quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Dilma e a pegadinha do Fantástico

.

Urariano Motta*

Recife (PE) - Desde o tempo em que trabalhei no rádio, aprendi que uma entrevista nem sempre deve começar pelo que mais interessa. Pois existiria depois o que se chama edição, onde o fundamental que interessava à pauta assumiria o devido lugar de destaque. Assim fizemos em mais de um “Violência Zero”, esse era o nome do programa, um espaço de direitos humanos no rádio, que então denunciava os criminosos da boa sociedade em Pernambuco.

Mas nunca, nem mesmo no dia em que entrevistamos um espancador de travestis, que afirmava na maior naturalidade odiar gays e assemelhados, nunca tratamos o agressor com desrespeito à sua pessoa, ou dele montamos o que não era real, documentado, em provas e pesquisas anteriores. Isso quer dizer, não lhe púnhamos na boca aquilo que o editor pensara antes, pois mais de uma vez mudamos o imaginado, que não se confirmava na pesquisa viva.

Que diferença para a entrevista de Patrícia Poeta com a presidenta Dilma no Fantástico do último domingo! A primeira coisa a se notar, já no começo, é a diferença de autoridade entre a repórter/apresentadora e a presidenta do Brasil. Entendam o que isso quer dizer: quem mandou em cena foi Patrícia, perdão, Poeta. “Agora vamos trabalhar?”, comandou a moça cuja poesia reside nos longos cabelos.

A edição preservou o constrangimento, a clara insinuação de que a presidenta não estivesse já trabalhando, exatamente para responder à grande autoridade da apresentadora do Fantástico. Que comandava e cruzava os braços.

Quem essa gente pensa que é? Aqui se confirma uma vez mais a história do carregador de quadros de santos em cima de jumento, que ao passar pelas estradas via o povo se ajoelhar e pensava “o quanto sou importante”. Quem monta no veículo TV Globo recebe a sua aura.

Patrícia manda na presidenta, e a edição realça o mando mais adiante em outro momento. Olhem bem, prestem atenção, porque a fala a seguir é da Poeta:

“Vou deixar a senhora falar um segundo exemplo. Tomei seu tempo lá na alvorada, a senhora tem crédito agora. Vou deixar”.

Sentiram a força?

Antes, da autoridade, Patrícia Poeta, vêm muitas bobagens (lembram-se do princípio de edição?), todas desrespeitosas para o cargo e importância da primeira mulher a presidir o Brasil, mulher ex-guerrilheira, torturada e quase morta na ditadura. Pergunta a autoridade do veículo:

“Em uma reunião dessas, por exemplo, tem um momento mais mulher? Bolsa, sapato, filho, neto?”, e segue, entre menções a fotos de netinho, até atingir o que interessa:

“Poeta: A senhora não imaginava, por exemplo, que fosse ter que trocar quatro ministros em tão pouco tempo, três deles, pelo menos, ligados a denúncias de corrupção, esperava isso?

Dilma: Olha, Patrícia, eu espero nunca trocar nenhum ministro e muitos deles eu não troquei exatamente por isso. Vamos e venhamos. O ministro Jobim, Nelson Jobim, saiu por outros motivos.

Poeta: Mas os outros três...

Dilma: “Eles ainda não foram julgados, então não podem ser condenados”.

Até o sublime instante em que se irmanam editores e repórteres ungidos pelo poder do veículo. Lembrem-se do princípio da edição, o que conduz bobagens até chegar a este ponto:

Poeta: “E como que a senhora controla esse toma lá da cá, digamos assim, cada vez mais sem cerimônia das bancadas? Como é que a senhora faz esse controle?

Dilma: Você me dá um exemplo do “da cá” que eu te explico o “toma lá”’.

Vem um curto silêncio na cena da entrevista. O ar não admite buracos, mas ainda assim há um raivoso e perturbador silêncio. Então volta a verdadeira autoridade, que ali chegou por decisão soberana de todo o povo do Brasil:

“Estou brincando contigo.... Vou te explicar. Eu não dei nada a ninguém que eu não quisesse. Nós montamos um governo de composição. Caso ele não seja um governo de composição, nós não conseguimos governar. A minha base aliada, ela é composta de pessoas de bem. Ela não é composta, não é possível que a gente chegue e diga o seguinte: ‘Olha, todos os políticos são pessoas ruins’”.

A autoridade que vem do veículo onde monta, a cara da entrevistadora Patrícia Poeta é de morder, apesar de palavras em tom de meiga manteiga. Não há mais um morde e assopra. Há um morde e assobia. Quem desejar ver a pegadinha que se frustrou, assista abaixo:

http://www.youtube.com/embed/BAEoXe0ymjc

Se houvesse uma edição popular, de toda a entrevista esta frase seria a mais séria: “’Tou brincando contigo”.

E os risos do Brasil ao fundo, que no rádio chamavam BG.


Urariano Motta* – Recife: é pernambucano, jornalista e autor de "Soledad no Recife", recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do cabo Anselmo, executada pela equipe do Delegado Fleury com o auxílio de Anselmo.
Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz._

_______________________________

Ilusração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

PressAA

.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

COMEÇANDO A SUBIR OS ANDES

.



(Excerto do livro "Viagem ao Umbigo de mundo", publicado em 2006)

Urda Alice Klueger

Conforme o combinado, saímos ao meio-dia, com grande aparato, fazendo sensação pelas ruas de Salta. Era 28 de Setembro de 2004, terça-feira e até ali já andáramos 2.250 km em três dias de estrada.

Salta despediu-se de nós dando-nos de presente uma estradinha de sonho para irmos embora, coisa quase que de brinquedo de tão linda, numa paisagem tão cheia de fertilidade da qual não seria possível esquecer, tendo em vista a grande aridez na qual penetraríamos ainda naquele dia, e que perduraria por muitos e muitos dias daí para a frente. Na verdade, a sensação que eu tinha era de estar a desfilar por alguma mágica estradinha do fértil Vale do Itajaí, apesar de estradinhas assim, no Vale do Itajaí, não costumarem ser asfaltadas. Aquela fita de asfalto subia, descia e se contorcia no meio da mais verdejante paisagem de colinas, com algumas represas d’água em algum ponto, e era tão encantadora que se tinha a impressão que se estava a flutuar pelo paraíso terrestre. Não sei o nome daquele lugar, mas olhando no mapa, vejo que viajávamos por uma estradinha paralela à que levava a Jujuy. Ela não durou muito, no entanto. Uma ou duas horas depois paramos para abastecimento, e então eu disse para o seu Chico que na parte seguinte eu iria no carro de apoio para dar uma força para o Lobo Solitário. IRÍAMOS COMEÇAR A SUBIR OS ANDES, e o Lobo subia os Andes pela primeira vez. Como eu já sofrera outras vezes dos males das alturas, dava-me um medo danado de que o Lobo passasse mal, e se deixasse cair, com toda a parafernália que conduzia, em algum abismo que sequer estávamos a imaginar. Então, naquela parada, comprei um bocado de chocolate e um litrão d`água, e aboletei-me junto ao APHD Lobo Solitário. E dali para frente a subida começou.

Primeiro, fiquei a falar para o Lobo da necessidade de respirar fundo e muito, e fiquei com ele treinando respiração. Quando a estrada começou a subir para valer, respirávamos juntos, eu mantinha sempre uma conversa acesa, ficava enfiando chocolate para o Lobo comer e lhe passava a todo instante a garrafona de água. Também conforme a estrada começou a subir para valer, a aridez foi chegando, sumindo-se praticamente quase que todo o resquício de vida. Parecia estarmos a penetrar num mundo só de montanhas feitas de seixos secos e quase tão inacreditáveis, na sua secura, quanto uma paisagem lunar. Alguém, em alguma época, usara tratores e gente, por ali, e abrira na encosta das montanhas carreiros largos que agora estavam asfaltados, e quase não dava para imaginar como é que um engenheiro pudera pensar em construir tais estradas. Ficamos, eu e Lobo Solitário, imaginando que aqueles caminhos agora de asfalto algum dia teriam sido abertos pelos pés dos antigos habitantes da América, pois que eu sabia que antes, muito antes dos espanhóis, os antigos povos originários do Brasil haviam ido para cá e para lá, e lembrava-me de Aleixo Garcia[1], o primeiro europeu a ficar morando em Santa Catarina, e que na década de 1520 fora à pé, com os indígenas de São Francisco do Sul/SC, até o mundo Inca, isto é, fora o primeiro europeu a conhecer o mundo Inca, antes de Pizarro. Aconselho a leitura do livro citado abaixo. E lembrava-me também do Caminho do Peabiru, caminho que sai do Atlântico, na região de Barra Velha/SC, e que ainda pode ser visto na região de São Bento do Sul/SC, e que, se conectando com outros caminhos muitíssimo antigos, leva ao que foi o antigo Mundo Inca e ao Oceano Pacífico. Decerto os pés que haviam aberto tais caminhos também haviam aberto aqueles pelos quais passávamos, apenas um dia melhorados por engenheiros modernos. Havia que se lembrar, também, que decerto fora por ali que o espanhol invasor atingira tão rapidamente o coração do continente, e a paisagem era tão soberba, e nossas reflexões tão cheias de indagações, e eu fazia o Lobo Solitário engolir tanto chocolate e tanta água, que penso que ele não teria a menor chance de pegar no sono. Num ou noutro ponto da encosta de alguma montanha, de repente, via-se alguma coisa verde: era o aproveitamento de alguma umidade que ali ficara provinda do degelo da primavera, e onde nasceram alguns cactos, ou alguma outra planta desconhecida, e ao redor daquela mínima umidade a vida se instalara, e ali no meio sempre havia uma casinha feita de seixos, quase invisível por ser da mesma cor que a paisagem em torno, e duas lhamas junto à porta, e algum homem muito queimado de sol e todo envolvido em roupas de lã espiaria para fora para afirmar que aquilo ali era um lar.

Era uma paisagem de deixar qualquer um pasmo, e houve um momento cheio de emoção, quando, dirigindo ao redor de um quase inacreditável precipício, centenas e centenas de metros abaixo, com voz embargada diante do espetáculo da natureza, o Nilo Lobo Solitário falou:

Um dia eu ainda vou trazer a minha mulher aqui! – e na voz daquele Lobo corajoso, a subir os Andes arrastando atrás de si toda aquela parafernália dos harleyros, estava implícita tal quantidade de emoção e carinho pela companheira da sua vida, que eu estou emocionada até agora.

________________________

[1] BOND, Rosana. A saga de Aleixo Garcia: o descobridor do Império Inca. Florianópolis: Insular, 1988.

Urda Alice Klueger é escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz.

________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

Pressaa

.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Eu quero o milhão de James Randi [revisado]

.



Fernando Soares Campos

Corre por aí a informação de que o milionário James Randi lançou um desafio. Ele se propõe a pagar U$ 1.000.000,00 (um milhão de dólares) para quem conseguir mostrar fenômenos chamados de paranormais os quais venham a ser provados. Aí se incluem as materializações, encarnações, conversas com espíritos, mesas falantes, telepatia, etc. O desafio está feito há mais de 15 anos, o dinheiro depositado num banco (rendendo juros), porém, até o momento, ninguém conseguiu faturar o prêmio. Mas a partir de 1º de abril de 2007, não são mais aceitas propostas espontâneas. A própria organização do "concurso" vai tomar a iniciativa de chamar aqueles que mais aparecem na mídia e que se dizem possuidores desses "poderes".

Eu daria até comissão a um espírito que se dispusesse a fazer o espetáculo para James Randi e assim faturar a grana. O problema é que os espíritos não estão disponíveis para o que eu bem entenda e queira.

Muita gente imagina que espírito desencarnado é um ser diferente de um ser encarnado em todos os aspectos. A maior das diferenças está exatamente em que um (o desencarnado) está livre do uso do corpo humano, está habitando um mundo de matéria na quinta essência, e o outro está aqui na condição que nós estamos, esta condição de necessitar de um corpo de matéria compacta para nos comunicarmos uns com os outros.

Outra diferença, e essa abrange a condição de encarnado ou desencarnado, é o estado evolutivo.

Existem espíritos desencarnados moralmente evoluídos, também detentores de avançados conhecimentos científicos, em estado de evolução tal que podem, em sintonia com espíritos encarnados, produzir certos efeitos que aqui muita gente chama de paranormal, mas que, na verdade, tudo ocorre de maneira natural, atendendo às leis da natureza. Enquanto isso, ações e reações ainda desconhecidas dos que se encontram encarnados acontecem sem que possamos explicá-las à luz da ciência, baseados nos conhecimentos científicos que hoje dominamos.

Existem espíritos desencarnados, de pouca elevação moral, mas que já dominam o campo da ciência espiritual desconhecida dos encarnados, em razoável grau de conhecimento científico. São capazes de, em sintonia com espíritos encarnados, promover igualmente certos fenômenos que a ciência no mundo material ainda desconhece as causas, os mecanismo, as energias que as provocam; e nós apenas podemos observar os efeitos.

Nem os primeiros nem os segundos são marionetes de ninguém. Ambos vivem no universo organizados em escala hierárquica. Esta escala pode ser atribuída aos avanços morais e científicos, no caso dos primeiros; ou apenas submetidos ao domínio baseado nos conhecimentos, "nas riquezas", no patrimônio de conhecimento cientifico. É o caso dos segundos.

Os primeiros refletem a sua própria luz com muita intensidade; os segundos, mesmo com muito conhecimento científico, refletem pouca luz, por isso os mais inferiores não passam de vultos.

Esse primeiros de quem falamos conhecem muitos segredos do universo, sobre os quais ainda buscamos conhecimentos. Eles sabem que a evolução é inevitável e que todos os espíritos pensantes atingirão o grau de iluminação que eles já alcançaram, e todos evoluirão infinitamente.

Os segundos são espíritos apegados à vida na Terra, ao mundo dos encarnados, estacionados nos seus mais mesquinhos sentimentos: vingança, egoísmo, orgulho arrogante, gozo material. Estes, como ocorre com muitos cientistas encarnados, pretendem fazer da Terra um ambiente de seus domínios.

Se eu me apegar aos primeiros e lhes pedir ajuda a fim de ganhar o dinheiro que James Randi está oferecendo para provar um fenômeno "paranormal" (não existe essa paranormalidade), eles me negarão o tal papel, pois sabem que James Randi, hoje, está a serviço dos segundos, mesmo que ele não tenha consciência disso.

Se eu me apegar aos segundos, estes atenderão. Eles farão de mim um charlatão que será desmascarado, pois é esta a função do grupo que usa Randi: fazer muita gente descrer dos fenômenos que a cada dia, gradativamente, vêm ocorrendo na Terra e ocorrerão com maior freqüência, passo a passo, unindo os dois mundos e fazendo a Terra atingir o grau de outros planetas regenerados e transformados em mundos superiores. É o que muita gente chama de Paraíso. Paraísos existem muitos no universo, assim como mundos inferiores, dominados por gente como Randi e sua turma equivocada, que inveja a condição de espíritos iluminados, superiores, que detêm o conhecimento que eles não dominam.

Os espíritos de baixa vibração mas de certo conhecimento científico ainda encontram na Terra um ambiente apropriado para agir. Eles se negam a se submeter a hierarquias sob as quais recomeçariam como simples trabalhadores. Estão acostumados a lidar com laboratórios, política, governo, mega empresas, guerras, portanto acreditam (ou fazem o possível para acreditar) mais na força material que na espiritual como forma de domínio. Acreditam que poderão manter o nosso planeta nesse estado de evolução, estagnando, eternamente. Conseguem colocar determinados espíritos encarnados nos governos de nações e, principalmente, na administração de certas empresas.

Os espíritos de luz conseguem influenciar alguns espíritos encarnados que decidiram deixar esse ciclo de reencarnações e se encontram em condições muitas elevadas, no que diz respeito ao conhecimento científico. São espíritos que decidiram recomeçar como trabalhadores simples na escala hierárquica mais evoluída moralmente. Eles fazem com que também esses assumam comandos idênticos, em diversos empreendimentos na Terra. Porém, aqui na Terra prevalece o esquecimento de vidas passadas, e muitas vezes, em meio às suas provas, esses espíritos cometem falhas. Tudo isso faz parte do processo evolutivo.

Momento chegará em que os espíritos evoluídos assumirão o comando direto da Terra. Antes, haverá muita guerra (haverá?!). Inclusive no mundo espiritual há guerras. Se um espírito muito evoluído quiser entrar no mundo de baixa vibração, ele terá que baixar a sua freqüência e se disfarçar; pois, para adentrar nesses ambientes, exige-se até mesmo uma espécie de identidade energética, visto que os espíritos de baixa vibração vivem em grupos que se digladiam.

Todas as armas que se conhece hoje na Terra, assim como todo o conhecimento científico, tudo é inspirado no que ocorre nos mundos quintessenciados.

O sistema Solar é organizado e governado por grupos de espíritos muito evoluídos, e tudo funciona como em qualquer organização que se possa encontrar na Terra: líder (presidente, deus, allah, pai, criador, como queria chamar), assessores (Jesus, Sidharta Gautama, santos, departamentos, divisões, grupos, e tudo mais que se possa imaginar como funcionam as grandes corporações). O comando trabalha pela evolução do mundo material e espiritual. O "palácio" mais importante dessa organização é o Sol (neste sistema específico). As vibrações dos seus habitantes são tão intensas que recebemos toda aquela energia concentrada da forma como recebemos. Em todos os recantos do universo solar (universo limitado) existem espíritos em diversos graus de evolução trabalhando para dar continuidade a essa criação inteligente.

Um espírito que saia do "palácio" principal e queira habitar entre nós em missão, como aconteceu com Jesus, precisa se preparar para isso. Somente com a ajuda dos mais evoluídos ele consegue. Ele teria que baixar de forma incomensurável a sua freqüência vibratória, do contrário não teria como ocupar um corpo material compacto como o nosso.

Entre nós, este espírito não poderia falar de tudo que ocorre no "palácio", pois muito ainda precisaríamos avançar no campo científico para entender como ocorrem certos fenômenos. Entretanto ele orientaria a todos nós, que estamos baseados em conhecimentos muito limitados, a fim de que aprendêssemos gradativamente e alcançássemos o seu grau de evolução.

Para que um espírito alcance o grau de evolução tal que possa fazer parte da equipe do Palácio Solar, ele passa desde as funções de energia mineral, cuidando diretamente do mundo mineral (milhões de trabalhadores estão nessa condição), ao reino vegetal (outros tantos milhões aí se encontram), reino animal (mais outros milhões), empresas terrenas, organizações terrenas, ciclo de reencarnações, muitas reencarnações, aprendizado gradativo; habitam mundos que nós não estamos enxergando com os recursos do corpo material, não têm poder de se unir e formar um corpo celestial com tanta intensidade quanto o sol, nem há necessidade de que o forme.

Enfim, tudo ocorre do outro lado como ocorre aqui, a diferença está no grau evolutivo, que passa da mais densa matéria até a mais sutil, a matéria na quinta essência.

Por isso as religiões estão falando de Deus cada uma de uma maneira, e no final das contas todos estão falando do mesmo Deus.

Acima da organização que mantém o comando e responsabilidade sobre a evolução no sistema solar, existem organizações que comandam constelações, galáxias, grupo de galáxias, universos... Tudo hierarquicamente organizado. Em todos os mundos, onde se possa observar a matéria compacta, provavelmente o grau de evolução parte do mesmo princípio aqui exposto.

Enquanto a energia dos espíritos muitos evoluídos produziram e alimentam aquele astro imensamente luminoso, que por sua vez alimenta a vida aqui na terra, o conhecimento evoluído em mentes moralmente apegadas ao domínio pela força não deixa de ser um passo na evolução do universo, mas essa energia inferior se concentra no centro da Terra, no miolo da Terra. Desencarnados muito evoluídos em conhecimento científico, mas apegados ao egoísmo e arrogância, concentram suas energias no centro dos globos.

Lá no Sol, além de emanar os seus raios de luz, a força dos "deuses" explode em quilométricas "chamas", irradiando vida.

Lá no miolo da terra, as energias evoluídas em ciências e moralmente atrasadas explodem em diversos pontos da Terra, provocando a morte, a dor, o desespero. E, as guerras.

Mas saibamos que os que habitam o mundo dessa forma inferiorizada nem sempre sabem onde se encontram, muitos acreditam até que estão aqui ao nosso lado. Porém isso é outra história, isso exige conhecimentos profundos, conhecimentos científicos sobre as dimensões, matéria sutil, capazes de atravessar a matéria compacta. Isso muitos espíritos evoluídos apenas em ciência não têm a menor noção de como funciona. Precisariam se despojar do orgulho arrogante, do egoísmo e de tantos sentimentos inferiores, mesquinhos.

Mas aqueles espíritos evoluídos (encarnados ou desencarnados) que estão organizados no mundo espiritual, na Terra, no espaço sideral, no éter, no Sol, nos demais planetas, sejam aparentes ou ocultos aos nossos olhos, estes sabem muito mais sobre ciência do que qualquer um de nós possa imaginar.

Voltemos a falar do grupo que exerce influências sobre James Randi.

Espíritos em geral se dispõem ou não a colaborar naquilo que acham que devam colaborar ou não. Como ocorre com qualquer pessoa.

Eles sabem que eu, por exemplo, preciso desse dinheiro, mas espírito nenhum está aí para fazer a gente ganhar dinheiro com espetáculos "paranormais", mesmo porque não existem fenômenos paranormais no sentido de sobrenatural, ou seja, que extrapolem as leis da natureza. Tudo é normal, no sentido de que tudo é natural, tudo ocorre conforme as leis naturais.

Um milhão de dólares é uma quantia muito elevada pra mim, porém, para pagar o trabalho de espíritos desencarnados EVOLUÍDOS, não representa nada. Até para fazer caridade, daria pra comprar pão e peixe para uma única refeição de um milhão de pessoas, entre os 6 bilhões de habitantes da Terra. Daria para alimentar, com uma única refeição, um milhão de miseráveis de uma grande metrópole (ainda ficariam alguns milhões sem nem mesmo essa refeição). E olha que seria uma refeiçãozinha pouco farta: US$1,00 por prato. Num restaurante de R$1,00, daria pra duas refeições; mas o restaurante de R$1,00 é subsidiado, e cada refeição custa, em média, R$4,50, o restante o Estado banca. Portanto, com U$1 milhão não bancaríamos nem mesmo aquelas refeiçõezinhas de que já falamos. Isso não contribuiria em nada para a evolução do planeta.

Os espíritos de baixa vibração, esses que se contentam com um mundo de prazeres carnais, satisfação dos sentidos ainda tão animalizados, sentimento de domínio pela força, sentimento de poder pela guerra, criam religiões institucionais que pregam a existência de um deus criador e fora de nós, como se nós fôssemos apenas objetos desse deus e nunca pudéssemos atingir o grau de evolução que esse deus a quem podemos imaginar atingiu.

Qualquer deus personalizado sobre o qual um ser humano possa imaginar e formar uma imagem à sua própria semelhança é um ser que já passou por esse estágio: "imperfeito", como espírito pensante, e "perfeito", como criatura de si mesmo, de suas conquistas.

Mas existe espíritos desencarnados que influenciam James Randi, Bush, Sadam, Hitler, Somoza... e tantos outros. Eles são mentores de alguns papas, bispos, sacerdotes, "religiosos leigos", empresários, escritores, donas de casa, cidadãos comuns... Controlam certas empresas, a fabricação e desenvolvimento de armas, de drogas, o comércio escravo e tantas atividades e conhecimentos científicos. Eles influenciam os ignorantes transformando em dogmas o que poderia ser esclarecido pelo conhecimento científico. Fazem muita gente crer em milagres sobrenaturais, acaso e crendices. Eles manterão o domínio sobre a humanidade por um considerável tempo, até que muitos deles se cansem e briguem entre si, abandonem o propósito de manter a Terra sob esse domínio e ciclo de reencarnações. Aos que persistirem, pois têm o livre-arbítrio, será oferecido novo mundo, novo planeta em condições ainda muito atrasadas, para que continuem seus processos evolutivos.

Livre-arbítrio todos temos, mas liberdade de ação, não. Podemos implorar aos “deuses” a oportunidade de agirmos, mas nem sempre somos atendidos. Para entendermos essa questão, basta a nós a lembrança de que em várias ocasiões estivemos diante da liberdade de ação e não pudemos agir. São casos de limitação do nosso livre-arbítrio na condição de “deuses” em evolução, tal qual somos.

Se grande parte dos espíritos encarnados conquistarem um grau evolutivo e suas energias somadas se tornarem mais poderosas do que a dos que pretendem manter o ciclo de reencarnações, os outros terão que se render, terão que obrigatoriamente abandonar o Planeta. Por isso muitas vezes nos falam que, se todos vibrassem em função do Bem do Planeta, tais e quais acontecimentos ocorreriam. Claro! Mas os que estão vibrando em função do Bem precisariam estar realmente despojados de boa parte de sentimentos inferiores.

Vejamos: existem milhões de espíritos vibrando em busca de subsistência no plano material; milhões de pessoas querendo ganhar dinheiro. Seus interesses estão voltados para o conforto material, observe como oscilam as bolsas de valores. Milhões de pessoas vibrando pelo interesse pessoal, cria-se o caos, as forças de vibração mais poderosas vencem. Mas isso é só um aspecto da guerra.

James Randi não passa de um dos muitos que estão involuntariamente (considerando o esquecimento de vidas passadas que a reencarnação promove) a serviço daqueles que querem manter a ignorância sobre a Terra.

Mas se um espírito muito elevado resolvesse me ajudar a produzir o tal fenômeno que ele pagaria US$1 milhão para assistir, eu toparia. Pô! pra mim, é muita grana! E minhas vibrações inferiores não esquecem o que eu poderia fazer com ela. O problema é que Randi e os seus "provariam", mesmo que a gente conseguisse produzir o tal fenômeno, que nada ocorreu de forma paranormal. E ele tem razão, não seria mesmo, tudo ocorre de forma natural. O problema é que eles também podem "provar" que houve fraude. E muita gente acreditaria neles. E eu ou qualquer um que se dispusesse a ser protagonista do espetáculo passaria por um dos milhões de espíritos gananciosos, capazes de fazer qualquer coisa por dinheiro. Seria apenas mais um charlatão.

______________________________




Ilusttração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons







PressAA







.

domingo, 11 de setembro de 2011

Allende renascido no Chile, tributo a sua memória

.



Santiago do Chile, 10 set (Prensa Latina) Forças da esquerda chilena, organizações sociais e artistas renderão hoje homenagem ao ex-presidente Salvador Allende com um ato central no coração de Santiago.

Sob rótulo "Allende mais vivo do que nunca", foi convocada pelo Movimento Amplo Allendista a cerimônia de tributo ao ex-mandatário na praça da Constituição desta cidade, na qual participarão destacados grupos musicais chilenos como Legua York e Los Rockers, além de cantores populares, poetas e atores.

Queremos dar uma projeção muito forte de homenagem a Allende, não ao Allende do passado, senão ao que renasce todos os dias nas mobilizações de um Chile novo que luta para emergir graças às novas gerações, destacou o presidente do Partido do Socialismo Allendista, Esteban Silva.

Por isso chamamos à comemoração "Allende mais vivo do que nunca", dimensionou o dirigente allendista, quem realçou o legado do líder da Unidade Popular e sua vigência no Chile que se projeta hoje ante o mundo.

Muitas das demandas que se levantam hoje de diferentes setores da sociedade são afins com o pensamento e o modelo que impulsionou Allende, fundamentou Silva.

Comentou como seu ideário tem uma vigência enorme que sai à luz quando se exige educação pública de qualidade e se chama a uma Assembléia Constituinte para regular o papel da lógica empresarial mais concentradora e redistribuir a riqueza de Chile.

Como parte da homenagem ao ex-presidente e aos milhares de torturados, mortos e desaparecidos durante a ditadura, os chilenos se dispõem também amanhã a participar na marcha tradicional da cada 11 de setembro até o Cemitério Geral, peregrinação que desta vez se presume terá um alto poder de convocação.

Para os comunistas chilenos "as palavras que há 38 anos pronunciou Salvador Allende, no meio do bombardeio ao La Moneda, atingem na atualidade plena vigência: "voltarão outros homens a abrir as largas alamedas por onde passe o homem livre do amanhã".

Saiam a ver à gente às ruas, ponham ouvido atento: já este Chile não é o mesmo de ontem, assegura o jornal El Siglo.

Nas mãos e nos cantos de milhares de chilenos, e em primeiro lugar de sua juventude, sustenta a publicação, está o porvir. Graças a eles, a sua consciência e a sua capacidade de acender com sua decisão as certezas e esperanças de todo um país, Salvador Allende não terá morrido em vão.



( Domingo, 11 de septiembre de 2011 )

___________________________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

PressAA

.

sábado, 10 de setembro de 2011

A pergunta que não pode calar...

.

Rui Martins




Quem derrubou as torres em NY?

Berna (Suiça) - No 11 de setembro de 2001, ainda na CBN, eu comentava ao vivo diante de minha televisão, aqui em Berna, na Suíça, o ataque às torres gêmeas com Heródoto Barbeiro, em São Paulo, e Sidney Rezende, no Rio.

Pouco antes, estava terminando de almoçar e ouvia a rádio francesa Europa 1. Nessa época, ouvir os noticiários pelo rádio fazia parte da minha rotina diária, para garantir entradas imediatas na CBN, no caso de acontecimentos políticos, acidentes, atentados.

Foi assim que ouvi as primeiras notícias transmitidas num flash, dando conta de que um avião, ao que parecia desviado da rota, entrara num edifício de Nova Iorque. Logo depois, o correspondente nos EUA entrou ao vivo e fui correndo ligar a televisão quando ele anunciou que um outro avião entrara na segunda Torre Gêmea.

Era algo inacreditável, aquela fumaça de querosene em dois edifícios simbolos da força americana. Heródoto, comedido como sempre, não se aventurava a falar em atentado, queria primeiro esperar a confirmação. Eu e Sidney (não sei se a CBN guardou a gravação do programa) não tínhamos dúvida. E me lembro ter afirmado que, fazia alguns dias, um líder islamita prometera atentados nos EUA. Mas não me vinha o nome completo daquele que acabaria se tornando o pesadelo dos americanos.

É alguma coisa como Ossuma. E Sidney Rezendo completou – é Ossuma Ben Laden. Alguns dias depois, a direção da CBN decidiu que a pronúncia certa seria Ossuma Bin Laden.
De repente, enquanto cada um ia fazendo seus comentários, ocorreu a queda das torres como numa implosão de velhos edifícios. E, ali, pronunciei o seguinte comentário, diante do que me parecia óbvio - « mas pelo visto, além de terem entrado nas torres com os aviões, eles tinham minado antes os prédios com explosivos colocados nos andares ».

Nos dias seguintes, fiquei com a impressão de ter dado um fora, porque nenhuma autoridade americana falou na hipótese dos explosivos, e me contentei com a versão oficial.

Mas, algum tempo depois, li alguns depoimentos levantando estranhas hipóteses, pelas quais os atentados teriam de certa forma sido ajudados, dando-lhes uma dimensão ainda maior. Ignorei, mesmo porque sei da tendência dos americanos de verem em tudo um complô ou mentiras, como é a história da ida do homem à Lua e mesmo do vôo do Gagarin.

Porém, hoje, dez anos depois, tem muita gente séria levantando dúvidas, geralmente engenheiros que entendem de resistência de material ao fogo e altas temperaturas. Assim, dizem que o querosene saído dos aviões queima a uma temperatura de 850 graus centígrados, mas que o metal das torres podia suportar calor de 1.250 graus, antes de fundir.

Como onde tem fumaça, há certamente fogo, nessa história de complô para derrubar as Torres Gêmeas, o melhor, para evitar o risco de abuso por esquerdistas ou antiamericanos, seria esperar surgir alguém não político. Ora, justamente, existe um, suíço, professor de História na Universidade de Basiléia. Seu nome Daniele Ganser. Ele diz ter ficado com a pulga atrás da orelha, três anos depois, em 2004, ao ler o relatório oficial da Comissão de Inquérito sobre esses atentados.

Depois de ler o calhamaço de mais de 500 páginas, Ganser não se convenceu, achou falhas, e muitos argumentos destinados a reforçar os ataques ao Iraque, Afganistão, ao islamismo e ao Eixo do Mal apontado pelo cristão Bush. Três mil mortos de um lado, centenas de milhares do outro.

Ganser ficou também impressionado pelo fato da torre 7, do World Trade Center, a WCT7, não constar do documento, embora tivesse caído como um castelo de cartas no fim da tarde do 11 de setembro, e o mais estranho, sem ter sido tocada pelos aviões.

Esse esquecimento da WTC7 não foi só do inquérito, muitas pessoas acham terem sido só duas, as Torres Gêmeas, as que foram ao chão. Se já era estranho as gêmeas terem desmoronado, mais estranho é o fato de um prédio de 43 andares ruir, sem ter sido incendiado e sem ter sido atingido por aviões.

Hugo Bachman, professor de material numa universidade de Zurique acredita que, a maneira pela qual caíram de maneira imediata todos os andares dos prédios, só tem uma explicação – a queda dos prédios foi controlada por explosivos, como se costuma fazer, e se vê na televisão, com os prédios antigos implodidos.

Além disso, o professor de economia Marc Chesney, da Universidade de Zurique, revela ter havido um jogo na bolsa de valores, um dia antes dos atentados, envolvendo as ações das companhias United Airlines e American Airlines, cujos aviões foram sequestrados, e que representaram milhões ou bilhões de dólares, coisa nunca investigada.

Parece também terem sido informados, a tempo, tanto o governo como a CIA, sobre a preparação dos atentados, por que, então, não foram inteceptados os terroristas antes de colocarem em prática o aprendido nas escolas de pilotagem?

Resta a pergunta, no caso desses indícios provarem ter havido ajuda aos terroristas para completar seus atentados, sobre quem teria tomado essas iniciativas. Se o objetivo era provocar guerras, uma coisa ficou provada – a intervenção no Afganistão e a guerra contra o Iraque beneficiaram amplamente as indústrias de armamentos, porém tiveram efeito boomerangue.

Os EUA de hoje com crise econômica e dólares em baixa acabaram sendo também vítimas da guerra contra o "Eixo do Mal", decretada por Bush, pelas enormes despesas representadas. Serão necessários ainda alguns anos para se saber com certeza se houve um complô paralelo no 11 de setembro de 2001, cujo objetivo era criar condições junto à população dos EUA para guerras contra os islamitas, transformados em representantes do Mal, e poder se apossar do petróleo do Iraque.


Rui Martins *Ex-correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor do livro “O Dinheiro Sujo da Corrupção”, criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso, é colunista do site Direto da Redação. Colabora com o Correio do Brasil e com esta nossa Agência Assaz Atroz.


___________________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

PressAA

.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Quiçá, em Alfa Centauro

.



Fernando Campos (Só ares latentes)

Gênio! Este era praticamente o outro nome de Mellquiadhes Ollivyettho. Ele estava em voga, tornara-se o economista mais badalado dos últimos tempos. Todos abriam o jornal diretamente na sua coluna diária -Wall ß$treet i$ here-, o restante era só o restante.

A partir das listas de favoritos de muitos milhares de assinantes, ocorria uma verdadeira romaria diária ao seu sítio (pronuncia-se "site", do inglês saite). Sua presença era a garantia do sucesso de qualquer evento, fosse qual fosse o ramo do conhecimento humano em debate. Agenda lotada, nenhuma chance de contratação para os próximos anos. Para os raros felizardos que privavam de sua intimidade, ele era simplesmente Mell – apesar daquele ar bilioso, demonstrando menosprezo pelos reles mortais que o bajulavam.

Mell tinha a mania de dizer que não tinha manias. Afirmava isso em toda entrevista, mesmo que o entrevistador não lhe perguntasse sobre seus hábitos ou possíveis vícios.

Superstição? "Nenhuma!", garantia ele.

A fitinha do Bonfim, o patuá na correntinha do pescoço, a ferradura atrás da porta, a figa no chaveiro, a carranca no canto da sala, para ele, tudo isso não passava de estilo decorativo ou moda. Considerava-se despojado de qualquer sentimento machista: "Não tenho qualquer tipo de preconceito contra as mulheres. Reconheço que, hoje, com o corretor ortográfico dos computadores, a mulher está bem mais preparada para ser uma boa secretária".

Semanalmente Mell recebia, em média, trinta livros de novos autores que solicitavam sua opinião, ansiosos pela aprovação e elogios do mestre. Sua secretária respondia a todos através de uma mensagem modelo. Vez ou outra encaminhava uma dessas obras ao patrão, principalmente as que se desmanchavam em elogios às suas lucubrações sobre o futuro sócio-político-econômico do país.

No Clube dos Orquidófilos de Caraguatatuba, ninguém conhecia Dona Rosa Oliveira pelo nome, para todos ela era apenas a mãe de Mellquiadhes Ollivyettho, porém ela nunca entendeu por que tratavam seu filho Malaquias por aquele estranho apelido. Seus filhos também eram reconhecidos apenas como "os filhos do Ollivyettho". Enfim, todas as pessoas que tinham algum parentesco com "O Mago da Economia" perdiam a identidade própria e se tornavam apenas irmãos, tios, netos, primos ou cunhados de Mellquiadhes Ollivyettho.

Há muito tempo Mell vem tentando emplacar um neologismo com a sua marca registrada. Não se cansa de repetir: "Vivemos hoje a pós-globalização, o que já faz do momento atual a Era da Pré-Planetarização Cultural" – repetiu essa expressão ene vezes no seu último livro: "Pré-planetarização cultural - a nossa música nas sondas espaciais".

Quando foi anunciada a primeira viagem espacial de um brasileiro, Mell procurou fazer contato imediato com o astronauta escolhido. Escreveu para o cosmonauta informando:

"Contam que Santos Dumont, enquanto realizava seu primeiro vôo com um aparelho mais pesado que o ar, assobiava uma marchinha de carnaval. Esse foi, sem dúvida, o princípio de uma nova era. Considero que este fato marca a largada para o que ocorre nos dias de hoje: a Pré-Planetarização Cultural, cujo acontecimento mais marcante ocorreu quando o robô da sonda Sojounerum acordou-se, em solo marciano, ao som da música 'Ô coisinha tão bonitinha do pai', do cantor-compositor brasileiro Jorge Aragão. Portanto, com o propósito de ampliar a nossa vanguarda colonizadora interplanetária, solicito que V.Sa., ao participar da expedição do programa espacial russo, possa levar consigo um exemplar da minha última obra sócio-científica, 'Pré-planetarização cultural - a nossa música nas sondas espaciais', e, em se oportunizando ocasião, faça com que o exemplar seja lançado no espaço sideral em direção a distantes galáxias. Assoma-me à alma a esperança de que ele venha a ser interceptado por seres inteligentes, que logo entenderão a importância de um sistemático intercâmbio cultural entre os habitantes do Universo. Atenciosamente. Mellquiadhes Ollivyettho, PhD em Sociocultura Interplanetária."

Mell não recebeu resposta do astronauta brasileiro, porém acreditou que ele estaria preparando-lhe uma surpresa, certamente viria a anunciar, lá do alto, o lançamento do seu livro. O primeiro lançamento de uma obra literário-científica humana no espaço sideral, em direção a galáxias distantes...

– Poderá vir a encabeçar a lista dos mais vendidos em... nem precisa ser muito distante, talvez, em Alfa Centauro... – delira Mell numa enfermaria do Pinel.

____________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

Pressaa


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CACIMBINHAS

.




Clerisvaldo B. Chagas - Extraído do Portal Maltanet

Empenhado em nossa organização de livro sobre Virgulino Ferreira da Silva, temos referências várias sobre a nossa tão querida cidade Cacimbinhas. Município alagoano localizado no meio do caminho Santana do Ipanema ─ Palmeira dos Índios, Cacimbinhas foi ponto de descanso e referência de quem transitava do alto Sertão à Maceió e vice-versa. Tempos das estradas de terra, buracos e solavancos, poeira e lama que enganchavam as viagens sertanejas à capital. Originária no sítio Choan, o atual município recebia caçadores de Pernambuco ─ com o qual faz fronteira ─ que acampavam no sítio, nas proximidades de uma cacimba onde havia um limoeiro. Com mais pessoas parando por ali para descanso, outras cacimbas foram cavadas gerando, assim, a denominação do município.

Quem nasce em Cacimbinhas é cacimbense. E quem é cacimbense tem orgulho de sua fundação que aconteceu em 19 de setembro de 1958. Atualmente o município faz parte da Microrregião de Palmeira dos Índios e da Mesorregião do Agreste Alagoano. Possuindo uma área de 272,98 km2, com a distância de 177 km da capital, Cacimbinhas tem como sua padroeira, Nossa Senhora da Penha, celebrada em 8 de setembro. Com mais de dez mil habitantes, o município conta com atrações, além da festa da padroeira, como Festa de Santos Reis, Baile do Sábado da Aleluia. Forró Fest, emancipação política e ainda o Baile Macabro realizado em novembro. Para quem quer fazer visita turística, a recomendação é a serra do Cruzeiro com a capela de São Francisco e o castelo medieval da fazenda Alfredo Maya.

No início da década de vinte, Cacimbinhas recebia um bando de cangaceiros chefiados por Pedro, um dos famigerados irmãos Porcino, cujo bando abrigou o mais célebre, Lampião. Isso gerou dor de cabeça para o governo que convocou o comissário de Palmeira dos Índios e enviou tropas para Cacimbinhas. Além da década de vinte, Lampião usou Cacimbinhas outras vezes nos anos trinta, pela sua proximidade fronteiriça com Pernambuco. Ali foi sempre a porta de saída de Virgulino que geralmente entrava em Alagoas por Água Branca ou Mata Grande, via Piranhas, saída Cacimbinhas em busca de Bom Conselho (PE), e imediações.

Dizem os historiadores que os primeiros habitantes chegaram por volta de 1830. Após os primeiros habitantes, chegou a Cacimbinhas José Gonzaga que se associou a Clarindo Amorim par a construção da linha do telégrafo, ligando Palmeira dos Índios a Santana do Ipanema. Gonzaga, além desse feito histórico sobre comunicações, criou a primeira feira, com bastante movimento.

Dos tempos da estrada de terra, o que mais me chamava à atenção era a linha do telégrafo margeando a estrada, em cujo tempo de inverno, víamos passarinhos encolhidos sobre o fio. Ainda hoje quando passo entre Cacimbinhas e Palmeira dos Índios, nunca deixei de procurar com a vista os postes históricos e o fio que parece que foram retirados. Por que não estão em um museu municipal em uma das três cidades do trajeto? Aproxima-se o tempo de festa. Cacimbinhas entrou também em dois romances meus ainda inéditos: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”, com os personagens fictícios Né de Zeca e João de Brito, respectivamente. Ah! Mas isso são outras histórias. Bênçãos a CACIMBINHAS.

• Visite também o blog do autor: Clerisvaldo Chagas


__________________________

Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

Pressaa