sábado, 22 de maio de 2010

A saudosa revista do Esporte Clube

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Urda Alice Klueger

Como leitora contumaz que sou, aprendi a duras penas não andar aí pelo mundo sem um bom estoque de livros na mala. Tudo começou quando fui passar um mês em Paris: aprendera a falar e a pensar em francês, num método muito interessante, mas não aprendi a ler. Até que decifrar um mapa do metrô eu conseguia – mas ler Emile Zola ou Marcel Proust no original, nem pensar. Era-me tão quase tão difícil quanto o chinês ler a boa língua de Clóvis e do Império Merovíngio. Só fui aprender, mesmo, a ler francês, já no terceiro milênio. E não tinha comigo nem mesmo uma revistinha – tudo o que havia na minha mala, no começo, era um caderno onde pretendia escrever um diário.

Então passei dias e dias freqüentando os inúmeros Sebos ao longo do Rio Sena e entrando em todas as livrarias, e perguntando:

- Vous avez quelque chose en Portugais?
- Non, madame! – era a resposta invariável.

Restava-me sentar em algum bistrô, toda murcha, e escrever o meu diário.

Um dia, lá estava a placa: “Temos livros em Português”! Entrei na livraria como um bólido, e um francês muito mal humorado mostrou-me os livros: eram dicionários e gramáticas. Não dava, né? E continuei a voltar para o hotel às dez da noite sem nada para ler, e era maio, e só anoitecia às onze da noite, e, incrivelmente, eu tinha que ir dormir sem nadica de nada para ler com pleno sol no céu. (Não pensem vocês que a famosa noite parisiense vai até tarde: mesmo os famosos cabarés como o Lido e o Moulin Rouge têm seus shows às nove da noite, não importa a hora em que anoiteça!)

Então, um dia, tinha que ir a um banco brasileiro que fica em La Défense, o quarteirão ultramoderno de Paris, lá onde fica o Arco do Triunfo dos 200 anos da Revolução Francesa. Tal banco tem filial em Blumenau, e o pessoal daqui mandara recados e encomendas para os amigos de lá.

Aguardei pelo gerente numa sala de espera onde havia nada mais nada menos que... uma revista do esporte clube daquele banco!

Atendeu-me o gerente, o Peirão, que me disse que o sobrenome da família tinha sido adulterado pelo tempo, que eles eram, mesmo, Perrone, e que seu avô era nascido em Tijucas/SC. Todo gentilezas, ele perguntou o que mais podia fazer por mim. Ai, meu coração tremia quando pedi cheia de timidez e emoção:

- Posso levar aquela revista que está aí na sala de espera?

Com a gentileza de todo aquele que tem um pé em Tijucas, é claro que ele me deu a revista. E eu fui para o hotel abraçando-a ao peito como quem abraça um tesouro.

E então, até o fim da viagem, a cada noite, eu lia um pedacinho da revista, bem devagarinho para ela durar mais. E o que lia?

Como aquele banco tem sede em São Paulo, lia coisas assim: “O Esporte Clube de Marília ganhou de 3 x 1 do Esporte Clube Guaratinguetá”. “O Esporte Clube Campinas trouxe a Xuxa até sua sede no dia da criança”. “O Esporte Clube de Sertãozinho promoveu uma churrascada para os seus sócios”.

Meu, como aquilo era bom! Tratava-se de uma revista velha, que eu não leria aqui no Brasil por nada, mas que naquelas alturas era o meu grande elo com este país do meu coração, algo que reafirmava as minhas raízes e me deixava cheinha de emoção! Noite após noite, enquanto a noite cheia de sol de Paris continuava lá fora, eu economizava a revista e lia só um pouquinho, e ela era uma ponte para eu poder voltar e estar um pouco no Brasil, onde auferia forças para o novo dia sem leitura.

Naquela ocasião, eu aprendi uma grande lição para sempre: não se sai da terra da gente sem levar junto boas coisas nossas para ler. Hoje, quando ando por aí pelo mundo, jamais esqueço de levar alguns bons livros. Talvez isto seja um alerta para quem ainda não começou a viajar. (Se bem que agora, com a Internet, as coisas mudaram um bocado!)

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Urda Alice Klueger é escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

ACORDO COM IRÃ FAZ EUA INTENSIFICAR CAMPANHA DE SERRA – OBAMA QUER BRASIL DE QUATRO

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Laerte Braga

Uma das decisões dos executivos da empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, sucessora da SPECTRE, pegos de surpresa com o acordo firmado entre o Brasil, o Irã e a Turquia, é a de intensificar a campanha eleitoral do candidato José Arruda Serra, um dos mais qualificados funcionários da empresa em nosso País.

Nesse sentido, já como pontapé inicial, no próximo final de semana o INSTITUTO DATA FOLHA deve divulgar pesquisa montada para contrapor-se a de outro Instituto o VOX POPULI, que coloca a candidata do presidente Lula, Dilma Roussef à frente do agente José Arruda Serra. Em seguida, o mesmo deve ser feito pelo antigo IBOPE, hoje GLOBOPE.

A pesquisa em si é só uma reação ao impacto da virada de Dilma e dos riscos que isso representa para os “negócios” da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Chantagem, terrorismo, extorsão e vingança.

A importância do Brasil que se limitava à América Latina, desde a posse do atual presidente Luís Inácio Lula da Silva expandiu-se e hoje o País exerce destacada liderança junto a nações independentes do bloco comandado por Washington. O acordo firmado pelo Brasil e a Turquia com o Irã foi a gota d’água para os executivos da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Por esse motivo empresas associadas e parte do grupo começaram a agir no Brasil onde detêm o controle da chamada grande mídia (GLOBO, VEJA, ÉPOCA, FOLHA DE SÃO PAULO, RBS e veículos regionais) e essa ação será ampliada em várias frentes. Desmoralizar e desqualificar a candidata Dilma Roussef. Aumentar os níveis de tensão artificialmente no campo, visando assustar a população das chamadas cidades grandes e de porte médio, notadamente a classe média. Cobrar via chantagens a posição de políticos e empresários brasileiros subordinados aos interesses da grande empresa – grande irmão se preferirem.

Provocar pronunciamentos de chefes militares comandados a partir de Washington com os velhos receituários de perigo comunista, terrorismo, etc., a mentira repetida à exaustão até parecer verdade (como no caso das armas químicas e biológicas para justificar o assalto ao Iraque), todo o arsenal, que, costumeira e historicamente tem sido usado pela EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A para alcançar seus objetivos básicos.

No caso específico, o Brasil de quatro e o ministro das Relações Exteriores sem sapatos – como aconteceu no governo de FHC –, os memorandos emitidos em Washington rigorosamente cumpridos e dane-se o resto, vale dizer, o povo brasileiro.

A idéia de paz transformada em realidade possível no acordo Brasil, Irã e Turquia, era só uma jogada de Washington, para chegar às sanções contra o Irã e ao final à guerra, um dos principais “negócios” do complexo de organizações criminosas que detêm o controle acionário da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

O presidente Lula disse hoje a jornalistas que não fez outra coisa a não ser o que o Conselho de Segurança da ONU desejava e outros não conseguiram – “levar o Irã à mesa de negociações” –. E foi mais além:

“TEM GENTE QUE NÃO SABE FAZER POLÍTICA SE NÃO TIVER INIMIGO E EU FAÇO POLÍTICA FAZENDO AMIGOS”


Temerosos que o Brasil persista em sua postura independente, não se submetendo ao controle de Washington, a empresa Chlopak, Leonard, Schecther y Associados (CLSA), com sede na capital norte-americana, foi acionada pelos principais executivos da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A para assumir a campanha de José Arruda Serra. Obama supunha que Lula seria vítima da armadilha que o Departamento de Estado colocou diante do brasileiro. Obter um acordo com o Irã.

Como Lula conseguiu, e esse acordo era a última coisa que os EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A queriam, a saída é desqualificar o acordo, arrostar falta de confiança no Irã e em todo esse processo acionar os veículos de comunicação no Brasil sob controle da empresa para buscar eleger José Arruda Serra de qualquer forma.

A empresa é braço da CIA – AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA DOS EUA – e teve atuação recente no golpe de Honduras. Todo o noticiário dirigido a jornais, rádios, tevês e revistas favoráveis ao golpe que derrubou o presidente constitucional do país Manuel Zelaya era produzido pela CLSA e distribuído, entre outros, para GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, etc.

Seu papel é exatamente esse. Passando-se por uma agência de relações públicas atua em países latino-americanos criando fatos, distorcendo realidades, gerando versões, assessorando políticos cooptados (caso de José Arruda Serra, dos braços PSDB, PPS, DEM e outros) e o principal fator, ou um dos principais, criar o temor de ditadura militar através de generais e oficiais superiores das três forças subordinados a EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, no caso do Brasil, a maioria da oficialidade, tal e qual em 1964.

Por trás da rejeição de Obama ao acordo e da proposta de sanções contra o Irã, dois aspectos saltam aos olhos de imediato. O primeiro deles o fato da empresa sucessora do SPECTRE (terrorismo, chantagem, vingança e extorsão), ter deixado de ser o eixo uma negociação de suma importância, levando-se e conta que o plano básico implica nas sanções e em uma seguida ação militar contra o Irã. O acordo frustra esse objetivo e pela primeira vez nos últimos anos tira um dos mais importantes acionistas da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A do centro dos acontecimentos.

Segundo, coloca o Brasil em posição de negociador privilegiado no mundo de hoje e abre perspectivas para que a liderança regional do País (América Latina) venha a se transformar, com a eventual eleição de Dilma, num bloco econômico capaz de contrapor-se às duas maiores forças atuais. A EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A e a COMUNIDADE EUROPÉIA, ampliando essa força regional dando-lhe, como agora na obtenção do acordo com o Irã, peso mundial.

É literalmente jogar o Brasil para escanteio. E não foram outras as razões que fizeram o funcionário da empresa e candidato presidencial José Arruda Serra a fazer pesadas declarações contra o MERCOSUL em visita a Porto Alegre. Países que têm estreitas relações com os integrantes do MERCOSUL, caso de Espanha e Portugal, já manifestaram seu repúdio às posições de Arruda Serra.

O embate que se trava na ONU em torno de sanções contra o Irã em seguida ao acordo firmado pelo Brasil, Turquia e o próprio Irã, se estende ao Brasil e, nesse contexto, domar um País que ganha força de potência mundial é fundamental para a EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. José Arruda Serra, como foi FHC, é o homem deles.

Aos brasileiros vai caber decidir se preferem continuar como tal, ou se caem de quatro e passam a grafar o nome do país com Z – BRAZIL –. Da mesma forma que o Irã, o Iraque, somos detentores de grandes reservas de petróleo. A fome do império terrorista de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não tem limites. E nem escrúpulos.

E muito menos os que servem a ele.

Uma das operações costumeiras da empresa destacada para viabilizar a campanha eleitoral de José Arruda Serra é o tráfico de urânio através dos barões da droga. O fato foi denunciado pelo jornal norte-americano THE WASHINGTON POST, isso em 2006.

O slogan “nós podemos mais” repete o de Obama, “Yes, we cant” – sim, nós podemos” – e foi montado pelos vários departamentos da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, dentre eles a empresa CLSA.

O que está em jogo é muito mais que o tratado obtido pelo presidente Lula e pelo primeiro-ministro turco. O que está em jogo é o Brasil.

Somos uma nação soberana e independente, ou somos um apêndice da EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

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Laerte Braga é jornalista. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

HERR EINSTEIN NO BRASIL

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Urariano Mota

Como a luz de uma estrela que vemos agora, assim nos atinge a visita de Einstein ao Brasil, em maio de 1925.

Na chegada do gênio ao porto do Rio de Janeiro, só não lhe tocaram Cidade Maravilhosa porque a canção ainda não existia. Mas as fotos mostram o cientista em um mar de curiosos, como se fosse um astro de cinema. Se tivesse tempo para refletir, certamente diria o que certa vez se disse Borges, ao ser cumprimentado por muitas pessoas nas ruas de Buenos Aires: “eles acenam para um homem que pensam que sou eu”.

Mal chegou ao Hotel Glória, saiu para visitar o Presidente da República e dar três conferências, no Clube de Engenharia, na Escola Politécnica e na Academia Brasileira de Ciências, sempre cercado de doutores, mas nenhum físico, inexistente no Brasil daquele tempo. Os doutores eram médicos, advogados, políticos, militares, embaixadores e alguns engenheiros. Todos muito bem situados, ricos ou de prestígio. Eram os doutores clássicos do Brasil: donos de uma posição social, e que por isso mereciam o tratamento honroso, como o Doutor Roberto Marinho. O resultado foi o que se viu.

Na primeira palestra, no Clube de Engenharia, o salão ficou completa e absolutamente lotado. Políticos, graduados oficiais das três forças armadas, altos funcionários, engenheiros, esposas e filhinhos, todos muito unidos na mais absoluta ignorância do que vinha a ser aquele indivíduo estranho e suas idéias malucas. Com a vantagem, que os deixava ainda mais unidos, de não entenderem uma só palavra da língua alemã. Ou até mesmo de outra língua, diga-se, que não fosse o português falado na intimidade de suas casas. O que importava era ver o homem famoso em ação.

A isso anotou Einstein em seu diário: “Às 4 horas, primeira conferência no Clube de Engenharia, numa sala superlotada, com ruído da rua, as janelas abertas. Não tinha nenhuma acústica para que me entendessem. Pouco científico”

No dia seguinte, ele foi à Academia Brasileira de Ciências. Ali foi homenageado em uma sessão que se anunciou como a maior já feita para o maior cientista de todos os tempos. Se alguma dúvida ele possuía que estivesse no Brasil, os acadêmicos trataram de tirá-la, porque o fizeram ouvir longos, vazios e verbosos discursos.

Então chegou a vez do homenageado, a estrela maior que viera de outra galáxia. Pelo andar da carruagem, todos esperavam que o homenageado fizesse um discurso mais alto e vibrante que os precedentes, porque tais sessões sempre atingem um ápice, um paroxismo. Que Einstein babasse, ou mesmo caísse em um ataque fulminante, seria normal. Mas o cientista mais uma vez decepcionou. Em mau francês passou a falar, baixinho, sobre a situação da natureza da luz em 1925. Os acadêmicos se entreolhavam, frustrados, mas sorriam a seus pares, todos muito sábios e senhores das equações de Max Planck. Mais uma vez, a plateia composta de políticos, jornalistas e doutores aplaudiu.

Eis que chega o melhor dia, a terceira palestra. Acreditem, porque nada é mais rico que a própria realidade. Um dos físicos presentes foi o jurista Pontes de Miranda. Sim, o jurista, que a falar em alemão desafiou Einstein, para maior fascínio dos pares:

– Data venia, Herr Einstein, a Teoria da Relatividade não considerou as implicações metafísicas das hipóteses que aventa. Das ciências físicas até as ciências jurídicas a diferença, saiba, é de grau. A Física mantém um pacto com o mundo da sociedade também, e é pacto que tira e põe, mas não deixa intacto o que estava...

O cientista sorria e mantinha silêncio. Quando acabou o discurso do jurista, a contestação à Teoria da Relatividade naquele tribunal, o físico se levantou, e como a se despedir entregou a um dos acadêmicos um papel onde se lia:

"Die Frage, die meinen Kopf entsprang, hat Brasilien sonniger Himmel beantwortet” (“A questão, que minha mente formulou, foi respondida pelo radiante céu do Brasil.”)

Era uma referência ao eclipse do Sol, observado em Sobral, no nordeste brasileiro, que em 1919 comprovara a previsão do cientista quanto à deflexão da luz pelo campo gravitacional do Sol. Pontes de Miranda pensou que Einstein escrevera a frase pra ele. Pois radiante era o céu lá fora, e o Rio de Janeiro continuava lindo.
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Urariano Mota, escritor e jornalista, autor de “Soledad no Recife” (Boitempo – 2009) seu último romance, indicado como um possível livro do ano pelo conceituado site Nova Cultura, elaborado e administrado na Alemanha, com os destaques literários da CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa. É colunista do site Direto da Redação, edita o blog SAPOTI DE JAPARANDUBA

Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz


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BBC: DUMPING E CONCORRÊNCIA DESLEAL

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Rui Martins*

A grande imprensa brasileira se beneficia com a prática do dumping e concorrência desleal da BBC Brasil.

Berna (Suiça) - É uma questão de raciocínio simples. Vejam bem, a grande imprensa brasileira é contra o estatismo, e mais ainda no ramo da mídia. Basta se lembrar dos protestos pela criação da TV Brasil.

Porém, isso não impede que usem e abusem do material de imprensa, áudio e escrito, de uma empresa estatal estrangeira, se podem economizar com isso. Não, não se trata da Agência Nova China, nem do serviço brasileiro do Pravda russo. Nossos amigos da CBN, do Estadão, da Folha online e outros mais, adoram os informativos, reportagens, notícias, entrevistas do Foreign Office londrino.

E é verdade, a qualidade do material informativo que nos é enviado pelos ingleses é bem superior à média da mídia brasileira, além de serem noticiários postados com rapidez, já traduzidos e geralmente na frente das agências France Presse ou EFE.

Vocês, ardorosos utilizadores, já perceberam que estou falando da BBC Brasil. A favor da BBC (a da velha ilha inglesa, como dizia o disquinho Subdesenvolvido do Centro de Cultura Popular, da época das Reformas de Base e de Jango-Brizola) existe aquela figura antológica dos noticiários da Segunda Guerra Mundial, o Iberê da BBC. E, embora não ouvisse, por já viver fora do Brasil, os noticiários não censurados do tempo da nossa ditadura militar.

Já houve quem quisesse fechar a BBC, única coisa que restou do império da rainha Vitória, no qual o Sol nunca se deitava. Hoje existe o Commonwealth, mas já não é a mesma coisa. Se não me engano foi Margareth Tatcher que impôs um regime na BBC, mas pode ter sido um primeiro-ministro anterior. Em suma, o Sol continua não se pondo no imperial reinado da BBC.

E todos os anos, o Parlamento inglês renova o orçamento da maior cadeia de mídia estatal do mundo, maior que a Voz da América e já nem se fala mais da Rádio Moscou, que começava suas transmissões não com a Internacional mas com o hino soviético.

E por que será que, durante 24 horas por dia, speakers, redatores se revezam para fornecer em áudio ou nos portais de idiomas diferentes as últimas notícias? Será pelo amor dos nossos filhinhos? Claro que não, faz parte da manutenção do prestígio da marca inglesa em todo o mundo, como foi importante na luta do chamado Mundo Livre contra a Cortina de Ferro. É informação, mas tem política e propaganda no meio.

Tudo bem, há países ricos com menor ambição, cujas transmissões se destinam principalmente aos seus emigrantes, para não perderem o contato, a cultura com seu país de origem, como parece ser o caso da isolada Suíça, que, depois de acabar com seu serviço de ondas-curtas, pensa agora em fechar a versão Internet, o Swissinfo.

Mas o que há de errado na BBC? – já deve estar perguntando um indignado ouvinte das reportagens rebroadcastingadas pela CBN, Eldorado ou outras tantas, espalhadas pelo Brasil – . Um sucesso muito maior do obtido pelos americanos que, logo depois da Guerra, em plena guerra-fria, distribuíam, junto com o leite em pó, os comentários de Al Netto (deve ser com certeza com dois tês).

Acho que foi, em 2000, que pedi ao Benê da CBN, depois de um de meus boletins, que entidade reunia, em termos de categoria profissional, os jornalistas. E ele, sempre bem informado, me disse: “A Fenaj”. E por que cargas d´água esse meu interesse? Porque foi por ali que começou a se criar a atual Rede BBC Brasil e porque comecei a me preocupar pelos jovens jornalistas que iriam nos suceder, a mim e meus colegas correspondentes, nessa ingrata mas maravilhosa profissão.

Era o começo do rebroadcasting, ou seja, uma rádio fabrica no seu estúdio um áudio e manda de graça, ali na bandeja, para rádios locais utilizarem. A idéia do rebroadcasting era, no princípio, bem samaritana: levar programas de rádio instrutivos e educativos às pequenas comunidades. E, antes da revolução da Internet, fazia-se isso com fitas gravadas (que as rádios acabavam usando para gravar outros programas), elepês ou cassetes, ou a rádio beneficiada com os programas gravava o som transmitido por ondas-curtas ou recebia por telefone.

O rebroadcasting samaritano não tem nada de mal, e pode até ser equiparado aos esforços de uma Unicef para levar a cultura e orientação sanitária aos pequenos povoados e vilarejos. Atualmente, há muito rebroadcasting para a África, onde numerosos países vivem ainda na miséria. Porém, algumas rádios mais sensatas preferem juntar ao rebroadcasting a formação de jornalistas locais em cursos no próprio país ou no exterior, para não serem chamadas de neocolonialistas.

Onde é que o rebroadcasting é ruim? Quando o material da rádio estrangeira, preparado no nosso idioma, não se destina à Rádio de Catacoquinho ou de Judas Perdeu as Botas, mas para as rádios comerciais, para os portais diversos de grande frequência e com bastante publicidade.

Se uma rádio estrangeira, financiada pelo dinheiro público do seu país, portanto uma potência com a qual não se pode competir, começa a fornecer seu material áudio e mesmo escrito para rádios comerciais e para jornais brasileiros de grande tiragem, cria-se uma situação estranha.

Américo Martins, comentando em 2002 o fornecimento de material da sua BBC para a CBN, falava na criação de uma parceria, ou troca de informações. Só que não se vê no portal da BBC o material brasileiro fornecido pela CBN, mesmo porque é a BBC quem tem a maior e melhor rede de informação.

Trata-se, portanto, de uma parceria unilateral, que satisfaz a BBC por lhe dar grande visibilidade junto ao público brasileiro. Nada a ver com a época em que os jornalistas e radialistas do serviço brasileiro de ondas-curtas da BBC, com encontro marcado no dial e com hora certa, sentiam-se como se falassem apenas aos seus familiares. Uma época da qual, Ivan Lessa, o decano desse enorme polvo da informação, deve se lembrar.

A descoberta do rebroadcasting conjugado com o contrato jurídico da parceria permitiram o fornecimento de material jornalístico gratuito, sem causar desconfianças. Entretanto, o sucesso dessa fórmula mostrou a ocorrência de dois vícios de procedimento em termos de mercado e de trabalho – o dumping e a concorrência desleal.

O dumping é o fornecimento de um produto ou serviço por preço abaixo do normal ou abaixo do custo, gerando a concorrência desleal, pois o concorrente não tem condições para competir. Dumping por empresa estrangeira é o fornecimento de um produto ou serviço por preço sem concorrência.

No caso da BBC, as parcerias incluem empresas comerciais de mídia (nada samaritanas) com a tevê Bandeirantes; rádios CBN e Rádio Globo (não vi Eldorado na lista mas era uma antiga parceira) e numerosos portais e serviços Internet como Folha online, Globo online, Terra, UOL, Estadão online, Correio Braziliense online, Paraná online.

Embora empresas representativas da grande mídia brasileira, seus diretores não se acanham com essas parcerias. Mariza Tavares explica, numa entrevista ao Observatório da Imprensa que, por economia, deixou de ter correspondente na Europa e optou pela parceria com a BBC.

E aí está o problema – o dumping e a concorrência desleal da BBC matam no ovo a possibilidade dos nossos jovens estudantes de jornalismo serem correspondentes de jornais, revistas e rádios brasileiros. Além disso, mesmo se o material fornecido é considerado bom, ocorre uma padronização por não se favorecer mais a diversidade informativa. Ainda nos anos 90, as revistas, jornais e rádios brasileiros tinham correspondentes, hoje pode haver um ou outro, mas não fixos com salário mensal, e sim frilas, ganhando por matéria. Aos jovens jornalistas só resta a possibilidade de uma carreira no Exterior, se trabalharem para a BBC e, provavelmente, como frilas.

Aqui entra a Fenaj, Federação Nacional de Jornalistas. A prática de dumping e concorrência desleal no comércio mundial pode ser denunciada, em Genebra, na OMC, desde que apresentada por um órgão da categoria e isso também inclui os sindicatos estaduais de jornalistas. A Fenaj parece disposta a topar essa parada e se houver sindicatos solidários, é só enviar o contato. Queixa de categoria profissional pode também ser apresentada, contra dumping e concorrência desleal, junto à Organização Internacional do Trabalho.

Além disso, o Brasil começa a se tornar uma grande potência e está na hora de ter um jornalismo realmente nacional e independente. Já bastam os estragos causados pela Time-Life na nossa imprensa escrita.

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Nota Assaz Atroz: Ivan Lessa, jornalista brasileiro, cronista da BBC, é autor desta frase generalizante: “O brasileiro tem os dois pés no chão, e as duas mãos também”.

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Para Rui Martins, o governo brasileiro deveria criar uma nova política de emigração a exemplo de Portugal, França, Itália e mesmo México e Equador.

Leia mais em...


http://www.francophones-de-berne.ch/




http://www.estadodoemigrante.org/

*Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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terça-feira, 18 de maio de 2010

PAREM A GLOBO, QUE O MUNDO QUER DESCER!

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Raul Longo

Quando os Ocidentais mais pessimistas começavam a comemorar o acordo de Paz conquistado pelo Presidente Lula junto ao Irã, William Waack nem que tussa e a Cristiane Pelágio com a mão no bolso chamaram não-sei-quem professor de não-sei-o-quê da USP para compor o eixo que anunciou ao mundo: LULA DECLAROU A 3ª GUERRA MUNDIAL!

O triunvirato provou por a + b que o acordo sugerido pela ONU no ano passado e posto em prática no tratado entre Brasil– Irã–Turquia é igual ( = ) à aritmética do economista José Serra. Não há prova dos 9 que dê jeito, e nem criancinha acredita, mas o perigo é real.

E agora? Ora e agora? E agora que, conforme anunciou a tríplice aliança, o Palácio do Planalto ouvirá as trombetas do apocalipse naquela cornetinha dos filmes de Rin Tin Tin, e a cavalaria americana jogará todos os megatons e nêutrons destinados a Teerã, Cabul, Bagdá e Gaza; sobre nossos escalpos.

A tríplice aliança já avisou: Rio de Janeiro e São Paulo serão as novas Hiroxima e Nagasaki. Tão pensando o quê? Que o desmoronamento de São Luís do Paraitinga foi imprevidência e irresponsabilidade do governo tucano! Que o buraco do metrô em Pinheiros e a Ponte que Partiu no Rodoanel foram desastres de obras públicas mal contratadas e administradas. É que ‘cês não viram o Obama sanguinolento que o Lula acaba de despertar!

Aquilo é pior do que Arthur Virgílio e ACMinho juntos, com o Bolsonaro e o Hildebrando Paschoal de quebra!

E com o duo global e o insigne professor de alguma coisa, o que vai acontecer? Assim como Lot e os seus, serão resgatados desta Sodoma e Gomorra. Sem olhar para trás, vão direto para a Califórnia, o paraíso do Tio Sam todo poderoso, onde atuarão como Três Porquinhos lá na Disneylândia, sob a prescrição do ex-ministro da saúde: “É só não respirar perto do narizinho deles”.

Pelágio com a mão no bolso bem quis revindicar o Muppets Show, arrogando-se semelhanças físicas com Miss Piggy, mas o pessoal da produção é duro e incoercível: o papel continua reservado a sua colega Mirian, embora os inúmeros esforços plásticos ainda não tenham resultado outro efeito além de uma rusga com José Serra que não aceita ameaças nem questionamentos à vaga que concorre para chefe da Casa dos Monstros, mas sem o humor da Família Adams porque, afinal, tucanos não estão aqui pra brincadeira. São gente séria! (perguntem pras criancinhas da aula de aritmética!)

Enfim, já tá todo mundo avisado: o Day After vem aí! Lula apertou o botão vermelho e nós nusfu! Palavra da Globo! E palavra da Globo vocês sabem como é. O próprio Ali Kamel já explicou: na primeira vez pode não dar certo, na segunda também não, nem na terceira ou quinta. Mas lá pela milionésima quadringentésima oitava vez pode ser batata! Ainda mais dessa vez, que tem o aval do notável professor de qualquer troço lá da USP!

Será de aritmética?

Confira:


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*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, 2886 Floripa/SC. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz



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Vantagens de Serra ampliam-se e ameaçam os adversários

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Na Folha, time vence de zero a um

A Folha Online acaba de produzir uma proeza. Vejam este título: Para tucano, diminuição de vantagem de Serra em maio era previsível. Como as duas pesquisas que saíram – Vox e Sensus – colocaram Dilma, pela primeira vez, em vantagem, fui ver se o líder do PSDB, Jutahy Magalhães, o tucano ouvido na matéria, tinha dito esta sandice, chamando desvantagem de “diminuição da vantagem”. Justiça seja feita, não há nada semelhante nas declarações entre aspas do deputado. Ao contrário.


Ele diz que o resultado reflete a exposição do PT que começou com o pronunciamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o 1º de Maio e terminou com a propaganda partidária exibida quinta-feira passada. “Foram 15 dias de um jogo de futebol no qual um time, que é o PT, tinha direito de fazer até gol de mão, enquanto o adversário, que é o PSDB, não pode nem entrar em campo”.


É a opinião dele, embora em matéria de rigor “do juiz” todo mundo esteja vendo quem tem ido apelar para o árbitro.


O paradoxo de dizer que “diminuiu a vantagem” para descrever uma desvantagem é de autoria da Folha. Aproveitando a metáfora futebolística do deputado, quem sabe, agora, com essa “técnica de redação”, o site da Folha comece a escrever assim, no noticiário de esportes, que “O Palmeiras vai vencendo de zero a um o Corínthians”.

Perderam o senso do ridículo.

Tijolaço.com

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

O CATADOR DE LARANJAS

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Rui Martins*

Um simples ato de solidariedade, vivido pelo colunista na volta das compras, lhe faz sorrir e acreditar no futuro da humanidade.

Berna (Suiça) - Era sábado e como precisava comprar algo especial para o aniversário de minha caçula fui ao supermercado do centro de Berna. Lá, aproveitei uma oferta de laranjas, já que, com o hábito de um suco natural toda manhã, o consumo dessa fruta é constante em casa.

Comprei logo uma sacola de três quilos e como o carro tinha ficado longe (graças aos ecologistas não há mais estacionamentos no centro da cidade) vim com minhas compras pela rua principal, as duas mãos ocupadas com as provisões. Mesmo assim, no caminho ainda inventei de passar numa loja para satisfazer o pedido da outra filha, que se queixara da falta de tinta preta na impressora.

Ao descer as escadas da loja de produtos eletrônicos, onde fui atendido por uma emigrante portuguesa, senti que a sacola das laranjas dava sinais de poder arrebentar. O jeito era andar sem balançar as frutas, mas não me preocupei, mais duzentos metros e chegaria ao carro.

Prosseguia satisfeito meu caminho, tinha comigo um belo pedaço de salmão, um pouco de camarões e o jantar de aniversário prometia ser dos melhores. Apenas meus dedos pareciam se cortar com a alça fina dos sacos plásticos com o peixe, as batatas, o pão e mais algumas coisas das quais já não me lembro, porém pesadas. E a sacola com os três quilos de laranja, ameaçando estourar.

Diante da estação, o semáforo vermelho me fez parar. Aproveitei para enrolar as alças finas dos sacos plásticos com lenço de papel e assim evitar a sensação de me cortarem os dedos. Abriu o sinal, apressei o passo e ali, no meio da rua, larga e movimentada, aconteceu o previsível, mas, mesmo assim, inesperado – estourou o saco das laranjas e em alguns segundos corriam laranjas para todos os lados.

Resmunguei um palavrão e só consegui pegar três laranjas. Tinha de continuar andando porque o sinal ia mudar, porém vi que outras pessoas também se abaixavam para pegar as frutas. Lá se foi minha economia, pensei, dos três quilos não teria nem meio quilo.

Mas ao chegar à calçada vi que havia algumas pessoas me esperando com laranjas nas mãos. Abri o saco meio vazio onde estava um pão ainda meio-quente e diversas mãos ali despejaram minhas frutas que haviam tentado fugir e escapar ao destino de todas laranjas – virar suco, ser chupada ou comida em gomos.

Enquanto dizia « merci, merci », palavra francesa bem conhecida, para agradecer, olhei para trás na rua – não havia nenhuma destinada ao esmagamento pelos carros que começam a passar. Os três quilos cítricos estavam de novo comigo.

Essa coisa tão simples me encheu de uma grande alegria e pensei comigo, isso tem um nome – solidariedade. Se no meio da rua, com sinal que vai mudar, desconhecidos me ajudar a catar as laranjas despencadas de uma sacola rompida, sem que eu sequer pedisse, é porque existem entre nós, humanos, atos instintivos de solidariedade. E se existem no mínimo, devem também haver nas coisas maiores.

Foi como se naquela tarde nublada de sábado, no corre-corre do comércio que vai fechar, houvesse uma réstia de sol, rápida, só para dizer no fundo, no fundo, todos nós egoístas, apressados, estressados, depressivos, tantas vezes desesperançados, somos ou podemos ser solidários. E me veio uma tremenda fé no futuro da nossa humanidade.

Um bom humor, um sopro de alegria que não se estancou nem quando, ao chegar ao meu carro, num dos raros estacionamentos – o dos Correios – vi a multa por ter passado do curto espaço de tempo ali permitido. Com certeza para colocar cartas, não para fazer compras.
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Para Rui Martins, o governo brasileiro deveria criar uma nova política de emigração a exemplo de Portugal, França, Itália e mesmo México e Equador.

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*Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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