sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Hebe Camargo, que Deus a tenha no calor de uma de Suas muitas moradas

.

Artigo recebido via e-mail de Rosa Pena, escritora carioca, colaboradora desta nossa Agência Assaz Atroz.

Acesse o site da Rosa e leia crônicas, contos, poesias e prosas poéticas:  ROSA PENA



Hebe Camargo e o respeito à vida (ou a falta dele)


Sérgio de Moraes Paulo

Dou aulas de Geografia há 19 anos. Talvez poucos nomes foram tão lembrados nas minhas aulas quanto o de Hebe Camargo. E tenho certeza de que jamais disse algo de bom a respeito dela. Muita gente deu risada e, de vez em quando, alguém não se continha e perguntava: "Mas por que você não gosta dela?". Para alguns alunos eu dizia as minhas razões. Na maior parte das vezes respondia com outra pergunta: "Por que deveria gostar dela?", ou ainda, "Dê-me pelo menos 3 razões para gostar dela...". Nunca me disseram uma única razão.  

Ontem Hebe Camargo morreu e não foram poucos os amigos que me avisaram. Mensagens pelo celular, recados em caixa-postal e mais de 60 notificações no Facebook me obrigaram a dizer qualquer coisa. 

A primeira coisa que pensei foi explicar, finalmente, as razões de minha implicância com a falecida. Mas julguei que tão importante quanto isso seria deixar claro que não havia motivo para debochar da sua morte. Quem respeita a vida e luta contra os abusos contra ela não tem o direito de brincar com a morte dos outros. Eventualmente uma piada ou outra acaba saindo, em ambiente privado, descontraído. Publicamente não é bom. E no mundo em que vivemos é preciso cada vez mais separar o que é íntimo, privado, daquilo que pode ser público, aberto. 

E eis que aí procuro me diferenciar de Hebe Camargo. A busca pela correção   naquilo que tornamos público. 

Já disse algumas vezes, para algumas turmas de alunos, que um professor deve ter responsabilidade com aquilo que diz. Brincadeiras à parte, manifestações racistas, preconceituosas ou que preguem qualquer tipo de mal individual ou coletivo, devem ser combatidas, mais do que evitadas. Na minha carreira de professor tive períodos de lecionar, semanalmente, para centenas de alunos. Não tive o direito de pregar ódio. E procurei ser cuidadoso com isso. Sempre, apesar de erros.

Hebe Camargo tinha um alcance maior. Em rede nacional de TV atingia milhões de brasileiros. Era descontraída e tinha uma capacidade de comunicação rara. Reconhecer isso não me traz nenhuma dificuldade. Minha repulsa era justamente o que ela fazia com essa capacidade rara de comunicação. 

Quem ler o livro "Autopsia do medo", de Percival de Souza, ficará sabendo de muitas histórias a respeito do maior torturador do regime militar, Sergio Paranhos Fleury. Nele saberá de ao menos uma das relações entre o delegado torturador e Hebe Carmargo. 

Fleury se notabilizou pela capacidade de combater opositores do regime militar, em especial os guerrilheiros.  Ele era um delegado de péssima reputação na polícia de SP, mas foi útil ao empregar suas "técnicas" para a ditadura. Um promotor público de SP, baixinho e fisicamente frágil, chamado Hélio Bicudo, ousou enfrentar o delegado torturador, assassino e ocultador de cadáveres. 

Hélio Bicudo sabia que não podia enquadrar Fleury por crimes de combate a perseguidos políticos. Usou outra estratégia. Resolveu enquadrar o delegado pelos abusos que cometeu ANTES de ser agente da repressão política. Fleury fazia parte de um esquema de assassinatos conhecido como "Esquadrão da Morte", e por ele foi processado e julgado. 

A estratégia de Hélio Bicudo foi tão engenhosa que a ditadura não tinha como livrá-lo da cadeia. A solução para a ditadura foi mudar a lei. Inventou que réu primário não precisava necessariamente ser preso. A lei ficou conhecida como "Lei Fleury". Criada para livrar a cara de um delegado torturador. 

No processo contra Fleury foram arroladas testemunhas para a sua defesa. Uma delas foi Hebe Camargo. Fleury agenciava policiais que trabalhavam como seguranças para cantores e gente da televisão. Por isso era bem relacionado com gente da TV. A estratégia da sua  defesa foi impressionar o tribunal com uma figura conhecida e muito influente. 

Muita gente pode ser poupada de críticas pelo que fez ou  deixou de fazer durante a ditadura. Hebe Camargo não. Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. 

No período pós ditadura não me impressionou que Hebe apoiasse Paulo Maluf e atacasse uma figura como Dom Paulo Evaristo Arns. Não foram poucas as vezes em que vi Hebe Camargo protestar contra defensores de direitos humanos. 

Também não me causou espanto vê-la no falido movimento "Cansei", aquele que tentou explorar politicamente a dor causada pela queda do avião da TAM. O movimento "Cansei" partiu de uma ação nojenta. Usar a morte e a tristeza para interesses político-eleitorais. Hebe Camargo mais uma vez não respeitou isso. 

Num país que valorizasse a vida humana e o respeito ao direito básicos de TODOS, Hebe Camargo não teria público. Não seria proibida de falar as bobagens e as apologias de violência que tanto apreciava. Num país mais civilizado ela simplesmente seria ignorada.

Entendo que uma figura como Hebe Camargo não aparecerá novamente, pela simples razão de que a televisão já não é a mesma. Até poucos anos atrás uma apresentadora de TV tinha um peso muito grande na opinião das pessoas, pois não havia muitas opções. Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV. É cada vez menor o número de pessoas que ainda assistem novela e que levam a sério porcarias de programas como os que são apresentados na TV brasileira. 

O que lamento nessa história toda é que a saída de Hebe Camargo da TV brasileira se tenha dado apenas por conta da sua morte. O país que desejo para o povo seria capaz de se livrar desse tipo de conduta sem a morte. 

O respeito à vida me obriga a continuar lutando e me manifestando nessa direção. O respeito à vida humana  que Hebe Camargo jamais demonstrou ter. 

Morreu Hebe Camargo e espero que um dia morra esse jeito nefasto e desumano de usar a TV no Brasil. 

________________________________

Leia também...


No "Aqui Agora": fama de justiceiro

O jornalista Joaquim de Carvalho, paulista de Assis, fez em 1994 o primeiro grande perfil de Celso Russomanno. Foi para a revista Veja São Paulo. Russomanno era um campeão de audiência no programa sensacionalista Aqui Agora e havia se elegido deputado federal com mais de 200 mil votos. A convite doDiário, Joaquim escreveu sobre os bastidores dessa matéria. Ele conta que Russomanno lhe suplicou, de mãos juntas, para não publicar uma denúncia. “Se você acredita que eu posso fazer alguma coisa boa por este país, pelo direito do consumidor, não publica isso. Vai ficar difícil para mim.”

Joaquim passou pelo Estadão, Veja e Jornal Nacional. Hoje, aos 49 anos, faz reportagens para a produtora Memória Magnética. É autor do livro Basta! Sensacionalismo e Farsa na Cobertura Jornalística do Assassinato de PC Farias, finalista do Prêmio Jabuti de 2005.

(Clique no título e leia matéria completa)
________________________________


Nota recebida via e-mail da redecastorphoto


Vocês se lembram de quando FHC comprou votos para mudar a lei e reeleger-se?

E a PRIVATARIA TUCANA, por que não virou CPI? Por que não foi ao STF?

Resposta: porque neste país a classe dirigente é soberana. É ela que decide quem deve ou não ser julgado e condenado. O objetivo não é a tal corrupção, endêmica no país. O objetivo é desmoralizar o PT. Se a meta fosse a corrupção, o tucanato todo já estaria atrás das grades.

Baixe o especial PRIVATARIA TUCANA, do Brasil de Fato, aqui: http://www.brasildefato.com.br/node/9737. (O linque para o material está no fim da página.) Distribua aos amigos, conhecidos, pelas redes sociais.

Exijamos justiça. Afinal, o PSDB vendeu o patrimônio de todas e de todos as/os brasileiras/os, ninguém sabe onde esse dinheiro foi parar e o Judiciário brasileiro nunca se interessou em investigar o caso. Façamos um movimento nacional para exigir punição aos responsáveis -- entre os quais está o intragável José Serra, o que tem o mais alto índice de rejeição do eleitorado brasileiro.

Só uma perguntinha: alguém já investigou o motivo da morte da jovem esposa de Celso Russomano, anos atrás, no hospital São Camilo? Houve exames de vísceras, de tecidos? Se não houve, ainda é tempo.

Baby


__________________________________________

Outra nota recebida via e-mail da nossa correspondente...

Avelina Martinez Gallego

Amigos,
Respeito a decisão de cada um de vocês em relação ao voto! Partindo desta premissa gostaria que vcs. fizessem uma reflexão sobre o que está em jogo nestas eleições:

Todos sabem que defendo a candidatura de Fernando Haddad para a prefeitura de São Paulo, porém não venho pedir seu voto para ele, venho pedir que vcs. reflitam sobre o que, realmente, está em jogo nestas eleições.

Defendo a candidatura de Haddad, pois acompanho a trajetória dele no MEC há 8 anos e não posso, conhecendo um pouco do tema educação, deixar de defender a verdadeira revolução silenciosa que ele fez nas políticas educacionais do país. Ainda não está como gostaríamos que estivesse, ma ninguém pode deixar de perceber que o ministro Haddad fez pelos estudantes mais pobres deste país o que nunca havia sido feito.

Mas o objetivo deste e-mail não  é convencer vc. de que o meu candidato é melhor que o seu, respeito sua decisão.

O perigo maior que estamos correndo é ver o candidato Serra, um moribundo político, ganhar forças para, se for eleito, largar a prefeitura de novo daqui a 2 anos nas mãos de um aventureiro como o Kassab.

 Não tenham dúvidas que, se Serra for para o 2º turno, ele ganha as eleições, pois o PSDB do Brasil inteiro jogará suas forças políticas e econômicas na candidatura dele.

Mas se não ganhar a eleição o que fizemos levando-o para o 2° turno foi dar sobrevida a um político da pior espécie que já está praticamente aniquilado.

O que Serra quer na verdade é ganhar força política pois em breve ele terá que enfrentar os tribunais para responder sobre os processos que estão descritos no livro A Privataria Tucana. ( se vc. ainda não leu, informe-se na Wikypédia :http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Privataria_Tucana

Pois bem, não há outra maneira de nos livrar desse tipo de políticos a não ser cortando pela raiz suas pretensões, não permitindo que ela vá para o 2ºturno.

A única maneira de não permitir que ele tenha uma sobrevida política é não permitir que ele vá para o 2º turno votando no Haddad. 

É isso mesmo voto ÚTIL para livrar São Paulo e o Brasil do político mais nefasto que já tivemos.

Por isso estou pedindo voto útil para Haddad. No segundo turno vc. avalia em quem votar.

Vamos pensar nisso, pelo bem do Brasil.

Se voce concorda comigo, peço-lhe que repasse para seus amigos e familiares

Abraços e obrigada

Avelina Martinez ( socióloga e consultora em educação)

______________________________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

______________________________________________


PressAA


.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Brasil "vira-lata" vira História em livro de Aurelio Schommer

.



Aurelio Schommer, professor, historiador e escritor, acaba de lançar o livro “História do Brasil vira-lata”, pela Editora Casarão do Verbo, “obra que traz amplo inventário sobre o problema da autoestima entre os brasileiros ao longo dos 500 anos de nossa história”.

“As mentes letradas, iluministas, de Portugal, consideravam o índio como igual (...) Porém, a partir da Independência, as nossas autoridades, os nossos ministros, eles assumem uma postura indianista, quer dizer, o indianismo de José de Alencar, aquela coisa [no âmbito literário], mas, na prática, eles passam a tratar o índio como idiota, como imbecil, e passam a reclamar do ‘azar’ de ter encontrado índios tão atrasados no Brasil, enquanto que os espanhóis encontraram os incas e os astecas...” – Aurélio Schommer, em entrevista ao historiador Rodrigo Lopes, na Rede Bahia de Televisão.

Assista à entrevista clicando neste título:


Sinopse da rede de livrarias Saraiva:


“O mais completo inventário já realizado sobre a tradição autodepreciativa na história do Brasil, do choque com o atraso dos índios à supervalorização do imigrante europeu e ao mito da sexualidade exacerbada. Obra em linguagem literária, bem-humorada, destruindo mitos falsos, como Tiradentes, demonstrando de onde veio tanto desamor pelos naturais do país.”

Para adquirir o livro, acesse Saraiva.com:


Sobre esta nossa Agência Assaz Atroz, para o nosso deleite, Aurelio Schommer nos diz: “O seu é um blog de belíssimo conteúdo, cada vez que recebo atualizações em meu e-mail fico feliz e abro correndo”. 

_________________________________________________

Leia também...



"O rapper paulistano Emicida estava voltando do jantar, no último sábado (29), quando deu de cara com Adelaide, personagem do "Zorra Total", na televisão da van.

Indignado, publicou uma carta no Facebook sobre a "desvalorização da mulher preta" e a "ditadura eurocêntrica de beleza".

"Estamos em um momento delicadíssimo na história do Brasil. Discute-se sobre o racismo na obra de Monteiro Lobato, cria-se um plano de prevenção a violência contra a juventude negra, porém um ataque contra a etnia que mais trabalhou por este país passa despercebido desta forma, como uma piada, o mesmo tipo de piada que foi hospedeira durante todos estes séculos da doença que é o racismo", disse.

Adelaide, interpretada pelo ator Rodrigo Sant'Anna, é uma mulher negra e pobre, que circula pelo corredor do metrô com seu "tablet", pedindo "50 centarru, 25 centarru, dez centarru" aos passageiros. Para viver a personagem, cujo bordão é "a cara da riqueza", o humorista escurece a pele com maquiagem. Ele também usa um nariz falso e uma prótese na boca sem os dentes da frente.

Recentemente, entrou em cena também Brit Sprite, a filha de Adelaide, vivida pela atriz Isabelle Marques.

"Deixo aqui meu desprezo a este 'humorista' que aproveita-se da triste situação em que esta sociedade doente colocou nossas mães/irmãs/esposas/amigas. E maior ainda é minha tristeza com nossos irmãos pretos/brancos/índios que não conseguem identificar tamanha violência racial adentrando suas casas", finaliza o rapper. A íntegra da declaração está no final do texto.”

(Clique no título e leia matéria completa)


_________________________________________________


Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

_________________________________________________


PressAA


.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A MINHA PRIMEIRA ARVORE

.

Urda Alice Klueger*






Na primeira casa da minha infância havia, ao lado, um quadrado de grama onde a minha mãe quarava roupa, e, no meio desse quadrado, a primeira árvore importante da minha vida. Era um velho pé de Pflaumen (acho que é assim que se escreve – penso que hoje as Pflaumen estão sendo chamadas de ameixas, aquelas vermelhas, que dão na época de Natal)

Aquele pé de Pflaumen continha um universo inteirinho: na sua velhice, era cheio de nodosidades, ocos e cascas esbranquiçadas meio soltas, e nele eu podia encontrar tudo o que o universo da imaginação continha. Até hoje eu não saberia dizer o tamanho que é o universo da imaginação, mas sei que ele estava todo lá. Aquela velha árvore foi o meu primeiro exercício para um dia vir a ser uma escritora.

No seu tronco,  eu encontrava tenebrosas cavernas onde, com certeza, moravam anõezinhos para os quais eu imaginava as mais fantásticas aventuras. Também fadinhas transparentes voavam por ali, eu tinha certeza, e eram capazes  de realizar qualquer desejo que uma criança tivesse. Eu via esses anõezinhos e essas fadinhas com a mesma nitidez com que via as borboletas, as bichas-cabeludas e os outros insetos que por ali andavam, e para cada um eu imaginava enredos e aventuras. Tinha um cuidado especial com as bichas-cabeludas, nas quais sabia que não deveria tocar, pois já, um dia, encostara numa delas, e doera terrivelmente a queimadura que seus pelos tinham deixado na minha pele. Mas elas eram lindas! Havia-as vermelhas, alaranjadas, amarelas, verdes – que fantásticas que eram, com suas dezenas de pezinhos e seus pequenos corpos que se movimentavam velozmente pelo tronco daquela árvore encantada!

Por ali, também, estavam as inimigas – é triste constatar que, já lá ao três anos de idade, a gente descobre que sempre há algum tipo de inimigo! As inimigas, no caso, eram as aranhas, que estendiam magníficas teias perfeitamente tecidas aproveitando como apoio as cascas do rugoso pé de Pflaumen, e nas manhãs daquela Primavera onde eu estava descobrindo o mundo, aquelas teias acordavam resplandecentes de orvalho, como verdadeiras jóias tecidas de miríades de diamantes luminosíssimos! A aranha ficava lá, bem no meio daquela luminosidade toda, e eu ficava olhando, torcendo para que ninguém quisesse chegar perto. Não tinha jeito, porém – sempre alguém acabava atraído por toda aquela beleza que resplandecia ao sol, e às vezes eu conseguia salvar o inseto desavisado, puxando-o para fora da enganosa e grudenta teia com um pauzinho. Às vezes, porém, não era possível. Então, horrorizada, eu via a aranha vir andando devagar, com toda a calma, para saborear o seu almoço. E olhem que às vezes era almoço grande, uma bicha-cabeluda inteira para uma pequena aranha – então quando não tinha o que fazer, eu fechava os olhos e corria me esconder para chorar, escondida, pela sorte daquele bichinho que estava sendo devorado.

Alguém há de perguntar: por que é que eu não matava as aranhas? Sei muito bem a resposta: porque não tinha coragem. Elas também eram vida e também faziam parte do mundo mágico e encantado daquela minha primeira árvore. Havia que tentar proteger os outros insetos, mas também havia que respeitar as aranhas e as suas teias luminosas e enganadoras.

Aquela minha primeira árvore muito me ensinou sobre a vida e sobre a imaginação. Mesmo agora, tantas décadas depois, quando as coisas ficam complicadas, às vezes eu penso nela, e desejo ser muito pequena, para voltar a ela e esconder-me numa das suas misteriosas cavernas. Imaginando com força, ainda consigo.

Blumenau, 08 de Setembro de 2002.

__________________________________________________________

Urda Alice Klueger* - escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

__________________________________________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

__________________________________________________________


PressAA


.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Delúbio Soares: Data Venia, Meritíssimos...

.



A Defesa de Delúbio Soares no STF


 EXCELENTÍSSIMOS SENHORES MINISTROS, DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Ref.: Ação Penal n° 470
Delúbio Soares de Castro, por seus advogados que esta subscrevem, vem, respeitosamente, apresentar breve Memorial nos seguintes termos.

1. A análise fria dos fatos constantes dos autos da referida Ação Penal e de sua qualificação jurídica, implica na necessidade de o acusado Delúbio ser absolvido das acusações de corrupção ativa e  formação de quadrilha.

2. Realmente, como já fartamente demonstrado na defesa final apresentada a esta Suprema Corte (Doc. anexo), após a oitiva de centenas de testemunhas, as acusações perpetradas contra o peticionário não se confirmaram. Ao contrário, o quadro probatório confirma o que o defendente sustentou desde o início:os repasses de valores questionados pela acusação tiveram como única finalidade o pagamento de despesas decorrentes de campanhas eleitorais, tanto dos diretórios estaduais do partido dos trabalhadores, quanto dos partidos que integravam a chamada base aliada.
Mais do que isso, restou comprovado que o dinheiro utilizado para pagamento de dívidas de campanha foi obtido por meio de empréstimos, junto ao Banco Rural e ao banco BMG, empréstimos esses cuja existência o Banco Central teve a oportunidade de confirmar.
Assim, em relação ao delito de corrupção, os elementos probatórios colhidos na presente ação penal revelam com clareza que não houve transferência de dinheiro para compra de votos no Congresso Nacional. É fundamental destacar que as principais reformas votadas no período questionado, só foram aprovadas com votos da oposição.

3. A acusação de corrupção não conta com nenhuma prova nestes autos.  Como restou demonstrado na defesa, inclusive por gráficos, não há nenhuma relação entre o repasse do dinheiro e o apoio ao governo, o que desnatura o falacioso “mensalão”. Não há, aliás, nenhum pagamento mensal, como também se demonstrou.
Da mesma forma, não existe relação entre apoio dos partidos da base aliada com o dinheiro relacionado aos empréstimos: ao longo do período em que foram feitos os repasses, a taxa de apoio ao governo diminuiu, o que mostra a absoluta improcedência  da acusação de corrupção.
Como já se disse, embora alegue a ocorrência de transferência de dinheiro a parlamentares em troca de apoio nas votações do congresso nacional, a acusação não logrou comprovar sua tese. Muito pelo contrário. O dinheiro está inequivocamente relacionado a despesas de campanha, o que foi confirmado por toda a prova produzida.
A acusação não demonstrou qualquer vínculo entre os alegados pagamentos e a prática de  ato de ofício, não tendo havido qualquer corrupção de funcionário público.

4. No que toca à acusação de formação de quadrilha a absolvição também se impõe. De início, é preciso recordar que a prova da infração ao art. 288 do Código penal exige a demonstração inequívoca da associação prévia e estável de todos os agentes para o fim específico de cometimento de crimes.
Afora as assertivas do douto Procurador-Geral da República, baseadas na sua percepção pessoal sobre os fatos e não na prova produzida nos autos, nada autoriza a condenação do Peticionário pelo crime de formação de quadrilha.
Ao participar da fundação do Partido dos Trabalhadores,  o Peticionário associou-se, sim, com muitas outras pessoas com o fim de propugnar por um projeto político e implantá-lo por meio do exercício do poder obtido pela via democrática.
Em relação a uma associação para a prática de crimes não há uma única prova produzida nesse sentido. Das 394 testemunhas ouvidas durante a instrução, nenhuma delas corroborou a tese acusatória.

5. O acusado Delúbio confia na Suprema Corte e, portanto, confia em um julgamento justo, com base na prova dos autos. É com a consciência de quem não fez aquilo de que lhe acusam que ele se entrega às mãos honradas de seus Juízes, confiante na absolvição.
(Copiado do site do Companheiro Delúbio )

___________________________________________________

Leia também...



A mídia conservadora já julgou e condenou os envolvidos no chamado “mensalão”. Procuram agora compelir o STF a julgar o caso segundo esta posição. E, fato grave, há ministros que estão “jogando para a plateia”, em sintonia com a mídia. Manifestam-se claramente já definidos pela condenação dos acusados, mesmo que para isto seja necessário atropelar jurisprudências consolidadas pela própria Corte Suprema.

*Por Aldo Arantes, especial para o Vermelho.org

O professor de Direito da PUC de São Paulo Pedro Serrano publicou artigo na revista Carta Capital sob o título “Juízo de Exceção na Democracia”, onde afirma: “A Corte (STF) tem adotado posições de constitucionalidade duvidosa e de mudança evidente em sua recente, mas incisiva jurisprudência no âmbito penal”.

Esta alteração na posição do STF fica patente no tratamento diferenciado dado ao julgamento do ex- presidente Collor e ao julgamento do chamado “mensalão”. Naquele caso o STF inocentou o ex-presidente por falta de provas, mesmo contra a opinião da grande maioria nação brasileira. No caso do “mensalão” tem havido uma evidente “flexibilização”, ou mais exatamente uma alteração de importantes conceitos relacionados ao direito penal.

Tal alteração se expressa na chamada “teoria funcional dos fatos”, do direito alemão. Segundo o procurador geral Roberto Gurgel, seguindo aquela teoria, “autor é aquele que tem o controle final do fato”. Não é só “quem realiza a conduta típica, mas sobretudo, quem chefia a ação criminosa. Quem planeja a atividade criminosa dos demais integrantes do grupo”. Com isto fica colocada de lado a necessidade de provas para condenar uma pessoa acusada de cometer determinado delito.

A adoção de tal fundamento jurídico visa criar as condições para condenar o chamado núcleo político do “mensalão”. Isto porque, tanto o procurador geral Roberto Gurgel como o ministro Joaquim Barbosa coincidem em afirmar a dificuldade em encontrar provas para a condenação do chamado núcleo político. Na falta destas alteram-se as regras do jogo aceitas até agora.

(Clique no título desta matéria e leia completo no Blog do Luiz Aparecido )

_______________________________________________

Ilustração: - AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

_______________________________________________

PressAA


.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Venezuela: Embaixada dos EUA pôs em marcha o plano da CIA de desestabilização

.



Discurso de Muamar el Gadafi (Kadafi) na ONU, o qual custou sua própria vida (em espanhol)


Discurso da presidenta Dilma na ONU, o qual pode custar um golpe de Estado contra seu governo

Tentativa de golpe de Estado em permanente andamento na Venezuela


(Clique título abaixo e leia em espanhol. Nossa tradução pode ter falhas - PressAA)

Venezuela: ya la Embajada puso en marchael plan CIA de desestabilización


  Embaixada dos EUA em Caracas

Duvergel CLEAUX JEAN - As seguintes informações denunciam planos de conspiração de setores estrangeiros que procuram abortar a vitória do presidente Chávez com planos previamente desenvolvidos por agências de inteligência estrangeiras e com o apoio dos exilados golpistas venezuelanos e domésticos, grupos terroristas, que culmine em intervenção estrangeira.

A oposição venezuelana está dirigida a partir dos Estados Unidos desde antes de Chávez se tornar presidente e abertamente conspirou contra o seu projeto de liderança. Estas informações mostram como se vem preparando o terreno diante da derrota da oposição, em 7 de Outubro, e onde funcionários de inteligência do governo dos EUA financiam, assessoram e dirigem de maneira direta as diversas organizações envolvidas na política, agrupadas na chamada Unidade Democrática.

· Chegou à Venezuela para permanecer até 7 de outubro o coronel Richard Nazario, um ex-militar adido na embaixada dos EUA em Caracas e que esteve envolvido no golpe de 2002 e pertence à inteligência militar.

· A Embaixada dos EUA em Caracas está fazendo grandes compras de itens como enlatados, água, toalhas, colchões, pasta de dente, entre outros, assim como eles fizeram antes do golpe de Estado em 2002.

· A Embaixada dos EUA alugou carros blindados para a temporada e movimento dos seus funcionários nos estados de Lara, Nueva Esparta, Carabobo, Aragua, Zulia, Bolívar, Mérida e Táchira, regiões que visitarão durante as eleições em 7 de outubro. Nós podemos vincular essas informações com denúncias apresentadas segunda-feira passada em Venevisión sobre as compras de Globovisión de coletes a prova de bala e máscaras antigás, preparando-se para os planos violentos da oposição diante da vitória de Chávez.

· A Embaixada dos EUA criou um centro de monitoramento para as eleições de 7 de outubro, na casa do oficial James Derham, e para atender este centro se encontra de volta à Venezuela o especialista em informação tecnológica David Mueller, que completou a missão na Embaixada dos EUA em Caracas em 2010.

· Vizinhos da Embaixada dos EUA em Caracas estão comentando que os funcionários da embaixada aumentaram o número de reuniões separadas com os líderes das organizações políticas Um Novo Tempo, Primeiro Justiça e Ação Democrática.

· James Derham, Robin Diane Meyer e Darnall Steuart visitaram em várias oportunidades a sede da empresa Polar em Maracaibo, estado Zulia.

· Nos últimos meses têm-se realizado reuniões na residência da funcionária Keiderling Kelly Franz, com representantes da cadeia Capriles, com Miguel Otero (El Nacional), Andrés Mata (proprietário do El Universal), Carlos Croes (Televen) e membros da Venevisión, Bloque de Armas, Globovisión e Canal I.

Em julho passado os funcionários do Departamento de Estado Simón Henshaw e John Mcnamara visitaram a Venezuela e se reuniram com Armando Briquet e Juan Mijares (do comando da campanha de Henrique Capriles), Saúl Cabrera, da Consultores 21, Carlos Tejera (Diretor Geral da Venacham), López Mendoza (de Fedecamaras), Jesus Machado do centro Gumilla. Janet Márquez da ONG Caritas, Ricardo Villasmil e José Guerra, que atuam como assessores econômicos de Henrique Capriles, Teodoro Petkoff, Laureano Márquez, Robert Weil e Nelson Bocaranda, Ramón Guillermo Aveledo (secretário da MUD), Miguel Enrique Otero (do jornal El Nacional), Vicente Bello (perito eleitoral da MUD), o opositor René Arreaza e Maria Corina Machado.

· O funcionário norteamericano Gregg Adams, novo chefe da seção de imprensa, tem mantido contato com os executivos da Venevisión, Globovisión, El Nacional e El Universal. Além disso, já viajou para a cidade de Maracay para entrar em contato com a direção do jornal El Siglo.

Alertamos as autoridades venezuelanas, a opinião pública nacional e internacional sobre este comportamento conspirativo que demonstra a interferência do governo dos EUA, a CIA e o Pentágono nos assuntos internos da Venezuela.

___________________________________________

Os nossos companheiros Venezuelanos solicitam que divulguemos ao máximo esta notícia.

Golpes recentes: primeiro foi Honduras, em seguida, o Paraguai...

Na lista dos golpistas: Evo Morales, Rafael Correa, Cristina Kirchner e...

Não vamos pagar pra ver! Vamos nos mobilizar!

___________________________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

___________________________________________

PressAA


.