terça-feira, 17 de novembro de 2009

Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos

A liberdade de uma democracia não é segura se o povo tolera o crescimento de poder privado ao ponto de tornar-se mais forte que o próprio Estado democrático. Isto, em essência, é fascismo – o apossamento do governo por uma pessoa, por um grupo, ou qualquer poder privado de controle. (Franklin Delano Roosevelt)

Texto recebido por e-mail da Rede Castorphoto

Caros

Depois de ter iniciado o desenvolvimento de um artigo que viesse a esclarecer a todos a importancia do pano de fundo do Caso Battisti, que foi a Operação Gladio no ocidente a partir da Segunda Guerra Mundial, encontrei o trabalho já feito, o que apenas me deu o trabalho de traduzi-lo à noite até ha pouco. Poderia adicionar alguns outros detalhes importantes mas o tempo nos é exíguo para que chegue às mãos dos Ministros do Supremo e às suas para que repassem de imediato a fim de fazermos uso dessa matéria importantissima.

Infelizmente os e-mails dos Ministros Gilmar Mendes (o principal) Ayres Britto, Cesar Peluso e Ricardo Lewandowski me foram passados errado. Se puderem chegar às suas mãos ficariamos muito gratos.

Abraços

Marcos Rebello
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Excelentíssimos Ministros

Já há algum tempo venho participando de debates sobre esse tema, particularmente depois que o pedido de extradição de Cesare battisti pela Itália foi submetido ao Supremo Tribunal de Justiça da nação brasileira.

Acabo de traduzir esse ensaio fartamente documentado (não só por jornais) que trata o mais suscintamente sobre a base daquilo que viemos a conhecer na realidade como a guerra fria no ocidente perpetrada por agentes do próprio estabelecimento politico e de inteligencia ocidentais contra as nossas sociedades.

Este é, portanto, o pano de fundo contra o qual V. Exs. estão julgando o Caso Battisti.

Conclui-se que pela extradição de Cesare Battisti a Itália em vez de darmos início à resolução das atrocidades cometidas pelos serviços de inteligencia ocidentais operando particularmente na Itália e no Brasil durante a decada de 70 em seu auge, estaremos falhando inequivocamente em darmos um claro sinal a esses agentes de que essas práticas não mais serão toleradas em nossos paises por serem hediondas e monstruosas transgresões aos Direitos Humanos.

É por mantermos a dignidade humana e a soberania nacional, no que concerne os nossos Direitos Humanos, que Vossas Excelências têm a obrigação de impor e preservá-los pela simples e clara interpretação do espírito das leis no julgamento desse pedido de extradição que não procede. Porque não é um homem que está sendo julgado, mas todo um sistema de terror a que todo o mundo ocidental tem sido vítima como pretexto de, por controle estatal repressivo e violento, submeter centenas de milhões de seres humanos.

Como sabemos, por já termos conhecimento de causa, não há como Cesare Battisti ser julgado imparcialmente na Itália. Ele seria mais um bode expiatório no processo de encobrir aqueles que mantém o mesmo esquema politico-institucional.

Atenciosamente

Marcos Rebello


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Operação Gladio: Rede da CIA dos “deixados-atrás” do exército e serviços de informação secretos

O “sacrifício” de Aldo Moro

por Andrew G. Marshall

Pela OTAN, trabalhando com várias agências de inteligência européias, a CIA construiu uma rede dos que foram deixados atrás “dos serviços secretos” responsáveis por dúzias de atrocidades terroristas através de Europa ocidental por décadas. Este relatório estará focado no exército deixado atrás na Italia, porque é o mais documentado. O nome de código era Operação Gladio, a “espada”.

Uma vista geral

A finalidade das tropas “deixadas atrás”


No inicio dos anos 50, os Estados Unidos começaram a treinar redes dos “deixados atrás” dos voluntários na Europa ocidental, de modo que no caso de uma invasão soviética, “recolhessem a inteligência, abrissem vias de fuga e formassem movimentos de resistência.” A CIA financiou e educou estes grupos, trabalhando mais tarde com unidades de inteligência militar européias ocidentais sob a coordenação de um comitê da OTAN. Em 1990, os investigadores italianos e belgas começaram pesquisar as ligações entre estes “deixados atrás dos exércitos” e a ocorrência do terrorismo na Europa ocidental por um período de 20 anos. [1]

“Exércitos secretos” ou grupos terroristas?

Estes que “permaneceram atrás” dos exércitos conspiraram, financiaram e frequentemente dirigiram organizações terroristas durante toda a Europa no que foi denominado uma “estratégia de tensão” com o alvo de impedir uma ascensão da esquerda na política européia ocidental. Os “exércitos secretos” da OTAN conduziram atividades subversivas e criminais em diversos países. Na Turquia em 1960, o deixados-atrás do exército, trabalhando com o exército turco, encenou golpes de estado e matou o primeiro ministro Adnan Menderes; na Argélia em 1961, o deixados-atrás do exército francês encenou um golpe com a CIA contra o governo francês de Argel, que eventualmente malogrou; em 1967, o exército grego deixado-atrás encenou um golpe e impôs uma ditadura militar; em 1971 na Turquia, após um golpe militar, o deixados-atrás do exército organizou “o terror doméstico” e matou centenas; em 1977 na Espanha, o deixados-atrás do exército realizou um massacre em Madrid; em 1980 na Turquia, o lider do deixados-atrás do exército encenou um golpe e tomou o poder; em 1985 em Bélgica, o deixados-atrás assassinou aleatoriamente pessoas nos supermercados, matando 28; na Suiça em 1990, o anterior líder do deixados-atrás escreveu ao departamento de defesa dos E.U. que revelaria “toda a verdade” e foi encontrado morto no dia seguinte com sua própria baioneta; e em 1995, a Inglaterra revelou que o MI6 e o SAS ajudaram na instalação dos deixados-atrás dos exércitos através de toda a Europa ocidental. [2]

O nascimento da operação Gladio

Uma “estratégia de tensão”

Em 1990, o primeiro ministro italiano confirmou que os “deixados-atrás” do exército, denominado “Gladio” (espada), existiu desde 1958, com a aprovação do governo italiano. No princípio dos anos 70, o apoio comunista na Italia começou a crescer, de maneira que o governo mudou para uma “estratégia da tensão” usando a rede do Gladio. Em 1972 durante uma reunião extremamente secreta do Gladio, um oficial sugeriu que se fizesse “um ataque preventivo” nos comunistas. Como o jornal britanico The Guardian reportou, as ligações entre o Gladio na Italia, todos os três serviços secretos italianos e a ala italiana da Loja Maçonica P2 eram muito bem documentados, porque o chefe de cada unidade da inteligência eram membros da Loja P2. [3]

Preparando a rede

Em 1949, a CIA ajudou a instalação da unidade de inteligência secreta italiana das forças armadas, nomeada SIFAR, provida com parte do pessoal de antigos membros da polícia secreta de Mussolini. Mais tarde o nome mudou para SID. Na final da Segunda Guerra Mundial , um antigo colaborador nazista, Licio Gelli, estava prestes a ser executado por suas atividades durante a guerra, mas negociou pela vida juntando-se ao corpo de contra-informação do exército dos EUA. Nos anos 50, Gelli foi recrutado pela SIFAR. Gelli era tambem um dos líderes da Loja Maçonica P2 na Italia e, em 1969, desenvolveu laços intimos com o general Alexander Haig, que era então assistente do Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger. Através desta rede, Gelli transformou-se no principal intermediário entre a CIA e o Geral De Lorenzo, chefe da SID. [4]

Gladio cria a “tensão”

A Gladio foi envolvida nos silenciosos golpes de estado da Italia, quando o general Giovanni de Lorenzo forçou os ministros socialistas italianos a deixar o governo. [5] Em 12 de dezembro de 1969, uma bomba explode no banco agrário nacional, matando 17 pessoas e ferindo outras 88. Nessa mesma tarde, mais três bombas explodem em Roma e em Milão. A inteligência dos E.U. era informada com antecedencia sobre os atentados, mas não informava as autoridades italianas. [6] Em 2000, um antigo General do Serviço Secreto Italiano afirmou que a CIA “deu sua tácita aprovação a uma série de atentados à bomba na Italia nos anos 60 e nos anos 70.” [7] Estabeleceu-se que os atentados tinham ligações a dois neo-fascistas e a um agente do SID. [8]

Em depoimento em tribunal durante julgamento de quatro homens acusados da participação em atentados à bomba em bancos durante 1969 em Milão, o general Gianadelio Maletti, anterior líder da contra-informação militar de 1971 a 1975, indicou que sua unidade descobriu evidência de que os explosivos foram fornecidos pela Alemanha a um grupo terrorista italiano de direita, e que a inteligência dos E.U. pode ter ajudado na transferência dos explosivos. Foi dito que ele declarou que a CIA, “seguindo as diretrizes orientadoras de seu governo, quis criar um nacionalismo italiano capaz de sustar o que foi considerado como uma guinada à esquerda e, com esta finalidade, pode ter sido empregado terrorismo de direita,” e que, “eu acredito isso foi o que tambem aconteceu em outros países. ” [9]

O Relatório

O governo italiano liberou um relatório de 300 páginas em operações da Gladio na Italia em 2000, documentando conexões com os Estados Unidos. Declararam que os E.U. eram responsáveis por inspirar uma “estratégia da tensão.” No examinar o porque aqueles que cometeram os atentados à bomba na Italia foram raramente apreendidos, o relatório disse, “aqueles massacres, aquelas bombas, aquelas ações militares tinham sido organizadas ou promovidas ou apoiadas por homens dentro das instituições italianas do estado e, como foi descoberto, pelos homens ligados às estruturas da inteligência dos Estados Unidos. ” [10]

As Brigadas Vermelhas

As Brigadas Vermelhas eram uma organização italiana de esquerda terrorista formada em 1970. Em 1974, os fundadores das Brigadas Vermelhas Renato Curcio e Alberto Franceschini foram apreendidos. Alberto Franceschini acusou mais tarde um membro superior das Brigadas Vermelhas, Mario Moretti, de delatá-los, e que ambos Moretti e um outro membro principal das Brigadas Vermelas, Giovanni Senzani, eram espiões para os serviços secretos italiano e dos E.U. [11] Moretti subiu no poder das Brigadas Vermelhas em conseqüência da apreensão dos dois fundadores.

As Brigadas Vermelhas e a CIA

As Brigadas Bermelhas trabalharam em comum acordo com escola de línguas Hyperion em Paris, fundada por Corrado Simioni, por Duccio Berio e por Mario Moretti. Corrado Simoni havia trabalhado para o CIA na Radio Free Europe, Duccio Berio havia fornecido à SID italiana informações de grupos esquerdistas, e Mario Moretti, àparte de ser acusado pelos fundadores das Brigadas Vermelhas como sendo um agente da inteligência, igualmente aconteceu ser o arquiteto e o assassino do primeiro ministro italiano anterior, Aldo Moro. Em relatório polícial italiano a escola de línguas Hyperion foi referida como “o escritório mais importante da CIA na Europa. ” [12]

O assassinato de Aldo Moro

Moro faz inimigos poderosos


Aldo Moro, que serviu como Primeiro Ministro da Italia de 1963 até 1968 e mais tarde, de 1973 até 1976, foi sequestrado e assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 1978, quando ainda um político proeminente no partido Democrata-Cristão. Quando foi sequestrado, Moro estava em trajeto ao Parlamento para votar na inauguração de um novo governo, que ele proprio negociou, pela primeira vez desde 1947, para ser apoiado pelo Partido Comunista Italiano (PCI). A política de Moro de trabalhar de comum acordo e de trazer os comunistas ao governo foi delatada pela URSS e pelos Estados Unidos.

A ameaça de Kissinger

Moro foi mantido sequestrado por 55 dias antes de seu assassinato. O raciocínio era para que o seu plano trouxesse o partido comunista ao governo. Quatro anos antes de sua morte, em 1974, Moro estava em uma visita como Primeiro Ministro Italiano aos Estados Unidos. En sua visita encontrou-se com o Secretário de Estado dos E.U. Henry Kissinger que disse: Moro, “você deve abandonar a sua política de trazer todas as forças políticas em seu país nessa colaboração direta… ou você pagará caro por ela. ” [13]

Moro “foi sacrificado”

Steve Pieczenik, um antigo negociador de refens do Departamento de Estado e entendido gerente em crises internacionais, “afirmou que teve um papel crítico no destino de Aldo Moro.

Pieczenik disse que Moro “tinha sido sacrificado” para “a estabilidade” da Italia. Ele tinha sido enviado a Italia pelo presidente Jimmy Carter no dia do sequestro de Moro para ser parte de um comitê sobre a crise, da qual disse: “foi criada repentinamente pelo temor de que Moro revelasse segredos de estado na tentativa de se livrar.” A ação tomada pelo comitê foi a de vazar um memorando dizendo que Moro estava inoperante, e atribuir o memorando às Brigadas Vermelhas. A finalidade dessa operação era “preparar o público italiano para o pior e deixar as Brigadas Vermelhas saberem que o estado não negociaria por Moro, considerado-lhe já morto.” [14] Em um documentário no assunto, Pieczenik indica que, “A decisão foi feita na quarta semana do sequestro, quando as cartas de Moro se tornaram desesperadas e que ele estava a ponto de revelar segredos de estado,” e isso, “era uma decisão extremamente difícil, mas a pessoa que a fez no final foi o Ministro do Interior Francesco Cossiga, e, aparentemente, também o Primeiro Ministro Giulio Andreotti. ” [15]

As cartas de Moro

Entre as cartas liberadas de Moro, que as escrevia quando no cativeiro, indica que temia que uma organização secreta, com “outros serviços secretos do ocidente… pudesse estar implicada na desestabilização de nosso país.” [16] Durante sua interrogação quando no cativeiro, Moro ainda se referiu à “atividades da anti-guerrilha da OTAN.” Entretanto, as Brigadas Vermelhas não usaram esta informação, [17] talvez porque, de acordo com os fundadores das Brigadas Vermelhas, o líder da organização durante o sequestro de Moro, Mario Moretti, estava trabalhando para os serviços italiano ou de inteligência dos E.U. [18]

Jornalista independente morto pelo presidente?

Imediatamente depois da morte de Moro, o journalista italiano, Mino Pecorelli, um homem com “excelentes contatos no serviço secreto,” exprimiu sua suspeita em um artigo em 1978 no qual a morte de Moro estava ligada a Gladio, fato que não foi oficialmente reconhecido até 1990. Um ano após a morte de Moro, Pecorelli foi baleado em Roma. Disse que o sequestro de Moro foi orquestrado “por uma superpotência lúcida.” Em 2002, o sete-vezes Primeiro Ministro anterior, Giulio Andreotti, foi condenado por ter “ordenado” o assassinato de Pecorelli. [19] Pecorelli estava prestes a publicar um livro “contendo críticas prejudiciais ao [Primeiro Ministro Giulio] Andreotti pelo assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro. ” [20]

O atentado em Bolonha

Na manhã do 2 de agosto de 1980, a Italia experimentou seu pior ataque terrorista da historia na estação de trem de Bolonha, que matou 85 pessoas, e feriu mais de 200 outras. Foi feita uma longa e complicada investigação e, eventualmente, deu-se início a um julgamento. Em 1988, quatro terroristas de direita foram sentenciados à vida na prisão. Outros dois réus foram condenados por difamação à investigação, “Francesco Pazienza, um antigo financeiro ligado a diversos casos criminosos na Italia, e Licio Gelli, antigo grão-mestre da notória Loja Maçonica P2. ” [21] Este é o mesmo Licio Gelli que passou a ser um intermediário entre a CIA e a liderança da inteligência italiana para a rede da Gladio. Entretanto, mais tarde Gelli foi absolvido dos crimes.

Notas

[1] Bruce W. Nelan, Europe Nato's Secret Armies. Time Magazine: November 26, 1990:
http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,971772,00.html

2] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[3] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[4] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[5] PHP, Secret Warfare: Operation Gladio and NATO's Stay-Behind Armies. ISN:
http://translate.google.ca/translate?hl=en&sl=de&u=http://www.ethz.ch/&sa=X&oi=translate&resnum=1&ct=result&prev=/search%3Fq%3DETH%26hl%3Den%26sa%3DG

[6] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[7] CBC, CIA knew, but didn't stop bombings in Italy - report. CBC News: August 5, 2000:
http://www.cbc.ca/world/story/2000/08/05/cia000805.html

[8] Peter Dale Scott, The Road to 9/11: Wealth, Empire, and the Future of America. University of California Press, 2007: page 181

[9] Philip Willan, Terrorists 'helped by CIA' to stop rise of left in Italy. The Guardian: March 26, 2001:
http://www.guardian.co.uk/world/2001/mar/26/terrorism

[10] Philip Willan, US 'supported anti-left terror in Italy'. The Guardian: June 24, 2000:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/us.terrorism_graun_24jun2000.html

[11] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[12 - 13] Arthur E. Rowse, GLADIO: THE SECRET U.S. WAR TO SUBVERT ITALIAN DEMOCRACY. Covert Action Quarterly: December 1994

[14] Malcolm Moore, US envoy admits role in Aldo Moro killing. The Telegraph: March 16, 2008:
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/1581425/US-envoy-admits-role-in-Aldo-Moro-killing.html

[15] Saviona Mane, A murder still fresh. Haaretz: May 9, 2008:
http://www.haaretz.com/hasen/spages/981929.html

[16] Ed Vulliamy, Secret agents, freemasons, fascists... and a top-level campaign of political 'destabilisation'. The Guardian: December 5, 1990:
http://www.cambridgeclarion.org/press_cuttings/vinciguerra.p2.etc_graun_5dec1990.html

[17] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[18] Philip Willan, Infiltrators blamed for murder of Italian PM. The Guardian: April 10, 1999:
http://www.guardian.co.uk/Archive/Article/0,4273,3852325,00.html

[19] Philip Willan, Moro's ghost haunts political life. The Guardian: May 9, 2003:
http://www.guardian.co.uk/print/0,,4665179-105806,00.html

[20] BBC News, Giulio Andreotti: Mr Italy. BBC: October 23, 1999:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/483295.stm

[21] AP, Four Get Life in Prison In Bombing in Bologna. The New York Times: July 12, 1988:
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=940DE0D61131F931A25754C0A96E948260


Andrew G. Marshall contribuiu para romper o consenso das alterações climáticas em um celebrado artigo em 2006 intitulado “Aquecimento Global Uma Mentira Conveniente”, em que desafiou os resultados que são a base do documentário de Al Gore. De acordo com Marshall, “assim que os povos começarem indicar que “o debate acabou”, tomem cuidado, porque a base fundamental de todas as ciências é que o debate nunca termina”. Andrew Marshall igualmente escreveu sobre a militarização da África Central, sobre questões de segurança nacional e sobre o processo de integração de America do Norte. É igualmente um contribuinte para o GeopoliticalMonitor.com para Centre for Research on Globalization (CRG) em Montreal e está estudando ciência política e história na Simon Fraser University, British Columbia.

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PressAA

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A vida só tem sentido quando vivida com dignidade

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“O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, disse que Lula pode sofrer processo de impeachment caso se recuse a entregar Battisti à Itália: ‘Por que o presidente da República cumpre uma decisão? Não é porque será eventualmente afastado do cargo se não vier a cumpri-la. Porque respeita a Constituição. Sabemos que as condições políticas para seu afastamento são extremamente difíceis. Precisaria haver um processo instalado pelo procurador-geral da República e uma aprovação por dois terços da Câmara dos Deputados.’ A declaração, feita na sessão, provocou estranhamento entre ministros.” (www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091114/not_imp466328,0.php)

Fernando Soares Campos

O primeiro grande golpe contra o governo Lula, pelo menos o golpe aberto ao conhecimento da Nação, ocorreu em meados de 2005, com o chamado escândalo de “mensalão”. Hoje falam que, naquela ocasião, o golpe do impeachment não se consumou porque o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria preferido fazer o presidente Lula “sangrar”, ou seja, Lula teria sido poupado, naquele momento, apenas para que FHC tivesse oportunidade de extravasar seu sádico instinto, ou desfrutasse do seu doentio prazer de vingança.

Mas... vingança contra o quê?

Vingança contra a ousadia de um “analfabeto”, um “jeca”, um “baiano”, um “peão”, que se aproveitou de um momento de descuido das elites abastadas e não cumpriu o ritual dos miseráveis que se arriscam em “aventuras” políticas.

Mas a verdade é outra. FHC et caterva amarelaram, botaram o rabo entre as pernas e mudaram de plano. Essa história de “deixar sangrar” é balela.

Como assim, “ritual dos miseráveis que se arriscam em ‘aventuras’ políticas?” Amarelaram por quê?

Gente da laia de FHC acredita que indivíduos da classe trabalhadora devem fazer política como os militares das classes subalternas fazem suas carreiras.

Nas Forças Armadas, o indivíduo que iniciar carreira pelas classes subalternas não têm o direito de alcançar postos de comando nem de chegar aos mais altos postos da hierarquia militar.

Se um brasileiro for admitido em qualquer das corporações das Forças Armadas como recruta ou sargento, está ele destinado a alcançar, no máximo, o coronelato. Raríssimos chegam aí. A grande maioria encerra a carreira como sargento, alguns como suboficial. E de nada adianta estudar para se tornar um general, almirante ou brigadeiro. A não ser que o subalterno dê baixa ainda muito jovem, preste exames para uma das academias militares, seja aprovado e inicie nova carreira militar (o que ficou para trás conta apenas como tempo de serviço para efeitos de aposentadoria/reforma).

Mas o que isso tem a ver com política?

Sujeitos da laia de FHC estão acostumados a lidar com gente não apenas subordinada, mas submissa, que faz o jogo político consciente de estar fazendo o papel de rato para o gato, de empregado para o patrão, de serviçal para o senhor de suas vontades. São indivíduos conscientes de que se elegeriam, no máximo, para cargos legislativos nos âmbitos municipal, estadual, ou, com muita sorte, para uma das casas do Congresso.

O jogo sempre foi esse, até que ocorreu a ascensão de candidatos do Partido dos Trabalhadores a importantes prefeituras de capitais e cidades de grande porte. O PT cresceu, ganhou inicialmente aquilo que precisava para chegar à Presidência da República e a governanças estaduais: o apoio da classe média; em seguida vieram os trabalhadores da base da pirâmide social.

Se fôssemos teorizar aqui sobre as razões que fizeram Lula chegar à Presidência da República, teríamos que nos estender em laudas e mais laudas, portanto vamos saltar as teorias a esse respeito e firmar os pés apenas aqui e agora, com Lula já no segundo mandato.

Mas, em resumo: Collor foi eleito para que se evitasse Lula; Lula, por sua vez, conseguiu chegar à Presidência porque, entre outros fatores, precisavam evitar a ascensão de Brizola.

Quando Collor foi eleito, no dia da eleição, reconhecida sua vitória, eu mesmo disse em casa: “Os que colocaram ele lá são os mesmos que vão derrubá-lo”. As cartas estavam marcadas e os trapaceiros sabiam usá-las.

Caixa dois, compra de voto, fraude em eleições, nada disso é novidade para aqueles que usam essas armas para se eleger; mas são suficientes para se evocar um falso moralismo capaz de derrubar quem quer que ouse cruzar seus caminhos. Tiram Collor do Planalto como quem diz: “Vá pra casa, garoto, você já brincou bastante de presidente”.

Pensaram que poderiam reeditar o teatro armado contra Collor. Acreditaram que poderiam usar o argumento do caixa dois contra o PT e o governo Lula (coisa utilizada por todos os políticos deste país, até porque a legislação, de certa forma, obriga a isso). Quebraram a cara.

O PT fez caixa dois como qualquer partido já fez, faz e fará. E, por isso mesmo, os golpistas estavam tranquilos. Mandaram o Roberto Jefferson espalhar que o caixa dois petista era “mensalão”, compra de voto de parlamentares para aprovar projetos do governo Lula. O pau-mandado-rabo-preso cumpriu sua parte e saiu de cena, até sacrificou seu próprio mandato.

Deflagraram o escândalo. Até comemoraram: “Trinta anos sem essa raça para atrapalhar nossos planos de venda do que restou depois de FHC”.

Prepararam o impeachment.

Mas aí o bicho pegou!

Como assim?!

Sentiram que Lula não era Collor. Com Lula o buraco era mais embaixo. Lula tinha o apoio do povo, apoio de gente disposta a defender o governo até as últimas consequências.

Como assim?!

Pessoas Dispostas a derramar seu próprio sangue por uma causa.

Como assim?!

Ora, disposição para matar ou morrer em defesa dos seus direitos.

Como assim?!

Como em Honduras! Como em Cuba! Como na Venezuela! Como na Bolívia! Como no Brasil nos tempos da “redentora”! Como as Farc na Colômbia! Como no Vietnam! Como na China! Como na Revolução Francesa! Como na Nicarágua sandinista! Como no Chile, no Uruguai, na Argentina, na Palestina, no Iraque, na Coreia, na Rússia, em Angola... Enfim, como se derrama sangue em qualquer parte do mundo.

Cesare Batistti condenado à extradição, Lula pode entregá-lo ou não ao governo italiano. Ele é o presidente, e a ele cabe a decisão.

Se entregar, respeito. Mas me afasto de qualquer apoio a um governo desses, que entraria para a História como Getúlio entregando Olga Benário aos nazistas. E um erro desses é muito mais grave que qualquer caixa dois eleitoral.

Se não entregar e, por isso, sofrer o golpe do impeachment, pode contar com o meu sangue.

Se Lula sofrer o golpe do impeachment, tenho certeza de que, neste país, não surgirão "Cesares Battistis", pois o italiano jura que não matou ninguém. E eu acredito.

Surgirão no Brasil pessoas como eu, por exemplo, pegando em armas; matando ou morrendo. Pois, pra mim, a vida só tem sentido se for vivida com dignidade.

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PressAA

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domingo, 15 de novembro de 2009

Por que a Polícia Federal praticamente parou? Parou por quê?!

Fernando Soares Campos

Por que as operações da Polícia Federal emperraram?

Por que delegados da Polícia Federal considerados operantes, competentes, combativos, foram afastados dos cargos e até ameaçados de serem expulsos da corporação?

Não pretendo responder a essas perguntas, pois, ao ler a nota do Castor Filho (responsável pela Rede Castorphoto) e a republicação de artigo de minha autoria (“Quando buchas de canhão são promovidas a generais”), creio que, da leitura desses textos, o leitor pode tirar suas próprias conclusões.

Antes, porém, reproduzo aqui trecho de outro artigo meu, a fim de reavivar alguns episódios desbotados nas paredes da memória de muita gente:

“No período de 12 a 20 de maio de 2006, cerca de 400 pessoas foram assassinadas no Estado de São Paulo, vítimas do mais sangrento ataque atribuído à facção criminosa conhecida como PCC (Primeiro Comando da Capital), cuja liderança mais expressiva é o presidiário Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, condenado por assalto a banco. Quer dizer, é apenas um assaltante que assaltava colegas. Depois dessa primeira grande onda de ataques, outras se sucederam. Chegaram a ocorrer 54 rebeliões simultâneas em unidades prisionais do Estado de São Paulo, vários presídios foram depredados. Nas ruas os ataques atingiram principalmente a frota de ônibus da capital paulista, dezenas de coletivos foram queimados, agências bancárias sofreram danos em suas fachadas causados por bombas e tiros de armas de grosso calibre. Policiais foram assassinados em emboscadas. Tudo debitado na conta do PCC. (escrevi isso em agosto de 2006, e foi publicado no diário espanhol La Insígnia,” http://www.lainsignia.org/2006/agosto/ibe_045.htm)

Agora circula internet adentro artigo intitulado “Eles ajudaram a destruir o Rio”, por Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, através do qual o autor nos faz lembrar que “Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.”

Até aí, morreu Neves. A questão é que o autor quer imputar a culpa pela guerra do narcotráfico e suas desastrosas consequências a esse fato: a contribuição dada pelos cheiradores de cocaína fumadores de maconha da classe média, a "ajuda" da classe média (na verdade, o autor tenta passar a idéia de principal culpado pelo “sucesso” das organizações criminosas que abastecem de drogas e armas as bocas do narcotráfico no Rio).

E vai além, ele conclui: “E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. [Grifo Assaz Atroz]. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacueras, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa-lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.”

No artigo de Sylvio Guedes, nenhuma frase ou simples palavra apontando os verdadeiros responsáveis pela catástrofe que se abateu sobre os cariocas e se disseminou por toda a Nação, em função do tráfico de entorpecentes e dos armamentos bélicos colocados nas mãos dos rastaqueras e pés-de-chinelo que ele aponta; nada contra os verdadeiros comandantes do crime organizado, nada contra generais, secretários de segurança pública, empresário bandidos, instituições bancárias que lavam o dinheiro do narcotráfico, governos mafiosos, milionários traficantes de armas e drogas (a imprensa só mostra os varejistas, pequenas buchas que são plantadas nas fronteiras, indicadas aos policias rodoviários, que fazem a abordagem, prendem e exibem na TV). O camarada ainda tem o desplante de chamar os buchas das favelas de "barões", "senhores de um império". Putz!

Os pés-de-chinelo não “...cortam cabeças de quem ousa-lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade”. Eles cortam cabeças de seus pares do submundo do crime nas comunidades faveladas. E, quando abatem alguma figura um pouco mais afastada desse ambiente, não ficam impunes. Observe as invasões dos morros e favelas cariocas pelas forças policiais. Ali são abatidas dezenas de pessoas, bandidos e trabalhadores. Ocorrem verdadeiros massacres.

Com as ações da Polícia Federal, a gente já estava começando a ver outro tipo de incursão policial. Bem distante dos morros e favelas. Acontecia nos condomínios e escritórios luxuosos. Mas essas ações foram estancadas, emperraram, foram abortadas.

O governo Lula pode executar centenas de obras. Pode realizar centenas de programas sociais. Mas o que me fazia admirar era ele estar conseguindo implementar um programa de combate à corrupção e ao tráfico de drogas. Isso era o que eu mais admirava. Sempre disse isso, que a obra mais difícil de ser implementada pelo governo Lula seria o combate à corrupção. Estava eu realmente deslumbrado com o que via: banqueiros, políticos de alta influência, sonegadores de bilhões de reais, tudo indo pra cadeia. Assisti ao desbaratamento de quadrilhas de funcionários instaladas nas repartições públicas; mandados de busca e apreensão em importantes escritórios de advocacia, algemas nos punhos de gente graúda...

De repente, não mais que de repente, tudo isso parou. Os passageiros de camburão da polícia voltaram a ser os bandidos pés-de-chinelo. Aliás, hoje está ocorrendo coisa bem mais grave, nem a passeio de camburão eles têm direito. São mandados diretamente para o cemitério. Massacre mesmo! E ainda sobra pra quem não tem nada com o peixe.

Por que não revelam o número exato de mortos nessas investidas da polícia nos morros e favelas cariocas? Nas ações da polícia depois da derrubada do helicóptero (quem derrubou? Alguém aí é capaz de responder?), falaram em cerca de 50 mortos (até citaram “algumas” vítimas inocentes). Mas tudo fica apenas no gogó dos repórteres e autoridades. Nada de expor cadáveres e familiares. Cadê a tal imprensa investigativa? Não, nesses casos a imprensa “confia” nos números fornecidos. Mas você pode multiplicar por 5 tudo que disserem a respeito do número de mortos nessas invasões militares às favelas. Uma parte vai para o IML, outra vai adubar as matas, a Floresta da Tijuca. Muitos não têm parentes nem aderentes, são almas penadas no mundo, que não contam com uma só voz que os defenda. Mesmo porque fica difícil defender indivíduos que foram transformados em feras, “monstros”.

Alguém aí já assistiu a um verdadeiro confronto da polícia com os traficantes dos morros do Rio?

Bom, eu já assisti àquele caso em que dois infelizes correm e são abatidos de um helicóptero, abatidos como animais num safári. O resto é apresentado da seguinte forma: os repórteres enquadram o morro e gravam o som do pipocar das armas. Tudo parece confronto; mas nem sempre o é! Em muitos casos é simples massacre. E o telespectador fica impressionado, acreditando que tudo aquilo é confronto. Raros são os verdadeiros confrontos. E só correm quando os infelizes deixados como buchas não têm para onde correr. A maior parte dos que morrem já havia arriado as armas, levantado as mão, ou se ajoelhado, deitado no chão, para serem executados. Isso sem contar os que voltavam do trabalho e foram alvejados simplesmente pela “aparência” ou por um gesto de autodefesa (correr, por exemplo).

Durante 5 anos conversei com cerca de 3.000 adolescentes que trabalhavam para o tráfico de drogas. As histórias que eles me contaram e as confissões que fazeram indicam o medo que eles têm da polícia. Nas entrevistas que dão a alguns repórteres, costumam arrotar valentia. Mas aquilo é só nas entrevistas. Eles confiam mesmo é no poder de corrupção. Eles costumam tranquilizar a população favelada e os consumidores que se arriscam a subir o morro, dizendo: "Tá tudo manero, nóis já fizemo o acerto da semana com os home".

E o aditor encerra seu artigo afirmando:

“Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é digamos assim, tolerado. Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: 'Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro.'
Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.' ",
Sylvio Guedes, Jornal de Brasília.

Pelo que me consta (ou devo estar muito atrasado em relação à ascensão da classe média), são raros os artistas que usam esses tipos de automóveis (minoria), raríssimos são os intelectuais que desfilam neles. Isso aí são carros de chefes de redação, gente conivente com o crime organizado.

Agora vamos aos comentários do Castor:

Prezados amigos

Este artigo do Sylvio Guedes
[“Eles ajudaram a destruir o Rio”] é o típico artigo "jornalístico" que, como diz fartamente a Caia, é típico do jornalismo que desgraça o Brasil 2009 e periga continuar a desgraçar ainda por muitos e muitos anos.

Conclamar a "crasse mérdia" e seus representantes a se auto-inflingir pena de colocar adesivo na traseira de seu automóvel é a típica "coisa-de-viado"(não confundir com homossexual).

Será que do alto da sua sapiência o SG não sabe que os traficantes não estão nos morros nem nas favelas? Traficantes estão na ZONA SUL - Ipanema/Leblon/Jarim Botânico/Gávea de preferência. Excluo propositalmente Leme/Copacabana/Botafogo/Flamengo/Laranjeiras, pois são bairros de "crasse mérdia" um pouco mais baixa e pouco dignas dos verdadeiros TRAFICANTES.

Aqueles que REALMENTE ganham com o tráfico são os ATACADISTAS, estes sim, os verdadeiros BARÕES das drogas. Essa gente nem passa perto dos morros ou favelas. Qualquer ameaça de construção de favela nas proximidades de suas residências é logo dissuadida por diligente ação policial. Outras coisa, a POLÍCIA e a JUSTIÇA sabem quem são esses BARÕES. Tão bem como sabem quem são os donos do JOGO-DO-BICHO. Só que NÃO INTERESSA acabar nem com o TRÁFICO, nem com o BICHO. A polícia e a justiça, além da POLÍTICA cariocas (não estou excluindo o resto Brasil, estou apenas me fixando no RJ) vivem deles, principalmente. Não há exceções.

A ÚNICA saída "legal/institucional" e mais a "mão", para o que está acontecendo é CRIMINALIZAR A POBREZA. Esta é a tradicional desculpa para "livrar-a-cara" destas corrompidas instituições. POBRE é sinônimo de bandido.

Os "passadores" de drogas nos morros e favelas são pequenos varejistas. Na maioria dos casos a "governança" dos morros e favelas tem apenas subsidiariamente a ver com tráfico de drogas. Tem muito mais a ver com LUTA PELO PODER. Pura e simplesmente o DOMÍNIO POLÍTICO e ECONÔMICO do morro ou da favela. Muito mais importância que as drogas tem o controle das "biroscas"(comércio varejista nos morros e favelas), da entrada e saída de materiais de construção, além de uma infinidade de "pedágios" que cada morador tem que pagar ou "contribuir para o bem estar da comunidade". Este é o verdadeiro objetivo do DONO DO MORRO ou FAVELA.

Aí ficam os "jornalistas" tipo Sérgio Guedes escrevendo viadagens e "se achando o máximo"... Aconselhando a "crasse mérdia" a botar plastiquinho auto-flagelante nos seus "bólidos" meia-boca...

Abraço
Castor

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E aqui está a reprodução de artigo de minha autoria, escrito e publicado há quase três anos e que hoje pode ser encontrado em diversos sites e blogs, basta colocar o título em pesquisa do Google:

Quando buchas de canhão são promovidas a generais



Fernando Soares Campos

Marcola, PCC e "grupo de chefões de Bangu" são apenas a mão grande e suja das SSP’s, PM’s, políticos safados, imprensa sem-vergonha e outros cretinos. Servem ainda para alimentar a inconsciência da classe média idiotizada, que, à falta dos antigos bandidos românticos, teorizam sobre a rebeldia dos injustiçados, ao mesmo tempo em que faz o seu papel de vítima.

Saulo de Castro (SP) e Álvaro Lins (RJ) são muito mais perigosos que qualquer Beira-Mar ou Marcola.

"Essa barbaridade que aconteceu no Rio de Janeiro, não pode ser tratada como crime comum. Isso é terrorismo e tem que ser tratado com política forte e mão forte do Estado brasileiro. Aí já extrapolou o banditismo convencional que nós já conhecíamos, quando um grupo de chefes de dentro da cadeia consegue dar ordem para fazer uma barbaridade daquelas, matando inocentes. Foi uma prática terrorista das mais violentas que eu tenho visto neste país, e tem que ser combatida ." — presidente Lula, em discurso de improviso, em 1° de janeiro de 2007, dia da posse do seu segundo mandato.

Creio que, quando o presidente Lula falou de "terrorismo", ele não visou apenas os sujeitos que entram nos ônibus e os incendeiam, matando inocentes vítimas dessa guerra covarde, na qual os cabos são apresentados como generais. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência sabe que, aqui no nosso país, as chamadas "organizações criminosas" (ou "crime organizado") que a população consegue enxergar não passam de bodes expiatórios de uma elite criminosa que está muito além dos "grupos de chefes encarcerados".

Nenhum desses grupos ou indivíduos isoladamente eleitos pela mídia como "poderosos chefões", como se representassem o extremo, o máximo, a cúpula, entre os detentores do poder criminoso... pois bem, nenhum deles teria como agir se não contasse com a anuência do poder maior, aquele que não aparece; aliás, às vezes alguns de seus representantes aparecem "protestando" contra a violência, em muitos casos angariando votos, reclamando demagogicamente contra o degradante estado de violência que eles mesmos criaram e até "se comprometendo" em combatê-la. A população está pagando caro pela cretinice do crime politicamente organizado nos gabinetes, comandado por sujeitos insatisfeitos com as ações do NOVO Departamento de Polícia Federal, da nova estrutura de combate à sonegação de impostos, ao contrabando, ao tráfico de drogas, às práticas de corrupção nas instituições públicas.

Recentemente, com a Operação Tingüí, deflagrada no dia 15 de dezembro passado, a Polícia Federal desbaratou um esquema de policias do Estado do Rio de Janeiro envolvidos com o crime organizado. Mais de 70 policiais foram presos de uma só vez, o que, segundo o comandante-geral da Polícia Militar, foi a maior prisão de policiais na história da PMRJ. Concomitantemente, deflagrou-se a Operação Gladiador, resultado de investigações que duraram sete meses e acabaram por desmantelar um esquema de quadrilhas de caça-níqueis que agiam em diversos estados. Neste caso, escutas telefônicas revelaram que Álvaro Lins, eleito deputado estadual (RJ) e ex-chefe de polícia dos governos Garotinho/Rosinha, está envolvido até a medula com a máfia dos bingos eletrônicos. Os grampos mostraram o ex-chefe de polícia agradecendo a um dos cabeças do bando: "Estou ligando para agradecer aí a ajuda, a torcida, todo o trabalho de vocês. Continuamos juntos, vamos em frente que tem muito trabalho ainda". Álvaro Lins foi eleito com mais de 100 mil votos. Resta saber se, de ex-chefe de polícia, ele passa a representante do crime organizado na Assembléia Legislativa.

O que vem ocorrendo no Estado do Rio de Janeiro é terrorismo sim! Mas não parte dos idiotas que são usados para fazer o trabalho sujo. Muito menos se origina dentro das penitenciárias, como estão tentando fazer a população acreditar.

Não foram os que estão nas penitenciárias que ordenaram a chacina da Candelária, de Vigário Geral, da Baixada e tantas outras. Também não se pode afirmar que os executantes são os principais ou únicos responsáveis, não se pode dizer que agiram por conta própria. Nenhum desses grupos tem autonomia para realizar tamanhas barbaridades. Claro que eles se acham os donos da cocada preta, mas não é qualquer chefete do tráfico de drogas que sabe de onde partem as ordens; os verdadeiros cretinos se protegem, e os buchas são queimados; a população entra com o sangue derramado.

O presidente Lula disse: " Aí já extrapolou o banditismo convencional que nós já conhecíamos, quando um grupo de chefes de dentro da cadeia consegue dar ordem para fazer uma barbaridade daquelas, matando inocentes".

Como eles "conseguem"?!

Esse "grupo de grupo de chefes dentro da cadeia" está para o Rio, assim como PCC e Marcola estão para São Paulo.

Em depoimento à CPI do Tráfico de Armas, Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, a facção paulista a serviço do verdadeiro crime politicamente organizado, declarou:

"Fui criado por determinadas pessoas, agindo de má-fé para ter um bode expiatório. E cada vez que as coisas dessem errado e eles não soubessem como controlar e a quem punir, tinha lá o Marcola".

E ainda completou:

"É muito fácil ter um cara igual a mim. Se eu fosse político, eu ia arrumar um Marcola também. Se eu fosse um governador, ter um Marcola, não é bom, não? A segurança pública tá um caos, a culpa é do Marcola!". (*)

A quem as autoridades responsáveis pela segurança pública e a imprensa serviçal querem tratar como "burro": a população em geral, ou "um grupo de chefes de dentro da cadeia"?

A imprensa e as autoridades sabem que os chefes do tráfico não são burros, portanto sabem muito bem que eles não dariam ordem para aterrorizar a população da maneira como supostamente esses grupos estariam fazendo. Nunca deram, nem no Rio nem em São Paulo. As ordens dos chefes de grupo sempre foram em relação a intrigas internas, ou às rebeliões nos presídios (estas sempre negociadas com os politiqueiros pendurados nas secretarias de segurança, às vezes até ordenadas por estes).

Lembremo-nos de um dos mais famosos chefes do tráfico de drogas nas favelas mandando executar, de dentro de um presídio, através de telefone celular, quem descumpriu o regulamento da boca. Ordens que foram cumpridas, e os estampidos das armas que efetivaram as execuções foram transmitidos em rede nacional de televisão. Aquilo foi usado para impressionar a população e até hoje serve para dar uma aparência de que todo o terrorismo que ocorre nas ruas possa vir de dentro das cadeias e seja debitado na conta dos chefes do varejo do tráfico de drogas. Os cabeças do crime politicamente organizado, engravatados nos gabinetes, mandam toda barbaridade pra cima dos chefes presos. Aliás, é exatamente por isso que os chefes do varejo do tráfico estão na cadeia: para servirem de bucha ao maldito sistema de (in)segurança pública, o terrorismo.

Então só resta entender que imprensa e autoridades consideram a população burra. Não, isso também eles sabem que não é. Mas sabem que é apenas mal informada. Pra eles é o suficiente.

A inveja, o despeito, o ódio, sentimentos que muitos canalhas nutrem contra o presidente Lula, são algumas das armas dos seus inimigos. Inveja do seu carisma, de ver que sua autenticidade política não depende de formação acadêmica e até desmistifica o conceito de que somente os letrados poderiam exercer o poder institucional; despeito por acreditarem que um ex-retirante da seca nordestina, indivíduo de origem paupérrima, ex-operário ainda com características de homem do povo, tenha lhes "usurpado" um lugar que a eles pertence por pretensioso direito "hereditariamente natural". Isso já seria suficiente para explicar o ódio que essa gente vem nutrindo pelo presidente Lula, porém existem outras razões mais objetivas para explicar esse rancor.

Para desqualificar a competência do governo Lula, a oposição pode interpretar todos os números, planilhas, indicadores econômicos, sociais e o que bem mais entender, usando linguagem técnica, científica, chula, coloquial, ou como bem lhe convier. Superávit vira déficit, política social vira populismo, investimentos viram gastos... mas eles se calam e enfiam o rabo entre pernas quando o assunto é Departamento de Polícia Federal e sua atual operacionalidade.

No governo FHC do PSDB, no qual o PFL não passava de esquadrão lambe-botas, o verdadeiro crime organizado não tinha o que temer. As máfias enclausuradas nas mansões à beira-mar e nos jardins paulistanos, ou turistando mundo afora, se mantiveram intocáveis. FHC quase fechou as portas dos principais setores da PF, que, em seu governo da impunidade, mal servia para expedir passaporte. A média de prisões efetuadas pela Polícia Federal no governo FHC foi de apenas 27 por ano. Num país com as dimensões do Brasil, acho que isso representa um índice abaixo do que pode ter ocorrido, por exemplo, no Haiti.

Antes do governo Lula, a gente conhecia a guerra do tráfico como uma guerra de facções pelo domínio das bocas, principalmente nos morros cariocas. Traficantes de varejo de drogas nunca gostaram de se meter com a população, exceto em casos isolados e que ocorriam sem que nem mesmo as populações não faveladas viessem a tomar conhecimento. Agora está se tornando banal o ataque de "traficantes" contra as pessoas em geral. Observe que os policiais vitimados são, geralmente, elementos exemplares da corporação, sempre em postos que não se relacionam diretamente com o combate ao crime organizado. Os presos nunca são apresentados à imprensa, fala-se apenas em suspeitos, indivíduos que tinham passagem pelas delegacias, certamente pequenos varejistas de drogas, ladrões de carro, assaltantes de ônibus, coisas assim. Nenhum nome de expressão no submundo do crime (no Jornal Hoje de hoje, 4/1, exibiram as fotos de alguns "suspeitos", todos pés-de-chinelo).

Enquanto isso, as operações da Polícia Federal continuam incomodando os verdadeiros chefões, tanto que, quando passou a pegar a raia graúda, esta vem tentado passar a bola para os peixinhos de aquário e piabas de cacimba.

Para quem quiser conhecer a verdadeira origem do ódio das elites criminosas ao presidente Lula, deixo alguns links do site do Departamento de Polícia Federal. A leitura das sinopses de centenas de operações e milhares de detenções realizadas contra o crime organizado no Brasil durante o primeiro mandato do presidente Lula pode ser gratificante. Garanto que isso dará uma idéia mais precisa do motivo pelo qual a oposição tem pressa em tomar de volta o poder institucional. Pelo visto, se não lograrem êxito, urgentemente, arriscam-se a perder cada vez mais o poder criminal.

Departamento de Polícia Federal

Operações realizadas 2006
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2006.htm

Operações realizadas em 2005
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2005.htm

Operações realizadas em 2003 e 2004
http://www.dpf.gov.br/DCS/Resumo_OP_2003-2004.htm

Revista digital NovaE

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=504

Recentemente, em discurso para a platéia do 12º Congresso do PCdoB, o presidente Lula afirmou que chegar ao governo não é o mesmo que chegar ao poder, “Há instituições poderosíssimas”, conclui o presidente da República.

Acredito que ele e muita gente já deve ter chegado a essa conclusão.

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PressAA

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Acordo Brasil-Israel na área de turismo exclui brasileiros-palestinos

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Enviei ao meu amigo Kais Ismail, brasileiro-palestino, residente no Rio Grande do Sul, artigo que recebi por e-mail da Rede Castorphoto, o qual trata, entre outras coisas, da adesão de Madonna ao sionismo, de sua visita ao Brasil e da visita de Shimon Peres, atual presidente de Israel, ao nosso país.

[Leia postagem do artigo no blog agência assaz atroz (pressaa) – redação: "Madonna e a investida sionista no Brasil", Por Raymundo Araujo Filho

http://pressaa.blogspot.com/2009/11/dont-cry-for-me-palestina-madonna-e.html ]

Kais Ismail, que tem colaborado com esta nossa agência, nos enviou o artigo abaixo (“Um Clique Pelos Direitos Humanos”), muito a propósito dos acordos que o Brasil e Israel estão fechando para cooperação mútua nas áreas jurídica, cinematográfica e de turismo.

[Leia postagem no blog Agência Assaz Atroz (PressAA) "Turismo em Israel é verdadeira tortura para brasileiros" http://santanadoipanema.blogspot.com/2009/11/turismo-em-israel-e-verdadeira-tortura.html )

Kais nos respondeu fazendo uma observação estarrecedora:

Fernando,

Eu justamente lhe enviei este assunto pra saber o que pensas sobre o caso. Não duvido nada sobre o que falam da Madonna e também sempre achei que ela estava e está atuando como uma espécie de embaixatriz sionista. São sempre escolhidos os artistas que têm o poder de convencimento dos jovens para este tipo de coisa. Não tenha dúvida de que, por conta da Madonna, aqui no Brasil milhares de jovens irão entrar nessa onda da kabalah (judaísmo-sionismo).

Eu mesmo vi e ouvi na Globo News o Shimom Perez falando no interesse do Pré-Sal e outras coisas, e por isso estavam vindo, e junto com ele, o maior fabricante de armas de Israel (responsável direto pela morte de milhares de palestinos).

É duro, mas esta recepção e negociação que o governo brasileiro está tendo com um governo racista e criminoso que é o do Israel me deixa triste, deprimido e desesperançoso.

Li também que Brasil e Israel estão firmando acordos na área cinematográfica e no turismo. Mas como, se os brasileiros-palestinos são impedidos de entrar em Israel?!
[grifo nosso] O Brasil também se tornará racista, segregacionista, ao permitir que uns brasileiros possam fazer turismo em Israel, e outros, não?

Foi por isso que lhe enviei o link, pra lhe ouvir a respeito.

Um forte abraço

Kais Ismail


Agora leia o artigo do Kais. Mas advirto: conheço poucas (raras mesmo!) pessoas que não se emocionariam com a leitura desse texto. Portanto prepare o coração.

Fernando Soares Campos
Editor-Assaz-Atroz-Chefe

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Um Clique Pelos Direitos Humanos

Kais Ismail

Nós, Kais Ismail Musa e Anna Patrícia Torres Musa, brasileiros de nascimento, documentação e paixão, que junto a centenas de milhares de palestinos estamos impedidos de usufruirmos direitos considerados básicos pela cartilha universal dos direitos humanos. Por quê? Alguém pode nos responder?

Esta injustiça gera uma emoção no ser humano que fere a alma. Esta mesma emoção já foi sentida por outros seres humanos que também em outros tempos não eram considerados seres humanos (se você for negro, judeu ou homossexual com mais de 50 anos conhece parte da dor que estamos sentindo). Para você ter uma idéia do que está acontecendo, vou lhe fazer um breve relato de nossa história.

Em 1999, depois de 17 anos sem ver a minha família, vim à Palestina visitá-los. A Palestina está sob domínio israelense e dentro de Israel, portanto para vir à Palestina você é obrigado a passar por Israel.

No aeroporto em Tel Aviv entre 300 e poucos passageiros, eu fui o único a ser retido para um interrogatório que durou mais de 3 horas. As mesmas perguntas foram feitas por vários policiais que se revezavam. O motivo? Minha família vive em Ramallah, na Palestina. Quando fui liberado já tinha a minha bexiga quase estourando e com o carrinho de bagagens me dirigi ao toalete mais próximo, mas antes que eu tivesse acesso ao bendito mictório fui barrado por um policial a paisana que se identificou como sendo do Departamento de Entorpecentes que me perguntou se haviam revistado minha bagagem. Respondi-lhe com a verdade:

- Apenas passei pelo raio X.

- Me acompanha! (foi a ordem dele)

É claro que neste momento solicitei à minha bexiga um pouco mais de resistência, pois certamente ele concluiria que eu iria dispensar a droga que desejava encontrar se eu entrasse no toalete. Não que eu me incomodasse que ele entrasse comigo. O que eu não queria era deixar minhas bagagens sozinhas, pois se eles não confiavam em mim, por que eu haveria de confiar neles?

O medo que senti quando entramos em uma ala em construção que mais lembrava o porão de uma delegacia do que um aeroporto internacional fez-me esquecer a pesada bexiga.

Entramos em uma pequena sala sem janela com uma mesa, duas cadeiras e um armário de alumínio, quando ele trancou a porta com a chave que guardou no bolso. Foi a vez dos intestinos pesarem.

Depois de uma hora e vinte minutos de mais interrogatórios e revista minuciosa na minha bagagem entregou-me uma folha escrita em árabe e hebraico para que eu assinasse.

- Meu Deus, isso para mim é grego! – pensei.

Meu inglês era precário para entender a explicação do policial. A tinta da caneta que me entregou jorrou como urina desenhando minha assinatura naquele papel cheio de letrinhas que mais pareciam formiguinhas e minhoquinhas. Quando saia da sala me esbarrei na porta com um peruano acompanhado de outro policial. Era a vez dele.

Não pude conter algumas lágrimas quando vi meu pai de cabeça baixa e a minha irmã sorrindo e cochichando ao seu ouvido do outro lado do vidro. Apesar do enorme sorriso que ele esboçou, permaneceu de cabeça baixa, pois para ele olhar para os lados, para cima ou para baixo, para frente ou para trás é tudo igual. É escuro, pois meu pai é deficiente visual. Dei-lhe um forte abraço e ele foi logo falando com seu português de sotaque carregado:

- Desta vez te castigaram, hein? (fazia 6 horas que ele estava ali em pé me esperando)

No segundo mês de visita, procurei o Ministério da Cultura da Palestina, quando iniciamos a negociação para a realização de co-produção de um documentário sobre cineastas palestinos que conseguiam fazer o que era praticamente impossível: produzir filmes durante a guerra. Neste período cheguei a contatar por telefone com a Secretaria Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul, sondando uma possível parceria, assim como também contatei com alguns profissionais da área em São Paulo. Isso significava que iria ficar mais tempo do que o previsto. Portanto solicitei ao governo israelense mais três meses de visto, que só poderia ser encaminhado em Ramallah através das autoridades palestinas que, por sua vez, solicitariam às autoridades israelenses. Então eu deveria respeitar os trâmites considerados "legais" se quisesse permanecer um pouco mais. Faz parte de esse trâmite você entregar seu passaporte por um período de doze dias em troca de um pequeno recibo todo escrito em árabe e foi o que fiz muito a contra gosto. É importante lembrar que este visto só é exigido por Israel, que cobra uma taxa de U$ 30,00. Com ele poderia circular livremente nos dois lados e foi o que eu fiz com o tal recibo. Já tinha feito amizade em Tel Aviv e em Jerusalém. Quando faltavam 3 dias para eu receber de volta meu passaporte, fui algemado e acorrentado pelos tornozelos como se fosse um psicopata em plena via pública, em frente ao mais importante Shopping Center de Tel Aviv (o Ópera Tower), pela polícia israelense. Todos que passavam por ali paravam para me olhar, inclusive os que estavam de carro. Os policiais fizeram-me desfilar por mais de cem metros até chegar a viatura. No percurso levei três quedas. O que senti na hora não consigo descrever e nem esquecer. E por que? Porque é dessa forma que são conduzidos à delegacia os palestinos para averiguação. Você deve estar se perguntando:

Sendo brasileiro e com o visto em dia por que lhe trataram assim?

E eu lhe respondo detalhando um pouco mais parte desta história.



Era início da tarde, verão, e havia combinado de pegar uma praia com um amigo depois de seu expediente. Ele trabalhava com construção civil e estava reformando um bar à beira mar, próximo ao Ópera Tower, o shopping que já citei. Quando cheguei no bar, na hora marcada, faltava só terminar de pintar o balcão, então dei uma força para acabar logo o serviço. A latinha de tinta que eu segurava caiu de minha mão como se tivesse sido empurrado pela energia que acompanhava os cinco policiais que surgiram do nada. Assim que eu lhes disse que estava sem o passaporte fui algemado antes que pudesse concluir o que estava falando. Quando consegui concluir , ao invés de retirarem as algemas, acrescentaram mais duas, desta vez nos tornozelos, interligadas por uma corrente. Reclamei que estava apertada e machucava. O policial que era religioso (aqui em Israel é notório quem é e quem não é religioso) se abaixou e apertou mais ainda. Meu amigo argumentou que não poderiam fazer isso com um turista brasileiro e lhe responderam com a maior tranqüilidade: o que ele tem é um documento palestino.

Um senhor de idade avançada, acompanhado de um policial, se aproximou da viatura que eu acabara de entrar, analisou bem as minhas feições e com a cabeça fez um gesto negativo. Perguntei ao policial mais próximo o que estava acontecendo.

- Nada de mais. Roubaram o botijão de gás do velho que mora aqui perto. - respondeu-me o policial.

Assim que chegamos na delegacia, retiraram as algemas (mesmo assim, as senti durante 4 dias e 4 noites). Deram-me um chá de banco e disseram-me que eu tinha 17 dias para deixar o país. Era o tempo de receber meu passaporte, mas que durante esses 17 dias não poderia sair de Ramallah e que no período de 7 anos, eu estava proibido de retornar para Israel acontecesse o que acontecesse. Fizeram-me também assinar um documento em hebraico no qual a única coisa que entendi era a data: 07/07/99.

Retornei a Ramallah totalmente deprimido, humilhado, revoltado e com marcas roxas nas canelas e pulsos. Pensei em ir ao IML local para registrar as lesões corporais e com isto abrir um processo contra o governo israelense, porém minha família fez-me entender que enquanto os EUA derem cobertura a Israel, não existirá justiça para nenhum palestino ou descendente.

No dia 10/07/99 recebi meu passaporte de volta com mais 2 meses de visto. Ainda estava muito deprimido e já não tinha interesse de ficar todo esse tempo, mas estava com medo de ir, pois não saberia quando poderia voltar. Pelas informações das autoridades israelenses, só no ano de 2006. Meu pai sugeriu-me que solicitasse a cidadania palestina que poderia levar anos para sair, mas com ela não seria impedido de retornar quando quisesse, além de ser um direito que eu tinha. Dei entrada nos papéis e voltei para o Brasil.

Arrendei uma barraca de praia em São Luís do Maranhão em um ponto muito bonito, porém abandonado pelas autoridades locais. Promovi mutirões de limpeza na praia e reflorestamento na orla marítima, ao longo da qual plantamos 200 árvores, nas proximidades da barraca, sempre registrado pela imprensa local. Também participei do 24º Festival Guarnicê de cinema e vídeo como juri técnico, pois já havia exercido a profissão de cineasta, roteirista e produtor (posso dizer com orgulho que um trabalho meu já recebeu kikito do Festival Internacional de Cinema de Gramado, além de outros prêmios em outros festivais).

Ainda neste ano de 2000, mais precisamente no início de junho, Patrícia e eu estávamos escolhendo a data do nosso casamento e todos os fatores nos levaram a decidir pelo dia 07/07/2000, exatamente 1 ano depois daquele dia inesquecível.

Patrícia é a mulher mais doce que eu conheci. Por isso, desta vez, não hesitei em me casar no papel, coisa que não tinha feito nas duas vezes anteriores, das quais fui presenteado com quatro maravilhosos filhos. Ela nasceu em Codó-MA. E também tem um filho maravilhoso. Agora nós temos 05 filhos.

Meus pais queriam conhecer a mulher que recebera o nome da família, por isso nos propuseram a passar um tempo com eles sem que nos preocupassemos com a questão financeira. Apesar de nunca ter saído do Brasil, Patrícia não hesitou em nenhum momento em aceitar o convite, mesmo com toda a pressão familiar e do convívio social.

- Você está louca Pati? Ir para a Palestina?! (era o que todos diziam).

No dia 16/08/00, Patrícia e eu passávamos por uma sessão de interrogatórios no aeroporto internacional de Madrid na Espanha. Eu já sabia que isto iria acontecer, pois estávamos indo para Israel pela companhia aérea israelense El Al. Só não esperava que fizessem-nos descer até o compartimento subterrâneo do aeroporto, onde eram guardadas as bagagens. Tivemos que desfazer as malas ali mesmo. No fundo de uma delas eu transportava 12 preciosas barras de rapadura com coco, compradas no interior do Maranhão. O policial que nos acompanhava deu um sorriso de satisfação ao pegar uma barra. Ele estava certo de que era droga, mas quebrou a cara. Seis horas depois estávamos no aeroporto Ben Gurion em Tel Aviv - Israel. Quando apresentei nossos passaportes no balcão de imigração mandaram-nos aguardar ao lado, enquanto todos os outros passageiros seguiam tranqüilamente. Meu passaporte andou de mãos em mãos até que nos conduziram a outro ambiente. Deixaram Patrícia em uma sala e eu em outra. Reclamei que queríamos ficar juntos e logo nos uniram novamente. Durante 3 horas em que aguardamos aflitos sentados em um sofá, pelo menos uma dúzia de policiais entravam e saiam da sala logo após analisarem os passaportes e a nós. Exigi a presença de alguém que falasse espanhol, pois o nosso inglês na época era precário para entender o que se passava. O policial intérprete informou-me que eu não poderia entrar no país, pois meu nome constava no computador e eles queriam saber por que meu nome estava lá. Respondi-lhe surpreso:

- Se vocês não sabem, como é que eu vou saber?-

Exigiam que eu lhes dissesse por que meu nome estava lá. Contei-lhes então a história do bar e chegamos à conclusão de que só poderia ser por isso. Como não tinham argumentos convincentes, tiveram que nos deixar entrar, só que com apenas 1 mês de visto e com um lembrete que meu nome estaria para sempre no computador, ou seja, depois desta visita nunca mais poderia retornar.

Trinta dias era pouco tempo para solucionar esse problema. Assim, no dia seguinte Patrícia e eu nos dirigimos ao consulado brasileiro em Tel Aviv para solicitar ajuda. Eu queria, no mínimo, saber porque meu nome estava no computador. Do que estavam me acusando? Perplexos ouvimos no guichê do consulado brasileiro que eu deveria procurar as autoridades palestinas, pois meu pai é palestino e tem residência fixa.

- Que importa se meu pai é palestino, minha mãe alemã, minha vó russa ou meu tio japonês? Eu sou brasileiro, tenho passaporte brasileiro e todos demais documentos que todos os brasileiros possuem e exijo ser tratado como brasileiro, assim falei desesperado.

A mulher que estava atrás do guichê, impacientemente disse-nos:

- O consulado não tem poderes para interferir em assuntos internos.

Não teve jeito. Tive que recorrer às autoridades palestinas.

Fomos recebidos por um diplomata que havia exercido o cargo de embaixador na Venezuela, portanto ele sabia falar espanhol, o que nos ajudou muito. Ficou surpreso pela ajuda solicitada e informou-nos que não poderiam fazer nada, pois eu era brasileiro e não estava na alçada deles e que isto era dever do consulado brasileiro. Era uma corrida contra o tempo e só me restavam 18 dias. Apelei, então, para a imprensa e, através de uma amiga de infância vivida em Bom Jesus no Rio Grande Do Sul, fui contatado por telefone pela BBC de Londres. Foram vários telefonemas até eu saber que a jornalista contratada em Israel era judia. Deixei claro para a pessoa em Londres que esse fator me deixava inseguro e esta insegurança irritou a pessoa que estava em Londres que, provavelmente estava muito confortavelmente em uma sala com ar condicionado dentro de uma respeitosa empresa.

- Antes de ser judia, ela é jornalista - falou-me em um tom áspero.

Neste mesmo dia a tal jornalista telefonou falando comigo em português, e disse as mesmas coisas que o consulado havia dito e, da mesma forma, me mostrei relutante em aceitar estes fatos como todo mundo aceita, mas aqui é assim. Israel é diferente do resto do mundo, disse-me ela. Pediu-me que lhe passasse por fax a cópia de meu passaporte, pois iria contatar com as autoridades israelenses a meu favor. Eu já estava muito confuso com tudo isso e dentro de alguns dias passaria a ser ilegal. Não teria mais direito a reivindicar nada e, por prudência, resolvi não passar o fax para a tal jornalista. O resultado foi que a pessoa responsável em Londres me telefonou furiosa dizendo que eu era irresponsável, pois toda uma equipe estava trabalhando e isso custava dinheiro e eu sequer me dei ao trabalho de passar um fax. De português, que estava falando, passou a usar expressões inglesas que eu desconhecia, mas entendia que estava relacionada a negócios. Fiquei mudo ao telefone. Não esperava que um profissional de uma empresa do porte da BBC tivesse esse comportamento numa questão tão delicada, e o máximo que consegui dizer foi:

- Desculpe-me, mas eu não consegui confiar nela.

No dia seguinte mandei a cópia do meu passaporte via e-mail para Londres, mas eu já não esperava mais nada.

Resolvi então tentar a sorte e solicitei às autoridades israelenses através das autoridades palestinas mais prazo de visto, como da outra vez e novamente recebi o tal recibo em troca do passaporte. Não havia outra forma.

No dia 14/09/00, recebi do governo israelense mais dois meses de visto.

No dia 17/09/00, recebi um comunicado das autoridades palestinas informando-me que o governo israelense havia aprovado meu pedido de cidadania palestina. Fiquei surpreso com a rapidez que esse documento foi emitido, pois há pessoas que já o esperam há mais de 10 anos e eu havia solicitado fazia 2 anos. Eu deveria entregar o meu passaporte brasileiro para as autoridades israelenses, porque dias depois receberia de volta o passaporte junto com a identidade palestina. Este era o trâmite, e trâmite é trâmite. Antes que eu tivesse recebido os meus documentos de volta, Sharon, atual primeiro ministro de Israel, resolve provocar os palestinos indo visitar a mesquita de Omar em Jerusalém. Era muito azar para gente. Mal havíamos chegado e se iniciava o conflito. Todos os departamentos públicos palestinos foram fechados. Fiquei sem meu passaporte ou qualquer outro documento válido, num território que estava em guerra. Fiquei nesta situação durante 3 meses. No dia 20/12/00, Israel liberou meus documentos, que só chegaram em minhas mãos em 24/12/00. Como as nossa passagens de volta ao brasil estavam marcadas para o dia 06/11/00, a esta altura já estavam vencidas e o aniversário de meu pai é no dia 01/01, resolvemos ficar mais alguns dias apesar da guerra. Nas vésperas do aniversário e virada do ano nos preparamos para a viagem, porém no dia seguinte, 02/01/01, a minha cunhada de 19 anos esposa de meu irmão caçula morria de derrame cerebral em Ramallah. O que mais faltava acontecer?

Em apenas 3 meses de conflito a economia palestina se encontrava num caos total, afetando todos os palestinos, inclusive aos meus pais.

Passado um mês de luto, decidimos retornar ao Brasil. Contatei com as Aerolineas Argentinas, empresa pela qual compramos as passagens de ida e volta e mandei-lhes um fax explicando porque não havíamos viajado na data marcada e que, sendo assim, solicitávamos uma nova data. A resposta que obtivemos ao telefone foi que só poderíamos usufruí-las mediante ao pagamento de uma taxa de U$ 860,00. Aquilo era um absurdo, pois se não viajamos na data marcada foi por forças maiores, e estávamos sem este montante, pois havíamos investido nossas economias em um documentário que produzimos em Ramallah. Meu pai também não estava financeiramente em condições de nos ajudar. Então, mesmo correndo o risco de ser preso, vim a Tel Aviv em busca de trabalho e consegui com o meu amigo do episódio do bar. Agora eu era assistente de pedreiro. Não tinha experiência, mas para carregar cimento, tijolo, areia e respirar poeira o dia inteiro não é preciso ter experiência. Basta estar necessitado e ter forças. Eu dormia na sala do apartamento de um casal de amigos meus, ele, uruguaio, ela, siberiana, ambos judeus. Dormia mal, pois o cachorro deles me incomodava a noite toda. Enquanto isso, a Patrícia ficava em Ramallah se consumindo de nervosismo à espera de notícias minhas. Me implorava para que a trouxesse para Tel Aviv junto comigo, mesmo sabendo que ela também poderia ser presa. Resolvemos arriscar os dois juntos em Tel Aviv. Casualmente a vizinha deles, que morava sozinha, tinha um quarto para alugar. Só teríamos que pagar um mês adiantado e um mês de garantia, o equivalente a U$400,00, exatamente o que tínhamos. Estava bom, pois Patrícia e eu, trabalhando os dois juntos, precisávamos apenas de um mês de trabalho para juntar o dinheiro suficiente para pagar a tal taxa exigida. Mas havia um detalhe no aluguel desse quarto: a proprietária, judia israelense, já havia sofrido um atentado à bomba, por isso tem motivos e os usa para odiar os árabes. Mas não tínhamos outra escolha, precisávamos de um canto urgentemente e tudo que havíamos visto exigia contrato anual com três meses de garantia. Além disso eu não poderia mostrar, como ainda não posso mostrar aqui em Israel, meu passaporte brasileiro, pois, quando me devolveram da última vez, fixaram um carimbo nele dizendo que eu tenho identidade palestina. Portanto estou ilegal em Israel e não posso assinar contrato nenhum. Mesmo correndo o risco de sermos descobertos, alugamos o quarto e, para todas as hipóteses éramos apenas um casal de brasileiros tentando a vida em Israel. Com o passar dos dias fomos nos conhecendo e tornamo-nos amigos. Abrimos o jogo quando ela já gostava de nós e nós dela. Quando ela tomou conhecimento de toda a nossa situação reagiu como uma mãe protetora. Temos um grande carinho por ela. Ficamos muito impressionados quando vimos as fotos dela nos jornais com o rosto coberto de sangue cortado pelos estilhaços de vidros arremessados contra seu corpo pela força da explosão de uma bomba detonada dentro de um ônibus no exato instante que passava próximo a ela. Quando paramos para pensar em tudo isso temos vontade de sairmos gritando como loucos.

Sei que essa história está parecendo novela mexicana, mas não é. São fatos reais que estamos vivenciando e podemos prová-los se necessário for.

Enquanto isso, o conflito entre Israel e Palestina se agravava. Meu irmão me aconselhara a ir embora o mais rápido possível, pois com a vitória de Sharon nas eleições, era provável que haveria guerra pesada dentro de pouco tempo. Me alertou também para a questão da minha saída. Tinha conhecimentos de que eu só poderia sair do país como palestino e não mais como brasileiro como eu havia chegado, pois para isso necessitava de uma licença especial emitida pelo governo israelense. Achei um absurdo o que ele me falou, mas por via das dúvidas fui até o consulado brasileiro para esclarecer isso. Mostrei meu passaporte brasileiro a um senhor simpático e atencioso que se encontrava atrás do vidro do guichê do consulado brasileiro. Ele disse que era a primeira vez que via tal carimbo e que no carimbo estava escrito, em hebraico, que eu tenho residência fixa em Israel e que isso ia ao meu favor e de forma alguma eu estava impedido de sair como brasileiro uma vez que eu entrei como brasileiro. Que eu ficasse tranqüilo com relação a isso.

Patrícia e eu saímos animados do consulado. Finalmente uma notícia boa. Agora só tínhamos que continuar a trabalhar feito escravos por mais 30 dias (pois é assim que todos imigrantes ilegais trabalham). As notícias diárias na TV e os boatos que a guerra engrossaria nos deixavam sufocados, sem falar no medo constante de sermos presos. Resolvemos antecipar a viagem. Não tínhamos mais tempo para juntarmos dinheiro para retornarmos ao Brasil. Com as nossas economias dava apenas para chegarmos até a Grécia e foi o que decidimos fazer: ir para Grécia. Nos preparamos para chegarmos na Europa com pouco dinheiro, compramos barracas de camping, sacos de dormir, mochilas, etc. Enfim, nos preparamos para passar uma boa temporada sem casa. Vendemos por quase de graça tudo que tínhamos, aparelho de som, celular, filmadora, ferro de passar, etc.

Sentia-me mal em deixar meus pais nesta situação, mas eles já estão aqui há mais de 20 anos, e isso tudo já não os assustam mais, como a nós também. A nossa preocupação é o fato de ficar sem produzir, pois temos cinco filhos no Brasil.

Compramos as passagens de navio para Grécia. Eram de última classe. Fora a passagem, não conseguimos juntar muito, pois o custo de vida em Israel é alto.

Em 08/04/01, dia em que fomos até ao porto de Haifa apanhar o navio para a Grécia, estávamos ansiosos para entrar nele. Apesar da partida ser às 20:00 horas, chegamos aos portões às 13:00 hs. Fomos os primeiros a chegar. Os portões só abriam às 18:00. Ficamos a tarde toda sentados na calçada em frente aos portões debaixo de um sol de rachar. As 17:30 já havia um certo agrupamento de turistas também à espera. Foi a hora em que os agentes de segurança do porto começaram a atuar. Ainda do lado de fora, fomos os primeiros a ser checados. Ali mesmo começaram com os interrogatórios. Eu sentia que ia ter um infarto a qualquer momento. Às 19:30, depois de passarmos por alguns guichês e mais perguntas, descíamos uma escadaria que nos conduziria à plataforma do navio. No meio dela nos abraçamos e nos beijamos, pois finalmente estávamos saindo deste inferno, só que…

Só que, no final da escadaria à direita, havia um último guichê que dá o carimbo de saída dos passaportes. A oficial que nos atendeu toda sorridente, engoliu em seco e mudou totalmente sua expressão quando os seus olhos percorreram meu passaporte. E, novamente, mandaram-nos aguardar ao lado, enquanto os demais passageiros embarcavam tranqüilamente. Relatar os detalhes deste momento é muito desgastante, por isso, vou direto ao final deste dia. Eram 22:30, e estávamos em frente do balcão da delegacia do porto ouvindo as instruções de um policial. Deveríamos retornar à Ramallah e de lá só sair com uma licença especial que, no momento, não estava sendo emitida e se fossemos pegos novamente em Israel sem esta licença nossas vidas de fato iriam complicar.

Era quase meia-noite quando pegamos um taxi especial que nos levou até Tel Aviv. A primeira coisa que fiz foi telefonar para meu irmão em Ramallah. Pelo telefone ele me disse:

- Kais, não seja louco em vir para cá agora. Neste exato instante toda a palestina está sendo bombardeada.

Retornamos ao apartamento de nossa amiga e voltamos a ocupar o quarto vazio. Nos dias seguintes passamos jogados na cama na mais profunda depressão. Eu só comecei a reagir quando um outro irmão meu que mora em São Paulo contatou a Policia Federal Brasileira ao tomar conhecimento do que ocorria com a gente. A informação que ele obteve no Brasil é que o consulado deveria nos retirar daqui de qualquer forma. Expliquei-lhe que no dia seguinte da viagem que não aconteceu, procuramos o consulado brasileiro para outra decepção e revolta, pois aquela informação que o simpático senhor nos dera era errônea. Eu realmente só poderia sair como palestino e está proibida a saída de palestinos por Tel Aviv ou Haifa, mas eu ainda poderia ter saído pela fronteira da Jordânia coisa que eu não fiz, por ter confiado em um funcionário do governo brasileiro. Agora eu tinha que correr atrás do meu passaporte palestino para poder sair daqui. Dei entrada em Ramallah nos papéis para obter o passaporte palestino. O jeito agora era aguardar ou uma confirmação do Brasil ou pelo passaporte palestino.

Os dias se passavam e nada mudava, até que na semana passada telefonei novamente para meu irmão em São Paulo. Senti que ele já não estava mais tão otimista como das últimas vezes, porém reafirmou o que a Policia Federal lhe havia dito: o consulado tem obrigação de lhe tirar daí. Estava também tentando contato com o Itamaraty, apesar da burocracia. Disse-me que eu retornasse ao consulado e exigisse ajuda, caso contrário que me dessem por escrito uma declaração da não assistência.

Com todo esse stress, a Patrícia passou a ter problemas estomacais e não se alimentar mais, chegando ao ponto de ter que dar uma pausa no trabalho. É importante que um dos dois esteja inteiro, por isso ontem, 05/06, enquanto eu trabalhava, ela seguia as instruções do meu irmão. Retornou novamente ao consulado e falou com a Luciana, uma simpática jovem que ocupa o cargo de vice-cônsul. Ela disse que não poderia fazer nada, que já conhecia nossa história e que, assim como nós, existem outras milhares de pessoas na mesma situação e o melhor que poderíamos fazer seria voltar para Ramallah. Em relação à declaração por escrito, disse que não tinha autorização para emitir nenhum tipo de documento e que agora, devido à bomba que explodiu em frente a Boite Delfinário em Tel Aviv no dia 01/06/01, não poderíamos mais sair nem pela Jordânia. Estamos condenados a ficar sabe-se lá quanto tempo em uma cidade que está no caos total, com bombardeios e tiroteios freqüentes. Essa sentença é muito injusta para quem apenas solicitou uma cidadania que lhe era de direito, por isso decidimos não voltar a Ramallah nessas condições, mesmo com a insistência de Luciana de termos que aguardar em Ramallah. Apesar de não estarmos legais aqui, qualquer pessoa ou entidade que nos obrigue a voltar para lá, também não está sendo legal. É desumano forçar uma pessoa a permanecer entre fogo cruzado contra a vontade própria. Estamos muito cansados disso tudo, afinal de contas, qual foi o crime que cometemos? Não estávamos pedindo favor a ninguém. Já havíamos perdido quatro passagens e o mais irônico é que Israel não nos quer aqui e não nos deixa ir embora. Voltem para Ramallah, é mais seguro, é o que todos nos dizem. Outra ironia, pois é como se em plena Segunda Guerra Mundial dissessem a um judeu: retorne ao campo de concentração, é mais seguro.

A situação é essa. Decidimos dar uma pausa no trabalho e nos dedicar a este protesto que se inicia com este relato. Portanto, se você é uma pessoa que valoriza os direitos humanos, por favor, envie esta mensagem para o maior número de pessoas possíveis. Sabemos que nossa atitude é kamikaze, porém o desabafo está sendo necessário.


Kais E Paty.

BREVE HISTÓICO PROFISSIONAL

KAIS ISMAIL MUSA


Deu início em 1985 na RBS Vídeo, como produtor de campo, um ano depois como diretor de produção.

Em 1987 passou a trabalhar como diretor de produção free lancer em diversas produtoras, entre elas, Produtora Sabiá, Sete Produções, Imago Produções e Agência Nova Forma Propaganda e RBS Vídeo.

Em 1990, criou argumento, roteirizou, co-dirigiu o curta-metragem “O Macaco e o Candidato”.

Em 1991, foi um dos fundadores da produtora Seqüência, Cinema e TV Ltda.

Criou o projeto “Curta ao Meio-dia” em 1991.

Em 1992, trabalhou na TV Verdes Mares, em Fortaleza-CE, como roteirista, diretor de produção e diretor de imagem.

Em 1994, atuou no mercado publicitário em São Luiz do Maranhão, como roteirista e diretor de imagem.

Em 2000, produziu o documentário “Ramallah novembro de 2000”, na Palestina.

Em 2002, de volta a Porto Alegre, reingressou no mercado publicitário através da Zeppelin Filmes, como assistente de set, e produtor de locação.

Em 2003, escreveu, produziu e dirigiu para o Projeto Memória Instantânea do III Fórum Mundial Social o documentário “Zé do Bêlo no acampamento da Juventude”.

Em 2005, novamente para o Projeto Memória Instantânea, foi chamado a fazer novo documentário, chamado “Os Neros de Roma”.

Atualmente, continua prestando serviços para a www.zeppelin.com.br como produtor de locação. Entre os comerciais produzidos estão: Bavária, Coca-Cola, Ministério da Justiça (novo passaporte brasileiro e Disque-Denúncia combate ao tráfico de armas), Calçados Democrata, Tênis Olympikus e vários outros de veiculação nacional.

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PressAA

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pesquisa Vox Populi provoca apagão


Artigo recebido por e-mail da Rede Castorphoto

O blecaute e a Anas (Agência Nacional de Sabotagem)

O PT é um partido sem mídia
O PSDB é uma mídia com partido


Mauro Carrara

Para derrubar o presidente operário, ou impedi-lo de fazer o sucessor, vale recorrer a absolutamente tudo, da falsa denúncia às mais modernas técnicas de sabotagem.

E, agora, Arthur Virgílio, Ali Kamel, Frias Filho, FHC e José Serra conseguiram um “apagão” monumental para escurecer a imagem de Dilma Rousseff.

Antes de se debater o caso, cujas causas seguem envoltas na névoa do desconhecimento, vale uma análise do sistema regular de desestabilização da coisa pública.

No caso brasileiro, esses mecanismos de terrorismo funcionam basicamente em duas dimensões: informacional e técnica.

O objetivo é emperrar o funcionamento da máquina federal e atirar a opinião pública contra o presidente e seus aliados.

Nos últimos sete anos, a Agência Nacional de Sabotagem (Anas) promoveu inúmeros atos criminosos para desestabilizar as instituições, promover o caos e, assim, tentar devolver o poder às elites conservadoras.

Mas o que é, efetivamente, a Anas?

Trata-se de complexa e riquíssima corporação dedicada à realização de operações pontuais de destruição da imagem do governo.

Compõe-se de políticos golpistas, homens de negociatas (não confundir com homens de negócio), latifundiários, marqueteiros, publicitários e representantes das principais cadeias de comunicação do país.

As ações da Anas podem ser planejadas com meses de antecedência. Mas há pessoal especializado em detonar crises em apenas algumas horas.

A norma é fazer com que um escândalo suceda outro, que a série de desastres jamais tenha fim.

Ou seja, cada vez que um foco de incêndio é apagado, cuida-se para que outro seja aceso imediatamente.

A ação do Anas é sempre coordenada. À desconstrução de um mecanismo, especialmente nos serviços públicos, segue-se a violenta ação de mídia, destinada a apontar os culpados na esfera do governo.

Velhos arapongas e fiéis escudeiros do atraso realizam boa parte do trabalho sujo, especialmente no campo do vazamento e contaminação de informações.


Aviões, epidemias e prova do Enem

Nos últimos anos, os infiltrados, espertos do “duplo emprego”, agem diariamente nas casas públicas.

É frequente o sumiço de documentos, a “queda de sistemas informatizados” e a farta distribuição de bilhetes anônimos com denúncias e ameaças.

Sofre, por exemplo, quem trabalha de verdade em ministérios e escritórios da estrutura previdenciária ou da Receita Federal.

As grandes sabotagens acabam produzindo ecos na mídia. Ninguém se esquece do caos artificialmente criado no sistema de controle aéreo.

Esse braço do movimento de desestabilização era dirigido claramente por botinudos empijamados, muitos deles filiados a organizações de ultra-direita.

Nessa frente, a Anas vibrou com o desastre do avião da TAM, em Congonhas, em 2.007.

Seguiu-se a divulgação da teoria “grooving” e a acusação de Ali Kamel ao governo federal. E, imediatamente, os golpistas saíram às ruas, encamisados pelo movimento “Cansei”.

Talvez confiante no sucesso da intentona, alguns de seus articuladores botaram as cabeças para fora da toca.

Foi o caso do presidente de uma poderosa multinacional de eletroeletrônicos e do capo de um das maiores agências de publicidade do Brasil.

Esse propagandeiro baiano, aliás, foi o mesmo que tratou de disseminar o terror psicológico em seu segmento após a queda do Lehman Brothers, em Setembro de 2.008.

Há inúmeros casos de ações de sabotagem puramente midiática. Uma delas foi liderada pela palpiteira que serve de articulista para o jornal da família Frias.

A boneca “Emília” das redações instaurou o pânico na população, propagandeando o avanço irrefreável da peste amarela.

Por conta desse ato de sabotagem, gente incauta perdeu a vida ao tomar doses desnecessárias da vacina.

O mesmo jornal, em outra ocasião, construiu uma peça ficcional de terror, ao antecipar que milhões de brasileiros contrairiam a Gripe Suína, e que muitos morreriam por causa da doença.

O abilolado Hélio Schwartsman escreveu que a moléstia atingiria até 35 milhões de pessoas em dois meses. Também afirmou que de 3 milhões a 16 milhões de brasileiros precisariam de atendimento médico.

Na época, a Anas mobilizou-se também para dar voz à nova Francenilda, a receiteira mulher do ex-ministro de FHC. O alvo? Dilma Rousseff.

Mais adiante, a agência compôs o roteiro sinistro e bizarro da divulgação antecipada da prova do Enem.

Primeiramente, estranha-se (?) que a gráfica palco da farsa seja ligada a uma das empresas jornalísticas que encabeçam o permanente movimento golpista.

Os responsáveis oficiais pela sabotagem, na verdade, não procuraram simplesmente auferir do ato criminoso o lucro fácil e rápido.

Ao contrário, empenharam-se em entregar a prova aos dois maiores jornais de São Paulo.

Os ladinos sabiam, obviamente, que jamais receberiam os tais R$ 500 mil exigidos em troca dos exemplares do exame.

O motivo presumível? Queriam se passar por meliantes comuns.

No caso do Estadão, note-se que um dos bandidos fala em “derrubar o Ministério”.

Logicamente, o pessoal da Anas tem como proteção a tradicional barreira de laranjas e colaboradores voluntários do baixo clero sabotador.


A pânico do blecaute

A mídia já trata de associar de confundir fatos e conceitos, associando o blecaute de 2009 à crise estrutural do sistema, obra do governo privateiro de Fernando Henrique Cardoso.

No início da década, o Brasil sofreu um colapso no sistema energético. Simplesmente, não havia como atender à demanda.

O país se apagou por decreto governamental e retornou ao tempo da vela e da lamparina. O prejuízo ultrapassou a casa de US$ 50 bilhões, segundo os cálculos mais modestos.

Na época, a indústria e o comércio puxaram o freio. Sobre o Brasil, deitou-se a sombra pesada da incompetência tucana.

No governo Lula, o sistema foi inteiramente remodelado. Usinas geradoras foram construídas em tempo recorde. Novas linhas de transmissão ampliaram a malha de transporte de energia.

O Brasil, hoje, produz energia suficiente para atender à demanda do crescimento econômico.

Somente o desejo de enganar a opinião pública, portanto, justifica a comparação entre o blecaute pontual de 2009 e a crise energética do início da década.

No caso dos eventos de 10 e 11 de Novembro, convém considerar, sim, a hipótese de sabotagem.

Em várias ocasiões, os serviços de inteligência norte-americanos apontaram a ação de hackers como causa de blecautes regionais no Brasil.

“Coincidentemente”, há poucos dias, foi esse o assunto do programa “60 minutes”, da rede norte-americana CBS.

Convém lembrar que um hacker não é necessariamente um moleque espinhudo que usa tênis All-star e tenta conquistar o mundo enquanto bebe o Nescau espumante que a mamãe lhe preparou.

Há hackers muito mais sofisticados, que vendem seus serviços a grupos de interesse nos campos da política e dos negócios.

O grande problema é que dificilmente uma instituição sabotada e hackeada divulga a verdadeira natureza desses golpes.

Ao admitir que foi sabotado, qualquer governo expõe-se como vulnerável.

Menos mal, por enquanto. Temos luz. E, desta vez, não houve fogo, explosão e vítimas fatais.

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PressAA

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Muro da Vergonha e o dos Sem-Vergonha

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Texto recebido por e-mail da Rede Castorphoto.

Senhoras e senhores,

Comemora-se, nesses dias tão felizes, o aniversário da queda do muro de Berlim.

Mas que coisa mais hipócrita e ridícula !

Por que não se obriga Israel a demolir o muro que foi construído para segregar os palestinos ?

Ele é MUITO mais odioso do que o de Berlim, porque cerca muitas cidades e aldeias palestinas, deixando somente uma passagem para os moradores entrarem e saírem daquelas povoações. Mas para fazer isso eles, palestinos, em suas PRÓPRIAS TERRAS, têm que se submeter a postos de controle israelenses, contruídos nas únicas "saídas" das cidades.

Veja, aqui embaixo, as características do muro de Berlim, e a seguir, o Muro da Segregação (é esse o nome que ele recebeu do próprio governo de Israel), conforme relatado por uma entidade ISRAELENSE, a 'The Applied Research Institute' (Instituto de Pesquisa Aplicada), de Jerusalém.

1. BERLIM :

Construído na madrugada de 13 de Agosto de 1961, tem alguns dos seguintes números:


155 km de comprimento

106 km de muro com 4 metros de altura

67 km de grades metálicas com arame farpado

1 km de valas antitanques com 5 metros de profundidade

105 km de valas com 2,5 metros de profundidade

127 km de cercas eletrificadas

124 km de caminhos para patrulhas

302 torres de observação

20 bunkers

Veja, no endereço indicado abaixo, um vídeo com a animação da "reconstrução" do muro de Berlim. Depois, compare com o relato abaixo, sobre o Muro da Segregação da Palestina.

Veja o vídeo, no endereço abaixo:

http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1365888-17398,00-VEJA+ANIMACAO+QUE+RECONSTROI+VIRTUALMENTE+O+MURO+DE+BERLIM.html

O Muro da Segregação, na Palestina, que tinha 770 km em 2007, e hoje já exibe 895 km (portanto, aproximadamente 6 vezes mais longo que o alemão) e 12 metros de altura (portanto, 3 vezes mais alto que o berlinense), com uma faixa de segurança de 200 metros de largura (o que resulta 5 vezes mais larga que a do muro alemão...), põe "no chinelo" o famosíssimo muro de Berlim que se comemora o 20º aniversário de sua queda e demolição.

A seguir, dados sobre o Muro dos Sem Vergonha (o de Berlim era conhecido como o Muro da Vergonha, se vocês se lembram) construído por Israel para segregar os palestinos e tomar-lhe os recursos naturais.

2. MURO DA SEGREGAÇÃO, na Palestina:


Em junho de 2002, o governo israelense iniciou uma politica de segregação unilateral entre Israel e o Territorio Palestino Ocupado (OPT), estabelecendo uma Zona de Segregação junto as terras do ocidente da ocupada Cisjordânia. A Zona de Segregação Israelita abrange uma area geográfica substancial e significativa, rica em recursos naturais (água aquiferos), por correr ao longo e através da parte ocidental da Cisjordânia de norte a sul, capturando os mais férteis terrenos agrícolas, isolando comunidades palestinas em enclaves, minando a contiguidade territorial entre as cidades e aldeias palestinas, controlando os recursos naturais, e englobando a maior parte dos colonatos israelitas ilegais. Neste momento, uma explicação do termo 'Muro de Segregação' está em ordem, uma vez que reflete duas formas de estruturas utilizadas pelo Exército israelita para concluir a sua missão na separação territorial do OPT: é tanto uma partição concreta de 8 a 12 metros de altura ou um cerca multipla. Em ambos os casos, o termo Muro de Segregação se aplica .

O Muro de Segregação que corta vastas terras de agricultura é um tipo de vedação que assola uma área de 40-100 metros de largura ao longo da sua rota, e inclui cercas de dupla-camada que são reforçadas com arame farpado, trincheiras, estradas militares, e a faixa de detecção de pegadas (idêntica à que os nazistas construíram na faixa de "segurança" do muro de Berlim), bem como uma cerca de metal eletrificada de quatro a cinco metros de altura, com câmeras de vigilância. Outras partes do Muro de Segregação, que correm através de centros populacionais consistem de 8 a 12 metros de altura que são colocadas juntas de modo a formar uma imensa barreira concreta e sólida com torres militares de até 250 metros.

As alterações na rota do Muro de Segregação Israelita desde 2002

Uma vez que Israel sancionou a construção do Muro de Segregação, em 2002, que foi sujeito a várias alterações que visam beneficiar os colonatos israelitas, em vez da população palestina. Cada mudança resultou em um aumento do comprimento do muro e de uma expansão da área segregada.

Mesa 2: Alterações na rota do Muro de Segregação Israelita entre Junho de 2004 e Abril de 2007

Data da Mudança_______Comprimento do Muro_____Área______% da Area da Cisjordania
Junho 2004_______________645 km_____________633 km²__________11.2
Fevereiro 2005____________683 km______________565 km²__________10
Abril 2006________________703 km_____________555 km²___________9.8
Abril 2007________________770 km_____________713 km²___________12.6


Fonte: ARIJ GIS Database 2007


De acordo com o último plano revisto em abril de 2007, o muro na Cisjordânia teria 770 km de comprimento, dos quais apenas 80 km (10,4 por cento do seu comprimento total) construídas ao longo da Linha do Armistício de 1949 (Linha Verde). Quando concluído, irá isolar 713 km quadradros da Cisjordânia (12,6 por cento do total da área - 5661 km2) em que veio a ser conhecida como a Segregação da Zona Ocidental - o espaço entre o muro e a Linha do Armistício de 1949 (Linha Verde). Além disso, o muro vai juntar 107 colonatos israelitas (incluindo aqueles ao leste de Jerusalém), acomodando 425.000 pessoas, mais de 80% do total da população israelense assentada na Cisjordânia (530.000).

O mapa do muro que foi revisto e aprovado em abril de 2007 foi publicado em setembro de 2007 no website do Ministério da Defesa israelense, cinco meses após o aval. Ele observa algumas alterações significativas nas regiões noroeste das provincias do Ramallah e no sul de Belém e Hebron (ver mapa abaixo) e aumenta o número de assentamentos que se situam entre a Linha do Armistício de 1949 (Linha Verde), e o Muro de Segregação. Mudanças que foram feitas anteriormente para a rota do Muro incluía algumas pequenas alterações, mas nada para amortecer os efeitos devastadores do Muro aos palestinos e as suas terras.

Uma zona de proteção ao longo do percurso do Muro de Segregação

Em setembro de 2004, o Exército israelense emitiu ordens militares que criaram uma zona de proteção indo de 150-200 metros de largura do lado palestino da segregação onde novas construçoes palestinas são proibidas. Como resultado, um adicional de 252 km quadrados de área na Cisjordânia (4,4%) irão tornar-se inacessíveis aos palestinos.

Mapa 1: O Muro de Segregação Israelense na Cisjordania – Abril 2007

A zona oriental da segregação

O exército israelita tem consolidado o seu controle sobre os terrenos do Leste da Cisjordânia, que é conhecido como a Segregação da Zona Leste (1.555 km ² - 27,5% da Cisjordânia) através de 28 pontos militares ao longo de 200km de norte a sul. Depois da Guerra de 1967, Israel classificou cerca de 925 km2, como parte de uma 'zona militar fechada'. Além disso, Israel tem classificado ilegalmente um adicional de 632 km2 da Segregação da Zona Oriental como 'Terra do Estado', que inclui a área dos assentamentos, de bases militares, e algumas partes das zonas militares fechadas. No total, o Plano de Segregação apropria mais de 40% do total da area da Cisjordânia.

Comunidades Palestinas afetadas pelo Muro de Segregação

Vinte e nove aldeias palestinas 'fronteiras com uma área total de 216,7 km quadrados foram capturados em enclaves por trás do muro de Segregação israelense; além disso, 138 aldeias palestinas' fronteiras com uma área de aproximadamente 554.4 km quadrados estão largamente afetadas e serão perdidas por tras da zona do Muro de Segregação.

Quarenta e cinco comunidades palestinas, incluindo mais de 43.000 pessoas, foram isoladas na Zona Leste de Segregação.

Recursos ambientais apropriados pelo Muro de Segregação

A Segregação da zona oeste isolou 29 poços e 29 nascentes.
A Segregação da zona Leste isolou 204 poços e 43 nascentes.

Até 192 km ² de terras agrícolas foram isoladas no interior da Segregação da zona oeste (6,8% do total de terras agrícolas na Cisjordânia), além de 844 km2 dentro da segregação da zona oriental (29,9% do total de terras agrícolas na Cisjordânia), ambos dos quais constituem 18,3% do total da área da Cisjordânia.

Até 246,8 km2 de florestas e áreas com arbustos estão incluídos na Segregação da zona oeste (10,8% do total de florestas e áreas de espaço aberto na Cisjordânia) e 707,8 km2 na Segregação da zona oriental (31,1% do total de florestas e espaço aberto nas áreas da Cisjordânia), ambas as quais constituem 16,9% da área total da Cisjordânia.

O Muro de Segregação e colonatos ilegais israelitas

A Segregação da zona oeste contém 107 colonatos israelitas (de um total de 199 colonatos na Cisjordânia), com uma população de aproximadamente 425.000 (mais de 80% do total da população israelense assentada na Cisjordânia).

Assentamentos na Segregação da zona oeste cobrem uma área de 106,7 km2 (15% da Segregação da zona oeste).

Cinqüenta e seis postos avançados estão localizados na Segregação da zona oeste.
Assentamentos na Segregação da zona leste cobrem uma área de 38 km2 (2,4% da área da zona).

A Segregação da zona oriental contém 39 colonatos israelitas, com uma população de 12.550 colonos (2,4% do total da população assentada).

Trinta postos avançados estão na Segregação da zona leste.

Muro de Berlim: NÃO pode.
Muro de Israel : PODE !

Visita de Netahiahu e Peres ao Brasil: PODE.
Visita de Ahmadinejad : NÃO pode !

Holocausto judaico : NÃO pode !
Holocausto palestino: PODE !

Bombas atômicas de Israel (68, pelo menos, JÁ existentes) : PODE !
Bomba atômica do Irã (sem qualquer prova de que existirá): NÃO pode !

Que pobre mundo nós vivemos, não ?

Para Israel, o novo país NAZISTA, tudo pode.
Para os palestinos e iranianos, a tortura e o sofrimento atrozes, sem apelação!

Julguem vocês mesmos !

CarlosH
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PressAA

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