domingo, 11 de outubro de 2009

Novo Sinal, a velha mania de transferir responsabilidade

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Kais Ismail

Imagine, caro leitor, qual foi a minha surpresa diante do tratamento nada cortês (desrespeitoso mesmo!) que um promotor de justiça me dispensou por eu haver requerido do Ministério Público do Rio Grande do Sul averiguação de irregularidades no cumprimento das normas de trânsito em Porto Alegre.

De questionador passei a ser questionado: com que autoridade estaria eu contestando aquilo que técnicos altamente qualificados haviam prescrito para solucionar os graves problemas de trânsito que atormentam o cidadão porto-alegrense? – era basicamente isso que a autoridade queria saber.

O promotor, ao invés de se ater ao que realmente interessava, voltando sua atenção para os erros por mim apontados e os analisando, decidiu defender a campanha “Novo Sinal”, afirmando que, a longo prazo, ela funcionaria sim. Enquanto eu alegava que a referida campanha, promovida pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), órgão da Prefeitura de Porto Alegre, tem caráter inconstitucional, pois transfere para o pedestre a responsabilidade do motorista e dos órgãos responsáveis pelo cumprimento das normas de trânsito, além de constranger pessoas impossibilitadas de fazer o gesto para os veículos pararem diante da faixa de pedestres, quando, conforme o dever legal, o condutor do veículo têm obrigação de parar, mesmo que o pedestre não acene, pois sua presença na calçada, em postura que indique que pretende atravessar a rua, é suficiente para que o motorista pare e faculte a sua passagem.

Além desses argumentos, citei aquilo que atinge diretamente a mim e aos funcionários do empreendimento que insisto em manter ativo, mesmo enfrentando sérias dificuldades. Trata-se da Bike-Entrega, uma empresa que faz entregas usando bicicletas.

Queixei-me de que a mesma EPTC, que gasta milhares (milhões?) de reais com uma campanha para estimular as pessoas a fazerem um gesto de “súplica” pelo que lhe é de direito, não fiscaliza e nem pune os motoristas que não cumprem o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que determina distância mínima lateral para um carro ultrapassar bicicleta. Tal transgressão do dispositivo legal põe em constante risco os ciclistas em geral. E aqueles que comigo trabalham reclamam constantemente do desrespeito de motoristas pouco habilidosos ou mesmo negligentes, alguns até arrogantes, que desconsideram a presença da bicicleta no trânsito e as ultrapassam de maneira perigosa. Acidentes já ocorreram com os nossos funcionários.

Além de estarrecido fiquei indignado com a postura do promotor, que insistia em afirmar que a campanha do "Novo Sinal" funcionaria sim, em longo prazo, e que errar seria natural. Chegou a me perguntar se eu também não errava. Se eu era perfeito. Em vários momentos tentou justificar os erros que colocam em risco as nossas vidas.

Errar pode até ser natural, ou próprio da natureza humana. Isso explica (e apenas explica) os eventuais desajustes nas relações entre os seres humanos. Mas quando tentamos justificar (tornar justo) os nossos erros com essa explicação simplista de que errar é naturalmente humano, estamos incorrendo num grave erro: o incentivo a permanecer errando. O erro pode ser perdoado ou simplesmente desculpado, mas precisa, acima de tudo, ser combatido, corrigido, e aquele que comete falta deve ser autuado, se assim a lei determinar.

A minha tentativa de instaurar inquérito para apuração das irregularidades no trânsito de Porto Alegre foi frustrada pelo indeferimento da promotoria, nos seguintes termos:

“1. Inexistência de ilicitude na campanha de educação para o trânsito “Novo Sinal”, que sugere aos pedestres, em caráter facultativo, o uso de gesto com o braço antes de efetuar travessia de faixas de segurança, como alerta adicional aos motoristas, o que não se confunde com os sinais obrigatórios previstos na legislação de trânsito. 2. Inviabilidade de instaurar investigação para apurar reclamação genérica de que a EPTC não estaria fiscalizando o cumprimento de diversos dispositivos do Código de Trânsito, sem a especificação de fatos concretos ou a indicação de provas.”

Dizer que eu fiz “reclamação genérica de que a EPTC não estaria fiscalizando o cumprimento de diversos dispositivos do Código de Trânsito”, é o mesmo que afirmar que eu não citei, especificamente, o que estava sendo descumprido nem o que eu queria que fosse fiscalizado. É como se eu tivesse chegado lá no Ministério público e reclamado apenas que a EPTC não fiscaliza, de modo geral, o cumprimento da lei. E não foi isso que ficou registrado no meu depoimento.

Fui específico naquilo que eu queria que fosse averiguado pelo Ministério Público. No caso dos carros que ultrapassam as bicicletas de forma irregular, conforme ocorre constantemente, bastaria que o promotor analisasse junto ao Detran-RS quantas multas são expedidas anualmente devido a esse tipo de infração de trânsito em Porto Alegre. Se são raras, ou mesmo nenhuma. Se o número de multas desse tipo (caso ocorram) é compatível com o número de bicicletas que circulam pela cidade. Enfim, uma investigação. Só isso.

Opinei sobre a inconstitucionalidade da campanha “Novo Sinal”, que NÃO obriga o pedestre a fazer o gesto, mas INDUZ o motorista a só parar diante da faixa de segurança se o cidadão acenar; quando a legislação obriga a parar e dar passagem a quem manifestar interesse em atravessar a rua. O CTB prevê multa para motorista que não parar para dar passagem a quem estiver atravessando a rua na faixa de segurança. Eu mesmo fui testar o efeito da campanha e constatei que, nem mesmo acenando, muitos motoristas não param.

Quase fui atropelado. Veja:

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=2&contentID=76226&channel=234

Confira o que determina o CTB:

Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:

I - que se encontre na faixa a ele destinada;
II - que não haja concluído a travessia mesmo que ocorra sinal verde para o veículo;
III - portadores de deficiência física, crianças, idosos e gestantes:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa.

IV - quando houver iniciado a travessia mesmo que não haja sinalização a ele destinada;
V - que esteja atravessando a via transversal para onde se dirige o veículo:

Infração - grave;

Penalidade - multa.

Quanto à ilegalidade propriamente dita dessa campanha, vejamos o que determina o CTB, no que diz respeito a sinalizações:

Art. 80. Sempre que necessário, será colocada ao longo da via, sinalização prevista neste Código e em legislação complementar, destinada a condutores e pedestres, vedada a utilização de qualquer outra.

Atente: “utilização”. A lei é bastante específica, não se pode “utilizar” qualquer outra "sinalização".

A campanha tem nome: “Novo Sinal”. Esse novo sinal, com o tempo, ficará velho, e aí pode ser tarde. O que quero dizer com isso? Que, caso os motoristas de Porto Alegre se acostumem com ele, com o passar do tempo só irão parar em caso de aceno do pedestre. O que constitui um erro, pois a campanha deveria ser direcionada, principalmente, aos motoristas, fazendo-os entender que são eles os que devem observar a faixa de segurança e parar. Ao pedestre cabe atravessar na faixa. Ambos têm responsabilidades. Ambos têm direitos e deveres. Aí, sim, deveria ser o alvo da campanha.

Além disso, a simples existência dessa campanha afeta a auto-estima de pessoas portadoras de deficiência que as impossibilitem de fazer o gesto, o que pode deixá-las constrangidas. Imagine elas sendo obrigadas a pedir auxílio a outras pessoas. Imagine os motoristas já acostumados a somente parar se o pedestre acenar. Este fato contraria a lei que os obriga a parar.

Quanto à Bike-Entrega, acompanhe a nossa luta para mantê-la, leia os artigos postados nesta Agência Assaz Atroz:

http://pressaa.blogspot.com/2009/10/nao-so-o-haiti-mas-tambem-o-oriente.html

http://pressaa.blogspot.com/2009/07/bike-boys-contra-sugismundo.html

Em 21/7/2009 foi realizado o 1° Desafio Intermodal de Porto Alegre. Diversas categorias de transporte participaram. Assista ao vídeo e confira os resultados:

http://www.youtube.com/watch?v=OWv6QJGxsDo

Fala-se em direitos e deveres, exercício da cidadania; porém, quando qualquer pessoa de camada social popular tenta fazer valer esses direitos, reivindicando apenas o cumprimento dos deveres do Estado, acaba encontrando o que encontrei: menosprezo, desconsideração, falta de interesse e, ainda por cima, passa de vítima a agressor, de denunciante a acusado.




Kais Ismail, produtor publicitário e empresário, colabora com esta Agência Assaz Atroz.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Putin elogia apoio a escritores na Rússia da "era soviética"

O Primeiro-Ministro da Federação Russa, Vladimir Putin, celebra hoje 57 anos e marcou o evento com um apelo a hábitos de leitura. Num encontro com escritores, sublinhou a falta de interesse na leitura e a falta de livros nas regiões.

“Se reporta só em Moscou e São Petersburgo um frenesim de leitura, estas duas cidadãs sendo responsáveis por 80 por cento daquilo que publicamos e poucas quantias de livros chegam às regiões,” disse o Primeiro-Ministro, que criticou também a falta de apoio aos escritores nestas áreas.

“Na era soviética, os escritores gozavam de muita atenção, tinham bónus regulares, tinham dachas e outras coisas mas ficou claro que tinham de retribuir com algo ideologicamente. Hoje em dia ninguém espera isso nem exige nada dos escritores, mas também não há apoio,” acrescentou.

Para Vladimir Putin, “se concertarmos os nossos esforços, há muito que conseguiremos fazer”. Sugeriu que o governo e os escritores juntem os esforços.

http://port.pravda.ru/russa/07-10-2009/28090-putincelebra-0

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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

De golpe em golpe os golpistas enchem o saco

Laerte Braga

O Ministério das Relações Exteriores da província FIESP/DASLU não quis comentar o encontro do prefeito de Caracas (Venezuela) com o governador José Serra e o ex-presidente FHC. Essa é a versão oficial, “tratamos de urbanismo". Foi proclamada por Antônio Ledezma, opositor do presidente Hugo Chávez e prefeito da capital.

Ledezma foi a São Paulo, capital da província, encontrou-se com os dois gerentes do esquema FIESP/DASLU e funcionários da Fundação Ford, retornando em seguida a seu país.

Para variar fez críticas a Chávez, falou em democracia e pediu que os políticos da organização PSDB (braço FIESP/DASLU-FUNDAÇÃO FORD) apóiem o ingresso de seu país no MERCOSUL. Eduardo Azeredo, doublê de pastel de vento, senador e mensaleiro, é o principal obstáculo, já que preside a Comissão de Relações Exteriores do Senado do Brasil.

A versão real difere da oficial. Ledezma veio apresentar um relatório sobre a movimentação política na Venezuela, o impacto da presença de Manuel Zelaya na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Honduras e garantir o apoio de José Serra e FHC ao projeto de entrega da Venezuela aos EUA. Serra, por sua vez, já garantiu aos norte-americanos que sendo eleito presidente entrega o pré-sal inteiro, permite bases militares dos seus patrões em território brasileiro e de quebra dá de bandeja a PETROBRAS.

A nota oficial, que acima de tudo se dirige à mídia, deve sair de Washington, sede da empresa CHLOPAK, LEONARD, SCHECTHER Y ASSOCIADOS. É a empresa que presta serviços aos golpistas de Honduras. Ao narco-presidente Álvaro Uribe da Colômbia. A FHC no Brasil. É subordinada ao Partido Republicano, do ex-presidente George Bush.

Provedora da verdade oficial, entre nós, veiculada pela GLOBO, a grande mídia de um modo geral.

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William Bonner foi corrigido no tal twiter pela ex-BBB Milena Fagundes. A moça em questão colocou no espaço de Bonner um aviso que havia um erro de acentuação num dos seus “posts”. Foi criticada e chamada de presunçosa, mas Bonner admitiu que cometeu o erro e agradeceu a colaboração.

Milena não percebeu que Bonner pensa em inglês e fala em português apenas para o Homer Simpson local. A indignação da moça decorre do que chama de preconceito contra “ex-BBB”. “Ser ex-BBB não significa ser burra”.

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Enquanto isso...

Na Cervejaria Casa Branca o garçom Barack Obama está tonto com tantos fregueses para servir e agora tem pela frente que resolver se iranianos podem entrar ou se serão detonados. Foi advertido pelo governo de Israel (que detém a maioria das ações da Cervejaria) que, se não tomar uma atitude, eles mesmos tomarão. Vão bombardear as instalações nucleares iranianas.


Armas nucleares e de destruição em massa só com eles.

Massacres de civis, estupros de mulheres palestinas, roubo de terras e águas, esse tipo de ação “democrática e libertadora” dos “eleitos por deus”, são privilégios deles.

A perspectiva que o gerente da província FIESP/DASLU vire presidente da República Federativa do Brasil (faz fronteira com a província e falam a mesma língua) é aterradora.

Serra, oficialmente, passa escritura do Brasil que vira BRAZIL por um valor abaixo do contratado, coisas de burlar o pagamento do imposto de transmissão de bens intervivos (e bota vivos nisso), mas embolsa a diferença, até antes mesmo da assinatura, nas doações caixa dois para sua campanha. Agrega Washington a Wall Street e a suíça ALSTOM, especialista em comprar tucanos e DEMocratas.

Ledezma, o prefeito de Caracas, veio assegurar que, se Serra for eleito, as perspectivas de um golpe contra Chávez (eleito e reeleito pelo voto direto do seu povo) ganham mais força.

A ordem do dia para a mídia está no forno da empresa norte-americana de CHLOPAK, LEONARD, SCHECTHER Y ASSOCIADOS. Questão de fuso horário e a turma deve resolver esse problema antes do início do próximo ano e dos embates eleitorais mais acirrados por aqui.

Segundo um porta-voz não oficial o governador de Minas Aécio Neves estava escutando tudo atrás da porta, mas não foi possível precisar que porta. A porta de entrada do paraíso em forma de pó ou a porta de saída de Minas, estado dilacerado por seu governo e transformado em Éden pelo ESTADO DE MINAS, porta-voz, esse oficial, da bandalheira muito bem paga.

Ao fundo, passeando pelo maravilhoso mundo dos shoppings, um monte de Homer Simpson acreditando piamente que, antes de deitar e depois de escovar os dentes – não pode esquecer do creme colgate – é preciso olhar debaixo da cama. Zelaya pode estar lá.

Nesse caso acione o alarme, chame o tal general que derrubou o presidente hondurenho em nome da “lei. É o mesmo que, quando major, foi preso e condenado por chefiar uma quadrilha de ladrões de automóveis de luxo.

A essa altura do campeonato, com a cumplicidade do presidente Roberto Michelleti, rouba um país inteiro. Assim como quem não quer nada, distribui bordoadas por todos os civis que se opõem aos desígnios democráticos e divinos de Washington e Tel Aviv e ainda testa armas químicas e biológicas que Israel deve usar no futuro contra palestinos, em novas sortidas bíblicas.

Como peças de dominó, estenderam a conversa a golpes contra Evo Morales, Daniel Ortega, Rafael Corrêa, governos resistentes às verdades ditas para nós por dona Miriam Leitão (fez back-up e está novinha em folha).

Todos, Serra, FHC, Ledezma, Michelleti, Azeredo e mais alguns, ganharão direito a um fim de semana em Washington, podendo tomar cerveja servida pelo garçom Obama em mesa da primeira fila.

O show é que é meio enjoado. A striper é Hilary Clinton. Mas, como nada é perfeito, as contas em paraísos fiscais estarão fornidas, muito bem fornidas.

Ah! FHC negou que esteja sofrendo de “olimpiadite aguda”. Diz que é tudo inveja e que ele é PhD em qualquer coisa, além de falar não sei quantas línguas. A incrível capacidade de enrolar em todas.

Laerte Braga é jornalista, escritor, médico e colabora para esta nossa Agência Assaz Atroz

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O coice do Sardenberg

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O carinhoso cumprimento de Sardenberg aos telespectadores, radiouvintes e leitores de suas colunas

Sonia Montenegro

Tenho o hábito de escrever para jornalistas e políticos, para demonstrar a minha indignação diante de determinados fatos. Aproveito para postar aqui uma troca de e-mails com o comentarista político da Globo, Globonews e da rádio CBN, Carlos Alberto Sardenberg, que para mim foi uma confissão da parcialidade da imprensa brasileira.

No caso, particularmente das Organizações Globo, mas como sabemos, a chamada "grande" imprensa brasileira tem lado sim, e com certeza, não é o lado do Brasil e nem dos brasileiros.

Uma natural abordagem de radiouvinte-telespectadora-leitora a um apresentador de programa e articulista político

Senhor Sardenberg,

O texto não é meu, achei na internet, mas parece fazer sentido. O que o sr. acha?

"A grande imprensa brasileira deve explicações sobre sua atuação nessa crise político-institucional em Honduras. Escandaliza sua evidente preocupação de reproduzir os argumentos dos golpistas hondurenhos, o que explica a facilidade de acesso de uma Globo a sítios em Tegucigalpa que poucos meios de comunicação estão tendo.

É imperativo que se investigue os contatos dos grandes meios de comunicação brasileiros com o regime golpista de Honduras e uma eventual aliança desses meios com aquele regime, o que o tom quinta-coluna do noticiário deles sugere com cada vez maior contundência que pode estar acontecendo
"[ http://edu.guim.blog.uol.com.br/] .

A resposta do Sardenberg:

"Alguma coisa entre a cretinice e estupidez – ou ideologia esquerdista, que é a mesma coisa. "

Minha réplica:

Engraçado, minha mãe, que bem me educou, sempre me disse que a agressividade é a arma de quem não tem argumentos. Mais grave no caso de um jornalista, que ataca gratuitamete uma leitora que lhe pede um esclarecimento.

A postura de um jornalista, deveria ser da maior isenção possível e principalmente de respeito por todas as opiniões, ainda que não concorde com elas. Com essa resposta, o sr. mostrou o que de fato é: anti-democrático, preconceituoso, sem falar do flagrante desrespeito aos seus ouvintes/espectadores/leitores.

A atual crise mundial serviu para mostrar que o neoliberalismo é uma política injusta, em que os lucros são divididos entre poucos, e o prejuízo pago por muitos. Essa foi uma lição aprendida pelos jornalistas que merecem o título que possuem.

Se ser de esquerda é amar o seu país, ser contra o entreguismo reinante na "grande" imprensa brasileira e valorizar as políticas que beneficiam aqueles que sempre foram espoliados por uma elite egoísta que pauta os veículos de comunicação como os que o sr. subservientemente incorpora, eu me orgulho de ser de esquerda e fico muito feliz por estarmos em lados diferentes.

Sonia Montenegro, colaboradora desta nossa Agência Assaz Atroz, é uma das mais lúcidas articulistas que podemos encontrar na blogosfera política.
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sábado, 3 de outubro de 2009

Pan, Copa do Mundo, Olimpíadas - o Cara não perde a esportiva!

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A RESPOSTA

Raul Longo

Crianças que usufruem oportunidades de instrução estariam, aparentemente, mais bem preparadas para enfrentar os desafios que se apresentam como problemas a serem respondidos no decorrer da vida. No entanto, a vida não é exatamente uma tarefa escolar que se resolve aplicando as regras ensinadas pelos professores. Aliás, como afirmava o poeta português, a navegação é uma atividade precisa, exata. Viver, não.

Viver é impreciso para todos. E isso se comprova nos resultados de desconcertantes pesquisas que apontam maior número de tentativas e óbitos por suicídio entre classes sociais mais afortunadas do que entre as mais pobres. Em todas as nacionalidades.

Entre a infância e juventude do Japão se apresentam um dos mais altos níveis de escolaridade do mundo, no entanto, tragicamente o país também detém o maior índice de suicidas nesta faixa etária.

Na imponderabilidade humana, há casos de suicídios até por motivos de afirmação e não de negação às próprias insuficiências de respostas aos desafios existenciais. Mas no geral, na grande maioria dos casos, o suicídio é um sintoma da impossibilidade de apresentar respostas. E o mais trágico é não ser o único nem o mais prejudicial.

Ainda mais prejudicial é aquele que, por não ter respostas, prejudica a outros. Quantos não são os esquartejadores, estupradores, pedófilos e portadores de outras taras e desvios provocados por questionamentos para os quais não lograram encontrar resposta?

Segregamos estas pessoas do meio social, evitando que produzam novas vítimas, mas há muitos bem mais prejudiciais a que distinguimos. Quando pensamos nesses casos, sempre recordamos de Hitler, mas se prestássemos atenção conferiríamos na história de todos os países muitos líderes que prometeram respostas e somente apresentaram maiores problemas.

Aqui no Brasil, podemos nos lembrar vários deles. Desde os que prometiam respostas comparadas a golpes de karatê, até os que menosprezavam a falácia de suas respostas com a justificativa de que "assim não dá, assim não pode".

Uma falácia recorrente é a mítica da crença nas receitas acadêmicas para a formulação de respostas efetivas. Nem mesmo as mais exatas ciências deram conta das inúmeras imponderabilidades da realidade, o que se comprova no desenvolvimento da física e química quântica.

Infelizmente o ser humano é refratário à mudança de rotina, à criatividade. Teme o novo, mesmo quando o novo repetitivamente comprova-se melhor e superior ao tradicional. E por mais que o tradicional tenha sido nefasto através dos anos ou dos séculos.

A história comprova diversas demonstrações desse nosso medo, como quando tivemos medo de aceitar a forma esférica do planeta. Resistimos à conclusão de que a Terra se move em torno do Sol, condenando Galileu. Imaginávamos que o filho de um mero fabricante de alaúdes jamais poderia apresentar respostas mais corretas e precisas do que a erudição do Papa?

Na falta de respostas, nossa insegurança e medo sempre nos fazem preconceituosos demais para aceitar o novo. Preferimos a falsa sensação de segurança das velhas mentiras à evidência da realidade de novas respostas, até mesmo quando usufruímos os benefícios dessas respostas ao que antes nos vitimava.

E assim têm sido o ser humano em todas as partes do mundo. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, já se viveu diversos momentos semelhantes àqueles sofridos por Galileu Galilei. Isso ocorreu quando da resposta de Oswaldo Cruz ao desafio da varíola através de uma vacina. Políticos e a imprensa da época fomentaram a Revolta da Vacina, que, durante o mês de novembro de 1904, promoveu depredações, barricadas, queima de veículos coletivos, depredação de patrimônio público e levante militar; culminando com decretação de estado de sítio e resultando em 50 mortes, 110 feridos, centenas de encarcerados e muitos deportados.

Um século depois, em julho de 2007, na abertura dos Jogos Pan-Americanos, o estádio do Maracanã vaiou o Presidente Lula. Perante todas as delegações do continente, o presidente foi impedido de pronunciar o discurso de abertura daquele evento, apesar de ter sido o principal responsável por sua realização naquela cidade.

Mais uma manifestação da imponderabilidade humana? Nem tanto, pois logo se comprovou que a vaia fora montada e ensaiada pelo então prefeito César Maia que a partir de então passa a ser parodiado pela própria população carioca como César Vaia.

Na ocasião, César Maia declarou-se satisfeito consigo próprio: “Sou um profissional de vaia. Já fui vaiado na minha vida muitas vezes. Isso sempre gera para a gente um desconforto, uma sensação de mal-estar. Nosso presidente não se sentiu bem. Senti que ele estava em uma situação difícil...” Comportamento padrão do sem-resposta, esse declarado esforço pelo constrangimento daquele que tenha apresentado alguma resposta plausível, também se baseia na mítica do academicismo. Impossível a este crente aceitar que outro de menor instrução escolar apresente respostas efetivas a problemas como dívida e descrédito internacional, miséria e violência social, atraso, exclusão, ausência de infra-estrutura e tantos outros.

Navegar é preciso, exato. Viver, não.

Astrolábios, conhecimentos astronômicos, bússolas e outros recursos náuticos, garantem a precisão dos caminhos do mar. Já na vida os desafios exigem respostas que por vezes sequer a biologia responde.

Desde proprietário de mansão no bairro do Morumbi até golpista por um terceiro mandato, Lula já foi acusado de tudo. Ao invés de retribuir com novas acusações, apresenta respostas aos problemas a que se propôs resolver, desempenhando com o que se comprometeu: respostas eficazes contra a inflação, a miséria, a concentração de renda, a defasagem tecnológica, o desemprego; reforma do ensino, retomada do desenvolvimento, etc.

Claro que para responder questões e problemas de tal profundidade, teve de montar uma equipe de especialistas. Mas esta é resposta que se espera de todos os presidentes em quaisquer tempos e em todos os lugares do mundo. Essa é a resposta.

Já os esforços dos sem-resposta podem alcançar resultados como o das últimas eleições para as prefeituras municipais, que indicaram a vitória do candidato apoiado por Lula no próprio Rio de Janeiro, derrotando a vaia. Na ocasião, o governador Sérgio Cabral declarou: "A pessoa que organizou as vaias ao presidente Lula na abertura Pan 2007, levou uma surra do povo brasileiro”. Sim, estava certo o governador. Sem dúvida aquela fora uma resposta do povo carioca, da mesma forma que o povo brasileiro também respondeu a todas as manobras e preconceitos dos sem-resposta, reelegendo Lula à presidência.

Mas uma personalidade tão admirada em todo o mundo por suas tantas respostas positivas aos graves problemas desta nossa imponderável humanidade não se preocuparia em responder a mesquinharia de vaias organizadas por concorrentes políticos. Assim mesmo, sem qualquer mágoa ou rancor, Lula apresenta uma resposta muito maior e proporcional ao tamanho de sua personalidade, embora infinitamente desproporcional à pequenez típica dos sem-resposta que, quando muito, conseguiram ser gestados e paridos, mas pouco ou nada apresentam para justificar as oportunidades com que foram priveligiados na vida.

Privilégios exatos, precisos. Mas viver, não.

A resposta de Lula àquela vaia ensaiada no Maracanã em 2007, na abertura dos Jogos Pan-americanos, se deu neste 2 de outubro de 2009, lá na Dinamarca. E se confirmará em 2016, depois de Lula ter deixado o cargo para voltar ao apartamento de São Bernardo do Campo. É a vida, e suas respostas.

Raul Longo
pousopoesia@ig.com.br
pousopoesia@gmail.com
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia
Ponta do Sambaqui, 2886
88.051-001 - Floripa/SC
Tel: (48) 3206-0047


Raul Longo é jornalista, escritor, pousadeiro e colabora com esta Agência Assaz Atroz

Recomendamos a (re)leitura do artigo "A vaia ensaiada pela claque do Maia", Fernando Soares Campos, NovaE, julho de 2007. (O texto vem acompanhado de vídeo revelando que houve ensaios para a vaia.)


http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=632

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Arnaldo Carrilho: "Embargos e sanções atingem somente as multidões dos países embargados e sancionados"

O Embaixador Arnaldo Carrilho(*), leitor assíduo desta nossa Agência Assaz Atroz, nos autorizou a publicação de seus esclarecedores comentários ao artigo “Os 60 anos da revolução chinesa”, de Aldo Rebelo, publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Arnaldo Carrilho

Pois estou na China – olhem só o privilégio – onde vim para exames médicos, faz quatro dias. A saúde está meio assim-assim, e as condições médicas e farmacológicas de Pionguiangue não permitem atendimento adequado, em razão do assédio-cerco do embargo estadunidense e das sanções onuseanas à RPDC [República Popular Democrática da Coreia].

Estou, como sempre, com o presidente Lula e o chanceler Celso Amorim: embargos e sanções não servem aos objetivos estratégicos das grandes potências e atingem somente as multidões dos países embargados e sancionados.

Elas reagem de formas diversas às repressões: na RPDC, onde faltam tantas coisas, a começar pela eletricidade, interrompida a qualquer momento, mesmo no bairro diplomático. Os coreanos atribuem ao imperialismo essa grande deficiência. Os meios de transporte público, com ônibus e bondes aos pedaços, importados dos membros do Comecon-Pacto de Varsóvia antes de 1989, assim se apresentam por causa do imperialismo.

A inexistência de elevadores em funcionamento em edifícios de mais de quatro andares (a maioria dos residenciais têm 10 a 12) é também atribuída ao imperialismo, assim como o racionamento alimentar, equivalente a 200 gramas de arroz a cada refeição por habitante adulto (a mesa das crianças é mais farta, e há leite para todas).

O pior é que é mesmo, mas, tal como em Cuba, na RPDC mais ainda, a multidão se une mais vigorosamente, a solidariedade é mais intensa ainda. Importante frisar que, nos dois países citados, os regimes se mantêm intactos, e não houve meios de derrubá-los por ataques armados e punições sancionais.

Pois bem, hoje não é dia de Coreia, país que perderia 2,6 milhões de habitantes em 1950-53, dos 11 totais, mas da China.

Pena que a Net e a Sky brasileiras, por causa do seu dono, o ex-australiano Rupert Murdoch, que jamais admitiria a retransmissão de emissoras como a Al-Jazeera ou as 11 CCTVs, dentre outras, como a SBS e a PBS, exemplos do que não temos nem conhecemos ainda, TVs públicas verdadeiras, a australiana mais que a estadunidense.

Pena porque vocês não estão vendo ao que agora assisto, às 07h00 pequinenses, i.e., à chegada do povão aos locais da grande parada comemorativa, organizadíssima, e às providências em ato.

Já em 1999, a festa do cinquentenário fora supimpa, bem me recordo, Tianamen embandeirada, à espera do então presidente Tsiang Tese-Min (Jiang Zemin, em Pinnyn), que, secretário geral do PCC e dirigente das Forças Armados, abriria o desfile militar-cultural. Hoje toca ao seu sucessor, Hu Tchin-Dao (Jintao, na mesma convenção gráfica, de que não gosto, porque muda a prosódia da língua de seis mil anos, da mais antiga civilização sobrevivente).

A propósito disso, convém recordar que Marx não acreditava em países como a China e a Índia, muito menos nos mexicanos, em guerra contra os EUA.

Seguindo a equivocada visão de Hegel, considerava-os nações-mortas, relegadas a camadas peleontológicas irreversíveis, logo, incompetentes para conscientizarem a luta de classes, estopim das mudanças.

Na índia, por exemplo, favorecia o braço-branco dos colonizadores; eles, sim, aptos para introduzir o conceito revolucionário.

A China seria um caso perdido, pois entorpecida pela droga (ópio), introduzida pela Grã-Bretanha, que a transportava em fardos desde a Birmânia, por sinal, causadora de duas guerras contra o Império do Meio, de que Hong Kong foi testemunho, o enclave Hong kong, até 1997.

Quanto aos mexicanos, coitados, foram apenas mal qualificados pela mundividência europeicêntrico-industrialista do autor de A Ideologia Alemã [Die Deutsche Ideologie, Marx e Engels].

Pois a China está aí, emergida do atraso secular em que se encontrava, potência mundial que jamais invadiu ou ocupou qualquer país. Não me venham com o caso do Tibet, porque esta é outra história, porque já estava na China, antes de 1949. O que hoje se comemora – permito-me discordar do amigo Aldo e de muitos – não é sexagésimo aniversário da Revolução, mas o da Proclamação da RPC (República Popular da China). A Revolução da China explodiu em 1921, nas mãos do cantonense Sun Ia-Tsen, por sinal, casado com uma das irmãs de Mme Tchiang Kai-Chek e da ex-co-presidente da China Popular.

Vale a pena ler sobre as três riquíssimas irmãs Sung (ou Soong, em grafia inglesa), mulheres decisivas na História da China no século XX.

Os que tiverem meios, nessa noite de primavera brasileira, aguentem mais um pouco, que o desfile comemorativo vai começar.

Abraços do
Arnaldo Carrilho

P.S.: Uma de minhas vaidades foi o fato de ver artigos meus publicados no JB, por mais de cinco anos, sobre uma China em que raros no Brasil acreditavam. Evidente, por cinco anos (1991-96), residi em Hong Kong, logo, num ponto vantajoso de observação.

N.B.: Na esquerda e direita brasileiras, os ocidentalistas continuam a só fazer restrições à China, que criou seu próprio modelo, que não é o nosso, evidente.


(*) O Embaixador Arnaldo Carrilho teve sua carreira iniciada em 1962. Recentemente entregou credenciais ao governo de Kim Jong, passando a exercer as funções inerentes ao cargo de embaixador do Brasil na Coreia do Norte, depois de ter representado nosso país, entre 2006 e 2007, na Cisjordânia controlada pela Autoridade Nacional Palestina. Já serviu em 14 países, passou 10 anos em postos na Europa e outros 12 em países árabes, China e Tailândia. Arnaldo Carrilho já inaugurou embaixadas brasileiras na Arábia Saudita e Alemanha Oriental e foi designado como Embaixador Extraordinário junto à Cúpula América do Sul-Países Árabes, que aconteceu em 2008.

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Os 60 anos da revolução chinesa

ALDO REBELO

A CHINA celebra amanhã, 1º de outubro, os 60 anos da revolução que mudou a história dessa grande nação asiática e influencia de forma decisiva as estratégias geopolíticas e econômicas da atualidade.

Hoje, a contribuição da China para o crescimento mundial é superior à dos EUA e sua economia é considerada mais aberta que a do Japão pelos padrões internacionais. E, se podemos dizer que a China de economia agrária corresponde a um país de passado remoto, vale dizer também que a China dos produtos de baixo valor agregado já pertence ao passado recente, uma vez que se amplia a presença de mercadorias de alta tecnologia na pauta de exportações chinesas.

O Brasil restabeleceu relações diplomáticas com a China em 1975. A aproximação entre os dois países foi intensificada nos governos dos presidentes Fernando Henrique e Lula.

Hoje, a China é o principal destino das exportações brasileiras, superando os EUA, e os dois países fabricam juntos satélites e aviões. A ausência de "contenciosos históricos", como disse o presidente Lula, permite ampla área de cooperação entre as duas nações, da economia à diplomacia.

O que chama a atenção na revolução chinesa de 1949 é o fato de a construção da nova China ter se dado sobre base econômica extremamente atrasada, o que tornou desafios e conquistas ainda mais surpreendentes. Nos anos que precederam a conquista do poder pelo Partido Comunista, a atividade industrial moderna representava 10% da produção nacional, contra 90% da agricultura e da indústria artesanal. Era uma base "pobre e inexpressiva", como costumam definir os próprios chineses.

A reforma agrária posta em marcha pelo governo revolucionário golpeou a estrutura feudal e dos senhores da guerra e liberou a força produtiva de 300 milhões de camponeses, que puderam ter acesso à terra e dedicar-se com entusiasmo à produção.

O Estado aboliu oficialmente atividades consideradas degradantes, como a dos eunucos e a das concubinas, e desenvolveu campanha contra o comércio e o uso do ópio. Em 1952, a produção industrial chinesa já havia aumentado 77,6% em relação a 1949, ano da revolução. Os salários dos trabalhadores tiveram ganho de 70%, e a renda dos agricultores, um aumento de 30% em relação ao período anterior.

A partir daí, a China conheceu uma fase de turbulências marcada por dois movimentos: o primeiro, o Grande Salto à Frente, de caráter voluntarista, buscava alcançar resultados econômicos acima das possibilidades reais e das condições do país. A economia chinesa declinou rapidamente por três anos consecutivos, e o povo viu-se ante grandes dificuldades.

O segundo equívoco recebeu o nome de Grande Revolução Cultural. De traço subjetivista, afetou seriamente o entusiasmo popular na construção nacional, prejudicou a democracia socialista e o equilíbrio da vida social e política. Após dez anos da Revolução Cultural, a economia chinesa estava, em 1976, à beira do colapso. Vistos em perspectiva, esses 60 anos da nova China podem ser divididos em duas grandes etapas.

A que vai de 1949 a 1978, de refundação do Estado e consolidação da independência nacional, de superação do atraso econômico e social e da construção da unidade do povo e do país. Um período muito difícil: tratava-se de modernizar uma sociedade marcada pelo atraso e por desequilíbrios seculares. A grande figura desse período foi o líder maior da transição revolucionária, Mao Tse-tung.

A segunda etapa vai de 1978 aos nossos dias. Período de reformas e abertura. Nessa etapa, a China realizou ampla mudança no campo e nas cidades e nos diferentes setores da economia. Os grandes acontecimentos que marcaram essa fase foram as decisões da terceira sessão plenária do 11º Comitê Central, em 1978, e a fala de Deng Xiaoping aos líderes de Shenzhen, em 1992, quando propôs a busca de um novo caminho do socialismo com características chinesas, a economia socialista de mercado.

Antes de mudar os rumos da China, a direção chinesa mudou o pensamento do Partido Comunista. Adotou como orientação a centralidade da questão nacional, o desenvolvimento da indústria e da agricultura e a elevação do bem-estar do seu povo. O fundamental é a defesa da independência e da unidade da nação e do povo.

É paradoxal que o mais poderoso partido comunista enalteça a unidade do país e do povo, enquanto ONGs e lideranças pretensamente marxistas do Terceiro Mundo valorizam a fragmentação de seus povos a partir da exaltação de subdivisões étnicas e raciais de suas sociedades.


ALDO REBELO , 53, jornalista, é deputado federal pelo PC do B-SP SP e presidente do Grupo Parlamentar Brasil-China. Foi presidente da Câmara dos Deputados e ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais (2004).

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3009200908.htm

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