sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O fracasso dos vitoriosos ou a vitória dos fracassados? --- Professor Bessa: DONA TACI: A SABEDORIA FULNIÔ --- Urda Alice Klueger: Henfil na tua cuba a Coca-Cola do meu Cuba-libre

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"Tolerar a injustiça da qual não somos vítimas é mais do que indiferença, é cumplicidade" (Fernando Soares Campos, em "Para Além das Grades - elementos para a transformação do sistema socioeducativo", Editora PUC-Rio e Edições Loyola, 2005.

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DONA TACI: A SABEDORIA FULNIÔ


Em português, casa é casa e ponto final, cada um que se vire para colocar dentro dela o que bem entender. Na lingua Yaathé, ela já vem "mobiliada": casa é cetutxiá, que significa lugar de sorrir, lugar de paz, de harmonia. Foi numa cetutxiá, no município de Águas Belas, em Pernambuco,onde viveu 82 anos e onde criou seus treze filhos, que dona Taci, uma pajé Fulni-ô, adormeceu sábado passado, sorrindo. Não despertou mais. Deixou uma coleção de histórias deliciosas que seu filho me contou, algumas das quais compartilho, agora, depois de apresentar Thini-á ao distinto público.
Filho caçula de dona Taci, Thini-á Pereira da Cunha, 42 anos, é um velho amigo que há alguns anos saiu de sua aldeia, entre a Serra Comunaty e a Serra Preta, estudou cinema na USP e depois veio morar num sítio em Muriqui (RJ). Aqui de vez em quando nos encontramos, no projeto 'Vivências Indígenas', que ele criou e que lhe permite percorrer escolas e centros culturais, onde narra histórias, discorre sobre filosofia indígena, fala da resistência Fulni-ô e do ritual do ouricuri, dança, canta, mostra o artesanato, além de ensinar algumas noções básicas da língua Yaathé.
Mistura de ator, animador cultural e agitador, ele circula nos meios artísticos, mas nunca deixou de visitar sua aldeia em Pernambuco. Lá, conversava com a mãe e se reabastecia com novas histórias e novos saberes transmitidos em Yaathé, a única língua indígena no Nordeste que se mantém viva e funcional, estudada pela linguista Januacele da Costa, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), coordenadora de um projeto do qual fazem parte pesquisadores e doutorandos, entre os quais Fábia Pereira, que é Fulni-ô.
- Os Fulni-ô são bilingues, pelo menos 90% deles falam fluentemente as duas línguas - Português e Yaathé - ambas usadas na escola da aldeia. O ensino de Yaathé não se limita a palavras soltas; aqui a língua materna tem o mesmo status do português - esclarece Januacele.
Segundo os registros da Funasa divulgados pelo Instituto Sociambiental (ISA), a população Fulni-ô, em 2010, era de 4.336 pessoas, mas se calcula que hoje já ultrapassa seis mil. Uma delas era dona Itaci, mais conhecida por Taci, que aprendeu a ler na época do MOBRAL, porém jamais falava português dentro de casa. Justificava:
- A língua é sagrada, como o ouricuri, porque guarda o pensamento de um povo. Se eu falar em português, por exemplo, a palavra casa, você só vai lembrar do prédio, das paredes, mas se eu falo cetutxiá, aí você sabe que é, sobretudo, um lugar onde a gente encontra alegria e serenidade. 
De onde vim
Foi nesse lugar de paz que se deu a educação de Thini-á. Aos nove anos, perguntou à mãe:
- Como é que eu fui feito?
Taci não contou historinhas. Olhou fundo nos olhos do filho e lhe disse:
- Hoje à noite, vou te mostrar. Você, que já ajuda na roça, tem idade pra saber.
De noite, chamou o filho, sentou-o num banquinho de madeira ao lado da cama. Deitou com o marido Manuel e os dois começaram a trocar carícias. Fizeram amor diante dele. Thini-á, muito tempo depois, ainda vive com intensa emoção aquele momento:
- Eu nunca tinha visto aquilo, nem podia imaginar. Fiquei muito feliz de saber que eu era fruto de um ato amoroso como aquele, bonito, vivido com tanta delicadeza, com tanta poesia, com tanta naturalidade. Aliás, minha mãe nunca falava em "fazer amor", mas em "viver o amor".
O pai Manuel completou, então, o processo de formação. Com uma das mãos ainda molhada de esperma, ele segurou na outra uma semente de feijão-guandu, conhecido como "ervilha de pombo". Exibiu as duas mãos e perguntou ao filho:
- Qual é a diferença?
- São sementes.
- O que precisa pra plantar?
- Escolher a semente, revirar a terra, fazer uma cova e enterrar.
- E depois?
- Adubar.
- O que mais?
- Tratar a plantinha e acompanhar o crescimento.
- E depois?
- Já disse tudo.
- Não! É preciso ainda amar e cuidar dela. Me diga, então: terra é macho ou é fêmea?
- É fêmea.
- Tá certo, é fêmea. A terra tem tudo que a mulher tem. É fértil, é bonita, é generosa. Se receber a semente e for amada, agradece e dá frutos. A terra é tão sagrada como a mulher. Nunca faça seu sagrado sofrer, trate as duas com amor, dê prazer a elas.
Thini-á soube, então, porque em sua sabedoria a língua Yaathé chama 'mãe' de ytõketãne que significa o começo do meu olhar o mundo e 'pai' de ytofketá, ou seja, o começo dos meus passos.
Para onde vou
Um dia, no final de agosto, nos preparativos para o ritual do ouricuri, Thini-á, ainda criança, chorou com a pintura que a mãe fez no corpo dele.
- Mãe,o desenho não está bonito, não está perfeito, está torto!
Ela parou de pintar e apontou:
- Meu fio, olhe aquela planta ali. O que há de imperfeito nela?
Thini-á olhou, olhou, e disse que não havia visto nada de errado. Ela insistiu para que ele observasse com muita atenção para ver se havia feiura. Ele disse que só via beleza.
- E aquele galho torto, ali, na parte de baixo?
- É mesmo! É torto!
- A beleza, meu fio, está naquele galho torto se juntando ao galho reto e que assim formam uma harmonia...você já imaginou se as plantas fossem todas retinhas, certinhas, do mesmo tamanho?
De passagem por Brasília, dona Taci indicou a fonte de sua sabedoria. Convidada para um evento na UnB, participou de uma mesa com filósofos, historiadores, antropólogos. Na apresentação de um deles, foi dito que havia feito seu doutorado em Paris e se formado na Sorbonne. Ela ouviu tudo caladinha. Quando chegou a sua vez de falar disse:
- A minha Sorbonne é a mata. É ali que aprendo tudo, até "fosolofia".
Sua passagem por Brasília, em abril de 1990, durante o governo Collor, foi para reivindicar do presidente da Funai, coronel Airton Alcântara, recursos para um projeto comunitário.
- Coronel, nunca ocupei a Funai. Agora, vim aqui porque precisamos de recursos para criar ovelhas. Vou logo avisando: meu nome é "quero-porque-quero". Não aceito um "não".
O coronel, que gostou do jeitão dela, disse brincando:
- E o meu nome é "Não dou-porque-não-quero".
- Mas você é meu funcionário. A Funai só existe porque existe índio, se a gente não existisse, não tinha Funai.
- Tá bom! O que é mesmo que a senhora quer?
- Quero uma coisa pequena, uma maquininha de fazer dinheiro pra poder criar ovelhas.
-  Ninguém aqui fabrica dinheiro não, todo mundo vive de salário.
- Então eu quero salário.
- Mas dona Taci, pra ter salário precisa trabalhar.
- Mas eu não tou vendo ninguém trabalhar aqui, só gente sentada, conversando, lendo, olhando papel, andando pelo corredor, não tem ninguém plantando na roça, criando animal, tirando palha, fazendo artesanato...
Saiu de lá meio desencantada, com vontade de xingar as pessoas. Perguntou a Thini-á:
- Como é que os brancos se ofendem?
- Eles chamam os outros com nome de animal.
- Mas isso não é xingar...
- É sim, mãe. Eles falam assim: sua vaca, sua galinha, sua piranha, seu burro...
-  Mas por que isso ofende? A vaca tem uns peitões tão bonitos, dá leite, dá carne, dá o couro... A galinha bota ovo, alimenta a gente, faz gracinha pro galo... O burrinho é bonzinho, ajuda a carregar as coisas. Eita povo mais doido, que quando quer ofender, elogia.
A enciclopédia
Ela percorreu as repartições de Brasília - Funai, UnB, Ministério da Agricultura - trajando apenas um vestido de alcinha, sem calcinha, que ela nunca usava. Sentou. O filho advertiu:
- Mãe, fecha a perna, tá tudo aparecendo, tão olhando.
- O que é que tem? As pessoas nunca viram? Que bom, meu fio. Nessa idade, eu pensava que não tinha mais nada pra chamar a atenção. Que bom que ainda tenho alguma coisa que interessa ver.
Voltou para Pernambuco, em companhia do filho, que dias depois anunciou seu retorno ao Rio de Janeiro, onde morava. Ela o aconselhou a buscar uma mulher ali, na aldeia, para plantar nela uma semente, queria mais um neto. Thini-á explicou que não podia ficar, precisava ir, ansiava por novos conhecimentos.
- Ah, então o que você quer não é uma mulher, é uma "ciclopédia", disse ela, encantada com a palavra nova que havia aprendido em Brasília.
Dona Taci foi chamada às pressas por um pequeno comerciante local, de Águas Belas, que queria umas rezas, umas garrafadas para umas dores que estava sentindo. Satisfeito com o resultado final, perguntou:
- Quanto lhe devo?
- Não é nada não.
- Faço questão. Escolha aqui na loja um cobertor.
Dona Taci viu que os cobertores eram todos de qualidade duvidosa, ralos, quase transparentes, daqueles usados por moradores de rua ou pelos caminhões de mudança para proteger os móveis. Sagaz, disse que não se dava bem com cobertor novo, que gostaria de um usado por ele, dono da loja, para ficar com a lembrança do cheiro dele. Ganhou um bom cobertor.
- Meu fio, fiz isso, porque sabia que dono de loja não usa cobertor ralinho.
Óculos Fulni-ô    
De três em três meses, vinha à aldeia um ônibus todo equipado trazendo assistência médica. Os fulni-ô aproveitavam para se consultar. Dona Taci fez um check-up.Implicou com o nome do médico, o doutor Rovésio Pardellas, a quem chamou de doutor Ferroso.
- Por que o senhor tá apertando meu peito? O senhor não tem mulher não?
- É pra saber onde tá doendo.
- Mas quem tem de saber onde está doendo sou eu. Foi pra isso, que estudou tanto?
Dona Taci queria porque queria usar óculos, embora não precisasse, mas achava bonito. Na caravana médica, havia um oftalmologista que dilatou suas pupilas, botou colírio, e voltou no dia seguinte, trazendo uma armação sem lentes. Colocou nela para provar o tamanho.
- Já estou enxergando melhor, estou vendo tudo - disse dona Taci.
Ela, na realidade, para ver o mundo, só precisava mesmo da lente fulni-ô. Uma semana após sua morte, em conversa telefônica com o filho, que foi a Águas Belas para o enterro, lembramos dessas e de outras histórias, algumas impróprias para menores. Essa sábia, que agora nos deixou, desceu o Rio Ipanema, entrou no Velho Chico e desaguou no mar, onde foi se juntar, na grande cetutxiá, ao seu Manuel, falecido em 1985. Que descanse em paz!
P.S. - Relembramos alguma dessas histórias com Mariana Kutassy, vizinha de Thini-á em Muriqui, que me deu a notícia da viagem de dona Taci.
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José Ribamar Bessa Freire: Doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). É professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de mestrado e doutorado, e professor da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Faculdade de Educação. Ministra cursos de formação de professores indígenas em diferentes regiões do Brasil, assessorando a produção de material didático. Assina coluna no Diário do Amazonas  e mantém o blog Taqui Pra Ti . Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.
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Nossa Majestade, o Gelo

Urda Alice Klueger*

O calor chegou e deve durar até Março ou Abril, e mais que em qualquer outra época do ano, nós, brasileiros, fazemos questão de um leite gelado, de um suco gelado, de uma cerveja “estupidamente” gelada, para usar o jargão de bar, e sequer nos passa pela cabeça que isso não é regra no mundo. Estava a lembrar do livro “Henfil na China”, diário de bordo do nosso grande cartunista que se foi embora antes da hora (descobri, faz pouco tempo, que a nova geração nunca ouviu falar em Henfil, e então esclareço : Henfil é irmão do Betinho, o da Campanha Contra a Fome – além de grande cartunista era hemofílico, e foi uma das primeiras vítimas da AIDS cá na Terra de Santa Cruz).

Mas eu falava do livro “Henfil na China”, onde muitas vezes ele se reporta ao hábito chinês de beber água quente, fervendo, conservada em garrafas térmicas para manter a temperatura ideal para a sede dos chineses. Cá entre nós, nada melhor que uma água fresquinha, de preferência gelada, para a nossa sede brasileira, e deverá ser um tremendo sacrifício para um de nós ser servido de água fervente na hora da sede, se algum dia formos à China. O testemunho de Henfil, digamos, é o outro lado da moeda, o oposto ao nosso gosto pelo gelado, mas é coisa que acontece a muitos milhares de quilômetros de distância, lá do outro lado do mundo, no misterioso oriente, não parece real. Continuamos achando que, tirando os chineses, todo o mundo é doidinho por quase tudo gelado, como nós, mas não é verdade.

Aqui do nosso lado, lugar onde se pode ir de ônibus, ficam os países andinos, e quero ver quem consegue uma cerveja gelada no alto dos Andes! Tá, sei que a maioria vai dizer: mas é porque lá é frio. Frio é, mas sem exageros. Mesmo numa montanha que fica a 5.300m acima do nível do mar, onde estive, na Bolívia (Chacaltaia), a gente agüenta bem com uma camiseta e um blusa grossa de lã. E estive lá nos mês de Maio, entrada do inverno. Portanto, nada de frio assustador (está-se muito próximo da linha do Equador), mas também nada de cerveja gelada. A cerveja “Paceña” é servida diretamente do engradado para a mesa do freguês, e, pasmem: apesar do frio razoável, há no ar alguma coisa que mantém os picolés fora da geladeira sem derreter. Eu não queria crer quando vi o primeiro saco de aniagem cheio de picolés vermelhos sendo conduzidos pela rua, e a primeira bandeja cheia de picolés sendo vendida num estádio. Parece não ser verdade, mas é. Fico pensando que até os picolés dos Andes não são muito gelados.

Depois do parêntesis dos picolés, que achei que deveria contar pelo inusitado da idéia, vamos dar um pulo a uma ilha do Caribe: Cuba. Cubano não gosta de gelo de jeito nenhum. Eu não conseguia, de jeito nenhum, fazer algum garçom entender o que queria dizer quando pedia “um copo com muito gelo”. Muito gelo, para eles, é uma pedrinha de nada, um mísero caquinho no fundo de um copo. Depois de uns dias, comecei a entrar atrás dos balcões para mostrar para os garçons o que queria dizer quando pedia um copo com muito gelo, e eles ficavam boquiabertos, assustados, e diziam que eu ficaria doente. Escandalizei totalmente uma amiga que fiz em Cuba, uma artesã chamada Navidad, quando lhe contei que as nossas crianças tomavam gelado desde pequenas. Ela girou o indicador do lado da cabeça, para dizer que nós éramos loucos, e explicou: gelo faz mal para os cubanos, dá-lhes dor de cabeça, deixa-os doentes. Quando penso nas doses imensas de rum puro (à temperatura ambiente) que bebem como se fosse água, não acredito muito que um pouquinho de gelo possa lhes fazer mal. É a diversificação das culturas: se bebêssemos todo aquele rum que eles bebem, sem dúvidas que seríamos nós que ficaríamos com dor de cabeça.

Bem, demos uma volta por alguns lugares, a analisar a temperatura das bebidas, e vimos que nem todo o mundo gosta de suquinho gelado e duma cerveja “estupidamente”, como nós. Dá para sobreviver nos Andes e em Cuba, mas não consigo me imaginar a tomar água fervente na China. Acho o melhor, mesmo, é ter leite na geladeira, e água, e muito gelo para o uísque e cuba-livre. Tentem se imaginar bebendo um capilé de Max Wilhelm saidinho do fogão: não há brasileiro que agüente!

(Em tempo: hoje, depois do início da Guerra do Iraque, tirei o Cuba-libre da minha lista de bebidas preferidas – não consumo mais coca-cola de jeito nenhum, nem nada que saiba ser de procedência estadunidense e que possa substituir por outra coisa. Recuso-me a ajudar a financiar a Guerra do Iraque, e há MUITA gente com quem convivo que faz a mesma coisa. – 21.11.2004)

Blumenau, 05 de Dezembro de 1995

*Urda Alice Klueger, escritora e historiadora. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

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Urda, querida colaboradora-correspondente e acidental gurua, já lhe falei que suas crônicas têm caráter científico-literário. Você não é daqueles cronistas que se limitam a narrar casos pitorescos; ao pictórico dos seus escritos só podemos atribuir a sua graciosa originalidade e o seu poder de nos envolver, nos fazendo interagir com os fatos enquanto exercitamos a nossa imaginação.

Einsteiniano como sou, poderia eu tentar expor minhas impressões sobre esta sua crônica, tratando-a sob ponto de vista científico, relativizando conceitos de quente ou frio, até concluir que "gosto se discute", ao contrário do dito popular (lá em minha terra natal, a gente encerra as discussões no pico do "calor da vaquejada", com expressões do tipo "gosto não se discute", "futebol não se discute", "religião não se discute", "política não se discute", e assim vai mudando de assunto para acalmar os ânimos e manter o relacionamento em razoável clima de compadrio... Conluio mesmo! Conivência. Pronto! Mas sempre à base de "fêmea é fêmea e macho é macho"; portanto, "opinião é opinião, amores à parte". Se é que me entende! (Não estou subestimando sua capacidade cognitiva, apenas quero dizer que até aqui estou sendo um tanto enigmático, mas vou tentar ser um pouco mais explícito, até onde o tal de "politicamente correto" permitir, sem ferir sensibilidades, ou seja, sem cutucar a onça com a vara curta de que disponho.)

Bom, além de encerrar as discussões de determinados temas com uma autoritária ordem pretensamente fundamentada em princípios afetivos, também usamos o princípio da "imparcialidade adquirida". Mas... que diabos é isso?! Bom, só posso exemplificar, para tentar esclarecer o que pretendi dizer sem consciência sobre o dito. O que eu quis dizer com "imparcialidade adquirida" é o caso de quando estamos comentando sobre brigas de casal e concluímos que um dos dois foi muito grosseiro com o outro, aí encerramos o papo com um argumento do tipo "imparcialidade adquirida": "Em briga de marido e mulher, não se mete a colher", diz a mulher quando observa que a fêmea está sendo por demais "autoritária", e diz o homem, quando nota que o macho está sendo excessivamente grosseiro (grosseiros somos "naturalmente", só não gostamos de quem está extrapolando o "direito" de sê-lo.)

Mas que papo estranho, não é mesmo, Urda? Quanto mais falo, mais me complico. Porém nada aí foi dito sem propósito. Suas crônicas já me fizeram repensar muito sobre alguns  problemas num relacionamento conjugal. Uma delas marcou mais profundamente. Foi "Os homens Velhos", única que li e publiquei quando estava, ano passado, em minha cidade natal, lá no Sertão Alagoano. 

Dei boas risadas quando li os dois últimos parágrafos e disse pra mim mesmo: "Acho que um grande percentual das mulheres agem assim, inconscientes, claro; mas, capaz de dizer isso pra gente, dessa forma, só conheço a Urda". 

Eu nunca poderia imaginar que as mulheres agem daquela maneira. Me lembrei de algumas indiretas que mandei pra cima de minha mulher, ironizando-a por ela se comportar da maneira como você comenta naquela crônica (leve ironia, pois nunca fui sarcástico com ela nem com ninguém de quem gosto; até já censurei alguém que vivia ridicularizando sua própria mulher na frente de todo mundo). 

Depois da leitura daquela sua crônica, fiquei feliz da vida, pois teria argumentos para convencer minha querida companheira a não se preocupar comigo, ou seja, ela não precisava andar vestida de maneira descuidada a fim de não parecer "superior" a mim. Queria dizer a ela que poderia se vestir como qualquer mulher "normal", como toda a vaidade que possa expressar, de preferência, sensual.

Só você mesma, Urda, para dizer o que qualquer mulher poderia dizer, mas não diz porque nem ela mesma tem consciência de que age daquela forma.

Mas eu, até hoje, não disse nada daquilo à minha mulher. Quer dizer, não disse claramente, com todas as letras, ao pé da ideia; apenas fui, oportunamente, insinuando, deixando as dicas; pois, se a gente expuser diretamente a nossa opinião, pode parecer que está impondo-a.

Bom, agora falando do Henfil. Ele tem muita responsabilidade sobre as bobagens que escrevo, principalmente no que diz respeito à minha pretensa intenção de fazer humor. Ah! Se em 1995 você disse que a "nova" geração da época não sabia quem era o Henfil, imagine hoje. Nos anos 1980, ouvi um apresentador de televisão se referir a ele como o cartunista "Rênfil", o que dizer, então, de um jovem nos dias de hoje, cantando O Bêbado e a Equilibrista assim: "...e sonha, com a volta do irmão doentio..." (já ouvi isso, e não foi recentemente, foi em 1980). 

Estou sempre me lembrando do "Henfil na China - antes da Coca-Cola", 

Mas, nesta sua crônica , você me fez lembrar que a turma do barril costuma pedir uma cerveja "estupidamente" gelada. 

Certa ocasião, mandei o roteiro de uma tirinha para o Jaguar, que fazia o Bar São Jorge, no velho Pasca. O meu roteiro descrevia um freguês que pedia uma cerveja "estupidamente", pois, quando a gente queria uma cerveja muito gelada, bastava pedir "estupidamente", ficando aí subentendido o "gelada". Aí o garçom arremessava uma garrafa que ia bater na testa do freguês, Ploft!, e este se esborrachava no chão e completava a frase: "Gelada, pô!". 

Ele fez a tirinha, e eu fiquei me sentindo o máximo!

Abração, Urda!
Fernando



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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA



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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Professor Bessa: DESAPRENDENDO NA ESCOLA --- Os "ciberrevolucionários" e o "ciber-saco de cibergatos"

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DESAPRENDENDO NA ESCOLA



Um professor Kaxinawá me contou da visita que a educadora Nietta Monte fez à sua aldeia, no Acre, há muitos anos, quando ela conversou durante horas com um velho sábio. Enquanto ouvia as narrativas tradicionais saborosas e cheias de vida que circulam em língua indígena, ela viu passar um jovem, caminhando em direção ao igarapé. Nietta, então, perguntou ao velho:
- Este menino aí conhece as histórias que o senhor me contou? Ele fala a língua Kaxinawá?
O velho respondeu:
- Não, minha filha! Coitadinho! Ele não sabe nada. É que ele frequentou a escola.
A escola, para os índios, durante muito tempo foi o lugar onde se desaprendia todas as coisas que sabiam sobre eles próprios. Se não me falha a memória, minha amiga Nietta descreveu essa experiência, com outras palavras e maior competência, em algum livro ou artigo, mas quem também me contou foi um aluno do Curso de Formação de Professores Indígenas, onde ministrei, em três ocasiões diferentes, módulos de História da Amazônia Indígena, convidado pela Comissão Pro-Indio do Acre (CPI/AC).
Para quem, como nós, trabalhamos com a escola e nela acreditamos, é terrível essa imagem de uma escola que des-ensina, de um lugar aonde os alunos desaprendem língua, tradição, saberes. Se não tivesse frequentado a escola, o menino dominaria língua e conhecimentos transmitidos através da pedagogia da oralidade, que ele desaprendeu dentro da instituição. Em muitos casos - é preciso reconhecer - a escola fez com extraordinária eficiência aquilo que a senadora Kátia Abreu sonha: eliminar os índios do mapa do Brasil.
Fábrica de brancos
No Brasil durante cinco séculos, a relação dos índios com a escola foi sempre tensa e conflituosa. Embora seu alcance tenha sido bem restrito, essa escola para índios, inaugurada com a catequese, atravessou o Império e a República. O estado neo-brasileiro herdou o modelo de escola que reprimia as línguas indígenas e excluía os conhecimentos tradicionais, as narrativas orais e os processos próprios de aprendizagem. Essa escola nunca contou com um único professor indígena.
Para os índios, a escola foi historicamente devoradora de identidades, apagadora de memórias, exterminadora de línguas.Aliás, num mito andino, a escola é apresentada como um monstro que maltrata e engana as crianças com mentiras.
Há alguns anos, pedi a meus alunos indígenas do Programa Kuaa Mbo'e de Formação de Professores Guarani da Região Sul que desenhassem a escola onde estudaram. Cada um dos 80 alunos fez o trabalho pedido. Um deles, Vanderson, revelou-se um grande artista do traço. Ele morava então na aldeia Pinhalzinho (PR), mas havia nascido em Laranjinha, onde ninguém mais falava guarani, porque a escola não-indígena já havia cumprido seu papel devastador de des-ensinar.
O desenho do Vanderson é uma obra prima. Trata-se de uma história em quadrinhos com muito movimento que acontece na sua escola. Ele desenhou um grande prédio, com uma chaminé, que ocupou toda a folha de papel. Escreveu na fachada, com letras grandes: FÁBRICA DE FAZER BRANCOS. Do lado esquerdo, na parte inferior, frente à porta de entrada, uma fila de crianças indígenas com cocar e tanga. Um agenciador com um megafone grita: - Entrem, entrem, crianças!
No quadro seguinte, as crianças que ingressaram encontram um cesto onde está escrito: "Deixem aqui os vossos adornos". As crianças se despem, então, do símbolo externo estereotipado de suas identidades. Prosseguem seu caminho em direção a um chuveiro, onde tomam banho de água sanitária para embranquecer. Daí, saem para outro espaço, onde lhes aguarda um laboratório. Lá, colocam na cabeça das crianças um capacete com fios para realizar uma lavagem cerebral.
Depois de mudados por dentro e por fora, as crianças passam por uma engrenagem sofisticada, com rodas dentadas, que parecem máquina de moer carne. Os coitadinhos são triturados, moídos, pulverizados e reformatados. Saem de lá para uma sala com guarda-roupa, onde vestem calça, camisa, sapato. No outro lado da página, no canto inferior, fica a porta de saída. O agenciador observa as crianças que saem e exclama com júbilo:
- Deu certo! Eles viraram brancos!  
Embaixada estrangeira
Foi contra essa fábrica de fazer brancos que, em princípio, foram criadas as escolas bilingues interculturais garantidas pela Constituição Federal de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, o estado nacional, pressionado pelo movimento indígena e por seus aliados, manifestou vontade política de reconhecer e valorizar as línguas e culturas indígenas e de sepultar a velha escola para índios, criando um novo modelo de escola de índios, bilingue, intercultural, específica e diferenciada.
Nos últimos 25 anos se estruturou dentro do sistema nacional de educação um sub-sistema escolar indígena, do qual fazem parte, hoje, cerca de 2.700 escolas, com 11 mil professores (10 mil deles são índios) que dão aula para mais de 205.000 alunos no ensino fundamental e médio, segundo o Censo Escolar de 2008 elaborado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. A escola indígena é, talvez, a única coisa nova na educação brasileira. Um pouco mais de 66% das escolas indígenas no Brasil são bilíngues e interculturais, seja lá o que isso signifique.
Cabe, então, perguntar: Qual o bilinguismo e a interculturalidade praticado? Como é que os índios veem hoje essa nova escola e qual a imagem que ficou da velha escola que legalmente deixou de existir? Registrei ao longo dos anos, nos cursos de formação de professores bilíngues que ministrei em 14 estados do Brasil, algumas histórias que revelam a imagem que tem os índios da escola.
Bartomé Meliá - uma vida inteira dedicada aos guarani - escreveu: "a interculturalidade é uma teoria bonita e uma proposta racional, ao se constituir também como pedagogia do diálogo e exercício de superação de diferenças sem eliminá-las, inclusive potencializando-as. A interculturalidade tem sido, no entanto, na prática, um rotundo fracasso. E precisamos perguntar: por que?". Para Meliá, "a farsa" engloba uma área particular da interculturalidade que é o bilinguismo: "Sem bilinguismo, ao menos intencional, não existe interculturalidade. O fracasso de um leva ao fracasso da outra".
Os avanços significativos não são ainda compartilhados por todas as escolas indígenas. Um controle rigoroso por parte de zelosos funcionários das Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e um desconhecimento de muitos índios sobre seus direitos nesse campo, acabam evidenciando as limitações dessa escola.
"A escola dentro da aldeia é como se fosse uma embaixada de outro país". Foi assim que Leonardo Werá Tupã, professor bilingue guarani definiu a Escola Indígena da aldeia Massiambu, Palhoça (SC), numa entrevista para a dissertação de mestrado de Helena Alpini. A imagem, de forte valor explicativo, sinaliza para o fato de que embora a escola esteja localizada em território Guarani, quem tem controle sobre ela não é a comunidade local, mas o Estado nacional brasileiro, da mesma forma que a embaixada de um país estrangeiro é inviolável, conforme a Convenção de Viena.
Como escreveu o antropólogo José Augusto, o Guga, "a escola não é dos índios, é do Estado que constrói prédios, dá merenda, paga salários dos professores. É uma instituição de fronteira, de diálogo entre instituições sociais, instância de comunicação, campo de disputas, de efervescência política, de luta no plano simbólico".
A imagem e os avanços da escola indígena - esse foi um dos temas do I Congresso Internacional América Latina e Interculturalidade organizado pela UNILA - Universidade Federal de Integração Latinoamericana nos dias 7, 8 e 9 de novembro, em Foz de Iguaçu, dentro do Parque Tecnológico de Itaipu, de onde escrevo. Envio este resumo da minha fala para os leitores do Diário do Amazonas que devem ter percebido que no campo da educação indígena, como poetou César Vallejo em Los Nueve Monstruos: "Hay hermanos, muchísimo que hacer". 
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José Ribamar Bessa Freire: Doutor em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2003). É professor da Pós-Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-Rio), onde orienta pesquisas de mestrado e doutorado, e professor da UERJ, onde coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da Faculdade de Educação. Ministra cursos de formação de professores indígenas em diferentes regiões do Brasil, assessorando a produção de material didático. Assina coluna no Diário do Amazonas  e mantém o blog Taqui Pra Ti . Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.
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Entrevista de José Ribamar Bessa Freire ao programa "Comitê de Imprensa", da TV Câmara


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No blog da redecastorphoto...


Não deixem a paranoia e o medo afastá-los do ativismo. Derrubem tudo!

11/11/2013, [*] Chris Hedges, Truthdig
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jeremy Hammond
NEW YORK – Jeremy Hammond estava sentado no Centro Correcional Metropolitano de New York, semana passada, numa pequena sala reservada para visitas dos advogados. Vestia o macacão de prisioneiro, largo demais. Muito alto e muito magro, o cabelo cai-lhe sobre as orelhas e está com uma barbicha rala. Falou com a clareza e a intensidade que se espera de um dos mais importantes prisioneiros políticos hoje presos nos EUA.

Sexta-feira, o ativista, de 28 anos, comparecerá para ouvir a sentença ante a Corte Distrital Sul de New York em Manhattan. Depois de ter-se declarado culpado, em troca de um acordo para reduzir a sentença, encara agora a possibilidade de ser condenado a 10 anos de prisão, por ter invadido os computadores da empresa de segurança privada Strategic Forecasting Inc., ou Stratfor, do Texas, que presta serviços sob contrato ao Departamento de Segurança Interna dos EUA; ao Marine Corps; à Agência de Inteligência do Departamento de Defesa e a inúmeras empresas entre as quais a Dow Chemical e a Raytheon.

Quatro outros envolvidos na mesma ação de hacking foram condenados na Grã-Bretanha, e todas as penas deles somadas – a mais longa foi de 32 meses – são muitíssimo menores que a pena possível de 120 meses que ameaça Hammond.

Hammond entregou o material todo à página WikiLeaks e à revista Rolling Stones e a outras publicações. Os três milhões de e-mails, quando tornados públicos, expuseram as ações de infiltração, monitoramento e vigilância contra manifestantes e dissidentes, sobretudo do movimento Occupy, feitas a serviço de empresas privadas e do estado de segurança nacional. Foi quando todos ficamos sabendo, comprovadamente, e talvez seja a revelação mais importante, que as leis antiterrorismo estão sendo aplicadas rotineiramente pelo governo federal dos EUA para criminalizar dissidentes democráticos não violentos, e para associar, falsamente, dissidentes norte-americanos e organizações internacionais terroristas. Hammond não procurava ganho financeiro. E nada recebeu.

Os e-mails que Hammond tornou de conhecimento público são parte das provas que instruem a ação que movi contra o presidente Barack Obama, nos termos da seção 1.021 da Lei de Autorização de Defesa Nacional [orig. National Defense Authorization Act (NDAA)]. Essa seção 1.021 permite que militares prendam cidadãos que o estado acuse de serem terroristas, permite negar-lhes o devido processo legal e mantê-los presos por tempo indefinido em instalações militares. Alexa O'Brien, estrategista de conteúdo e jornalista, co-fundadora de US Day of Rage [Um dia de Fúria-EUA], organização criada para reformar o processo eleitoral, é um dos coautores, comigo, naquela ação.

Katherine Forrest
Empregados da empresa Stratfor tentaram – e sabe-se pelos documentos que Hammond vazou – associar falsamente ela e sua organização a islamistas radicais e respectivas páginas de Internet, e à ideologia jihadista, pondo-a sob a ameaça de ser presa, nos termos da nova lei. A juíza Katherine B. Forrest decidiu, em parte por causa das informações vazadas, que nós tínhamos motivos razoáveis para ter medo, e anulou os efeitos da lei – decisão que foi anulada num tribunal de apelação, quando o governo Obama recorreu contra ela.

O estado-empresa já cancelou a liberdade de imprensa e a proteção legal a quem exponha abusos e mentiras praticados pelo estado e pelo governo. Daí resultaram o autoexílio de jornalistas investigativos como Glenn Greenwald, Jacob Appelbaum e Laura Poitras, além do processo contra Barret Brown. Todos os atos de resistência – inclusive o protesto não violento – já foram decididos, pelo estado-empresa, como atos terroristas. A imprensa foi castrada pelo uso repetido, pelo governo Obama, da Lei Antiespionagem [orig. Espionage Act], para acusar e condenar os tradicionais “tocadores de alarme” [orig. whistle-blowers].

Funcionários do estado e do governo norte-americano, que tenham consciência, estão aterrorizados e não procuram jornalistas, sabendo que o controle “no atacado” de tudo que se diga ou escreva pelos veículos de comunicação eletrônica é material rastreado e os torna facilmente identificáveis. E políticos eleitos ou o Judiciário já não impõem qualquer restrição à espionagem contra os cidadãos, ou eles mesmos nos espionam.

A última linha de defesa que nos resta são gente como Hammond, Julian Assange, Edward Snowden e Chelsea Manning, capazes de entrar dentro dos registros do estado de vigilância e controle, e que têm a coragem para entregar aos cidadãos o que lá encontrem. Mas o preço da resistência é muito alto.

Sarah Harrison fundamentou sua resposta lendo 

Der Spiegel: Snowden, o Homem Bomba!

Nesses tempos de secretude e abuso de poder, só há uma solução: a transparência, escreveu Sarah Harrison, a jornalista britânica que acompanhou Snowden à Rússia e, de lá, partiu para o exílio, em Berlin.

Se os nossos governos já estão tão comprometidos a ponto de não dizer jamais a verdade, temos de avançar e pegá-la. Desde que se tenha em mãos as provas inequívocas, documentos, fontes primárias, é possível lutar e resistir. Se o governo não nos dá informação verdadeira, temos de tomá-la, nós mesmos.

Quando os “vazadores”, “tocadores de alarme”, nossos sentinelas, avançam e chegam à verdade, temos de lutar por eles, para que outros se sintam encorajados a avançar, continua ela...

Quando caem, temos de ser a voz deles. Quando são caçados, temos de garantir-lhes abrigo e escudo. E quando são encarcerados, temos de libertá-los. Dar a verdade à maioria não é crime. Os dados são nossos, a informação é nossa, é nossa história. Temos de lutar por eles. Coragem é contagiosa.


Hammond sabe desse contágio. Estava em casa, em Chicago, vivendo em regime de prisão domiciliar das 7h às 19h, condenado pela prática de vários atos de desobediência civil, quando Chelsea (então ainda Bradley) Manning foi presa por entregar a WikiLeaks informação secreta sobre crimes de guerra praticados por militares e mentiras do governo. Hammond, naquela época tocava programas sociais de ajuda para alimentar pobres famintos e enviar livros a prisioneiros. Ele tem, como Manning, especial talento para ciências, matemática e linguagens de computador, e sempre teve, desde menino. Invadiu os computadores de uma loja local da Apple, aos 16 anos. Invadiu a página do departamento de ciência computacional da University of Illinois-Chicago, no primeiro ano de universidade, ato pelo qual a universidade não o admitiu à universidade no ano seguinte, quando voltou das férias.

Foi precoce apoiador da “ciber-libertação” e em 2004 iniciou um jornal “jornal de desobediência eletrônica(o)” que batizou de Hack This Zine. Conclamou os hackers, em palestra na Convenção DefCon, em 2004, em Las Vegas, a usar suas competências e talentos para tumultuar a Convenção Nacional Republicana anual. Quando foi preso, em 2012, era uma das invisíveis estrelas do underground do ativismo hacker, dominado por grupos como Anonymous e WikiLeaks, nos quais só o anonimato e rígidas regras de segurança eletrônica, com frequentes troca de apelidos, garantiam o sucesso e a sobrevivência. A coragem de Manning induziu Hammond a praticar o seu próprio grande gesto de ciber-desobediência civil, embora soubesse que corria alto risco de ser identificado.


PressAA: Colocar Glenn Greenwald, Julian Assange e Edward Snowden no mesmo saco de todos os acusados de vazamento de “ciber-documentos” e denúncias contra o governo e empresas dos Estados Unidos e seus parceiros mais graduados é fazer o jogo do “todos são iguais”. A mídia empresarial não se ocupa de muitas outras pessoas que estão em condições semelhantes mundo afora. Por que tanto interesse em falar desses de forma que ninguém sabe quando estão defendendo ou acusando? Por que esses viraram estrela e até continuam em perfeita liberdade, como Glenn Greenwald? (As agências de espionagem não perdoam, matam).

O que querem dizer com “auto-exílio”? Se algum deles assumir que optou por um tal de “auto-exílio”(Que droga é isso?!), estará dizendo que em seu país de origem não sofria perseguição, apenas discordavam da ilegalidade nas operações de monitoramento ilegal, que eles usaram, usam e abusam para fazer “ciber-ativismo”, “ciber-libertação”(?). Pede exílio quem se sente ameaçado, quem é realmente perseguido, quem está na iminência de ser violentado. Afinal, Glenn Greenwald foi e continua sendo perseguido, ameaçado? Não parece.

Por que pregar uma tal de “ciber-desobediência civil”, se não podem ou não têm culhões para pregar e praticar a desobediência civil no dia-a-dia, objetivamente, discordando de leis injustas? Praticar a própria desobediência civil no mundo real não exige assumir atitudes de vândalo, de exterminador do patrimônio público ou privado. Isso é coisa de “ciber-babaca”.

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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA


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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Der Spiegel: Snowden, o Homem Bomba!

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SNOWDEN! A BOMBA

Fernando Soares Campos

Edward Snowden, ex-agente terceirizado da CIA, em pequeno artigo publicado pela revista Der Spiegel, sob o título “Manifesto pela Verdade”, afirma: “Em um curto espaço de tempo, o mundo aprendeu muito sobre a operação das agências de inteligência e sobre os programas de monitoramento muitas vezes ilegais.”

 ["muitas vezes ilegais" ou "muitos deles ilegais"? A diferença é que, no primeiro caso, estaria se referindo à “ilegalidade” da “ação de operar” (operação, emprego) o programa; e, no segundo, à "ilegalidade" do programa em si (ilegalidade na constituição do programa).]

Snowden também afirma que as agências mais atuantes, a NSA e a GCHQ (inteligência britânica), “parecem ser os piores culpados” [pelas vezes em que operam os programas "de forma ilegal", ou pelas vezes em que empregam determinados programas "ilegais"?] e conclui que “Nós temos a obrigação moral de garantir que nossas leis e valores limitem os programas de monitoramento e protejam os direitos humanos”.

[Que as leis e valores garantam limites à forma como operam os programas (a fim de evitar excessos, como se estabelece por lei a maneira de guiar um automóvel), ou estabelecer limites para a instalação de recursos do programa quando da elaboração destes?]

Sempre usando a palavra “monitoramento”; em momento algum, “espionagem”. Mas... qual seria a diferença entre uma e outra nesse específico caso? Veremos. Ou tentemos identificar. Pelo visto, não existem mais espiões; mas, sim, monitores.

A “operação das agências de inteligência” não se limita a esta atividade (monitoramento), a qual nem mesmo é a verdadeira determinante do conceito de “espionagem”.

A CIA e qualquer entidade congênere autodenominam-se “agências de inteligência”, e não, de “espionagem”.

O termo espionagem só se aplica a uma atividade essencialmente clandestina, ilegal; mas não em função do monitoramento em si nem mesmo por este ter sido realizado de forma secreta.

Quando mantemos alguma informação em segredo, temos o objetivo de resguardar interesses e podemos exigir confidencialidade de quem a ela tiver acesso. Porém, as pessoas que conscientemente mantiverem segredo sobre informações obtidas através de um monitoramento realizado de forma ilegal (invadindo espaços à força ou de forma sub-reptícia, sequestrando mensagens, decodificando, qualificando e classificando-as de acordo com as suas importâncias para específicos setores da empresa para a qual trabalham), tornam-se confidentes-cúmplices (ou cúmplices voluntários) dos processos e efeitos do “monitoramento”. Nesse caso, podemos deduzir que todos os tecnólogos e técnicos em informática que servem aos sistemas de espionagem das agências especializadas, conscientes da ilegalidade do processo, ação ou efeito inerente às suas funções, e que guardam segredo sobre a transgressão das normas legais, são confidentes-cúmplices. Porém, caso exista, entre tais profissionais, alguém suficientemente ingênuo ao ponto de não perceber o fator de ilegalidade no processo ou efeito de sua ação, este pode ser considerado apenas cúmplice involuntário, sujeito aos ditames da lei, visto que a ninguém é vedado conhecê-la, porém embasado de recurso moralmente atenuante.

Numa dessas condições, o tecnólogo Eduard Snowden pode ser enquadrado por cumplicidade voluntária ou involuntária num processo ilegal de monitoramento de uma agência de espionagem. Porém, o mais curioso na sugestão de Snowden é o fato de ele solicitar leis e valores que “limitem” os programas de monitoramento, sem especificar em que sentido seriam aplicados (no uso ou na elaboração dos programas de monitoramento), pois isso implica criar obstáculo para as pesquisas que gerem informações para o desenvolvimento de mais avançadas linguagens de programação empregadas nas estruturas de segurança de bancos de dados e dos fluxos de mensagens.

Estamos acostumados a falar de espionagem como sendo o trabalho realizado sistematicamente por um país, uma empresa privada ou um indivíduo, através do monitoramento (identificação, observação, acompanhamento, análise e qualificação) de eventos produzidos por pessoas ou entidades coletivas; com o propósito de tomar decisões em função de determinados interesses. Sendo assim, no âmbito das estruturas de uma agência de espionagem, um monitor atua como simples operador apenas enquanto está coletando, observando, analisando e qualificando os eventos; porém sua condição de espião só se caracteriza no caso em que ele, ao fornecer o material coletado e finalmente qualificado ao seu empregador, possa assumir participação no processo de análise e deliberação sobre as atitudes a serem tomadas, considerando o destino e emprego do material qualificado.

Por exemplo: uma agência de espionagem decide monitorar o comportamento de um diplomata no seu país de origem, com o propósito de obter informações sobre o posicionamento do seu governo em relação a determinada questão  que envolve interesses comuns entre diversos países, inclusive o da agência espiã. Primeiro passo: expedir específica ordem de monitoramento para o setor responsável por esse tipo de atividade.

A função dos profissionais em monitoramento, na estrita realização do seu trabalho, consiste basicamente em: a) determinar instrumentos e métodos de captação de material informativo; porém, à falta destes, cabe aos mais habilitados obter ou criar instrumentos, preparar e supervisionar equipe operacional ― isto a empresa pode fazer utilizando seus próprios recursos, ou contratando empresa especializada, ou seja, terceirizando; b) observar o material coletado e selecionar aquele que for identificando através de alguma característica previamente determinada como indício de informação importante no contexto do propósito da empresa contratante; c) avivar a observação com o propósito de perceber outros indícios consideráveis e reuni-los num conjunto formado por uma série de dados interativos, o qual expresse um conceito ou uma informação objetiva.

Na condição de servidor terceirizado da CIA, Snowden e tantos outros profissionais de TI (técnicos e tecnólogos) certamente são contratados para exercerem as funções inerentes às atividades de criador, desenvolvedor, analista e administrador de sistemas, aparelhos, instrumentos e dispositivos próprios para coletar dados, verificar suas mensagens e importâncias para os propósitos da agência contratante.

O agente de monitoramento, no âmbito da espionagem sistemática, não passa de funcionário de um dos setores operacionais. Sua atuação está limitada à especialidade e grau de conhecimentos técnicos apropriados para desenvolver operacionalidade de tecnologias em informática e executar operações específicas ― em quantidade e qualidade (seleção de produtos mais ou menos importantes).

Observemos que Snowden fundamenta sua sugestão de “garantir que nossas leis e valores limitem os programas de monitoramento” no fato de que o mundo teria, segundo ele, aprendido “muito” sobre a “operação das agências de inteligência” e sobre os “programas de monitoramento”. Portanto, a garantia (legal e moral) que ele sugere PARECE visar tão-somente limitar a forma como alguém opera (aplica) os “programas de monitoramento”. Mas só parece.

É como se continuássemos debatendo sobre o emprego pacífico ou para fins bélicos da energia nuclear, visando apenas o poder destruidor da bomba nuclear. Leis (normas) que impedem o uso de bomba nuclear são elaboradas sob acordo entre partes conflitantes, e os argumentos se fundamentam em valores essencialmente “afetivos” (desumanidade, monstruosidade, covardia... os quais reforçam a defesa de direitos à democracia e liberdade; tudo expressando conceitos subjetivos).

Pesquisas e desenvolvimento de tecnologias nucleares

Ao afirmar que as “leis e valores” devem limitar “os programas de monitoramento”, Snowden pode estar sugerindo limites ao “desenvolvimento” dos programas; e não, ao “emprego” destes. Pelo menos ele não deixou isso bem definido.

Chamar para o debate simplesmente falando em limitar os programas de monitoramento, sem especificar o alvo (emprego e desenvolvimento) das determinações legais, nos remete à questão do limite do “emprego” da energia nuclear, pois o debate sobre pesquisas e desenvolvimento de tecnologia no campo da energia nuclear parece estar fundamentado apenas no que diz respeito ao uso (emprego) pacífico ou bélico. Hoje diríamos: para fins pacíficos ou terroristas. E discutir essa questão apenas sob esse ponto de vista, cria-se um impasse em relação às pesquisas sobre a forma de controlar a fusão nuclear como acontece com a fissão (creio que o mais correto seria dizer: como também não se controla a fissão), pois  tais pesquisas são de fundamental importância para o “desenvolvimento” de tecnologias nucleares para uso pacífico.

Se criarmos leis, ou empregarmos as já existentes, com o propósito de limitar o desenvolvimento de programas de monitoramento mais potentes do que os hoje existem para atacar os sistemas, acreditando que só precisamos criar programas de defesa a esses ataques, estaremos comparando os programas de monitoramento agressivos a uma bomba nuclear virtual (material bélico). Quem tem, não pode ou não deve usar, mas pode estocar e manter seu arsenal ameaçador, obrigando quem não tem a criar ou comprar programas de defesa (material pacífico).

É fácil disseminar o terror que é o uso da bomba nuclear, pois todos sabemos que ela tem um muito elevado poder de destruição em massa, inclusive de todo o planeta, levando consigo toda vida inteligente nele existente.

Discutir a questão do uso da energia nuclear simplesmente vedando o seu emprego no âmbito da ação bélica trava os trabalhos de pesquisa. Os governos que queiram utilizar a energia nuclear para fins pacíficos precisam provar que não o farão com objetivos bélicos.

O mais irônico nessa história é que o governo mais exigente no que se refere à não-proliferação de armas nucleares é exatamente aquele que, junto com seus aliados, detém o mais poderoso arsenal atômico da Terra e possui o maior número de usinas para geração de eletricidade; mais do que todas as outras nações juntas. E também domina as mais avançadas tecnologias com o emprego de energia nuclear em instrumentos e produtos nas áreas de saúde, agricultura e indústria alimentícia.

Desde Hiroshima e Nagasaki, os maiores atos terroristas da História da Humanidade, toda a população humana teme uma hecatombe nuclear.

Então, considerando que esses eventos evocam o profetizado Armagedom, fortaleceu-se o pavor de um mundo com armas de destruição em massa, principalmente a bomba atômica. Assim sendo, o império belicista consegue travar as pesquisas sobre o controle da fusão e fissão do núcleo atômico, colocando obstáculos para que outros países, principalmente os não alinhados pelo seu poder, desenvolvam sua própria tecnologia nuclear com finalidades pacíficas. Para isso, basta insinuar e alardear o perigo do desvio de intenções.

Observemos, por exemplo, o caso do Irã. Se aquele país, em vez de desenvolver pesquisas sobre o emprego de energia nuclear e radioatividade para fins pacíficos, resolvesse comprar projetos de usinas e equipamentos produzidos para pronta entrega nos Estados Unidos ou na mão de seus aliados, não teria dificuldades.

Instituir leis que possam limitar “o emprego dos programas existentes” e proibir o desenvolvimento de “programas iguais ou ainda mais potentes” é uma forma indireta de obrigar os países que não possuem tecnologia própria a comprar programas, equipamentos e sistemas de proteção contra ciberespionagem, mantendo a ciberguerra fria.

Quando Ronald Reagan determinou o desenvolvimento do programa Strategic Defense Initiative (Iniciativa de Defesa Estratégica), também conhecido como Guerra nas Estrelas, não pretendia com isso oferecer proteção apenas ao território dos Estados Unidos, como aparentemente sugeria, mas, sim, a todo o bloco ocidental formado pelos países alinhados ao império belicista, contra possível ataque da União Soviética . Isso no auge do período da chamada II Guerra Fria, anos 1980.

Acontece que ambos os lados possuíam imensos arsenais nucleares. Quer dizer, os países que formavam o bloco ocidental (capitalista) deveriam temer ataques do bloco soviético (socialista). Mesmo assim esse projeto de barreira de proteção não foi adiante nos termos em que foi proposto. Mas existem sistemas menores similares ao mega projeto original, com finalidades idênticas, produzidos pelos Estados Unidos e vendidos no mundo inteiro.

Hoje, no chamado mundo virtual, os mísseis nucleares cibernéticos são programas de computador que atacam redes e sistemas, porém, o que parece estar acontecendo é que apenas um bloco detém o poder de fogo e quer vender proteção contra si próprio. Para isso, produziu ataques relâmpago em série a instituições militares, políticas, econômicas, financeiras e produtoras em geral de todo o mundo, disseminou (fazendo vazar) informações sobre tudo isso, inclusive com detalhes sobre seu material bélico e poder de destruição. Simulou ataques contra si próprio e seus mais diretos parceiros. Mandou mundo afora alguns de seus mais competentes colaboradores (elementos de terceiro escalão a baixo),  aos quais, para legitimá-los como seus inimigos, os acusou de traição (nunca se viu tantos agentes “traidores” e “madalenas arrependidas”, fazendo falsos mea-culpa, tentando se infiltrar nas trincheiras inimigas, em postos estratégicos. Foi assim que Hong Kong passou a ser conhecida como a cidade em que o gatosnow morreu na China e reencarnou em Moscou,  Jack, o estripador da Oceania, se perdeu no fog londrino e foi parar numa choupana andina, Glenn Greengonwald veio pro Brasil e virou guardião do mirador.


Apesar dos pesares, o mundo real não vai explodir aos pedaços devido a uma hecatombe no universo virtual. O máximo que pode acontecer, no caso do Brasil, por exemplo, é uma viagem no tempo, uma volta a vinte e dois de abril de mil e quinhentos. Com a vantagem de havermos formado uma nação maravilhosamente miscigenada e nos tornado um dos mais (se não o mais) multicultural país do planeta. Sorry, pump.

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O ex-agente da CIA Edward Snowden paquerando Komila Nakova às margens de um rio em Moscou.



Este artigo de Edward Snowden foi publicado 11/03/2013, em Der Spiegel . Desde que eu não poderia encontrar uma tradução online, decidi publicar um (sugestões de melhorias são bem-vindas). Eu publiquei anteriormente o texto completo em alemão .

04 de novembro de 2013 " Informações Clearing House - Em muito pouco tempo, o mundo aprendeu muito sobre agências secretas inexplicáveis ​​e, por vezes, sobre os programas de vigilância ilegais Às vezes, as agências até mesmo deliberadamente tentam esconder sua vigilância de altos funcionários ou o público. Enquanto o. NSA ea GCHQ parecem ser os piores criminosos - é isso que os documentos atualmente disponíveis sugerem - não podemos esquecer que a vigilância em massa é um problema global na necessidade de soluções globais.

Esses programas não são apenas uma ameaça à privacidade, eles também ameaçam a liberdade de expressão e de sociedades abertas. A existência de tecnologia de espionagem não deve determinar a política. Temos o dever moral de garantir que as nossas leis e valores limitar programas de monitoramento e proteção dos direitos humanos.

A sociedade só pode compreender e controlar esses problemas através de um debate aberto, respeitoso e informado. No início, alguns governos se sentindo envergonhado pelas revelações de vigilância em massa iniciou uma campanha inédita de perseguição para suprimir este debate. Eles intimidar jornalistas e criminalizados publicar a verdade. Neste ponto, o público ainda não foi capaz de avaliar os benefícios das revelações. Eles dependiam de seus governos para decidir corretamente.

Hoje sabemos que isso foi um erro e que tal ação não serve o interesse público. O debate que eles queriam impedir que ocorrerá agora em países ao redor do mundo. E em vez de fazer o mal, os benefícios sociais desse novo conhecimento público agora é claro, desde que as reformas são agora propostas, na forma de uma maior supervisão e nova legislação.

Os cidadãos têm de combater a supressão de informações sobre assuntos de importância pública vital. Para dizer a verdade não é um crime.

Este texto foi escrito por Edward Snowden em 01 de novembro de 2013 em Moscou. Ele foi enviado para a equipe Spiegel através de um canal encriptado.

Traduzido por Martin Eriksson





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Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons

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