sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pravda: Brasil já tem 2.703 corruptos presos

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Brasil Já tem 2.703 corruptos presos 

[E um magote imenso que escapou das grades apoiado em brechas das leis]


Por ANTONIO CARLOS LACERDA


BRASILIA/ BRASIL - No Brasil, o número de pessoas presas por crimes contra a administração pública, tais como corrupção e peculato, cresceu 133% entre dezembro de 2008 e dezembro de 2012. Esse percentual representa sete vezes mais que o aumento de toda a população carcerária do País.

Atualmente, 2.703 pessoas, entre funcionários públicos e particulares sem ligação com o governo, encontram-se presas no Brasil, cumprindo pena por crimes contra a administração pública. Ainda assim, a população carcerária corrupta ocupa menos de 1% das celas dos presídios brasileiro.

Os dados são do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão do Ministério da Justiça que compila dados prisionais das 27 unidades federativas. Entre todos os crimes contra a administração pública, o que registrou maior crescimento foi o peculato - cometido por servidor que se apropria de bem público no exercício do cargo. O aumento de prisões por esse crime foi de 220% desde 2008.

Segundo o Depen, os números levam em conta apenas condenações definitivas, e não prisões temporárias. A série histórica começa em 2005, mas foi só em 2008 que os registros começaram a ser informados com detalhes pelo órgão. Antes disso, o número só havia ultrapassado a barreira dos 2 mil presos em 2007.

No ano seguinte, as prisões desabaram, mas voltaram a crescer constantemente até chegar aos números atuais.

Houve um aprimoramento nas técnicas de investigação e uma mudança na postura do Judiciário, que passou a ser mais rigoroso contra esses delitos.

Dados de outros órgãos federais reforçam a tese de aumento nas punições de funcionários públicos. A Controladoria-Geral da União (CGU) expulsou 564 servidores acusados de irregularidades em 2011, mais que o dobro que no início da década passada. E as prisões de servidores feitas pela Polícia Federal atingiram o auge entre 2006 e 2008, quando quase 400 pessoas por ano foram presas nas operações do órgão.
Vários desses processos podem estar chegando agora aos tribunais superiores e rendendo condenações. O próprio Judiciário está se cobrando para que os processos não fiquem estacionados sem julgamento.

Entre as mudanças apontadas por especialistas como responsáveis pelo aumento nas punições, estão a criação de novos órgãos de controle, como a própria CGU (nascida em 2001), além de aprovação de leis mais rígidas, como a da Ficha Limpa e a da compra de votos. Além disso, há novas técnicas para descobrir crimes, como o monitoramento do patrimônio dos servidores para detectar enriquecimentos incompatíveis com a renda.

Para Rita, porém, o mais importante foi a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004. Uma das principais metas do CNJ determina que todos os processos de crimes contra a administração pública distribuídos antes de 2011 sejam julgados até o fim deste ano. Em 2012, metade das 27 mil ações que esperavam decisões foram julgadas. A tendência é que o número de presos aumente.

Se há avanços, também existem desafios para combater a corrupção endêmica no Brasil. Ainda há muito o que fazer na área das licitações, no financiamento das campanhas eleitorais e no funcionamento de órgãos de controle, principalmente os Tribunais de Contas.

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU
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Assaz Atroz

"E nós criamos o partido. Depois eles achavam que nós não passaríamos de uma coisa pequenininha, bonita e radical. E nós não nascemos para sermos bonitos, nem radicais. Nós nascemos para ganhar o poder" - ex-presidente Lula, em entrevista concedida a Emir Sader e Pablo Gentili - Carta Maior

Porém, Lula, ainda no início do seu primeiro mandato, já havia reconhecido a especificidade e relatividade do poder que havia conquistado: era apenas o poder legal. Foi aí que ele disse: "Chegar ao governo não significa chegar ao poder".

Além dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, existe um poder mais poderoso, o "Poder Pecuniário".

O Executivo não pode legislar sobre leis penais. E, quando a força da grana que constrói e destrói coisas belas, necessárias e importantes elabora as leis, deixa sempre as brechas para se safar de punições. Aí sobra apenas para os pés-de-chinelo que não podem contratar advogados "malabaristas".

Clique em "operações" e leia as sinopses da atuação da Polícia Federal a partir de 2003.

Operações

2013

2012

2011

Anos anteriores

2010  2009  2008  2007  2006  2005  2004 e 2003 


No governo FHC do PSDB, da privataria, da corrupção, do entreguismo e da impunidade, unidades do Departamento de Polícia Federal foram ameaçadas de despejo por falta de pagamento de água, luz, telefone e aluguel. As buscas e apreensões registradas indicam insignificantes 27 buchas presos por ano - média dos 8 anos de desgoverno de FHC.

O Mistério da Injustiça informa: A leitura das informações sobre a atuação da Polícia Federal nos últimos 10 anos pode ser enfadonha para corruptos de qualquer idade, mas pode ser interessante, e até divertida, para quem concorda que "Nunca se viu tantos ratos, mas nunca se caçou tanto os ratos neste país".

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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terça-feira, 4 de junho de 2013

Dilma e Lula ― os espetaculares engolidores de sapo


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Fernando Soares Campos



O professor, jornalista, advogado e político San Tiago Dantas, falecido em setembro de 1964, teria dito: "A Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta". 

Com a própria frase, o ilustre professor, de certa forma, autoafirmou-se, pois somente um elemento vaidosamente elitizado poderia chamar qualquer povo de “bosta”. Ainda mais naquela época, em que as elites subservientes faziam (e ainda tentam fazer) o próprio povo brasileiro acreditar que somos uma nação de cães lambedores dos restos de banquetes dos colonizadores, espécies de bwana, como os africanos chamavam os expedicionários do Império Britânico que “safariavam” e faziam outras safadezas no Continente Mãe.

Acontece que o termo “bwana”, aportuguesado para “buana”, significa “composto de resíduos animais”, eufemismo de “carniça”, ou, derivação por metonímia, “bosta”.

― Pode deixar que a gente toma conta de sua mulher, seu bwana!

O professor San Tiago, como tanta gente hoje em dia, criou frase de efeito nocivo jogando pra galera. Apesar de ter sido um político aparentemente bem intencionado, arrependido de ter participado ativamente da Ação Integralista Brasileira, de orientação fascista, podemos dizer que bem-intencionado é o cara que deve ser perdoado, mesmo tendo agido exatamente como agiria o mal-intencionado. Por isso o Céu está cheio de São Tiagos.

Dilma, Lula e o fogo-ambíguo

Em 2009, escrevi artigo intitulado “Lula, o espetacular engolidor de sapo!”, publicado em diversos blogs, sites e portais internet adentro, inclusive no “Moçambique para todos” (é só clicar aí, acessar diretamente a postagem e depois navegar pelo macua.blog}.

No artigo, comentei sobre mensagem que recebi tratando do prêmio “Estadista do Ano”, recebido pelo presidente Lula, concedido por Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais).

Hoje atualizo o meu texto, intitulando-o...

Lula e Dilma – os espetaculares engolidores de sapo

"Procuro dar meu recado através do humor. Humor pelo humor é sofisticação, é frescura. E nessa eu não tou. Meu negócio é pé na cara. E levo o humorismo a sério. " ( Henfil )

O inimigo do meu inimigo não é necessariamente meu amigo; assim como o amigo do meu inimigo pode não ser meu inimigo. Também, nada impede que o inimigo do meu amigo possa ser um dos meus melhores amigos. Entretanto o pseudoinimigo do meu inimigo é, invariavelmente, muito mais hostil aos meus propósitos e pode me causar muito mais prejuízos que o meu próprio inimigo declarado. 

Não sei exatamente em que proposição, entre as relacionadas acima, se enquadra o João Miramar, editor-redator-chefe de Brasilianas [não confundir com Brasilianas.Org], título que dá aos textos que ele produz e distribui por e-mail, com o propósito de combater a “ditadura lulodilmista”. Arrisco classificá-lo como "pseudoinimigo do meu inimigo", pois o João Miramar às vezes critica meus inimigos (inimigos do povo), mas observo que o faz na condição de revisor de texto, tentando aparar arestas de prismáticas e difusas argumentações das elites pensativas.

Já me disseram que o Miramar é um oportunista, não apenas um indivíduo que tira vantagens pessoais de certas situações, mas especialmente por ser elemento a serviço do Grupo Opportunity, do famigerado banqueiro Daniel Dantas. Porém, sobre isso, não tenho informações concretas. Sei apenas que posso compará-lo a um microrganismo oportunista, capaz de infectar o hospedeiro quando as resistências deste estiverem bastante debilitadas pelas suas insistentes investidas. Ou seja: se o indivíduo não tiver uma base imunológica fortalecida pelas verdades dos fatos, as Brasilianas do Miramar miram bem no núcleo das células cancerosas, associam-se a estas e provocam metástase.

Tempos atrás eu recebia os textos Brasilianas mirabolantes. Ia à forra enviando ao Miramar o que publicamos aqui na nossa Agência Assaz Atroz. Sempre ficamos no zero a zero, com alguns bate-bocas inócuos à beira do teclado. Mas nunca passou disso.

Certa ocasião, finalmente, recebi um texto do João Miramar cujos argumentos se alinhavam com aquilo que imaginei em relação ao tal prêmio de “Estadista do Ano” concedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vi pela televisão as imagens da cerimônia, Lula discursando, entendi que o nosso presidente não estava à vontade, até os ares de descontração pareciam forçados. Pensei: Lula é versado na arte de engolir sapo ― pressuposto indispensável para o exercício de relações diplomáticas.

Ao descreverem as personalidades que concorreram com Lula, não tive dúvida: “Isso não é prêmio! É afronta!”.

Enfim, não foi a tal “honraria” que determinou que Lula estava sendo consagrado o “Estadista do Ano”, mas o fato de aceitar aquele trambolho revelava que ele era, na verdade, o “Estadista do Século”.

Alguém aí acredita que existam imperialistas e colonialistas honestos? Não, essa gente, além da fleugma glacial, é de uma sutileza que extrapola as enganações convencionais.

Aquele “prêmio” estava mais para Cavalo de Tróia que para a cobiçada coroa de Laurus nobilis que enfeitavam as cabeças de atletas e guerreiros dos impérios Grego e Romano.

Lula pode negar de pés juntos, mas dava pra notar que ele aceitou a premiação apenas para não fazer desfeita. Perfeita postura de um estadista.

"Reconciliar-se com o inimigo não quer dizer anuir aos seus propósitos, mas apenas mantê-lo incapacitado, ou ao menos inibido, de nos prejudicar. Acho que é isso que fazem os governantes progressistas, reformadores e até os revolucionários.” [“Quem são nossos verdadeiros inimigos?”]

Certamente João Miramar e toda a ultradireita brasileira jamais argumentarão sob esse aspecto, o de que Lula é realmente um estadista porque conhece a arte de engolir sapo. Que não deve ser confundida com subserviência, mas sim com a inteligente capacidade de lidar com os sentimentos e emoções conflitantes entre si.

Eu escreveria sobre o prêmio basicamente nos mesmos termos que o Miramar escreveu, mas sem empregar expressões tais como “países deploráveis em comparação ao Brasil”. Deplorável é o preconceito dele, ou do autor do texto (acho que ele estava repassando o petardo). No meu conceito, não existe “país deplorável”, mas governos abomináveis, como, por exemplo, os que se arvoram a donos do mundo. Este é um dos motivos pelos quais eu não assinaria o texto que o Miramar me enviou. O outro diz respeito às razões que nos levam a criticar o prêmio, elas são distintas e antagônicas.

Depois da minha resposta, ele finalmente me retirou de sua lista de correspondentes.
                       
Aí está o texto que o João Miramar me enviou há alguns anos.

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“Em homenagem à sua sanidade e honestidade intelectual, reconhecendo que pode ser mentira, pode ser verdade... e... para contribuir com temas de tamanha relevância e pureza de alma – aliás, essenciais para a correção de rumos da pátria potência que nos embala, enviamos a seguinte notícia. Claro, o senhor e todo o oficialismo naturalmente nem tomaram conhecimento, mas já que se trata de relevância, entendemos que sim... lá vai...”
JM 


LULA VENCE LIBÉRIA E ARÁBIA SAUDITA E SE TORNA "ESTADISTA DO ANO"

Deu n'O Globo, em reportagem de hoje: Lula recebe prêmio de "Estadista do Ano" na Inglaterra. Bom, né? Aliás, poxa vida, é ótimo. Ah, não sejamos modestos, é magnificamente excelente!

Quando Obama fez aquela brincadeira de "o cara", muitos foram contra, dizendo que não era bem assim. Achei errado porque REALMENTE ele falou - independentemente do significado ou isso e aquilo.

Mas agora, quanto ao prêmio, sejamos honestos. Vale a pena saber que raio de coisa é essa. Vamos por partes (trechos da reportagem):

"O prêmio anual foi concedido pela prestigiosa instituição Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), para a qual o presidente brasileiro é "um dos principais facilitadores da estabilidade e da integração na América Latina". Lula concorreu ao prêmio ao lado do ministro saudita de Relações Exteriores, príncipe Saud Al-Faisal bin Abdulaziz al-Saud, e da presidente da Libéria, Elle Johsnson-Sirleaf." (grifos nossos)

Notem a lista tríplice de "estadistas" e países da qual Lula e o Brasil fazem parte. Além de nós, havia ARÁBIA SAUDITA e LIBÉRIA, duas ditaduras dessas que pegam pessoas no meio da rua, por qualquer motivo torpe, e os matam a pedradas. Só não espero que tenha sido uma votação muito difícil.

Bom, podem dizer que foi um lapso apenas deste ano, não é mesmo? A tal "prestigiosa" instituição teve um surto meio maluco. Vamos a outros vencedores:

"Nos anos anteriores, o prêmio foi concedido ao presidente de Gana, John Kufuor, em 2008, a Sheikha Mozah, uma das três primeiras-damas do Catar, em 2007, e ao ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, em 2006." (grifos nossos)

Percebam, portanto, que a idéia não é premiar "estadistas" ou países proeminentes, mas talvez distribuir medalhinhas utilizando critérios pra lá de heterodoxos. Aliás, Lula está no poder desde 2003, e tomou surra de Gana, Catar e Moçambique nos três últimos anos (obviamente, uma galhofa, pois são três países deploráveis
[grifo AA] em comparação ao Brasil).

Vamos ao futebol, um clássico das analogias quando se trata do "estadista" ora premiado. Suponhamos um campeonato "mundial" com Palau, Vaticano, Formosa e Argentina. Nossos hermanos ganham e dizem: SOMOS CAMPEÕES DO MUNDO. Isso seria admissível? É mais ou menos por aí.

E, na comparação futebolística, coloquei países talvez melhores no esporte bretão que nossos concorrentes, da lista tríplice, quanto a qualquer critério correspondente à atuação dos Chefes de Estado. Arábia Saudita e Libéria? Países que espancam mulheres por andar na rua sem companhia? Chega a ser vergonhoso participar da cerimônia, sejamos honestos.

Atualização: O PRÊMIO É PATROCINADO POR, ENTRE OUTROS, BANCO DO BRASIL, BNDES E PETROBRAS.
[Nota AA: Que também patrocinam uns poucos jornalistas da chamada blogosfera progressista, a trincheira de Lula, Dilma e de milhões de brasileiros excluídos dos meios de comunicação de massa, ficando apenas como passivas vítimas destes.]

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Agora o foguetório-ambíguo se volta para Dilma. Fuçam sua agenda, sacam cinco ou seis audiências dela em um mês, com o propósito de apontar que Dilma está alinhada com as elites político-econômicas e abandonando os excluídos da sorte ao Deus dará.

Agenda de Dilma revela opção do governo

Brasil Atual

Em alguns poucos parágrafos, o autor disse (e insinuou) várias vezes que "Dilma ainda não falou com os povos indígenas. Ela foi a única presidente desde a época da ditadura a não recebê-los". Só faltou dizer que os governos da ditadura e os do início da "redemocratização" dormiam nas ocoas e fumavam o cachimbo da paz com os índios. 

Mas indicamos também um verdadeiro crítico de qualquer governo, isento de paixões ideológicas, um homem vivido, que analisa, critica construtivamente, aponta erros político-administrativos do governo Dilma, mas com o propósito de colaborar, participar da construção de um Brasil novo. Não sei se em alguns pontos está equivocado, como qualquer ser humano, pois não entendo patavina de economia e mercado, sei apenas que me dói no bolso as pressões de uma nação que se industrializou sob a regência do Império, e que agora está sofrendo as consequências, muito duras de serem corrigidas.

Leia no blog da redecastorphoto...

Por Adriano Benayon




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Vamos esperar que Dilma ou Lula arrebentem os miolos, como fez Getúlio, ou escapem para o exílio, a fim de evitar derramamento de sangue, como fez Jango, para só então apedrejarmos a infraestrutura da imprensa empresarial? Como agiu o povo que não tinha internet ao tomar conhecimento, atrasado, do dilema e do suicídio de Getúlio.

Não, a história é análoga, mas o momento é outro. Hoje, quem tiver um mínimo de consciência solidária, espírito de fraternidade e senso de honestidade engaje-se ou retorne à luta, pois 2014 está se aproximando, e o foguetório-ambíguo está espocando de todos os lados: direita, esquerda e meia volta volver.

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Vamos atender ao chamado do pessoal que faz o Blog Palavras Diversas...

Blogosfera progressista e independente pode ser capaz incomodar e causar reveses à grande imprensa…

Casa nova, no mesmo front, uma convocação dos velhos amigos e em busca de outros novos.

O Blog Palavras Diversas, após uma breve pausa,  motivado pela perda do domínio no blogger, ressurge, revigorado, agora no WordPress, para continuar seu trabalho de formiguinha da internet: combater a desinformação da grande imprensa e contribuir pela democratização da mídia.  Somos modestos, em audiência e repercussão, mas levamos às pessoas que estão ao nosso alcance pontos de vista e ângulos, geralmente, desqualificados pela grande imprensa.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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domingo, 2 de junho de 2013

O ÍNDIO DA MÍDIA [a Agência Assaz Atroz continua paranoica, teórica da conspiração]

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A manchete do Estadão (23/11/68) usou o verbo trucidar e as palavras chacina eferocidade quando noticiou que nove corpos de membros da Expedição Calleri foram localizados, em 1968, no território dos Waimiri-Atroari. Embora ninguém soubesse ainda o que havia efetivamente ocorrido, o repórter, antes mesmo de se deslocar até a área, se apressou em afirmar que os índios eram os autores da carnificina. Para isso, exibiu antecedentes históricos sem mencionar qualquer referência documental:

"Calcula-se que mais de 1500 brancos foram massacrados pelos Waimiri-Atroari de umas décadas para cá".

Quem calculou? O sujeito é indeterminado. Quantas décadas? O período é impreciso. De onde tirou os dados? Sabe Deus. O certo é que, sem citar fontes, traça o perfil dos Waimiri de forma sádica e preconceituosa: "Os silvícolas costumam picar suas vítimas em pedacinhos e queimá-las até virarem cinzas". Olhando agora, a gente duvida que alguém tenha tido a coragem de publicar tal bobagem, digerida por milhares de leitores, muitos dos quais acabaram acreditando na potoca. O relato virou "verdade", se fez carne e habitou entre nós.


Afinal, quem matou os nove membros da Expedição, entre eles o padre Calleri? Quando suspeita que a ação é cometida por índios, a grande imprensa, em voz uníssona, apresenta-os como os sujeitos da ação e qualifica-os como feras, reforçando preconceitos. A Expedição visava atrair os "silvícolas" para afastá-los de seu território, que seria rasgado pela estrada Br-174. Apesar disso, para a mídia, os índios agiram não em legítima defesa da terra invadida, mas por causa de sua "natureza bestial".

No entanto, quando ocorre o contrário, o sujeito da oração não é quem disparou o tiro assassino, continua sendo o índio, como registrou O Globo em manchete na última sexta-feira: "INDIO MORRE EM CONFRONTO COM POLICIAIS". Ou seja, ninguém matou, ele é que morreu. Não há responsáveis.

Quem matou?

Na regra do jornalismo é preciso responder, entre outras perguntas, o "quem", já no primeiro parágrafo, no lide. Quem matou o terena Oziel Gabriel, em Sidrolândia (MS), na fazenda que desde 2010 foi declarada Terra Indígena? Quem disparou os tiros que feriram muitos índios, entre eles, mulheres, idosos e crianças? Por que? Nenhuma análise foi feita pela mídia sobre as razões do conflito, nem sobre quantos índios foram assassinados, sequer quantos índios "morreram" nas "últimas décadas".

Um juiz federal deu a reintegração de posse ao ex-deputado Ricardo Bacha que jura, fazendo figa, que a terra é dele. Dez equipes da Policia Federal e cem homens da Tropa de Elite da PM, armados, cercaram os índios, jogaram bombas e dispararam tiros. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo diz que "se a investigação comprovar irregularidade ou abuso, os responsáveis serão devidamente punidos?". Deixa ver se entendi bem: quer dizer que existe, então, "assassinato regular" e "assassinato irregular"? "Morte com abuso" e "morte sem abuso"? 

- "Até o momento não se pode dizer de onde partiu o tiro. Não prejulgaremos" - disse Cardozo, que não faz prejulgamento quando se trata de saber quem matou índios, mas não hesita em prejulgar inofensivos facebookeiros quando denuncia "ativistas que estariam incentivando a violência nas redes sociais".

O ministro não sabe, mas eu sei de onde partiu o tiro. Se ele quiser, posso testemunhar e dar os nomes aos bois e às vacas. O primeiro tiro foi disparado por um canhão em abril de 1.500 e de lá para cá, "nos últimos séculos", metralhadoras de repetição não cessaram de cuspir fogo, disparadas por bandeirantes ao longo de todo o período colonial, por bugreiros no Império e na República e agora pelo agronegócio ávido em abocanhar as terras indígenas.

O que ocorreu aqui foi "a maior catástrofe demográfica da história da humanidade", segundo demógrafos da Escola de Berkeley, que refinaram seus métodos de análise. Nunca uma região foi esvaziada tão violenta, drástica e rapidamente como o continente americano. Mas o processo não terminou no período colonial. Persiste ainda hoje. O colonialismo, como estrutura de dominação é historicamente datado, mas a colonialidade - para citar termo consagrado por Anibal Quijano - é mais profunda e duradoura. Continua entranhada na cabeça das pessoas, orientando comportamentos.

O que tem na cabeça de um ministro, de um juiz, de um jornalista, de um governador, de um policial, de um bispo e até de um fazendeiro, enfim, qual imagem têm do índio esses agentes que algumas vezes são obrigados a lidar com culturas dotadas de lógicas e de línguas tão diferentes? Que conhecimentos possuem eles sobre esses povos?

Bomba na maloca

Essas e outras perguntas foram respondidas pela jornalista e pesquisadora amazonense Verenilde Santos Pereira, que defendeu na última sexta-feira, 31 de maio, sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) sobre a cobertura jornalística no "massacre" da Expedição Calleri. Ela conhece os jornais por dentro, trabalhou como repórter em vários deles, inclusive no "Porantim", o jornal mensal do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Em sua pesquisa, a agora doutora Verenilde fuçou arquivos, recuperou as matérias jornalísticas publicadas por jornais de Manaus e outros de circulação nacional para analisá-las e refletir sobre a singularidade jornalística na cobertura feita sobre a Expedição Calleri. Seu objetivo era descobrir o que foi silenciado para a afirmação de tal singularidade.

Aprendemos, nas escolas de jornalismo, que na construção de uma narrativa é preciso sempre ouvir o "outro lado". Acontece que as matérias analisadas pela doutoranda foram compostas, paradoxalmente, com o silêncio dos índios, os principais protagonistas do episódio. A voz foi dada sempre só a um lado, especialmente às autoridades, que viam nos índios um obstáculo para a abertura da estrada Br-174.

Verenilde mostra como o então governador do Amazonas Danilo Areosa e o governador de Roraima Fernando Ramos Pereira concordaram, em repetidas declarações, que "uma minoria de índios não pode atravancar o progresso". Até o bispo Dom João de Souza Lima, na celebração dos rituais fúnebres dos mortos na Expedição Calleri, fez um sermão condenando os índios que"por serem ignorantes não compreenderam o gesto de amor do padre Calleri e trucidaram os membros da expedição". 

A fala contra os índios foi articulada até mesmo pelo presidente da Funai, na época o jornalista Queiroz Campos, que devia combater os preconceitos e contribuir para que a população brasileira conhecesse um pouco mais as culturas indígenas. Ele declarou à Folha de São Paulo que "os índios são altamente ferozes, perigosos e costumam estraçalhar e queimar vivos os inimigos vencidos".   

Diante desse coro afinado de vozes, quem aloprou foi o coronel Jorge Teixeira, que emprestou seu nome a logradouros públicos em Manaus, de onde foi prefeito nomeado, e em Rondônia, de onde foi governador. Na época, ele era comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e falando daquele lugar o nosso Eichmann caboco apresentou a solução final:

- "Nós poderíamos resolver tudo com algumas bombas jogadas sobre as malocas à noite".

A fala dos índios

A truculência e ignorância das autoridades, a subtração da informação, o emudecimento dos índios pela mídia levaram Verenilde a recuperar depoimentos e desenhos dos Waimiri-Atroari recolhidos por Egydio Schwade e Dorothy Muller, professores da Escola Waimiri, e pelo antropólogo Stephen Baines. Um artigo de Egydio publicado recentemente no Porantim relata o massacre dos índios na ditadura militar e registra o que foi subtraído do noticiário da mídia. A proposta do coronel Teixeirão foi acatada.

Os Kiña - autodenominação dos Waimiri-Atroari - realizaram em setembro de 1974 uma festa na aldeia Kramna Mudi, no baixo rio Alalaú. Por volta de meio dia, um avião se aproxima. O pessoal sai da maloca pra ver: as crianças se concentram no pátio central. O avião derramou um pó mortal e matou 33 índios, deixando apenas um único sobrevivente, que relatou o fato dando o nome de cada um dos 33 parentes mortos, que não tinham qualquer sinal de violência no corpo.

Depoimentos de vários índios, entre os quais Damxiri, Panaxi e Yaba narram os massacres sofridos pelos Waimiri-Atroari. Verenilde, que os valoriza, usa o quadro teórico de Hannah Arendt, para quem "todas as dores podem ser suportadas se forem postas em uma história ou quando se conta uma história sobre elas". Não se trata de mera descrição dos fatos, mas de um modo de pensá-los. Uma forma de estabelecer vínculo com o mundo é contar uma história dele, ai os fatos adquirem significado. É dessa forma que o pensamento narracional se afirma.  

A tese analisa o comportamento da mídia na cobertura sobre a Expedição Calleri, usando a noção de "banalidade do mal" formulada por Hannah Arendt a partir do julgamento de Adolf Eichmann, oficial da Gestapo que exterminou judeus. A banalidade do mal se apoia na incapacidade de se colocar na pele do outro e a partir daí tentar compreender o "ponto de vista" do outro. Tal incapacidade leva a uma excessiva superficialidade e à derrota do pensamento ao tentar narrar o outro. É o que acontece com a mídia. A imagem do índio criada pela mídia é fruto da banalidade do mal.

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P.S. - Verenilde Santos Pereira: Singularidade Jornalistica e violência: o "massacre" da Expedição Calleri. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade de Brasilia (UnB). 31 de maio de 2013. Banca: Dra.Rita Laura Segato (orientadora), Wenderson Flor, Sérgio Dayrell Porto, Luiz Martins e José R.Bessa.


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José Ribamar Bessa Freire: Doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). É professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de mestrado e doutorado, e professor da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Faculdade de Educação. Ministra cursos de formação de professores indígenas em diferentes regiões do Brasil, assessorando a produção de material didático. Assina coluna no Diário do Amazonas  e mantém o blog Taqui Pra Ti . Colabora com esta nosssa Agência Assaz Atroz.

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Leia também...

PEC 215 transfere decisão de demarcação de terras indígenas do executivo para o legislativo



(Clique na imagem para vê-la ampliada)

A forma como a imprensa vem tratando as demandas indígenas também é questionável, e de acordo com Neli de Mello-Thiery, estamos “baixando a guarda” em todos os assuntos das minorias brasileiras. “Aqui no Brasil ainda persiste a máxima de que há muita terra para pouco índio”. Fato que ilustra bem essa ideia mostrada por Neli é o caso do deputado Nilson Leitão (PSDB – MT), que admite ser um produtor rural e diz que há abuso nas demarcações, pois a presidente Dilma Rousseff disponibilizou 1,54 milhão de hectares para “apenas” 90 índios, referindo-se ao decreto de homologação da Terra Indígena Kayabi, nos municípios de Apiacás (MT) e Jacareacanga (PA).
O professor Ariovaldo explica que o elemento fundamental na demarcação de uma área indígena é a cultura. Assim, ao se demarcar uma área deve se levar em conta se no local há cipós para que os índios possam continuar produzindo seus artesanatos, além do que é preciso ter uma área para que eles possam realizar suas festas e rituais. Por esse motivo, as áreas demarcadas são grandes. Além disso, o geógrafo explica que os povos indígenas não respeitam as fronteiras físicas. “Muitos dos que moram na região de fronteiras tem parentes em outros lugares, como na Venezuela, e a atravessam para ir visitá-los. Isso deixa os militares loucos”.
A PEC 215 terá  de ser apreciada por uma comissão especial antes de ir à votação no plenário da Câmara dos Deputados, o que deverá ocorrer a partir do segundo semestre deste ano. “Não podemos esquecer que os indígenas estavam aqui antes da gente. Eles têm esse direito. Temos milhares de técnicas e investimentos necessários para fazer aumentar a produtividade, usando áreas que já tem, mas não é preciso, necessariamente, tirara as terras indígenas”, afirma Neli.


Leia reportagem completa clicando no título
ou aqui: DESACATO

Os índios clamam: Deixem nas mãos do Executivo!

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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sábado, 1 de junho de 2013

Copa 2014: Campanha para aterrorizar turistas

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Brasil x Brazil


“Capitalism isn’t working”, gritam milhões de europeus sobre a crise que arrasa a economia de meio mundo desde 2008. O destino da humanidade é algum formato de socialismo. Como e quando isso se dará é outra história.

E a história dá voltas. Se há um obstáculo que a impede de fluir na direção do equilíbrio social, repete o ciclo até conseguir. Leve o tempo que levar. É o caso das esquerdas sul-americanas. Golpes de estado, ditaduras, perseguição e assassinatos, censura, opressão… só adiaram a necessidade dos governos se voltarem para o resgate da cidadania de milhões.
Por que eu me preocupo com essas questões que nem atingem a mim, meus familiares e amigos? Por que eu luto para que milhões de pessoas que não conheço e jamais vou conhecer recebam algum tipo de vantagem por parte do governo? O que eu tenho a ver com o Zé que mora na favela e tem 5 filhos pra criar? Por que eu não vivo minha vida, cuidando de mim e dos meus, e que o resto que se dane?
Porque me incomoda demais que esses milhões de pessoas desconhecidas vivam na miséria. É questão de dignidade, amor próprio. É essa minha consciência, que não admite  que eu me conforme com a “sorte e destino alheios”. Poderia sair por aí distribuindo sopa pra morador de rua. Mas não sou Madre Tereza. Sei que a desigualdade social abismal em que vivemos tem origem e pode ser revertida na origem.
Nossa ditadura durou 21 anos e os governos militares foram um fracasso total. Endividaram o país, aprofundaram os abismos sociais, aparelharam a mídia em nome da Casa Grande e deixaram a senzala à sua própria sorte. E aqui estamos, novamente, correndo o risco de regredir, por conta da orquestração midiática aliada a grupos fascistóides que encrustaram-se nas fileiras do PSDB. O “plano” é desalojar o PT do poder a qualquer custo. Seja através do STF, seja através da desconstrução de todos os índices que gritam que o Brasil é um dos poucos países que melhor enfrentam a crise mundial.
Há que se admitir que depois de tantas lambanças do tipo “bolinha de papel”, os reaças se organizaram e mostram um teco de disciplina na conspiração atual. Enquanto a realidade mostra ao povo um país que tirou milhões da miséria absoluta, a ficção midiática mostra um país à beira de todo tipo de catástrofes.
Uma das frentes de ataque ao governo trabalhista do PT é a teoria segundo a qual, “trair e inflacionar, é só começar”. A mídia, instruída por alguma central golpista oculta, tenta resgatar e instalar a cultura da inflação para desestabilizar a economia – que é o pilar principal de sustentação do atual governo.
Outra vertente é a campanha “somos vira-latas sim, milorde, e nos desculpamos pela arrogância de querer sediar os maiores eventos esportivos do planeta”. Aí está a chave do futuro próximo: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. É curioso. O Brasil, eterna pátria dos melhores jogadores de futebol do planeta, é desqualificado por sua própria imprensa para realizar a competição. E quando algum jogador brasileiro se mostra acima da média, deve ser exportado o mais rápido possível. Somos vira-latas. Não merecemos que jogadores como Neymar insistam em permanecer no Brasil. Não merecemos, também, que o governo atual seja a marca da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Pior ainda: Deus nos livre de ganharmos essa Copa e de termos o melhor desempenho da história nos Jogos Olímpicos de 2016!
Não duvido nada que grupos similares ao CCC de 1968 estejam preparando “acidentes” para desmoralizar o país na Copa das Confederações. Não duvido nada de que esses grupos estejam por trás da boataria sobre o fim do Bolsa Família. A única dúvida que tenho é se eles terão sucesso em sua empreitada.


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Texto enviado a esta nossa Agência Assaz Atroz pelo autor, Roni Chira, a título de colaboração.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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