quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

De volta ao faturo à custa dos bobos

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Deu no...

Folha de São Paulo publica "notícias do futuro"

Nathália Carvalho

"Qual a notícia que você gostaria de ver na Folha daqui a 90 anos?". A proposta da Folha de São Paulo rendeu um especial publicado no caderno 'Corrida' desta semana. A ideia reuniu cerca de 7.500 sugestões enviadas pelos leitores. Entre as matérias principais, está a manchete "Brasil continua com melhor IDH do mundo".

Para agrupar as sugestões dos leitores, o impresso reuniu um grupo de jornalistas, que separou e editou as reportagens. "A relação destacada pela redação reflete ainda o desejo de melhorias no transporte público ("Metrô de SP supera o de Xangai" é uma das notícias fictícias que foram produzidas) e o interesse pela exploração espacial ("Nave com turistas de 27 países deve pousar em Marte"), disse a matéria do jornal sobre a experiência.

Ainda no especial, matérias como "Teletransporte em SP pode resolver caos no trânsito", "Número de habitantes na Lua já supera a casa dos 10 milhões" e "Especialistas comentam exercícios que prometem aumentar a expectativa de vida de 120 para 150 anos" podem ser lidas. Além disso, os leitores brincaram com notícias futebolísticas, que foram reunidas no caderno 'Esporte'. O especial também está disponível na página da Folha.

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Está dando (no bom sentido!) nesta nossa Agência Assaz Atroz:

Notícias do Passado

Quais as notícias que você gostaria de ter lido há uns 50 anos?

O Goober (o cavalo alado que adquirimos da Wells & Fargo num leilão da New York Stock U$) leva você até lá...

Clique nos títulos e leia...

Folha de S.Paulo ataca torturadores dos tempos da Redentora





POR QUE A NOSSA INTERNET É TÃO BARATA (stricto senso) E BOA?
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Outras matérias que estiveram hoje sob o crivo dos pauteiros da PressAA




MÍDIA & JUSTIÇA

O júri e a imprensa

por Carlos Brickmann


"Mentira a jato

"Uma mentira pode dar a volta ao mundo, enquanto a verdade ainda calça os sapatos. (Mark Twain)

"Isto já era verdade nos tempos de Mark Twain, quando o telégrafo e o código Morse faziam o papel da internet hoje em dia, só que bem mais devagar. A velocidade da internet faz com que boatos e notícias mal apuradas circulem em todo o país antes que seja possível iniciar os desmentidos (e, considerando-se a área atingida pelos equívocos, será praticamente impossível abranger e rebater o noticiário todo). Segundo, enquanto for permitido que as pessoas mais covardes se escondam atrás de pseudônimos, os equívocos são seguidos da mais ampla divulgação possível de preconceitos. Basta assinar algo como “Gladiador Branco”, ou PKSRTL, e o mundo estará aberto para a xingação, a mentira e os preconceitos. Este é um dos nascedouros do ódio a negros, nordestinos, gays, judeus, torcedores de times adversários."


Clique no título e leia a coluna completa do Brickmann no OI.

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No blog da redecastorphoto

Síria: O fiasco dos agentes secretos franceses em Homs

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Ilustração - AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

PressAA

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O que será que te dá, ó Nega?

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As máscaras do “Cansei” genérico

A intolerância social, sexual e política que experimentamos nos dias de hoje ainda é a herança imposta a várias gerações que cresceram e se formaram sob as mordaças da ditadura militar. Está presente na direita, na extrema esquerda e, mais ainda, nos que garantem ser apolíticos ou apartidários.

Os intolerantes de direita continuam sendo os mesmos: aquele percentual que não chega a dois dígitos do conjunto social há um bom tempo. Seus ícones-gurus são, por assim dizer, adversários honestos. Como nós, dão a cara a tapa; você sabe onde estão, para quem trabalham e como manipulam a opinião pública. Já os desmascaramos várias vezes e continuaremos a fazê-lo.

Imagine o espectro político como um círculo. Nele, os extremos ideológicos se encontram e muitas vezes descobrem interesses comuns. É o caso do PSOL e do DEM. Não se pode afirmar que Heloísa Helena seja uma fascista. Saiu do PT porque o PT se aproximou ao centro, fez alianças e, assim, viabilizou seu projeto de governo. Heloísa não gostou da mistura e cuspiu no prato que comeu.


DEM e PSOL se encontram nos extremos e derrubam a CPMF. Heloísa Helena vibra ao lado dos "colegas"
A associação do PSOL e DEM no combate ao “inimigo” comum resultou, por exemplo, na extinção da CPMF em 2008. Minorias estagnadas ou em franca decadência, seus eleitores não representam perigo algum para o projeto de governo encabeçado por Dilma Roussef.

Perigosos mesmo, são os que se dizem apolíticos ou apartidários. Gente que está, consciente ou não, a serviço da ultra-direita fascista. Estes, sim, estão em franca ascenção nas redes sociais e portais da Internet. Usam diversas máscaras. Repare naquele tipo cético, indignado, decepcionado com tudo à volta. Entra em qualquer roda – e o papo é mais ou menos o mesmo: “político é tudo ladrão, tem que fuzilar todos”, o clássico “este país não tem jeito – acorda Brasil” etc. Não conseguem formular uma frase que não tenha palavras como “corruptos” e “corrupção”. O curioso em relação ao estigma da corrupção é que não se interessam pelo sujeito oculto: o corruptor. Não mencionam nomes, generalizam para não revelarem seu propósito. Quando se referem ao passado com discreto saudosismo, recuam de 2002 direto para ditadura – sem escalas no mandato de FHC. Lamentam reconhecer que sob o regime militar “político ladrão não tinha perdão: morria em vala rasa”. Para não parecerem completos alienados, têm pequenos surtos de informação política e se aventuram em citar Fidel Castro ou Hugo Chavez em suposta conspiração comunista sob a “conivência da nossa imprensa” – como quem acha pouco ou nenhum o golpismo diário do PiG.

“Cansamos”, “Basta de”, “Fora os”… são expressões presentes na maioria de seus banners. A tática não é propor solução nem destacar algum político “bom”, mas desmoralizar TODA a classe política que aí está. Em sua lógica surreal, fica sub-entendido que depois de fuzilarmos os ocupantes do Palácio do Planalto, do Congresso e da Câmara, e varrermos assim toda a corrupção que nos corrói, o povo iluminado pela “nova era” descobrirá, espontaneamente, que ainda tem gente boa para nos governar. Quem? Ora, todos que não nos governam atualmente. Certo? Deixa eu adivinhar: Agripino Maia, Maluf, Serra, Kassab, Bolsonaro… Quem sabe o Tiririca – pior do que está não fica?

Todos conhecemos alguma pessoa que não liga pra isso, esse negócio de política. Gente que não dá a mínima, que não acredita nem se interessa por política e políticos. Uns são religiosos, outros praticam aeróbica. Uns são músicos, outros intelectuais. Uns viajam, outros meditam. Uns tem muita grana, outros nenhuma… Para um apolítico, não importa quem governa: sua vida segue sempre igual.

Mas quando alguém decide reunir um grupo para reivindicar, protestar ou difundir uma causa ou palavra de ordem, seja no condomínio onde mora, no seu bairro, ou nas redes sociais – estará fazendo política. Mesmo que não se dê conta disso.

Outro dia segui uma amiga no Facebook e cheguei a um grupo que propunha fazer abaixo assinado para “acabar com os corruptos que mamam nos impostos provenientes do nosso trabalho suado”. Ok, até aí eu concordo. Mas por que não citam nomes? Eis o x da questão! Deixam isso pro visitante “descobrir”. O dono do pedaço usa um avatar com aquela máscara do Anonymous e prega o voto nulo. Discordei, argumentei com o Zé Mané mascarado que não está certo fazer campanha para o voto nulo. Porque o voto é a única arma que temos para mudar as coisas, que é preciso distinguir os bons e maus políticos… 5 minutos de debate e o mascarado já me “acusava” de petista, comunista, de estar sendo pago pra falar bem do governo etc.

Aí me dei conta de que andei incorporando “amigos” no Facebook sem saber quem eram de fato. Me dei conta também, que a nova tática da direita é acusar a espécie política, o genérico. Porque só assim conseguem atacar o PT. Porque os governos de Lula e Dilma são muito bem avaliados e de fato alavancaram o Brasil de cabo a rabo, dos bancos às favelas. Porque nem a imprensa deles tem como omitir e o jornalista tem que fazer uma ginástica enorme, criar factóides sem fundamento pra desmerecê-los. Lembrei de como a campanha de Serra evitou atacar Lula.

O movimento “Cansei” não cansa nunca. É um camaleão grotesco que se apropriou da máscara alheia.

Aliás, será que os verdadeiros hackers do Anonymous não pensaram que QUALQUER pessoa do planeta pode usar essa máscara e se fazer passar por eles? Se amanhã eu formar um grupo que se reúne aos sábados pra jogar boliche e usarmos essas máscaras, como saberão se somos ou não os hackers que invadem e derrubam o site do Pentágono? E mais: o que faz um fascistóide pensar que seus “ideais” são os mesmos do verdadeiro Anonymous?

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Artigo recebido por e-mail de ronichira@terra.com.br
que nos indicou o seu blog...
O que será que me dá? OU DEMOCRATIZAMOS AS COMUNICAÇÕES OU MERGULHAMOS NA BARBÁRIE

A nossa Agência Assaz Atroz agradece.

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Outras matérias que estiveram hoje sob o crivo dos pauteiros da PressAA

O amargo chá do colonialismo inglês

por Gilson Caroni Filho, em Quem Tem Medo da Democracia

"Voltemos à guerra de 1982. Quatro anos antes, em 1978, Chile e Argentina estiveram a ponto de entrar em guerra pelo litígio do Canal de Beagle. Ao serem desatadas as hostilidades pelas Malvinas, o governo de Santiago recusou a aliar-se aos seus vizinhos como fez o resto da América Latina, opôs-se à convocação do Tiar (Tratado Interamericano de Assistência Recíproca) e absteve-se em todas as votações que condenaram a agressão britânica e o apoio norte-americano. A posição chilena favorecia o Reino Unido e, contudo, os ingleses colocaram o parceiro em evidência, expondo-o a consequências desagradáveis."

A “crise do capitalismo global” – Crise de quem? Quem lucra?

É só clicar...

Recebido por e-mail da redecastorphoto

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Iustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SOFRENDO OS DRAMAS DA ALTITUDE

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(Excertos do livro "Viagem ao Umbigo do Mundo", publicado em 2006)

Urda Alice Klueger*

A ordem, para a manhã seguinte, era a de usar toda a roupa quente – Arequipa estava a mais de 2.300 metros de altitude, mas dali subiríamos abruptamente para altitudes bem maiores.

Cheia de roupas de lã e usando os apetrechos de couro da Dona Rose, partimos para uma imediata subida tão logo saímos do meio dos três vulcões daquela cidade tão simpática. Eu tomara uma decisão, naquele dia: iria fazer como os PHD, resistir à altitude, continuar a viagem de moto por mais alto que estivéssemos, não me deixar ficar como morta no carro de apoio como acontecia a cada vez que subíamos muito. Jaka já estava mascando folhas de coca, e eu tratei de passar a mascá-las também, com a técnica que havia aprendido anos antes, quando fora a Chacaltaia, na Bolívia, e quase não suportara os 5.300 m de altitude de lá. Tinha refletido sobre o assunto, e como via os motociclistas resistirem às altitudes maiores sem perderem o pique, como eu perdia, estava a achar que o ar fresco, a obrigatoriedade de ficar respirando o vento deveria lhes dar quantidades maiores de oxigênio, o que lhes permitia a resistência. Se eles podiam, eu também poderia. E fui direto para a garupa do seu Chico.

Tão logo passamos a subir o frio se fez sentir, e toda aquela roupa de couro e de lã parecia pouca para o clima. Eu mascava as folhas de coca e respirava profundamente, decidida a ficar todo o tempo em cima daquela moto, mas era como se as coisas fossem se enevoando, e a todo o momento tinha que piscar forte para distinguir bem a paisagem. Naquela altitude o consumo de gasolina das motos carburadas aumentava muito, e penso que antes de 200 km de distância, quando atingimos o povoado de Imata, que estava a 4.172 metros de altitude (e, portanto, a uma altitude superior a La Paz), já estava sendo necessário o abastecimento.

Aquele era um lugar perdido quase que no meio das nuvens, pequeno e pobre, onde sequer havia posto de gasolina, e quem vendia a nafta eram pessoas comuns, que escreviam nas paredes das casas que tinham gasolina para vender, e a guardavam em galões, nas suas salas, nos mesmos lugares onde havia crianças brincando, etc. Quando alguém comprava gasolina, a dona da casa trazia-a num balde, e a derramava no tanque do veículo através de um funil. Os motociclistas sabiam que se faziam misturas na gasolina, por ali, e quando paramos numa dessas casinhas para fazer o abastecimento, seu Chico me pediu para usar meu pobre espanhol e dizer para a mulher que não importava quanto custasse a gasolina, mas que ele a queria sem mistura. Lembro que desci da moto como que dentro de uma névoa, e lembro-me como me via como um filme em câmara lenta dizendo para a mulher:

- Senõra, sem mezcla! Sem mezcla!

Atravessamos aquele povoado com as motos abastecidas e seguimos adiante. A estrada era boa, asfaltada, e eu estava quase dormindo em cima da moto. Nossa formação continuava, mas lá pelas tantas vi seu Chico observando com muito cuidado a região onde passávamos, e em determinado momento ele saiu da formação militar e parou sua moto. No meio do nada, havia minúscula casinha de adobe, e foi para lá que o seu Chico se dirigiu, levando fotos e outros brindes, como camisetas, etc. Quase dormindo, eu fiquei aprumada na moto parada, até que o seu Chico voltou e me contou: um dia estava ali naquele lugar, quando escurecera.

Vale aqui abrir um parágrafo para contar o que acontecera ao seu Chico e seus companheiros naquela ocasião.

Alguém lhes dera informações erradas em Arequipa, dizendo que atingiriam Juliaca em duas horas, e, desconhecendo a estrada, eles tinham seguido viagem já no final da tarde. A noite os pegou naquele ponto no meio do nada, numa temperatura de seis graus negativos e naquela altitude superior a 4.000 metros. Eles eram em quatro: os PHD Chico, Dov, Della e Evangelista, e há que se dizer que o PHD Della (Della Giustina) estava com uma forte insuficiência respiratória, enquanto que o PHD Dov estava com uma costela partida – e parece que todos estavam destinados à morte pelo frio, ali naquela altitude congelante. Por sorte encontraram a polícia peruana, que os ajudou a chegar àquele lugar, pequenina casa de adobe que funcionava como uma casa de refeições, e era conhecida como uma casa de desayuno[1], se bem que servisse refeições por todo o dia e também à noite. Conta o PHD Chico que a comida do dasayuno, limitava-se a chá de coca[2] e um prato de água fervida com batatas e milho, à guisa de sopa de galinha.

Salvos pelo gongo de uma morte quase certa, nossos heróis conseguiram enfiar as motos na casinha de adobe, na metade da casinha que lhes coube, e que era onde funcionava o desayuno, e ficaram a tomar chá de coca e a tremer de frio, até ganharem quatro pelegos de lhama, que estenderam no chão para dormir em cima. Vieram também umas poucas mantas de pelo de lhama, mas tudo era insuficiente para aquele frio de menos seis graus Centígrados – e seu Chico conta que eles se amontoaram como uma ninhada de cachorrinhos, uns encostados nos outros, para tentarem se aquecer. Havia uma vela acesa, e o Dov era quem estava mais perto dela, mas ele estava tão sem forças, pela costela quebrada e pela exaustão do frio e da altitude, que não conseguia soprar o suficiente para apagá-la. Acho importante contar tal coisa para que os leitores saibam o quanto pode a altitude nos fazer mal.

Sei que eles acabaram apagando a vela e, amontoados como cachorros, tentaram dormir. Há uma pitada de engraçado naquela noite, que foi quando, de madrugada, todos eles se acordaram com as bexigas cheias, depois de todo o chá de coca tomado, e descobriram que estavam trancados a cadeado naquele minúsculo espaço. Precisavam fazer xixi, no entanto. A única solução à vista era uma banheirinha de bebê, muito pequena, que conheci através de fotos, e que dormia ali por perto. Usaram-na, e tentaram atravessar o resto da noite fria amontoados nos pelegos.

Assim que clareou, o dono do desayuno veio abrir o cadeado, e então o PHD Evangelista apressou-se a despejar lá fora o conteúdo da banheirinha de plástico. Instantes depois, as duas mocinhas, filhas da casa, apareceram naquele aposento atrás da banheirinha, que era onde costumavam fazer sua higiene matinal. E quietos e calados os PHD ficarem observando as duas mocinhas despejarem uma caneca d’água na banheirinha, e naquela água lavarem seus rostos, sem nem desconfiarem do acontecido durante a noite. Foi entre sério e surpreso que o seu Chico contou-me essa história – penso que eles estavam agradecidos, sobretudo, por não terem morrido. Devem ter tomado mais chá de coca e mais a tal sopa que ali se servia, antes de tentarem voltar à estrada, porque não foi fácil: o PHD Della estava absolutamente sem pernas. Tiveram que carregá-lo e à sua moto, e no asfalto botaram a moto em pé e o montaram nela, e saíram viajando num trio, com dois deles segurando entre si o PHD Della, totalmente baleado pela altitude. Sei que sobreviveram para contar. Na minha primeira subida aos Andes, em 1993, houve momentos em que tive sérias dúvidas se sobreviveria para contar ou não, e acabei escrevendo um livro sobre o assunto. Não se brinca com a altitude.

Desde então, a cada vez que passava por lá, seu Chico fazia uma pequena visita àquela gente e lhe levava algumas coisas. Achei bonita aquela atitude, mas estava quase dormindo e nem conseguia mais expressar o que sentia. Voltei a subir na moto e tentar respirar fundo, mas já não tinha mais forças. Sei que dormi pois acordei – e agora eu pergunto: como é que um caroneiro descobre que dormiu sobre uma moto? Descobre porque seu capacete bate no capacete do piloto da moto, e ele é acordado por aquele POC que acontece!

[1] Desayuno = desjejum, ou café-da-manhã. (Nota da autora)
[2] Em algum momento acho que devo fazer um esclarecimento, já que o assunto costuma confundir muitas pessoas: a coca (mascada ou em chá) não é cocaína, assim como a uva não é vinho. (Nota da autora)

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*Urda Alice Klueger: Escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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O PAI DO GONZO goza com tua cara

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Filmes: "Diário de Um Jornalista Bêbado"

Filme é baseado no primeiro livro de Hunter S. Thompson, autor do famoso "Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano"

André Lux*, crítico-spam

"Diário de Um Jornalista Bêbado" é baseado no primeiro livro de Hunter S. Thompson, autor do famoso "Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano". O filme é um projeto pessoal do ator Jonhy Depp que era amigo de Thompson e atuou também na versão para os cinemas de "Medo e Delírio", do Terry Gilliam (que mesmo não resistindo a uma análise mais profunda é um dos filmes mais alucinantes e engraçados do ex-Monty Python).

Hunter S. Thompson é um jornalista que sem querer inventou o chamado "jornalismo gonzo", que é definido pelo Wikipédia como "um estilo de narrativa em jornalismo, cinematografia ou qualquer outra produção de mídia em que o narrador abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura profundamente com a ação". Besteira. "Jornalismo Gonzo" é o resultado do trabalho de alguém que cobriu um evento completamente bêbado e/ou drogado e aí coloca no papel suas lembranças e experiências obtidas enquanto sob efeito das drogas. Thompson, um notório alcoólatra e drogado, foi um grande crítico do chamado "sonho americano" e tirou a própria vida com um tiro de espingarda aos 68 anos de idade.

"Diário de Um Jornalista Bêbado" conta a história de um jornalista chamado Paul Kemp (alter-ego do próprio Thompson numa atuação muito boa e contida de Depp) que vai trabalhar em um pequeno jornal em Porto Rico e logo faz amizade com outro repórter igualmente alcoólatra e viciado em rinha de galo. A primeira parte do filme é uma longa sucessão de divertidas cenas de personagens alcoolizados fazendo loucuras.

Numa dessas, Kemp esbarra no novo rico Hal Sanderson (Aaron Eckhart, excelente) que quer contratar o jornalista bebum para que ele escreva matérias positivas sobre uma jogada de especulação imobiliária que vai trazer grande fortuna para os envolvidos e desgraça para os porto-riquenhos. As coisas se complicam ainda mais quando Kemp fica deslumbrado com a namorada de Sanderson, Chenault (na pele da lindíssima Amber Heard).

Esse primeiro ato é o que o filme tem de melhor, alternando cenas engraçadas com outras de crise moral que passa a sofrer o protagonista, arrastado para dentro de um esquema corrupto sem querer. É uma pena que na segunda parte a história perca a vibração e o interesse. Nem mesmo o conflito moral de Kemp é resolvido de forma minimamente satisfatória e o filme se resuma em tolas perseguições pelas estradas de terra de Porto Rico. O romance entre o protagonista e a bela Chenault não gera nenhum tipo de conflito e também é resolvido bestamente. Outra coisa que estraga o filme é a presença do péssimo Giovanni Ribisi, aqui interpretando um jornalista ainda mais louco e drogado (que ainda por cima adora ouvir discursos gravados de Hitler!), o qual poderia ter se tornado antológico caso fosse representado por um ator de verdade.

A verdade é que o livro original (que só foi publicado após a morte de Thompson) não era mesmo grande coisa e traz apenas algumas pinceladas bem básicas do que viria a ser o estilo "gonzo" e das críticas ácidas do autor ao "sonho americano". Enfim, vale uma espiada, mas não espere muito.

Cotação: * * 1/2

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*André Lux, jornalista, presta assessoria na área de Comunicação Social, crítico-spam, administra o blog “Tudo em Cima”. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Rui Martins, direto do Festival de Cinema de Berlim

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MELHOR ATRIZ EM BERLIM
É NEGRA E FOI MENINA DE RUA

Rui Martins*

O júri do Festival de Cinema de Berlim premiou como melhor atriz uma menina rejeitada pela mãe, mais tarde pela avó, que viveu na rua antes de ser recuperada por uma organização humanitária, quando foi alfaberizada.

A atriz negra Rachel Mwanza é originária do Congo, RDC, e faz o papel de uma menina soldado, sequestrada por rebeldes e obrigada a lutar com eles depois de um aprendizado no manejo de metralhadora. Seus dois primeiros assassinatos, no filme, foram seus próprios pais. Em pouco tempo, ela é considerada feiticeira e assim sobrevive no grupo até fugir com outro soldado, também sequestrado, que é morto ao ser reencontrado pelos rebeldes. Há um toque esperança, pois a «feiticeira» tem um filho, uma família de acolha e a vida poderá recomeçar em outras bases.

Rachel, conta o realizador Kim Nguyen, do filme Rebelde, teve uma vida tão dificil quase como a contada no filme. Ela cresceu na rua e hoje ela frequenta a escola e diversas pessoas a ajudam. O paralelo entre a história contada no filme e a vida de Rachel é também interessante. Com o dinheiro do filme procuramos também ajudar Rachel; mas não é fácil, visto seu contexto familiar e ainda hoje ela precisa reunir o máximo de força e tenacidade para adquir independência.

É a própria Rachel quem conta: «Quando ainda pequena, minha mãe mudou-se para outra cidade, meu pai foi para outro lugar e eu me vi sozinha. Foi minha avó quem me cuidou e éramos seis, duas meninas e quatro meninos. Mas minha avó ficou depois desempregada e para sobreviver ela vendia pequenas coisas na rua e fazia assim um pequeno comércio para poder viver.

Foi uma época muito difícil para nós, até que chegou o momento em que não podia mais nos sustentar e um dia ela disse a um de meus irmãos que devíamos partir de casa. Os grandes precisam partir e eu guardo só os pequenos, disse minha avó. Vivíamos num lugar precário, minha avó não suportava mais a situação e eu parti. Tive, então, de arranjar o que comer na rua e sobreviver sozinha. Comecei a vender nozes, avelão e frutas secas e com isso tinha um pouquinho dinheiro. Meus pais também faziam pequenos empregos mas vivíamos na rua. Enfim, consegui um alojamento, mas as condições eram também difíceis e hostis.

Em seguida, fui viver na casa de uma amiga, ela tinha mais idade que eu e eu a ajudava nas coisas de casa. Um de meus irmãos se chama Che Guevara. Ele conhecia um branco chamado Macaré, que fazia castings para filmes, e foi assim que fui selecionada para um documentário. Depois de um documentário, ganhei 600 dólares e dei para minha avó para poder ir à escola, mas o dinheiro previsto para as despesas com a escola não foi assim utilizado e minha avó guardou para ela. Então decidi retornar ao centro de acolha onde estivera e foi assim que reapareceu o europeu Macaré, que me falou haver cenas a refazer no documentário. Um dia ao retornar à minha família, meus irmãos me disseram, soubemos que você trabalhou num filme e seria bom que você prossiga nesse caminho. Foi uma espécie de milagre, se assim posso dizer, ter trabalhado no primeiro filme e hoje sei ler, o trabalho neste filme Rebelde foi uma grande para mim e quero agradecer a todos aqueles que me ajudaram a participar desse projeto, são eles hoje minha família ».


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*Rui Martins: jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress. É colunista do Direto da Redação. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.
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Outras matérias que estiveram hoje sob o crivo dos pauteiros desta nossa Agência Assaz Atroz:

No Tijolaço do Brizola Neto...

Serra tem a unidade do ódio


No Youtube, recebido por e-mail de Miguel Angelo:
Marilena Chauí no Roda Viva - em 1989

Vale "a pena" ver o nervosismo dos entrevistadores e vale "o prazer" de recordar a aula da professora Marilena.




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sábado, 18 de fevereiro de 2012

RIO DA DÚVIDA

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Inauguração do marco do rio Roosevelt, antigo rio da Dúvida. Da esquerda para a direita, George Cherrie, naturalista americano, Ten. Lyra, Cap. Médico Dr. Cajazeira, Roosevelt, Rondon e o engenheiro Kermit, filho de Roosevelt João Salustiano Lyra/ Museu do Índio/Funai


Esta história que vos conto dá enredo de escola de samba. Do grupo de acesso D. Conheci o bisneto do presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, há exatamente vinte anos, no dia 19 de fevereiro de 1992. Nós dois - um pelo lado americano e o outro pelo brasileiro – éramos os historiadores da equipe que ia refazer uma viagem exploratória realizada em 1914, quando o bisavô dele e o então coronel Cândido Mariano Rondon desceram um rio encachoeirado que nasce em território dos índios Cinta-Larga, na Chapada dos Parecis, e que, naquela época, nem constava no mapa.

Tweed Roosevelt – esse é o nome do bisneto – era homem de negócios que atuava na Bolsa de Valores. Mexia com finanças, investimentos, bufunfa, money. Nas horas vagas escrevia a biografia do bisavô. Com outro gringo, Charles Thomas Haskell, jornalista aposentado e mergulhador profissional, concebeu o projeto de percorrer, quase 80 anos depois, os caminhos da expedição que navegou 1.500 quilômetros. Eles contavam agora, para isso, com 500 mil dólares.

O objetivo declarado da viagem de 1992 era recuperar a memória da expedição de 1914 e coletar dados que permitissem avaliar as alterações da flora e da fauna na região nessas quase oito décadas. Durante dois meses, pesquisadores iriam observar padrões de colonização, situação das populações indígenas, modificações ambientais, distribuição e diversidades das espécies animais e vegetais. Depois, fariam um livro bilíngue português x inglês e um filme. Nós dois, Tweed e eu, éramos os cronistas da aventura.

A expedição

Bom, o meu parceiro Tuíde, se me permitem assim chamá-lo na intimidade, aniversaria no final de fevereiro e ia completar 50 anos no meio da selva amazônica. Trazia no seu currículo o fato de ser bisneto do homem. E eu? O que eu tinha a ver com essa história? Como é que entrei nesse barco? Como Pilatos no Credo.

Foi assim. Os gringos queriam refazer a expedição, mas esqueceram de incluir nela cientistas brasileiros. Pode, Arnaldo? Não, a regra é clara! O Decreto 98.830/90 que regulamenta atividades de pesquisa de campo de estrangeiros no Brasil exige a participação obrigatória de brasileiros nesse tipo de atividade. Por isso, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) brecou a expedição, exigindo o cumprimento da cláusula citada.

Dois respeitáveis cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) foram chamados: João Ferraz e Geraldo Cabral. No entanto, o CNPq exigiu mais: a presença de um historiador brasileiro. Onde encontrá-lo? Corre daqui, corre pra lá, descobriram na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) uma pesquisa cadastrada sobre a Expedição Rondon-Roosevelt, coordenada por um obscuro professorzinho que orientava o trabalho de três bolsistas – Helena Cardoso, Lígia Castro e Carla Balthar.

O obscuro professor era esse filho aqui da dona Elisa, que foi chamado às pressas para um almoço no Rio Caesar Park Hotel, com Tweed Roosevelt e o casal Charles Haskell e Elizabeth McKnight, hospedado no apartamento 708, conforme minhas anotações da época, consultadas para escrever o texto que você está lendo agora.

Posto que meu inglês é macarrônico, a nossa conversa foi feita em francês e ai eles macarronavam mais do que eu. Só depois fiquei sabendo da notável coincidência e de como a história se repete. Acontece que Rondon também não falava inglês, Roosevelt não entendia bulhufas de português e os dois acabaram se comunicando num francês cachorri très jolie.

No almoço, os gringos, querendo me impressionar, disseram que o embaixador americano tinha audiência marcada com o então presidente Collor para cobrar apoio oficial à Expedição. Sei lá se era verdade! O certo é que no dia 20 de fevereiro já estávamos em Manaus, onde apresentamos o projeto no auditório Rio Jatapu, do ICHL, Universidade Federal do Amazonas. Lá estava eu ao lado dos gringos, todos eles vestidos de branco, e do historiador Luís Bitton, que era o coordenador regional do IPHAN, vestido de preto.

O que mudou

A expedição estava programada para sair no final de fevereiro de Vilhena (RO), onde o rio nasce, e terminar, em abril, em Novo Aripuanã (AM).Para isso, a empresa New Century Conservation Trust Inc havia providenciado tudo: canoas infláveis, motores de popa, cadernetas de campo write-in-the-rain impermeáveis, estojo médico, espingarda de caça de cano duplo calibre 12, pistola magnum 357, telefone para comunicação via satélite, antena, caixa de equipamento e bateria, emissor de sinal de emergência, GPS, radiotransmissores portáteis e até geradores de gasolina.

Nesses dois meses, nada de peixe, farinha, pimenta murupi. Só comida de astronauta e festifude enlatado. Aquilo me deixou cabreiro. Ainda por cima os gringos queriam que os meus gastos de viagem fossem cobertos por uma instituição brasileira. Desisti. Fiz aquele gesto americano de OK – a tradução mais perfeita de “taquiprati” - e pulei fora do barco. Fui cuidar da minha vida na universidade e da pesquisa nos arquivos. Voltei pro Rio, eles foram pra Rondônia. Na despedida, fizemos promessas mútuas, jamais cumpridas, de que trocaríamos informações sobre documentos consultados.

Das duas expedições, o relato da primeira, de 1914, é bastante detalhado. Além dos escritos de Rondon, tem um livro de Roosevelt, cujo título em português é “Nas Selvas do Brasil”. Lá, ele conta que a viagem durou dois meses, percorreu um rio perigoso e traiçoeiro que tragou cinco das sete canoas. A expedição passou 48 dias sem ver um único ser humano. Enfrentou piuns, carapanãs, abelhas, mutucas, formigas de fogo, cobras. Dois membros da expedição – brasileiros – morreram durante o trajeto.

Nessa aventura, a expedição de 1914 coletou farto material sobre mais de 2.500 aves, cerca de 500 mamíferos, inumeráveis répteis, batráquios e peixes, muitos dos quais desconhecidos da ciência ocidental. Seu principal feito, no entanto, foi colocar no mapa da Amazônia um rio - o Rio da Dúvida - que não se sabia se era afluente do Tapajós ou do Madeira. Os índios conheciam seu percurso, mas essa informação estava codificada em línguas indígenas nas quais a sociedade brasileira era analfabeta.

A dúvida foi, enfim, desfeita com a Expedição, que descobriu se tratar do principal afluente da margem direita do Rio Madeira. O rio foi rebatizado como Rio Roosevelt. Esse foi o resultado da viagem original.

E a reconstituição da expedição em 1992? Bem, os gringos, que haviam prometido mundos e fundos, nos deixaram apenas os mundos e ficaram com os fundos. Não me interessei em saber se eles publicaram algum livro ou fizeram algum filme. O Charles Haskell morreu em 1998, com 55 anos. O Tweed, que continua vivinho da silva, agora com 70 anos, declarou num documentário para a TV que na região percorrida, no intervalo de 80 anos “nothing had changed and everything had changed”. Sinceramente, precisava gastar 500 mil dólares para tal conclusão?

Ah, antes que me esqueça: com todo o respeito, sem querer ofender, mas o Tweed tinha cara de leso. A foto dele nos jornais de Manaus de 21 de fevereiro de 1992 não deixa lugar a dúvidas. Mas era só a cara, porque ele foi ativista nos protestos contra guerra do Vietnam e esteve no festival de Woodstock, em 1969. Não se sabe se lá fumou um baseadinho ou se, como o Bill Clinton, fumou, mas não tragou. Essa é a dúvida, que até hoje não foi desfeita. Rio da dúvida?

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José Ribamar Bessa Freire é professor universitário (UERJ), reside no Rio há mais de 20 anos, assina coluna no Diário do Amazonas, de Manaus, sua terra natal, e mantém o blog Taqui Pra Ti. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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O MUNDO DOS “ZUMBIS”

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Laerte Braga*

O incêndio numa prisão em Honduras matou perto de 400 presos. O “presidente” Pepe Lobo foi à tevê e em rede nacional disse que ia determinar a apuração dos fatos, punir os responsáveis e assistir às famílias dos mortos. A mídia domesticada – corrupta – não fala em presos políticos, mas em criminosos comuns.

No extinto estado do Espírito Santo, hoje dirigido por um fantoche do líder da principal máfia política local, um estudante foi preso por protestar contra o aumento das tarifas dos transportes coletivos urbanos e levado para um presídio de segurança máxima onde ficou por sete dias.

Foi preso pelos “bravos” soldados da PM – uma aberração em se tratando de polícia – e acusado da posse de explosivos. Não existiam esses. A transferência para um presídio de segurança máxima é a típica atitude de “autoridade H2o”. Ou o “teje preso”.

Honduras, com a deposição do presidente Manoel Zelaya vive um regime de terror imposto pelas elites que governam o país desde sua fundação e hoje se subordinam aos EUA. Nos arredores de Tegucigalpa, capital, está a maior base norte-americana na América Latina, conhecida como “escola de golpes”.




Lá foram planejados e montados golpes militares em vários países latino-americanos, um governo fora dos parâmetros traçados por Washington – caso de Zelaya – seria um complicador sem tamanho para os Estados Unidos.

Pepe Lobo é o típico representante de uma elite tacanha, bisonha e que ainda não descobriu nem a roda e nem o garfo e a faca. O fogo sim. Usa-o para eliminar inimigos do regime, misturados a uns poucos presos comuns (que são seres humanos e têm direitos básicos) e aí, em rede de tevê, contando com a cumplicidade da mídia domesticada – caso GLOBO no Brasil, RECORDE, BAND, Folha de São Paulo, Veja, etc –, vende a idéia cristã e democrática que de fato preside Honduras e manda alguma coisa. Pode até mandar, mas depois de consultar o comandante da base norte-americana no país.

É mais ou menos como aqueles sargentos vendidos em massa pelos filmes patrióticos de Hollywood. Ironizados num anúncio de determinada marca de canos. Quem entra por esse tipo de cano são presos políticos. A avenida da “democracia” é pavimentada sobre corpos de adversários políticos e abençoada pelo crucifixo que criminosamente Pepe Lobo coloca ao alto do fundo que se presta ao seu discurso de “líder” cristão e democrático.

O governo de ultra-direita do Chile foi chamado a fornecer peritos para identificar os corpos carbonizados. O relatório final já está pronto, os “especialistas” vão apenas sacramentar a explicação do governo para a chacina.




Líderes católicos, entidades de direitos humanos denunciam a farsa e o crime hediondo. A mídia tradicional silencia.

O julgamento de Lindemberg Alves, um criminoso comum, vira manchete prioritária em todo o Brasil, na ânsia de alimentar a alienação dos “zumbis” conduzidos ao estilo Big Brother.

A prisão de um estudante em flagrante violação à lei num presídio de segurança máxima foi tão somente a costumeira tentativa de intimidar, coagir e assim buscar que os protestos contra o fantoche que imagina governar alguma coisa (Paulo Hartung governa o extinto Espírito Santo hoje um condomínio de máfias chamadas empresas), não aconteçam, os desmandos sejam acatados.

Notícias desse tipo de fato só fora da mídia de mercado. O silêncio é absoluto sobre assuntos assim. Tanto na mídia nacional, quando na estadual. São braços das quadrilhas.

Isso equivale a tratar o cidadão como objeto de segunda categoria na mentira de cada dia em redes de tevê, jornais e revistas.

Se listados os abusos – e são muitos os relatórios que condenam o Brasil por procedimentos abusivos de autoridades e polícia militar principalmente – contra direitos humanos, a quantidade de papel a ser gasta será absurda.

Pior que isso é o incitamento direto e indireto, via mídia, que direitos humanos são eufemismo para proteger criminosos. Abre espaços para barbáries em Honduras, no extinto Espírito Santo, em Guantánamo – campo de concentração montado pelos EUA em território ocupado de Cuba – e assim por diante. Mas vira “bandeira” quando um robô/jornalista defende assassinatos seletivos.

A afirmação feita pela presidente do Brasil Dilma Roussef que “direitos humanos não podem ser uma arma ideológica”, a despeito dos rumos do governo, é precisa, correta.

Chegou-se a um ponto que o robô/jornalista – Caio Blinder – defende publicamente numa rede de tevê via satélite a validade e a necessidade dos assassinatos seletivos praticados por serviços secretos norte-americanos e israelenses, como forma de defender a “democracia”, a “paz”. E é secundado por um foragido da justiça brasileira o jornalista Diogo Mainardi. Não há espanto e nem indignação por um disparate desses.

A dose de anestesia aplicada pela mídia paralisa o que William Bonner chamou de “Homer Simpson, o público/vítima desse tipo de informação.

É o grande desafio das forças populares. Acordar, despertar desse estado as pessoas que a cada dia mais marcham como “zumbis” numa ordem desordenada que mantém intactos privilégios e leva o ser humano a uma condição de objeto/abjeto.

Os ataques do governo sírio contra rebeldes e mercenários financiados pelos norte-americanos vão ser sempre violação dos direitos humanos e o são numa boa medida (pelo caráter ditatorial do governo). A destruição da Líbia em nome de interesses de empresas e bancos do cartel ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A foram divulgados como “missão libertadora”. A desordem na Líbia após a “ajuda humanitária” da OTAN (braço do terror capitalista) é de tal dimensão que as tribos brigam entre si e forças remanescentes do governo de Kadafi começam a ganhar espaço.

Na Grécia, um levante popular, protestos e luta contra pacotes impostos por bancos e grandes corporações, que sugam mais ainda os trabalhadores são vistos como manifestações de inconformismo diante do “estupro inevitável”. A necessidade de salvar a Comunidade Européia. O que é isso a não ser um arranjo das classes dominantes?

Cada vez mais, em países considerados “democráticos”, o poder popular é menor. Limita-se ao voto na presunção que isso é o bastante e ato contínuo os governantes entram na imensa bolha do capitalismo e só retornam ao mundo dos “zumbis” quando for novamente a hora de votar.

Não há quem seja “zumbi” por vontade própria, pelo menos nessa condição. Mas há um claro processo de formação de legiões de “zumbis” dóceis, servis à ordem dominante e em caso de reação a borduna. Seja em Honduras, no extinto Espírito Santo, no Egito, em qualquer canto do mundo onde prevaleça a informação que defende “assassinatos seletivos” pela “paz” e pela “democracia”.

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Leia também...



Vídeo aficionado confirma que hubo disparos en el interior del Centro Penal de Comayagua

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*Laerte Braga é jornalista e colabora com esta nosssa Agência Assaz Atroz

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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