segunda-feira, 24 de junho de 2013

PT radical chic, bonitinho mas ordinário...

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(O ex-humorista Marcelo Madureira em Os sem-vergonha de ser militante do PSDB)


Fernando Soares Campos




Certa feita, um dos nossos leitores, criticando este nosso blog, disse que nós éramos apenas “blogueiros chiques”. Chiques?! Ah, entendi, ele quer dizer “esquerda festiva”, como qualificavam a patota do velho Pasca. Não demos bola ao perna-de- pau. Semanas depois, ele mesmo mandou essa:

Dom Fernando, a prática desta Literatura joyciana, borgiana, flaubertiana lhe deve ser muito desgastante... vives um momento biológico de queima rápida de neurônios. De onde pode vir tanta regurgitação e verve para um homem só - na maturidade, quase decrepitude [Eu não mereço tanto mas também não agradeço] - conseguir criar o nome de uma agência chamada PressAA. Coisa de gênio. Como se não o fora essa retranca Assaz Atroz... quantas horas, quantas noites, quantos neurônios consumidos para obra tão relevante no conjunto das grandes criações universais.

Nosso grito de alerta, Dom Fernando, está na hora de uma autobiografia... Seja generoso com o mundo das letras... (Nosso Doktor Ferencz recomenda a suspensão por algumas horas da mardita da cacha ça... ele não consegue saber se o seu vermelhão é lulístico ou de raiva mesmo...)

Respondemos. Está tudo aí, ó...

“Em se tratando dos neurônios, eu também já tive essa sua preocupação,tempos atrás. Ou seja, achava que neurônios eram consumidos como, por exemplo, o doutor Hannibal fazia com seus inimigos explícitos e os ocultos também. Neurônios não são consumidos, são utilizados, cansam-se, descansam e voltam renovados, para novas batalhas.”

(A resposta completa pode ser lida clicando na frase linkada)


Recentemente...

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz um balanço dos 10 anos de administração federal liderada pelo PT nesta entrevista concedida a Emir Sader e Pablo Gentili, disponibilizada aqui pela “Carta Maior” e que abre o livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma” (Editora Boitempo, 2013). 
 “O NECESSÁRIO, O POSSÍVEL E O IMPOSSÍVEL”



[Trecho]

Por que seu governo provocou tanta reação da elite e da mídia? A reação das oposições aos governos do PT não é desproporcional, tendo em vista os resultados que foram apresentados?

Em 1979, eu era possivelmente a única unanimidade nacional no movimento sindical, quando surgiu a bandeira de luta pela liberdade de organização política. E eu lembro que, pela primeira vez num comício lá em São Bernardo do Campo, num comício com o PMDB, eu falei na criação do Partido dos Trabalhadores. Mas, para as pessoas que estavam em cima do palanque, a “liberdade política” não era para criar outros partidos. Era para consagrar o PMDB, o partido em que todos nós, um dia, estivemos juntos contra o regime militar. E quando nós nascemos, o que diziam de nós? “Não é possível ter um partido com as características do PT, um partido criado por trabalhadores, dirigido por trabalhadores. Isso não é real, isso não está escrito em nenhum lugar do mundo. Como é que vão agora esses metalúrgicos aqui do ABC, esses bancários, esses químicos, criar um partido?” E nós criamos o partido. Depois, eles achavam que nós não passaríamos de uma coisa pequenininha, bonita e radical. E nós não nascemos para sermos bonitos, nem radicais. Nós nascemos para ganhar o poder.

Mas vocês nasceram radicais...

O PT era muito rígido, e foi essa rigidez que lhe permitiu chegar aonde chegou. Só que, quando um partido cresce muito, entra gente de todas as espécies. Ou seja, quando você define que vai criar um partido democrático e de massa, pode entrar no partido um cordeiro e pode entrar uma onça, mas o partido chega ao poder.

Então, a nossa chegada ao poder foi vista por eles não como uma alternância de poder benéfica à democracia, não como uma coisa normal:houve uma disputa, ganhou quem ganhou, leva quem ganhou, governa quem ganhou e fim de papo. Não é isso? Eles não viram assim. Quer dizer, eu era um indesejado que cheguei lá. Sabe aquele cara que é convidado para uma festa, e o anfitrião nem tinha convidado direito. Fala assim: “Se você quiser, passa lá”. E você passa e o cara fala: “Esse cara acreditou?”.Então, nós passamos na festa, e o que é mais grave, acertamos.

E depois, tentaram usar o episódio do “mensalão” para acabar com o PT e, obviamente, acabar com o meu governo. Na época, tinha gente que dizia: “O PT morreu, o PT acabou”. Passaram-se seis anos e quem acabou foram eles. O DEM nem sei se existe mais. O PSDB está tentando ressuscitar o jovem Fernando Henrique Cardoso porque não criou lideranças, não promoveu lideranças. Isso deve aumentar a bronca que eles têm da gente –que, aliás, não é recíproca.

Leia a íntegra da entrevista clicando AQUI:


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Mino Carta: PT gostou do queijo e caiu na armadilha


O PT ficou para trás [?]

Fosse aquele anterior à eleição de Lula, hoje cavalgaria o agito popular

por Mino Carta

O Brasil vive um momento de desencontros e esperanças, nem todas bem-postas. Primeiríssima entre estas a da mídia nativa, chega a sustentar que as atuais manifestações de rua se assemelham àquelas pelo impeachment de Fernando Collor. Má informação e delírio são alguns dos atributos do jornalismo pátrio.

Quando a Globo mobilizou uma juventude carnavalizada para solicitar a condenação do presidente corrupto, o próprio já havia sido atingido fatalmente pelas provas das ligações entre o Planalto e a Casa da Dinda, levantadas pela IstoÉ.

Seu destino estava selado com ou sem passeatas. No mais, é do conhecimento até do mundo mineral que imaginar a derrubada de Dilma Rousseff naufraga no ridículo. [AA: Mas até que tentaram: redações de telejornalismo plantaram repórteres no jardim do Palácio do Planalto e incitaram o povo a invadi-lo. Debalde. Porém conseguiram que a turba enfurecida, as “minorias radicais”, depredasse o Itamaraty.]

Impávida, a mídia nativa, depois de recomendar repressão enérgica contra os baderneiros, percebeu a possibilidade de enganar os incautos ao sabor da sua vocação e tradição, e agora afirma com a devida veemência o caráter antigovernista das manifestações. Mira-se logo nas próximas eleições.

(Leia artigo completo clicando AQUI)



Uma coisinha radical chic, bonitinha mas ordinária...

Em 1982, eu morava em Taubaté, interior de São Paulo. Lula era candidato a governador, e eu não perderia por nada o comício daquela noite; afinal, aqueles sindicalistas radicais conseguiam abonar meu contracheque, pois suas reivindicações e conquistas funcionavam, na época, com efeito cascata, ou seja, quando os sindicalistas do ABC, únicos a fazer movimento grevista, ganhavam reajustes salariais, todo trabalhador Brasil adentro também tinha que ser reajustado. Era o que determinava a legislação trabalhista na época. E nós, pacíficos e ordeiros empregados em empresas multinacionais, agradecíamos aos céus a luta daquela peonada.

No final do comício, comprei uma camiseta do partido e, junto com a minha mulher-companheira, subi ao palanque, a fim de pegar o autógrafo do companheiro Lula. Ele autografou a camiseta. Achei interessante a sua rubrica: no final da letra “a”, uma linha traçada para o alto cortava a letra “l”, formando um “t”. E ficava mais ou menos como nessa ilustração que fizemos:


LUTA

Em 1983, decidi regressar para minha terra natal, no sertão alagoano. Cheguei lá trajando a camiseta autografada por Lula. O comentário mais animador que meus amigos de infância e juventude fizeram foi: “Home, isso aí num tem futuro não! Aqui quem manda são os coronéis. Tu num sabe disso?!”. Eles estavam vendo pela primeira vez uma camiseta do PT ao vivo e em cor vermelhona. Eu me lembrava das opiniões dos meus colegas de trabalho no escritório da Av. Europa, na capital paulista, os quais diziam: “Eles estão sendo apoiados por intelectuais de esquerda, é um partido pequeno, radical...”. 

Hoje, o prefeito de minha cidade natal, lá no meio da caatinga, é do PV. E o Gabeira até já deu uma esticadinha até lá pra comer uma buchada, jogar miolo de pote pros cabras e desenterrar uma botija de voto.

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O saudoso Henfil dizia que existem pessoas tão corruptas que até roubam o pê da palavra corrupção: “Pronunciam ‘corrução’”.

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Os anos se passaram aos trancos e barrancos. Lulalá passou oito verões e conseguiu eleger Dilma para umas temporadas de primavera (epa!).

Entre as promessas de campanha de Lula a Dilma, a mais difícil de ser cumprida era o combate à corrupção, porque...

“Corrupção não se combate apenas com gritos de guerra em manifestações de rua. É preciso desenvolver técnicas especiais de investigação, ter vontade política e firmeza para executar as ações necessárias. Via de regra, é briga contra cachorro grande - afinal, os criminosos são políticos, governadores, prefeitos, secretários, empresários, advogados, gente graúda e influente. Feito o serviço de investigação e prisão, o resto será por conta do Judiciário, que é outro poder, que não se submete ao controle do Executivo.”

Vejamos, então, o que aconteceu nos últimos 10 anos...



(Recebido por e-mail da lista de nosso correspondente Hélder Câmara)

Luiz Antonio Albieiro

Filhos das honestas classes média e alta, que cultivam valores éticos, que não sonegam impostos e que não se deixam corromper nem molham a mão do guarda, que respeitam fila e não excedem a velocidade no trânsito - enfim, dessa gente que cumpre a lei com rigor - foram às ruas bradar contra "toda a corrupção desse governo".

Esses meninos, que passaram os melhores anos de sua infância e pré-adolescência eliminando monstros alienígenas no videogame e tcl msg (teclando mensagens) nas redes sociais, de repente se deram conta de que "nesse governo" há corrupção. Coisa nova para eles, que decerto creem ser algo nunca antes havido na história deste país, e de país algum. Não identificam a qual governo se referem, se federal, estaduais ou municipais, mas é de se supor que sua artilharia esteja voltada para o da presidenta Dilma, por ser o mais visível de todos.

O que não sabem esses valorosos meninos e meninas, valentes guerreiros dispostos sinceramente a mudar o Brasil (o vandalismo é coisa de um pequeno grupo, sabemos), que dizem ter acordado agora para a dura realidade, é que desde o governo do presidente Lula a Polícia Federal vem combatendo duramente a corrupção. Toda semana, praticamente, há notícias de operações que levam legiões de corruptos e sonegadores de impostos para a cadeia. Ontem mesmo, por exemplo - ontem, 20 de junho de 2013 -, a Polícia Federal desmantelou uma quadrilha de fraudadores do INSS. Cinco pessoas foram presas, quatro delas servidores públicos.

Não devem saber esses garotos, também, até porque não tinham idade para isso, que desde sua criação até a posse de Lula a Polícia Federal vivia numa letargia profunda, desaparelhada e mal remunerada. Mal se ouvia falar da corporação. Basta ver que, no primeiro ano do mandato do ex-presidente (2003), a PF realizou apenas 9 operações, que resultaram em 223 prisões. Não bastava, porém, aparelhar a Polícia Federal e inspirar-lhe a vontade política para passar a agir. Foi necessário primeiro higienizar a corporação. Naquele primeiro ano, foram presos 39 policiais federais, entre 122 servidores públicos mandados para a cadeia.

(...)

“O governo federal falha na comunicação, não divulga, não faz propaganda do excelente trabalho da Polícia Federal. Penso eu que haja uma crença ingênua de que basta a notícia veiculada pela mídia para que a informação seja totalmente compreendida. Não é bem assim. O volume de notícias a respeito acaba por despertar nos espíritos das pessoas a falsa ideia de que "a corrupção aumentou", quando o que aumentou, e em grande intensidade, foi justamente o combate à corrupção.” [AA: E com isso, aumentou ainda mais... “o combate ao combate à corrupção”]


(Leia artigo completo clicando no título ou AQUI)

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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domingo, 23 de junho de 2013

No Paraíso, Miguel Borges quer que os amigos o represente nas ruas

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UM ADEUS PARA MIGUEL BORGES



Sinto-me no dever de comentar aqui as manifestações de rua que estão pipocando nas principais cidades brasileiras, acuando a classe política que não está entendendo bulhufas e, perplexa, morre de inveja porque nem todos os partidos políticos juntos seriam capazes de mobilizar tanta gente. Confesso que aquela passividade até então dominante me incomodava: será que essa geração é castrada? Não, não é. Silvinho, um sobrinho-neto de 15 anos, me escreve de Manaus contando, eufórico, como foi seu primeiro banho de rua. Ele quer ser antropólogo. Começa bem.
O Brasil, ao aprender o caminho das ruas, acordou com um vigor novo e forte. Essa é a notícia, a novidade. No entanto, não será esse o tema de nossa conversa dominical, pois interesses jornalísticos nem sempre coincidem com a nossa memória afetiva. É que não posso deixar o Miguel Borges ir embora sem lhe dar um adeus. Convivemos quase diariamente, em 1968, quando ele era chefe de reportagem do jornal O PAIZ, no Rio, e eu um 'foca' ainda não amestrado.
Digo quase  diariamente, porque de vez em quando, eu não comparecia ao trabalho. Borges ia à loucura. Na primeira vez, perguntou:
- O que foi que aconteceu?
- Meu pai morreu - respondi, compungido e cabisbaixo, o que era absolutamente verdade. Apenas omiti a data: três anos antes do episódio aqui narrado. Miguel me deu os pêsames, a pauta do dia e um conselho: em casos como esse, eu devia avisá-lo por telefone.
Ele sabia que podia contar comigo. Quase sempre  - olha o 'quase' outra vez - eu o acompanhava madrugada adentro, pau pra toda obra, ajudando-o a fechar o jornal. Isso porque o trabalho de repórter sempre me deixava eletrizado. Na cozinha da redação, eu entrava em transe, ficava cego, não via mais nada: só jornal. Respirava jornal, meu café da manhã era jornal, almoçava jornal, merendava jornal, jantava jornal, dormia sonhando com jornal. Enquanto fui repórter, o jornal era minha cachaça, uma droga, do qual dependia, na qual era viciado. Fazia mal, é verdade, mas 'dava barato'.    
Por isso, sempre fui explorado. As horas extras nunca foram remuneradas, era tudo na base do entusiasmo, o que me levava, de vez em quando, a tirar por conta própria um dia de descanso, que ninguém é de ferro.
O velório da titia
Na segunda falta, matei minha avó Maria Elisa. Ela estava enterrada havia mais de dez anos e, para atualizar o cadáver, entrei na redação com um chumaço preto no bolso da camisa, de luto, como era costume na época. Contei histórias dela lá do Maranhão, onde Borges havia vivido sua infância. Falei que meu nome era uma promessa da vovó a São José de Ribamar, que eu era o xodó da vovó, não podia deixar de ir ao velório, você entende?
- Porra - gritou o Borges - com todo respeito à tua avó, por que você não telefonou dizendo que não podia vir?
Acontece que se eu telefonasse, Miguel Borges, experiente jornalista, sabia como me convencer a ir trabalhar. Bastava acenar com um fato novo que despertasse minha curiosidade. Nascido em Picos, Piauí, em 1937 - dez anos antes de mim - ele veio em 1955 para o Rio, onde atuou em vários jornais: Tribuna da Imprensa, Jornal do Commércio, Última Hora, O Dia. Cineasta, dirigiu o episódio Zé da Cachorra no filme Cinco vezes favela produzido pelo Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE, em 1962. Na época, já havia dirigido Maria Bonita - Rainha do Cangaço, Canalha em crise e Perpétuo contra o Esquadrão da Morte. Depois, fez mais outros.
Um belo dia, numa das tantas faltas, quando apareci diante de Miguel Borges, já havia esgotado todo meu estoque de parentes mortos. Decidi abater, com um câncer fulminante, minha tia Conceição, que era freira, e continuava vivinha da silva. Descrevi velório, cortejo fúnebre, coroas de flores, lágrimas, sobrinhos inconsoláveis, missa de corpo presente cantada pelas freiras Adoradoras do Preciosíssimo Sangue, com tanta riqueza de detalhes, com tanto realismo, que eu mesmo já estava quase acreditando que titia havia subido o Boulevard Amazonas em direção ao São João Batista.
- Ela tinha um peito menor que o outro e não tinha filhos, eu era como se fosse seu filho, você me entende?  - disse, ensaiando um esgar, uma careta tristonha. Não lembro, mas acho até que deixei cair uma lágrima furtiva.
Miguel Borges entendia. Escutou tudo calado, como se estivesse em Picos, na caatinga brava, no carrascal, ouvindo histórias de onça. Ele gostava de contar uma história, registrada em sua biografia escrita por Antônio Leão da Silva Neto - Miguel Borges: um lobisomem sai da sombra (2008), na qual o personagem, um caboco cujo braço foi comido por uma onça, ganhou o apelido de "Chiclete de Onça" ou "Resto de Onça".
Maria Bonita
Quando Miguelzinho tinha um ano, Maria Bonita, a mulher de Lampião, tascou-lhe um beijo. Mais de 70 anos depois, ele contou a seu biógrafo:
- Eu estava no colo da Paula, minha babá, uma mulher bonita, gostosa, coxuda e perturbadora. Maria Bonita me viu nos braços de Paula, e disse 'que neném bonitinho' e me deu um cheiro e um beijo. Posso me gabar de que Maria Bonita me pegou no colo e me deu uma cafungada.
Contador profissional de causos, Borges sabia identificar um narrador chinfrim, primário. Suspeitou que minha tia, a irmã Conceição, ou não existia ou continuava viva.
- "Você é ator de segunda. Está mentindo" - disse, com a autoridade de cineasta, narrador e ator. Ele havia interpretado um personagem no filme Boca de Ouro, de Nelson Pereira dos Santos. Usando a voz de chefe, seca e séria, fez elogios à qualidade do meu trabalho - bom repórter, bom texto -  à minha dedicação, às horas extras e pererê-pão-duro, mas deixou claro:
- "Na próxima vez, peço teu desligamento do jornal. Tou avisando".
Duvidei: um membro do Partidão não demitiria ninguém. Eu havia visto o Zé da Cachorra, episódio que ele dirigiu em Cinco Vezes Favela, filme  que marcou a estética do Cinema Novo e abriu os caminhos trilhados por outros cineastas. Lá tinha tudo: grilagem, especulação imobiliária, favela, organização popular, passividade e resistência, luta de classes, corrupção, orgia, mulheres, elites podres.
Com essa avaliação, paguei para ver: ousei faltar uma vez mais. Quando entrei na redação, Miguel Borges estava possesso, me chamou, na frente de todo mundo, de irresponsável, de enganador, de profissional inconsciente.
- Quem morreu agora? - perguntava aos berros.-  Fala: quem morreu?
Com medo de dar azar, não tive coragem de matar minha mãe ou uma das minhas nove irmãs, todas vivas. Ainda me passou pela cabeça fuzilar uma delas, a Pretinha, batizada Maria Aparecida, que sofria de asma. Mas ele não ia acreditar. Seria uma morte inútil. Resolvi falar a verdade:
- Ninguém morreu. Foi uma namorada. Faltei essa e outras vezes pra sair com ela. Pode me demitir.
Zé da Cachorra
Já me sentia no olho da rua. No entanto, surpreendentemente, Miguel Borges mudou o tom de voz, me deu um abraço carinhoso e, com um largo sorriso, disse conciliador, deixando a redação inteira estupefata:
- Namorada? Porra, Riba, por que você não avisou logo desde o início? Pra mim, esse é o único motivo válido para faltar ao trabalho: UMA MULHER. Tá justificado. A próxima vez, avisa antes. Agora, vai trabalhar.
Lembrei que no Zé da Cachorra, enquanto o grileiro cooptava o político corrupto, depois de uma orgia, a câmara, ou seja os olhos do Miguel Borges escaneavam o corpo de uma mulher, percorrendo-o de ponta à ponta.
Esse foi o Miguel Henrique Borges, 76 anos, o menino beijado por tantas Marias Bonitas e que nos deixou nesta semana, vítima de uma parada cardíaca. Morreu em São Lourenço (MG), onde vivia desde 1997. Antes dele, se foram Felix Athayde, Newton Rodrigues, Joel Silveira. Ele é o último dos grandes editores de O PAÍZ - um diário vespertino que durou de agosto a dezembro de 1968, uma existência tão fugaz que sequer consta na biografia de Miguel Borges, mas que marcou quem com ele conviveu.
- Meu gordinho não tinha idade para morrer. E ele estava muito feliz - declarou ao Globo sua mulher, Maria Elisa Garcia, que o conheceu em 1984, na Banda de Ipanema.
No avião que me leva a um evento acadêmico em Uberlândia, no Museu do Índio da Universidade Federal (UFU), enquanto tiro um cochilo, ouço Borges me cobrar:
- Essa é a notícia. Por que você não cobriu as manifestações de rua? Por que faltou? Quem morreu agora?
- O nosso gordinho morreu - respondo. - Estou de luto.

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José Ribamar Bessa Freire: Doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). É professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de mestrado e doutorado, e professor da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Faculdade de Educação. Ministra cursos de formação de professores indígenas em diferentes regiões do Brasil, assessorando a produção de material didático. Assina coluna no Diário do Amazonas  e mantém o blog Taqui Pra Ti . Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of  Cartoons
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PressAA


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sábado, 22 de junho de 2013

Sério colóquio futriqueiro no Bar São Jorge

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Os pauteiros da PressAA, saíram ontem do Bar São Jorge, um tanto borrachos, e voltaram para a redação. Minutos depois, o proprietário do bar ligou para o editor-assaz-atroz-chefe, e contou que, logo que os gazeteiros saíram, dois jornalistas sérios entraram no boteco e desenrolaram um colóquio futriqueiro. Aí, bateu pra nós, pra nós poder bater pra nossa a patota.

Ainda ontem, telefonaram para nossa redação, dado uma dica perspicaz:

“Tinha manifestante usando a máscara do V, Guy Fawkes, e gritava "Não Violência!". Acho que uma coisa não bate com a outra. Não é bem assim que o personagem acha que as coisas seriam mudadas...”

(Não entendemos bem o que o rapaz quis dizer, mas vale o registro)

Outro ligou e disse:

“Escuta: vocês perceberam que, nos primeiros momentos das manifestações, os telejornais chamavam os vândalos de vândalos mesmo. Logo passaram a chamá-los de minorias radicas. E assim ficaram falando durante muitos dias. Agora passaram a chamá-los pelo verdadeiro nome: bandidos! Alternando com baderneiros. Acho que, se o movimento se reverter em favor do governo, eles vão chamar os caras de incompetentes! O que vocês acham...?”

(A linha caiu)

Nós não achamos nada. Pelo contrário, perdemos celulares, uma minicâmera, e até a Brasília amarela da nossa equipe de reportagem foi esculachada.

Mas vamos ao bate-papo que rolou no Bar São Jorge depois de nossa saída:

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Escrevinhador: ― A marcha em São Paulo, nesta quinta-feira, foi convocada pelo MPL, Movimento Passe Livre, para comemorar a vitória obtida com a redução nas tarifas de ônibus e metrô. Era pra ser uma festa. Virou mais uma sintoma preocupante do avanço da extrema-direita nas ruas. Um manifestante mordeu a bandeira do PT. Outras bandeiras foram queimadas. Nenhuma era de partidos de direita, como PSDB ou DEM. Não. O ódio “anti-partido” tem um sentido muito claro. 

Náufrago: ― "A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe derruba a outra." Não sou fã incondicional do velho Mao Tsé-Tung, mas ele tinha lá seus momentos. Esta frase é uma pérola.

Escrevinhador: ― Eu estava lá. Vi de perto. Como já acontecera em outras manifestações nas últimas duas semanas, grupos organizados  e que se dizem “apartidários”, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão, tentaram impedir que os partidos políticos e as organizações sociais erguessem suas bandeiras na avenida Paulista. Agrediram militantes do PSTU, xingaram a turma do PSOL e ameaçaram a militância do PT. Na minha frente, um homem com capacete de motoqueiro e jaqueta de couro tentou bater numa senhora com mais de 60 anos, que carregava uma bandeira vermelha. “O PT não vai sair desse quarteirão, não vamos deixar o PT pisar aqui, é a nossa avenida”, o homem gritava descontrolado.

Náufrago: ― Muitos companheiros estão assustados com o rumo que os protestos de rua tomaram em Sampa. Como a participação da direita fardada foi catastrófica, agora é a direita de jeans que reage ao movimento, com mais argúcia.

Escrevinhador: ― Acho que há bons motivos, sempre, para criticar os partidos. Faz parte da Democracia. O PT, especialmente, pode ser criticado por ter cedido demais aos “acertos de gabinete”. Mas querer impedir, na marra, que partidos e organizações sociais participem de um ato público não tem outro nome: fascismo. 

Náufrago: ― E, também, com uma aparente forcinha do PT. Não dá para acreditarmos que o Rui Falcão mandasse militantes embandeirados para o olho do furacão sem prever que seriam hostilizados. Meu palpite é bem outro: ele queria que acontecesse exatamente o que aconteceu.

Escrevinhador: ― Não é nenhum exagero. Quem estava lá na Paulista sentiu de perto. O clima de ódio era tão grande que a manifestação adotou um formato curioso: em uma faixa da avenida, marcharam o MPL, seguido por UJS, UNE, MST e por militantes de partidos como PT, PSOL, PSTU e PCO, estes três bastante críticos em relação a Dilma e ao PT.



Bate-papo editado pelos pauteiros da PressAA.

Para ler a polêmica discussão original na íntegra, acesse o blog da redação desta nossa virtual Agência Assaz Atroz: O Náufrago e o Escrevinhador brindam coquetéis molotov no Bar São Jorge



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Leia Também... (Recebido por e-mail do jornalista pernambucano Ruy Sarinho)

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O dia em que quase vou a nocaute… e a crônica do despertar ‘entre a esperança e o medo’

infiltrados-2
por Sulamita Esteliam
E aí, ainda curtindo a ressaca moral e cívica (Ai, ai, ai …! Isso é memória prostativa, prescritiva ou pró-ativa…)? 
Podem me chamar de paranóica, não tem importância: devo confessar que, ontem, desligado o piloto automático, caí da perplexidade para o estado de choque, e quase vou a nocaute. Salvaram-me minhas ancestrais sertanejas de todos os quintos das Gerais.
Perguntar não ofende: e a Dilma, quando é que vai à TV falar para o povo deste Brasil, quase, em esquizofrenia!?
Bom, tenho muito trabalho, ainda, que está à minha espera desde o primeiro dos últimos dois dias. E hoje é sexta-feira, bolas!
Entonces, com a permissão dos honram este blogue com o acesso, transcrevo crônica de Homero Fonseca, respeitado jornalista e escritor pernambucano. Gentilmente enviada pelo amigo e leitor ilustre, Ruy Sarinho, também pernambucano, jornalista e homem de rádio. É meu Dom Quixote preferido, que ajuda a lavar minh’alma diletante com o bilhete que, antes, reproduzo:
“Doutora A Tal Mineira Sulamita Esteliam (com alma pernambucana, inspirada no Frei Caneca), que também gosta da caneca com chope …
Enviei o seu último artigo, sobre os oportunistas dos protestos, para Roberto Almeida. Ele adorou, já tinha escrito coisas na mesma linha. E mandou para mim, depois, um texto genial de Homero Fonseca, que já foi meu chefe em campanha política. Merece ser postado e espalhado Brasil e mundo afora. Vou gravá-lo com o melhor locutor/intérprete que temos em Recife, Tony Araújo, locutor único da Sintonia, para espalhar em rádios comunitárias e rádios-web. Espero que possa enriquecer o seu Blog, com lado e ideologias definidos.
Um abraço pernambucano,
Ruy Sarinho”
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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Bar São Jorge: “Salta um coquetel molotov estupidamente...”

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Os periodistas da PressAA, de sacos cheios, cansados de bater cartão de ponto e receber vale em vez de pagamento integral, e não aceitando as desculpas do barão proprietário desta desorganização pasquineira, o qual se prepara para deflagrar um passaralho na redação, alegando que uma crise financeira e econômica assola o Planeta... assim, aderiram aos protestos das multidões e passaram a trabalhar sob regime de greve.

Na hora do almoço, em vez de marmita, os atrozes jornalistas decidiram tentar mais um pendura no Bar São Jorge, onde costumam jogar conversa fora nos happy hours das sextas-feiras.

O proprietário do botequim recebeu os gazetistas escabreado...


...mas acabou cedendo às súplicas dos choramingas.

Sentados e degustando o couvert composto de pão com manteiga e sanduíche de mortadela, rolou um pressuroso papiar dos periodistas pauteiros da PressAA.

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― Então, já chegaram à conclusão sobre a verdadeira origem e o destino dos protestos que abundam e medram... e bota abunda e medra nisso... pelas ruas das principais cidades do Brasil?

― Nós sabemos que essa coisa começou mesmo por causa das elevadas tarifas dos transportes coletivos. Mas agora perderam o controle devido à imensa retirada dos direitos sociais da população nos últimos anos.

― Retirada de direitos sociais?! E desde quando a população desfrutou de plenos direitos sociais?

― Ora, com a transferência da corte portuguesa pra cá, D. João VI abriu os portos às nações amigas, criou o Banco do Brasil pra inglês sacar, mandou construir uma fábrica de pólvora, fundou a Biblioteca Nacional...

― É verdade! E, poucas décadas depois, depois de poucos séculos de chibata, a princesa angelical aboliu a escravidão.

― Mas não fez reforma agrária.

― Claro que não! Muitos jovens abolicionistas eram filhos dos barões escravagistas, eram herdeiros de latifúndios. Uma coisa é expressar gestos fraternais e tentar se redimir dos pecados originais. Outra é abrir mão do suado patrimônio da família, renunciar a heranças...

― Corta essa fita, salta pros dias de hoje. Vocês acham mesmo que o governo atual retirou os direitos sociais da população, como tem esquerdista quiliasta dizendo?

― É como o chapa aí falou: desde quando tivemos plenos direitos sociais?

― Bem ou mal, a segurança pública melhorou.

― Como assim? Não exagera, cara!

― Eu provo. Não faz muito tempo, os protestos de rua eram enfrentados pela polícia com chumbo de verdade. Agora, nas manifestações da classe média, usam balas de borracha. As armas de grosso calibre só podem ser utilizadas nas periferias, em ações de reintegração de posse de lotes favelados, ou no campo, contra índios e invasores de terra.

― Fala sério! Para com essas gozações.

― Isso mesmo, vamos falar sério. Já que lembramos de D. João VI, lembrem-se também de que foi ele quem permitiu atividades de imprensa aqui em Pindorama.

― Pois é! Mas havia censura. Só se podia publicar a favor da realeza. O Correio Braziliense, que era rodado em Londres e enviado pra cá, recebia jabaculê para apoiar a monarquia.

― E nos últimos tempos não houve avanço no setor das comunicações? Não?! Não houve?!

― Houve sim. Agora, o governo tenta cooptar a imprensa destinando as verbas publicitárias para os barões do café-soçaite midiático-nativo, sediado em solo pátrio! Assim, estancou a sangria de divisas. O dinheiro fica aqui mesmo, enterra Brasilis.

― Só vai para os paraísos fiscais o caixa-dois, o por-fora, apesar de ser bufunfa afanada legalmente, através das brechas na legislação.

― Legal, cara! Legal, mermão, legal!

― É dessa forma que corporações detentoras de suportes midiáticos arranjam parceiros além-mar.

― Vamos dar um tempo nessas lorotas, vamos falar seriamente mesmo.

― Tudo bem. Então, alguém responda se for capaz: qual a principal reivindicação dos manifestantes, hoje, nas ruas de todo o Brasil?

― Essa é fácil: passe livre, sem precisar escalar a catraca.

― Tá frio...

― Saúde!

― Ué! Quem espirrou aqui?!

― Tou falando de melhor atendimento nos hospitais e manicômios.

― Acho que é o engavetamento e sepultamento da peque trinta e sete...

― Despoluição do Tietê!

― Higienização dos aeroportos. Aumento das tarifas aéreas, a fim de que a ralé pare de viajar de avião.

― Vocês tão por fora... A principal reivindicação dos revoltosos é o barateamento da gasolina feita com o petróleo do pré-sal.

― Tão é delirando. O que a turba enfurecida quer mesmo é a demonização das comunicações.

― Você quer dizer “democratização”, né?

― Não! É demonização mesmo. Não é demonizá-la amaldiçoando seus efeitos malignos, mas sim torná-la ainda mais demoníaca.

― Num tou te entendo.

 ― Vamos lá. Perdido no meio do turbilhão, havia um único cartaz com a inscrição: “Queremos a democratização dos meios de comunicação”. Assim mesmo, rimando.

― E então?!       

― E então? E então que os vândalos partiram pra cima do coitado que portava o cartaz, tomaram e tascaram fogo no pasquim. Foi aí que o âncora do telejornal deixou de lado a ridícula pieguice de dizer que a maioria é cândida, bonachona, e que os terroristas são minorias radicais... O cara perdeu as estribeiras e gritou furibundo: “Era um terrorista com uma mochila preta nas costas! Mas os pacíficos manifestantes perderam a paciência com ele”.

O ar condicionado do Bar São Jorge está pifado há anos. O calor das fogueiras nas ruas irradiou-se até o interior do boteco, aumentando a temperatura a um nível insuportável. Um periodista já um tanto borracho gritou para o dono do boteco:

― Salta uma cerveja estupidamente...

Raimundo, o garçom rápido no gatilho, arremessou uma garrafa, que colidiu violentamente com a testa do freguês. Este se esborrachou no chão: Pluft! Estendido no meio do salão, o gazetista da PressAA completou:

― ...gelada, cara! Gelada!




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Agora, para se divertir, leiam...



A revolta dos bem nascidos e a “revolução” na tela da Globo

Por Davis Sena Filho

(...)

O Brasil avançou, e muito, em suas conquistas sociais e econômicas. É visível e palpável e somente não reconhece quem não quer enxergar, por motivos ideológicos, partidários, culturais, de ordem preconceituosa, de classe social, que leva à intolerância política e, por seu turno, à contestação vazia, porque falta uma agenda que elenque as reivindicações e que prevê também a abertura de diálogo, de maneira democrática e respeitosa. Não adianta os reacionários de plantão apostarem no golpismo, tão a caráter das classes privilegiadas, que querem impedir a distribuição de renda e de riqueza. Não é de bom alvitre as classes média tradicional e alta, frequentadoras há mais de cem anos de universidades federais e estaduais reeditarem a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, porque a que está a acontecer  é maior, com maior tempo de duração e não tem, insisto, uma ainda uma agenda política para debater o Brasil e dialogar com consciência, com seus interlocutores, que são e têm de ser as autoridades eleitas e não a os donos e os seus empregados do sistema midiático privado.

(...)

A Copa das Confederações já é um sucesso de público e o retorno financeiro vai se concretizar.  A Copa do Mundo de 2014 vai ser uma das melhores. A Globo vai encher a burra de dinheiro, bem como os seus anunciantes, e, malandramente, no Jornal Nacional, vai dizer que os eventos são e serão um fracasso, ainda mais no Governo do PT. Só não dá mais para dizer que o Brasil não sabe construir estádios. Quando essa gente viu os estádios prontos ficou furiosa, porque não imaginava tanta competência. Eles torcem contra o Brasil e tergiversam, distorcem, manipulam e disfarçam seus desprezos e rancores e desamores. Vários grupos e em diferentes capitais gritavam: “Foda-se o Brasil”! Afirmo novamente: todos os países disputam duramente para ter em suas terras eventos esportivos internacionais. Aqui no Brasil é o contrário. O complexo de vira-lata, o DNA de escravagista e a alma subserviente e colonizada impedem, definitivamente, que essa gente reconheça o Brasil e os direitos de seu povo. Vamos ver que tem mais garrafas para vender em 2014. A maioria do povo trabalhador que vota na Dilma, definitivamente, não está a ocupar as ruas. Só não vale golpe de estado midiático, a "revolução" na tela da Globo, como tentaram na Venezuela.

(Clique no título e leia artigo completo no Blog Palavra Livre )

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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