padres redentoristas construíram a igreja, a casa foi demolida. Mas antes disso, durante anos, dona Dadá, que era viúva, manteve no quintal um pequeno pomar doméstico, com várias árvores frutíferas, entre as quais se destacava uma jaqueira, enorme e troncuda, que dava umas senhoras jacas, respeitáveis, de até dez quilos, com bagos carnosos, doces, de cheiro forte e inebriante. Era a famosa jaca-mole-manteiga, anunciada no pregão do seu Messias pelas ruas da cidade.

Quando chegava o fim do ano, a jaqueira ficava coalhada com dezenas de jacas. Dona Dadá aproveitava tudo. Cortava a fruta - e aí a gente sentia o perfume em todos os becos do bairro. Selecionava os bagos, retirando aquela camada grudenta. Com a polpa, preparava um doce tão delicioso, mas tão delicioso que nem militante do PSOL botaria defeito. Do caroço assado, fazia castanha saborosa. Das folhas, remédio caseiro: um xarope expectorante bastante eficaz. Tosse, pelo menos, o Fon-Fon nunca teve.

Por essa razão, dona Dadá ganhou um – digamos assim – sobrenome: Dadá da Jaca. Na Aparecida, apelido é tão importante que tem até sobrenome. Em conseqüência, Fon-Fon herdou o da mãe e ficou conhecido, para sempre, como Fon-Fon da Jaca.

Fon-Fon da Jaca

Dadá? Tudo bem! Fon-Fon? Vá lá que seja! Afinal, ele tinha o lábio ligeiramente leporino. Mas ‘da Jaca’? Sabe-se lá por qual razão a família implicou com esse ‘sobrenome’. A jaqueira dava sombra, dava fruto, dava alimento, dava compota, dava remédio, mas dona Dadá também dava - comentavam as más línguas, infernizando a vida do Fon-Fon. A maledicência não tinha limites. Diziam que Fon-Fon era assim, amarelão empombado, porque seu Osvaldo – o Merisvaldo, caseiro dos padres – comeu muito a jaca da senhora sua mãe e costumava consolar a viúva nas noites chuvosas de Manaus.

Foi justamente num daqueles temporais amazônicos que uma jaca pesadona despencou, na madrugada, fazendo um rombo no telhado de zinco, caindo em cima da cama da Dona Dadá onde – dizem, dizem, eu não sei – Merisvaldo sonhava que comia compota de jaca. Esse foi o pretexto de dona Dadá pra se livrar do apelido que tanto desgosto lhe causava. Mandou o Merisvaldo derrubar a jaqueira, achando que assim resolveria três problemas: o do telhado, o do apelido e o de sua reputação. Com a jaqueira cortada, acreditava que o ‘da Jaca’ seria extirpado de sua identidade e voltaria a ser simplesmente Dadá.

Mas o homem põe e Deus diz: “põe”. Merisvaldo botou. Botou no toco. Levou vários dias para derrubar a jaqueira, que tinha mais de vinte metros. Cortou na base, deixando apenas a parte inferior do tronco, de um metro mais ou menos. Dona Dadá se arrependeu, porque com aquele toco assim exposto, os seus vizinhos passaram a identificá-la como Dadá do Toco do Merisvaldo. A emenda foi pior do que o soneto.

Antes que o apelido se consolidasse e seu filho fosse chamado de Fon-Fon do Toco do Merisvaldo, dona Dadá pediu, por amor de Deus, que arrancassem aquele mondrongo. As raízes estavam tão profundamente enterradas, que o caseiro pediu ajuda do Rodolfinho, o sacristão. Depois de quinze dias, o toco foi extraído, deixando um enorme buraco. A canalha do bairro não duvidou em mudar o codinome pra Dadá do Buraco.

– Tapa o buraco – implorou ela ao Merisvaldo. Com seus dentes de jacaré expostos, ele trouxe carradas de entulho de umas reformas lá na Fábrica de Cerveja XPTO e fechou tudo direitinho. Os vizinhos, então, que nunca aceitaram a derrubada da jaqueira, passaram a chamá-la de Dadá do Buraco Tapado. Ela não podia nem freqüentar a banca de tacacá da dona Alvina, que gritavam seu apelido, deixando saudades dos tempos em que era apenas Dadá da Jaca.

Carequinha querido

Por que me lembrei disso? A memória é caprichosa, tem lá suas armadilhas, permitindo associações inimagináveis. Nesse feriado, quando vi a procissão na TV, a imagem da dona Dadá ficou bubuiando em minha cabeça. Juro que cheguei até sentir o cheiro da jaca. E isso porque na festa de Corpus Christi, durante muitos anos, era ela que colocava velas e flores no altar da igreja de Aparecida, enfeitava o tabernáculo e puxava o hino com sua voz gasguita: “Criaturas todas, a Jesus saudemos / Deus sacramentado / vinde e adore-emos”.

Dai recordei poema de Bertold Brecht. Um prisioneiro socialista com uma faca riscou letras enormes na parede da cela: VIVA LENIN! Guardas viram e mandaram um pintor apagar aquilo. Com um pincel o cara cobriu letra por letra com cal, o que destacou ainda mais as palavras. Aí mandaram um segundo pintor, que cobriu tudo com tinta escura, mas horas depois, quando secou, as letras teimosas apareceram em relevo. Chamaram então um pedreiro que, com uma talhadeira, cavou letra por letra, deixando gravada a inscrição invencível. “Agora, derrubem a parede” – disse o preso socialista.

O poema, hoje, ficaria ainda melhor se Brecht tivesse usado a palavra ‘Liberdade’ no lugar de ‘Lenin’. Mas olha só como a memória faz suas piruetas, permitindo que José Melo entre nessa história como Pilatos no Credo. É que me enviaram pela internet o recorte de um jornal de Humaitá (AM) dizendo que José Melo, ex-secretario do Eduardo Braga (PMDB – vixe, vixe!) estava sendo disputado para ser candidato a vice-governador na chapa de todos os prováveis candidatos. “Ele é o carequinha mais querido do Amazonas” – bajulava o jornal.

Ora, uma consulta ao Diário Oficial da União (p.124, 11/04/2002) mostra que houve desvio dos recursos da merenda escolar e que os recibos apresentados pelo Carequinha, referente à entrega de ovos para as escolas, em 1995, quando ele era secretário de educação, “apresentam fortes indícios de falsificação”. Por isso, José Melo ficou conhecido em todo o Amazonas como José Melo Merenda.

Ele, que na época da ditadura, trabalhou para a AESI e o SNI, agora está querendo derrubar a jaqueira, arrancar o toco, tapar o buraco e, se preciso, derrubar a parede para que esqueçam que ele é o José Melo Merenda. Inutilmente. A gente carrega a memória e a história da gente no próprio corpo, na nossa identidade. Cada tentativa de esconder, revela ainda mais. Eis o que eu queria dizer: José Melo Merenda é, sem dúvida alguma, a Dadá da Jaca da política amazonense.
_______________________

José Ribamar Bessa Freire é professor universitário (Uerj), reside no Rio há mais de 20 anos, assina coluna no Diário do Amazonas, de Manaus, sua terra natal, e mantém o blog Taqui Pra Ti

Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

“Bibi, sua mãe sabe que você é pirata?”

.

Richard Walden*, Huffington Post

Em agosto de 1982, chefiei uma missão de auxílio humanitário ao Líbano, dois meses depois que Israel invadira o país.

O que se iniciou como incursão militar limitada, para deter ataques com mísseis contra sua fronteira, lançados pelo que então se chamava “forças da OLP”, e incursão em torno da qual Israel mobilizou todo o apoio da comunidade de judeus nos EUA e na Europa Ocidental, rapidamente despertou fundadas suspeitas de que a resposta israelense era (estava, então, sendo) desproporcional à agressão. A Força Aérea de Israel destruiu mais de 45 MIGs sírios, sem perder um único avião; inutilizou baterias antiaéreas em todo o território libanês e também em território sírio; e, ao mesmo tempo, manteve seus tanques em avançada continuada para o norte, em avanço sobre a capital, Beirute – avanço que nenhum exército israelense jamais sequer se atrevera a tentar.

Rapidamente, a simpatia pelos sofrimentos de civis israelenses, em todo o mundo, converteu-se em indignação. Em Los Angeles, o boletim diário que o consulado israelense emitia para seus grandes apoiadores judeus, doadores e financiadores, foi repentinamente cancelado depois de cinco dias de boletins em que só se louvavam os sucessos israelenses. Até os maiores ‘parceiros’ de Israel começaram a manifestar horror e indignação contra o que toda a opinião pública já definia como objetivos militares e políticos distorcidos e ambíguos.

Reunindo fundos exclusivamente privados, a ONG “Operation California” (hoje já mundialmente conhecida como “Operation USA”, fundo de ajuda humanitária constituído de recursos exclusivamente privados), anunciou a partida, rumo ao aeroporto de Beirute, do primeiro avião carregado com produtos de socorro e alimentos. Antes de que chegássemos lá, com 40 toneladas do que reuníramos, Israel bombardeou o aeroporto de Beirute, fechando-o completamente para voos comerciais e de socorro humanitário.
Fomos obrigados a voar para Larnaca, no Chipre, e alugar um barco de transporte de carga, para viagem de 16 horas. Nossa viagem e nosso esforço humanitário foi amplamente divulgado. Alguns grupos ofereceram-se para entregar os produtos aos militares israelenses dentro do Líbano, para distribuição nas áreas ocupadas – ideia que imediatamente (e indignadamente) rejeitamos.

Enquanto voávamos de Los Angeles para Chipre, as potências mundiais e a ONU negociaram um cessar-fogo que incluía a imediata evacuação de cerca de 14.000 combatentes armados da OLP, reunidos no porto Beirute, para o Chipre... com todas as armas... e para que fossem imediatamente transferidos, do aeroporto de Larnaca para vários países árabes que se dispunham a acolhê-los e, em seguida, devolvê-los aos países de origem. Nosso cargueiro DC-8 aterrizou em Beirute e taxiou diretamente para uma área do aeroporto onde uma multidão de combatentes completamente armados da OLP esperavam pelo avião que os levaria para Argélia, Líbia e outros países que lhes haviam concedido asilo.

Um alto funcionário dos EUA, da embaixada dos EUA em Beirute – cuja recepção e atenção nós não havíamos requisitado, mas que lá estava por excesso de atenção da própria embaixada –, veio ao encontro do nosso avião e elogiou o nosso esforço humanitário. Nossos produtos deveriam ser distribuídos através do Conselho das Igrejas do Oriente Médio, para cristãos libaneses, muçulmanos e palestinos, por critérios que só consideravam as necessidades manifestas e sem beneficiar prioritariamente qualquer grupo.

O Conselho de Igrejas já fretara a barca-transportadora e as 40 toneladas de produtos foram levadas às docas, acompanhadas por um repórter do LA Times, um editorialista de uma agência de notícias e quatro funcionários e voluntários da nossa organização “Operation California”.

Essa equipe, à qual se juntaram alguns (cerca de dez, no máximo) civis libaneses, que pagaram ao capitão da barca-transportadora para viajar conosco, lá se foram, com os produtos que nos cabia entregar no Líbano, para uma travessia que se esperava tormentosa, rumo a uma zona de guerra.

O que não sabíamos é que a mesma barca-transporte, antes, transportara vários combatentes armados da OLP, que haviam viajado de Beirute para Chipre, sob proteção internacional. Nessas circunstâncias, voltar para Beirute, depois de descarregar em Chipre a carga de militantes e suas armas, protegidos por observadores internacionais, não pareceu ser operação que necessitasse de proteção especial. Mas, nas primeiras horas da madrugada, fomos parados em alto mar, por embarcação não identificada, super armada, e evidentemente de israelenses. Aparentemente, os israelenses suspeitavam que os combatentes da OLP tivessem deixado as armas na barca, para que fossem reintroduzidas clandestinamente em Beirute.

Assim, invadiram uma barca que transportava comida, remédios e roupas, de missão humanitária chefiada por um judeu, acompanhado por mais dois cidadãos norte-americanos e judeus, um dos quais tinha contatos importantes dos dois lados: tanto dentro do governo de Israel quanto na comunidade de judeus norte-americanos. De fato, tínhamos “testemunhas” de tudo o que ali acontecesse.

Decidi que estávamos sendo atacados por piratas (quem, se não piratas, em barco armado e sem bandeira, abordam barca-transportadora, de madrugada, em pleno mar?). E perguntei ao comandante, quando ele e um grupo armada abordaram nossa barca: “Sua mãe sabe que o senhor é pirata, capitão?” Ele respondeu imediatamente, sem pausa: “Você é judeu. Só um judeu, nessa região, se atreveria a me dizer isso.” Eu disse a ele que nossa equipe não incluía militares, que estávamos em missão de ajuda humanitária e que um alto funcionário da embaixada dos EUA no Líbano revistara a carga e tinha em mãos uma cópia do manifesto-de-carga embarcada. Ele reuniu seus homens, voltaram todos aos seus barcos e partiram.

Relembrei tudo isso, 28 anos depois, ao saber que uma flotilha de seis barcos, transportando 800 voluntários, acabava de ser abordada e atacada em águas internacionais, ao aproximar-se da costa de Gaza, onde esperava entregar centenas de toneladas de material de ajuda humanitária. Hoje, Israel tenta justificar o assassinato de pelo menos nove pessoas (civis, voluntários) que ali viajavam, ferimentos em muitas outras, e prisão-sequestro de centenas. Diz que o ataque de pirataria não foi autorizado pelo governo de Israel. O ataque ocorreu em águas internacionais, em ponto distante 75 milhas náuticas da costa de Gaza.

Minha experiência de quem já levou ajuda humanitária a 99 países, ao longo de 31 anos, me autoriza a dizer, sem hesitar, que entregar qualquer tipo de ajuda na Cisjordânia/Gaza/Palestina é missão extremamente difícil. Não bastasse o governo israelense não autorizar e bloquear qualquer tipo de ajuda humanitária aos palestinos, também já obriga o Egito – que covardemente obedece –, a fechar a fronteira sul de Gaza.

A situação geral é mais grave hoje, do que no domingo passado. Os dois lados endureceram. Israel pode ter queimado absolutamente as boas relações que a ligavam à Turquia (e esse efeito não muda, tenha sido a ação pirata autorizada, ou não, pelo governo Netanyahu); o governo Obama – preso como refém, hoje, no ciclo eleitoral (e da dependência do dinheiro-de-campanha dos doadores judeus norte-americanos) – nada fará que altere o antiquado padrão de Washington; os europeus dificilmente aprovarão sanções contra Israel por prática de crimes seriais; tampouco criticarão Estados árabes que também apoiam atos de violência. Não há hoje qualquer, nem remota, possibilidade de paz naquela região.

*Richard Walden é presidente da ONG “Operation USA”


__________________________________

Os ativistas ("terroristas") Rumo a Gaza


_______________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O DIA EM QUE MANÉ GARRINCHA DEU CHAPÉU NA FALTA DE CABEÇA DO JANJÃO BABÃO

.

Raul Longo
Foto: Jasmim Losso Arranz

Siqueira, diga aí para o Robson e o Jorge tomarem cuidado! A doença do Janjão Babão, aquela que faz distribuir essas manipulações da informação sem qualquer desenvolvimento de algum raciocínio, pega! E esse texto que o Robson assina como presidente da FAP de Minas Gerais é um exemplo.

Até perdoável que, a partir de certa idade, o aposentado não queira nem saber o que acontecerá além de seus incertos cinco ou dez anos futuros. Compreensível não lhes ser possível calcular quanto os recentes aumentos do salário mínimo tornam os rendimentos mais vantajosos, apesar das reduções previstas pela Reforma da Previdência; do que se recebessem sobre os salários congelados desde 94, mantidos por Serra se eleito em 2002.

Isso sem contar que José Serra promulgaria o projeto da Reforma tal qual imaginado por FHC, reduzindo a contribuição ao sistema pelo empresariado e aumentando aos empregados.

Compreensível que o aposentado que contribuiu ao longo de tantos anos e com menor tempo de jogo à frente, não queira saber dos desvios da Georgina e outros tantos. Ninguém quer pagar por desfalques de sonegadores patronais, entre eles as grandes empresas da imprensa, mas o Robson e o Jorge precisam saber que é essa imprensa sonegadora a que mais insemina estas meias informações que distribuem babando.

É próprio da idade de muitos aposentados e não haveremos de insistir por outro comportamento, mas se o Robson ou o Jorge forem como o Janjão, também sofrem de senilidade precoce e apenas babam informações sem a recomendável e natural mastigação racional.

Afinal, convenhamos, Siqueira, na linha desse desarticulado raciocínio podemos reivindicar tudo. Por exemplo, eu poderia reclamar de falta de investimentos na área cultural que possibilite publicar meus livros ou produzir meus roteiros. Mas ainda sou jovem ou, se não jovem, ao menos saudável o suficiente para deduzir que não se trata de produzir livros e roteiros meus ou de meus amigos e, sim, de desenvolver uma política cultural que, daqui a 20, 30 anos, tenha construído uma nação com capacidade de produção cultural correspondente ao seu significado perante o mundo, tal qual ocorre nos mais importantes países da Europa. Por que não?

Citei aí a Europa ao acaso, mas é exemplo providencial se lembrarmos que nas nações de lá também houve muita polêmica sobre as inevitáveis reformas previdenciárias, tais quais a ocorrida no Brasil na mesma época. Apesar de não terem sofrido tantos desfalques e sonegações, por maior vigilância e responsabilidade que só agora experimentamos – e também pela impunidade muito menor do que a aqui mantida até meados desta década – na Europa também tiveram de calcular redutores previdenciários pelos mesmos motivos que igualmente nos atingem: aumento de longevidade dos aposentados e aumento de jubilados, entre outros fatores que colapsariam o sistema em poucos anos e, assim, obrigaram os governos responsáveis e previdentes a implantar a reforma.

Nesses países também houve políticos que deram a grita e tiveram chiliques eleitoreiros, foram às lágrimas e fundaram “Psois” mundo afora. Mas a verdade é uma só: não adianta o governo destinar verbas para publicações dos meus livros se, primeiro, não resolver o problema da fome e do analfabetismo, pois de que me adianta livros na prateleira? Quero é que me leiam e para que me leiam preciso de leitores. Não de prateleiras.

Janjão Babão não conseguirá estabelecer a relação de raciocínio analógico que tento aqui, mas insista com o Robson e o Jorge até que percebam que povo faminto e analfabeto não tem condições de ler nem de ir ao cinema, então de nada adiantaria ficar reclamando por essas verbas dedicadas ao fomento do mercado exterior que lamentam aí, pois eu e meus amigos não seríamos beneficiados nem mesmo que o governo aplicasse tudo no que produzimos. E para aplicar na justa retribuição aos que passaram a vida contribuindo, é o mesmo caso. Porque se, compreensivelmente, o aposentado conta com o benefício pelos anos ou décadas que lhe restam, o governo responsável há de pensar nas próximas gerações de aposentados.

E haveremos de tê-los devidamente remunerados na integralidade do que hoje fazem por merecer. Esses aposentados do futuro, comovidamente agradecerão o esforço dos atuais e, muito mais comovidos do que se agradecessem apenas a integralidade mensal de seus igualmente merecidos salários, agradecerão pela sobrevivência do sistema previdenciário.

Provavelmente ninguém mais se lembrará qual terá sido o governo que assumiu essa responsabilidade, mas mesmo que não esteja vivo para testemunhar, se o Robson utilizar algo de suas potencialidades cerebrais, poderá imaginar esse futuro ou concluir em quão exíguo tempo a realidade do sistema previdenciário de 2002, poderia se tornar seu presente. Um pesadelo pelo qual Janjão baba na fronha todas as noites.

Estimule o Robson e o Jorge a raciocinar quão mais inacessível se tornaria a atual situação previdenciária, na continuidade do engessamento do país com aquele espetacular e internacionalmente notável nível de desemprego promovido pela política neoliberal, ainda defendida pelo último militante do candidato José Serra. Estimule-os a calcular em quanto mais se inviabilizaria o sistema com a queda de contribuições pelo desemprego e baixos salários.

Estimule-os! Pois esclerose do tipo da do Janjão Babão, o último dos militantes demotucano, é coisa que pega, mas se a superarem serão capazes de concluir por eles mesmos e sem ajuda de suplementos geriátricos que, ao ajudar na solução da crise europeia através da Grécia, o governo também está investindo, e de forma muito mais efetiva, na progressão do sistema previdenciário, pois assim como não adiantaria investir em minha geração de escritores e produtores culturais, sem imaginar uma progressão futura para a arte e a cultura brasileira, não adianta coisa alguma deixarmos que o mundo se lasque para melhor remunerar nossos aposentados de agora. Remunerar até quando, se não teremos uma Europa para adquirir nossos produtos agrícolas, manufatureiros ou industrializados? Incluindo os nossos produtos culturais.

Até quando, Siqueira, poderemos sustentar nosso crescimento se não tivermos nos países vizinhos, como a Bolívia, parceiros necessários às nossas eventuais deficiências, como a de gás natural?

Que atendimento poderemos oferecer a outras prementes necessidades desses senhores aposentados, como a saúde, por exemplo, em que mundialmente se destacam os avanços e conhecimentos de países como Cuba?

Ajude-os, Siqueira, a entender o óbvio. Evidente que essas colaborações do governo brasileiro no exterior não são meros presentes e, sim, investimentos humanitários. Nunca país algum ajudou o Brasil a fundo perdido e nem nós o poderíamos fazer, ainda que algum governo quisesse.

Ajudamos, sim, a enriquecer os Estados Unidos, a Inglaterra, a Alemanha e outros, mas estes também tiveram de pagar comissões. Das quais muito pouco ou nada foi revertido para o povo, o cidadão, o contribuinte. No entanto, que Robson não se engane, pois que eles pagaram, pagaram sim, não o valor devido, nem a quem de direito, mas pagaram.

Agora, se o Robson recebeu alguma parcela dessas comissões, já não está aqui quem falou! Afinal, por aí se explicaria a autoria do texto injustificavelmente distribuído pelo Jorge, este sim, único a se manter babão qual Janjão. Mas, do contrário, ajude ambos a vencer a síndrome esclerótica do Janjão Babão, para que consigam perceber, nas evidências da realidade mundial, não haver possibilidades para que cidadãos de qualquer atividade ou em inatividade se mantenham no atraso ao qual o Brasil foi manietado por tão longos anos, atraso esse agravado naquele período compreendido entre 1994 e 2002.

Exemplo evidente está na atual dificuldade de acompanharmos a promoção de nosso próprio crescimento, por déficit de mão de obra qualificada, técnicos especializados, engenheiros e peritos que atendam à demanda de nossas atividades produtivas.

E o Jorge e o Robson a distribuírem estupidez sobre o PRO-UNI como qualquer Janjão Babão! O que é isso agora? Virou religião? De último eleitor do José Serra, Janjão se tornou o guru de nova seita de zumbis que têm no babador o símbolo máximo! Quanto mais idiotices se distribuir pela internet e menos se raciocinar sobre o conteúdo e as reais intenções daquilo que se distribui, mais próximo se está de alcançar o Babador Dourado.

Façam-me o favor! Gente adulta agindo pior do que criança aliciada por pedófilo. Que coisa mais vergonhosa!


Pra finalizar, vou te pedir outro favor, Siqueira. Repasse para o Robson e o Jorge o que vou te contar.

Em 1983 eu estava no Chile. País e povo adorável, de cordialidade e disposição de espírito com muitas similaridades em relação ao brasileiro, me fazendo sentir uma profunda vontade de promover intercâmbios culturais entre nossos países; até porque, então, era raro um brasileiro por lá, e nos tinham uma sensível e comovente admiração, embora tão pouco soubessem de nós quanto nós, deles. Mas viviam perguntando sobre atores e atrizes das novelas que a Globo exportava para lá, e eu tentando demonstrar que aqueles enlatados não correspondiam à nossa realidade, não passavam de bobagens comerciais, pseudocultura.

Um ou outro jovem chileno conhecia as músicas do Chico Buarque ou do Milton Nascimento e, aí sim, encontrava onde estabelecer paralelos com Victor Jarra e Violeta Parra, entre nossas difíceis histórias de resistência aos regimes nazistas das ditaduras militares que nos vitimavam. Mas ainda me faltava encontrar os fundamentos, as razões de tamanha admiração e carinho pelos brasileiros, enquanto reclamavam de argentinos, peruanos e bolivianos. Lembro ter deduzido, brincando com alguns amigos chilenos: “- Si tuviera una frontera entre nosotros, tampoco gustarían de los brasileños.”

Mas na manhã do dia 21 de janeiro daquele 1983 é que percebi a verdadeira e única razão de, apesar de tão menosprezados pelos espoliadores internacionais que mantinham negócios com os governantes de nossa ditadura militar, ainda despertávamos o interesse de povos e instituições bem intencionadas. Porque ainda insistiam em relações honestas com nosso país.

Honestas relações que, sem dúvida, muito nos ajudou a manter a sobrevivência de alguma dignidade como nação, mesmo quando nos surrupiavam minérios por transamazônicas hoje tão esquecidas, aqui e no Chile, quanto as novelas da Globo daquela época. E um honesto interesse que sobreviveu mesmo depois de piratearem com tanto descaramento nossos potenciais, patrimônios e rentáveis empresas públicas abandonadas e sucateadas para subavaliação de contratos de privatização, em troca de serviços e atendimentos superfaturados aos cidadãos.

Antes e muito depois daquele ano de 1983 diversos foram os desfalques ao povo brasileiro, mas graças a esses que promoviam e conquistavam algum interesse e respeito ao Brasil, muitas instituições nacionais sobreviveram mesmo quando estávamos lá no fundo do poço, com uma dívida enorme e apontados como o menos confiável país do mundo pra qualquer tipo de investimento.

Ninguém pode afirmar com absoluta certeza, mas é bastante possível que até mesmo a Previdência Brasileira tenha sido beneficiada por estes pioneiros que, antes do Presidente Lula, foram os primeiros a sair pelo mundo promovendo uma imagem mais digna desse nosso país, valorizando nosso povo, demonstrando não sermos apenas o país da miséria social, dos frequentes e violentos atentados contra os direitos humanos nos calabouços de quem deveria garantir nossa segurança e bem-estar.

Lembra-se, Siqueira, quem nos emprestava algum valor como povo, mesmo quando Gonzaguinha tinha de cantar que não estávamos com a bunda na janela para passarem a mão nela? Mesmo quando, mais do que o Maradona, o então Ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, nos tratava como moleques, e aos nossos governantes como tratantes sem palavra.

Lembra-se, Siqueira, quanta dignidade nos emprestaram as chuteiras de nossos jogadores de futebol, mesmo quando nosso principal representante no exterior, o Celso Lafer, se submetia a tirar os sapatos para ser revistado como suspeito sempre que chegava em aeroporto dos Estados Unidos?

Está lembrado, Siqueira? Pergunte ao Robson e ao Jorge se eles lembram.

Eu me lembro, Siqueira. Lembro-me muito bem, porque naquela manhã de janeiro de 1983, na sala de café da pensão onde morava e depois nas ruas, durante o decorrer de todo aquele dia 23, fui acometido por chilenos que vinham me abraçar soluçando, chorando. Nas mãos, um exemplar dos tantos jornais e revistas que reproduziam manchetes de grandes noticiários internacionais, lamentando e anunciando a morte de Mané Garrincha.

Além de dia de luto nacional, Pinochet, ainda ditador, não declarou feriado. Mas foi o mesmo que fizesse, pois por uns três dias as pessoas compareciam ao trabalho, e não trabalhavam. Todos lembrando do Garrincha e da Seleção Brasileira no Campeonato Mundial ocorrido naquele país, duas décadas antes.

Como o Robson e o Jorge devem saber, Mané Garrincha morreu pobre e sem aposentadoria. De resto, é só você incentivá-los a parar de babar porque certamente ainda não estão em idade de ficar imitando o Janjão Babão. Mas qualquer neurologista pode adverti-los sobre o futuro de cérebros que não são utilizados.

Muito mais vivo que os zumbis de Janjões, ainda hoje Mané Garrincha é maior merecedor de boa aposentadoria do que esses que não usam a cabeça nem para levar chapéu.

____________________________

Depois de tudo isso, a nossa Agência Assaz Atroz recomenda:

"É"

A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...

Né, Gonzaguinha?



____________________________

Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, 2886
Floripa/SC. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

.

PressAA

.