segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Bolsonaro na ONU: o sonho dele é o pesadelo do Brasil

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Bolsonaro na ONU: o sonho dele é o pesadelo do Brasil

Férias sem viagem

Por Janio de Freitas, na Folha de São Paulo

O ambiente da ONU só pode ser o mais impróprio para Bolsonaro 

O ambiente da ONU só pode ser o mais impróprio para Bolsonaro. É natural que por lá não tenham esquecido sua afirmação de que, eleito, retiraria o Brasil da entidade, tratando-a como um amontoado de comunistas. E, mais recentes, seus ataques ao secretário-geral António Guterres e à dirigente do Alto Comissariado de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, de muito prestígio na diplomacia e entre políticos de nível internacional. Amazônia condenada, indígenas perseguidos, liberação de armas, ataques a Noruega, Alemanha e França integram o cardápio da recepção a Bolsonaro. Sem surpresa, se ao som de vaias.

LEIA MAIS (para assinantes): https://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2019/09/ferias-sem-viagem.shtml


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sábado, 7 de setembro de 2019

A lanterna mágica

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A lanterna mágica

Urda Alice Klueger(*)

Era uma noite fria de 2004, um pouco antes de chegar o frio brabo, no planalto catarinense, lugar onde até neve cai, e era uma noite de grandes acontecimentos, onde 500 famílias ocupavam e tomavam posse da terra do maior latifúndio deste meu estado, que um dia fora uma fazenda dedicada ao reflorestamento, mas que agora, em tempos de neoliberalismo, não passava de terra arrasada. O lugar ficara tão abandonado depois que seus indefinidos proprietários internacionais o esqueceram, que a pequena cidade de São Cristóvão do Sul praticamente falira: as pessoas tinham ido embora, a escola tinha fechado, A IGREJA TINHA FECHADO, e era a primeira vez na minha vida que eu ouvia que uma igreja fechara, daí o meu espanto! Daí, também, a grande receptividade no escuro da madrugada , com as autoridades regionais de braços abertos, esperando aquela ocupação que vinha trazer gente para salvar aquele lugar do mundo que até o Capital esquecera – e eu tinha o privilégio de estar lá, apoiando aquela gente, e penso que nem em toda a vida irei lembrar do tanto que há para contar sobre aquela noite!


Pelas três, quatro da madrugada, deu-se a grande ocupação – era inverno, amanhecia tarde, faltava muito, ainda, para o dia chegar, e aquela gente que tinha como rumo único a solidariedade e o sonho de uma terra para plantar, acostumada que era a viver sem coisas como luz elétrica tratava de se organizar, e por todos os lados surgiam lanternas que começaram a iluminar o imenso campo devastado. Como os demais, eu vagava por ali, esperando a chegada do dia e vendo os vultos escuros. As lanternas que estavam com as pessoas tinham os mais diversos modelos e formatos: iam desde as mais sofisticadas, aquelas que se usam em luxuosas barracas de grandes famílias, no verão dos campings, alimentadas não-sei-a-que, até... bem, até aquela como nunca vira na minha vida, a não ser parecidas, existentes em desenhos ilustrativos de histórias infantis que se passavam antigamente em países cheios de neve. É melhor explicar logo: alguém pegara uma lata dessas de conserva de pepinos ou de pêssegos, cortara um quadradinho na parede da lata, fizera uma alça de arame, e lá dentro da lata acendera uma vela. Era um homem que a segurava – as paredes de lata impediam que a vela fosse apagada pelo vento, e aquele pequeno quadrado era uma janelinha de luz que liberava sua luminosidade quase que em forma de cone, ampliando-a – e o dono da lanterna sabia manejá-la muito bem, direcionando a luz para onde bem lhe aprouvesse.

Fazia um frio danado e a manhã tardava a chegar. Zanzando por ali tudo, acabei me aproximando do homem da rusticíssima lanterna, curiosa com o funcionamento dela. Na pouca luminosidade daquela madrugada, o homem me mostrou a praticidade dela, falou do baixo custo para mantê-la, essas coisas que costumam ser faladas por quem está acostumado a viver com quase nada.

A mulher do homem se juntara a nós, e eram ambos seres muito maltratados pela vida, envelhecidos – imaginei que tivessem já seus quarenta anos.

- Quer ver nossas crianças? – o homem perguntou, direcionando sua luz precária para um colchãozinho infantil que descansava na grama, escondido sob um cobertor de lã. Com muito cuidado, ele e a mulher levantaram parte da lã... e sob ela dormiam SEIS criancinhas, uma escadinha que ia de zero a sete anos.

- Perdemos uma... – o homem se emocionava, iluminando seus tesouros com aquela lanterna mágica que me atraíra.

- Que aconteceu?

- Ficou doente. A gente não tinha como tratar. Morreu – e tanto ele quanto a mulher ficaram ali, inclinados e tristes, chorando um no ombro do outro. Tinham seis anjinhos ali dormindo naquele colchãozinho, mas sentiam falta daquele outro que partira – já não eram completos; uma parte deles lhes fora tirada pela pobreza, ficara no meio do caminho, quebrara-se a sua cadeia da vida. Estavam tão tristes assim chorando naquela iluminação precária, que procurei desconversar.

- Vocês são de onde?

- Vim do interior de São Paulo, dona. A mulher eu roubei no Paraná, faz sete anos! Ela tinha 14 anos! – a alegria lhes voltara com aquelas lembranças quase que de capa-e- espada, provavelmente a única grande aventura das suas vidas. Agora riam seus risos desdentados e feios de quem só conhecera a dura pobreza extrema, e então fiz a conta, considerando a criança mais velha:

- Mas então tu tens 21 anos...

Sim, aquela mulher maltratada, envelhecida prematuramente, só tinha 21 anos, um marido decerto um pouquinho mais velho, e o colar incompleto de seis crianças que eram as suas pérolas. E juntos, os dois tinham aquele colchãozinho infantil, um cobertor, aquela lanterna – e um sentimento enorme que os unia.

Fiquei ali, parva, pensando como poderiam sobreviver aquelas oito criaturas se não tivessem se amparando uns aos outros dentro daquele movimento que clamava pela justiça do fim das capitanias hereditárias.

Nunca me esqueci daquela família com sua lanterna mágica, seu amor tão grande até por aquele anjinho que voara embora, aquele anjinho que fazia falta no colchãozinho onde dormiam outros seis.

Penso que se passaram uns três ou quatro anos até encontrar aquele homem de novo. Era de dia, mas o reconheci. Desta vez, como eu, ele estava de apoiador para um povo inteiro em risco de vida por conta de um fazendeiro pestilencialmente mau. Rimos um para o outro, e perguntei por sua mulher, pelas crianças. Todos estavam bem, e agora TINHAM A SUA TERRA! Ele me disse o nome do assentamento onde moravam, e eu sabia que aquele era um lugar bom, onde as pessoas estavam conseguindo viver felizes.

- Dona, lá dá de tudo! Tem feijão, tem milho, tem melancia... e as vacas, dona, eu estou criando vacas! É a coisa mais linda! Já tem leite para vender, e nunca mais que as crianças ficaram sem leite!

Foi a maior alegria encontrar de novo aquele homem que possuía uma lanterna mágica, agora seguro e bem alimentado! Decerto sua mulher rejuvenescera também, no novo regime de leite, manteiga e tantas melancias, “olha dona, precisava ver cada melancia!”.

De vez em quando eu fico lembrando do homem que tinha aquela lanterna única. E então penso também no punhado de bobões que acredita na imprensa que se curva diante do Capital e se posiciona ao lado dela, falando as maiores barbaridades contra quem procura seu direito à terra, sem ter nenhum conhecimento sobre o que seja verdade ou não. Daí eu sei que sempre vou poder contar com aquele homem e a sua família. Há uma lanterna mágica a nos unir para sempre.

(*)Urda Alice Klueger é escritora. Começou seus estudos na sua cidade natal, na Escola São José. Cursou o ginásio e o científico no Colégio Pedro II, também em Blumenau. Mais tarde, iniciou o curso de Economia (UNIPLAC), que não chegou a completar, na cidade de Lages. Finalmente, licenciou-se e especializou-se em História, pela FURB, em Blumenau.

Obras

- Verde Vale, romance-histórico, 1979 (em 10º Edição)
- As Brumas Dançam sobre o Espelho do Rio, romance-histórico, 1981
- No Tempo das Tangerinas, romance-histórico, 1983 (em 7º Edição)
- Vem, Vamos Remar, relato, 1986 (em 4º Edição)
- Te Levanta e Voa, romance, 1989
- Cruzeiros do Sul, romance-histórico, 1991
- Recordações de Amar em Cuba II, relato, 1995
- A Vitória de Vitória, romance infantil, 1998 (em 2º Edição)
- Entre Condores e Lhamas, relato, 1999
- Crônicas de Natal e Histórias da Minha Avó, memórias, 2001 (em 3º Edição)
- No Tempo da Bolacha Maria, crônica memorialista, 2002
- Amada América, crônicas de viagem, 2003
- O povo das Conchas, paradidático sobre sua pesquisa pré-histórica (Sambaquianos), 2004
- Histórias D´Além Mar, crônicas de viagem, 2004
- Sambaqui, 2008
- Meu Cachorro Atahualpa, 2010
- Nossa Família Aumentou, 2014

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Urda Alice Klueger colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz

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sábado, 31 de agosto de 2019

A blasfema, o porco chauvinista e o homem alpha

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A blasfema, o porco chauvinista e o homem alpha

por Fernando Soares Campos(*)

Mãe liga pra filha
─ Mimi, como você tá, minha mimosa?
─ Nada bem, manhê! Hoje amanheci um trapo. Deus me abandonou...
─ Filhinha do céu, você tá blasfemando! 
─ Por que você diz isso? Quem sabe de mim sou eu!
─ Filha, não seja mal agradecida! Deus te abençoou! Você, que levava aquela vida da vida, acabou encontrando o homem que sempre procurou. Ele é tudo pra você. Desde os tempos de namoro, que durou pouco, logo virou casamento, ele te dá de tudo. Hoje você mora num palácio. Reclamar disso é reclamar de Deus, é blasfêmia, filha!
─ Mãe dos infernos! Ah, mas que irritante! Eu já disse que quem sabe de mim sou eu. Nos tempos em que eu vivia com minha vozinha do pó, eu era feliz e não sabia. Ela faturava de um lado, e eu do outro. Dava pro gasto. 
─ Mas o que é que tá te faltando, filha do pecado?!
─ O que está me faltando?
─ Sim! O que tá te faltando, filha herege?! O que mais pode Deus te dar pra você ser feliz?
─ Mãe cega, você acha que me acordar de manhã, olhar pro lado e ver um porco chauvinista, mais porco do que chauvinista, ao lado, roncando, me faz feliz?
─ Primeiro me explique o que diabos é isso de chuvam num sei o quê.
─ E você se sente infeliz só por isso?─ Também não sei o que droga isso quer dizer. Isso foi coisa de um amigo nosso que me deu uma cantada no Zap. Ele disse que meu marido era isso, um porco chauvinista. Botou até a pronúncia da palavra. Porco eu sei que ele é, mas, essa outra coisa, acho que ele disse só pra me impressionar.
-- Não, não é bem por isso, ou só por isso. Eu sou infeliz porque tô morrendo de inveja da francesa Brigitte.
-- Aquela tal de Brigite Bardô, que hoje é uma velha mais feia do que esse lugar que tô morando?
-- Não, mãe atrasada! Tô falando da tal Brigitte Macron! Enquanto eu me acordo ao lado do tal porco chauvinista, mais porco que qualquer coisa, ela se acorda em Paris, ao lado de um homem alpha, jovem, rico, elegante, sedutor... Que ódio!

(*) Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar", Chiado Editora, Portugal, 2018.

sábado, 24 de agosto de 2019

Com o álibi dos incêndios na Amazônia, EUA e União Europeia querem impor sanções contra o povo brasileiro

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Com o álibi dos incêndios na Amazônia, EUA e União Europeia querem impor sanções contra o povo brasileiro

VOZ OPERÁRIA  
23 de agosto de 2019





ABAIXO AS SANÇÕES IMPERIALISTAS! OS MILITARES SÃO TODOS TRAIDORES DA PÁTRIA


  Além do desmonte da indústria naval e petroquímica, o governo golpista cortou 40% do orçamento para FAB (Força Aérea Brasileira) o que atinge diretamente as pesquisas da instituição. Em 2010, o orçamento da INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) era de R$ 326 milhões, com o golpe, em 2017, o orçamento encolheu para R$ 108 milhões. Já o quadro de funcionários reduziu em 25%. Em 2018, o governo golpista cortou mais 39% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, incluindo o INPE e a Agência Espacial Brasileira. Se soma nesse quadro a privatização do satélite brasileiro, a entrega da Base de Alcântara e o boicote ao projeto de aquisição dos caças Gripen suecos.
(...)
Os militares, para simular um falso nacionalismo, mesmo depois de terem privatizado o satélite brasileiro e recentemente terem colocado na lista das privatizações a Telebras, questionaram os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), chegando ao ponto de intervirem no órgão e exonerarem o seu presidente, Ricardo Galvão.
(...)
Utilizando o álibi dos incêndios na Floresta Amazônica, o Imperialismo Norte-Americano e Europeu quer impor sanções econômicas contra o povo brasileiro. O Presidente da França, Macron, convocou reunião do G7 nos próximos dias para ameaçar o Estado brasileiro com sanções econômicas que visam penalizar a indústria agropecuária e que terão desdobramentos incalculáveis contra o já sofrido povo brasileiro.
(...)
Utilizando o álibi dos incêndios na Floresta Amazônica, o Imperialismo Norte-Americano e Europeu quer impor sanções econômicas contra o povo brasileiro. O Presidente da França, Macron, convocou reunião do G7 nos próximos dias para ameaçar o Estado brasileiro com sanções econômicas que visam penalizar a indústria agropecuária e que terão desdobramentos incalculáveis contra o já sofrido povo brasileiro.
Os governos da União Européia, nas últimas décadas, impuseram o desmonte do Estado de Bem-Estar Social e o programa neoliberal, com o intuito de reabilitar a autoridade politica, tais governos utilizam a pauta ambientalista.
Desde junho de 2013, com o ensaio da Revolução Colorida (Jornadas de Junho) promovida e financiada por multinacionais e governos estrangeiros (Estados Unidos e União Européia), que o Brasil entrou em crise social, econômica e política. Foi o imperialismo, que através do golpe de Estados de 2016, impôs a Ditadura do miliciano ao Brasil.
Contra a vontade soberana do povo brasileiro de eleger o presidente Lula, a CIA e Lava-Jato sabotaram o país e garantiram a farsa eleitoral que culminou com a chegada dos militares ao Poder. A crise gerada pelo golpe não é do povo brasileiro, mas sim dos governos dos países imperialistas que derrubaram nosso governo. Devemos esclarecer o papel dos EUA e Europa no golpe de Estado, expondo as relações entre os golpistas do Brasil e os governo imperialistas.


LEIA COMPLETO: 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Pé em cima, pé embaixo e uma pensão fuleira com uma nega chamada Teresa

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Pé em cima, pé embaixo e uma pensão fuleira com uma nega chamada Teresa

Fernando Soares Campos


Muito se fala sobre a emigração clandestina de cubanos. Para os defensores do socialismo e da revolução cubana, quem se aventura de Cuba à Flórida num barco, canoa, jangada ou balsa improvisada, não é migrante, mas sim desertor. O outro lado, formado por aqueles que têm verdadeira ojeriza pela Cuba de Fidel, trata-o como vítima de perseguições políticas, portanto seriam simplesmente refugiados, pois é esta condição que o cubano migrante vai evocar se conseguir desembarcar numa praia dos EUA. E certamente contará uma história capaz de comover até os velhos torturadores do DOI-CODI.

A chamada lei "wet foot, dry foot" (pé molhado, pé seco) estabelece que o refugiado cubano que consegue pisar em terra firme nos EUA pode ser autorizado a permanecer no país, enquanto aquele que for apanhado ainda no mar será enviado de volta a Cuba.

Estivessem os mexicanos nas mesmas condições que os cubanos, fosse o México um país que tivesse ousado enfrentar a arrogância do colonizador e se, no lugar de um capacho de Washington, houvesse um Fidel Castro, o muro que isola os dois países ao longo de suas fronteiras teria sido construído há 50 anos, não seria coisa tão recente. Aí os mexicanos estariam “gozando” os direitos de uma lei chamada “foot above , foot below” (pé em cima, pé embaixo), ou seja, quem fosse pego em cima do muro seria empurrado de volta; quem conseguisse saltar e pôr os pés em solo americano teria a chance de permanecer no “paraíso”.

Certamente não dá para escancarar e receber os milhões de migrantes do quintal, mas essa lei do pé molhado, pé seco serve para mostrar ao mundo o quanto são bonzinhos os americanos, que precisam de cucarachos para lavar suas privadas, para movimentar o narcotráfico, mercenários para suas guerras sujas, contra-revolucionários, enfim, essa gente para eles é o que eles chamam de "um mal necessário". 

Falam que os cubanos se aventuram mar adentro, enfrentado tubarões e a revolta das águas, morrendo a metade para que a outra metade se engaje na luta contra a “tirania” do regime cubano e, de lambujem, desfrutem as delícias do capitalismo “libertador”, coisa que muita gente chega a confundir com Democracia. Porém, baseado na realidade que conheço do lado de cá, vivendo num país igualmente capitalista, posso garantir que, se a distância entre o Brasil e os EUA fosse a mesma entre Cuba e os EUA, cerca de 160 milhas, teríamos que instalar balcões da Alfândega em todas as praias brasileiras.

Também se propala aos quatro cantos do mundo o fato de que atletas cubanos teriam se refugiado em países capitalistas com o propósito de realmente desfrutar as benesses que lhes seriam de direito; pois, permanecendo em solo cubano, teriam se esforçado à toa, visto que se tornaram celebridades mundiais dos esportes e vivem “miseravelmente”, ganhando salários de US$40,00 mensais. Eu respondo: se os atletas cubanos não tivessem compromisso e consciência revolucionária, não seria apenas 0,2%, entre as centenas que vieram ao Pan do Brasil, que se renderia a uma proposta milionária de um agente alemão; eles desertariam em massa, como a Rede Globo inventou que estava para acontecer; ou seja, fariam como os atletas brasileiros, que hoje formam a Seleção Canarinho com quase 100% de jogadores que atuam no exterior.

Se eu morasse num país onde eu recebesse um salário de US$40,00 e, com esse ganho, pudesse prover a minha subsistência, pagando escola para os meus filhos, plano de saúde, lazer, alimentação, transporte, vivendo sob uma excelente sistema de segurança pública, pudesse comprar meus livros, meus discos, meus charutos e meu rum, e, ainda por cima, minha nação fosse soberana, sem se submeter aos ditames imperialistas, minha cultura fosse autêntica, eu viveria mui feliz! E nem me preocuparia se o meu salário equivaleria a tantos ou quantos dólares.

Se eu ganhasse US$2.000,00 por mês, mas morasse num bairro de classe média, em uma das melhores cidades dos EUA, certamente meu endereço seria: Embaixo do Próximo Viaduto.

Muitas vezes fui chamado de dinossauro, retrógrado, por defender o socialismo e protestar contra o embargo dos EUA a Cuba. Condenam até algumas palavras e expressões que às vezes uso. Entretanto, se só me fosse permitido usar palavras e expressões da moda ou de acordo com a cartilha colonialista, eu já não poderia falar: “socialismo”, “golpistas”, “comunismo”, “esquerda”, “imperialismo ianque”, entre outras consideradas ainda mais anacrônicas.

(Também não poderia construir frases usando a conjunção "se", em qualquer de suas acepções, principalmente a condicional.)

Se as populações pobres e miseráveis dos países capitalistas pudessem se hospedar nos melhores hotéis dos seus países, comer nos melhores restaurantes e beber nos melhores bares, eu diria que em Cuba há um apartheid social, pois lá existem hotéis, restaurantes e bares somente para turistas estrangeiros deixar seus mojitos-dólares, onde o pobre cubano não frequenta.

Enquanto isso, daqui de onde estou escrevendo, avisto uma das maiores favelas brasileiras. Lá vivem cerca de cem mil pessoas. Raras são as que poderiam pagar, hoje à noite, um quartinho numa pensão fuleira no Centro do Rio, para uma noite de deliciosa luxúria "com uma nega chamada Teresa."

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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terça-feira, 20 de agosto de 2019

XIX Bienal Internacional do Livro 2019 Riocentro -- Sessão de autógrafo do livro "Fronteiras da Realidade - Contos para meditar e rir... ou chorar"

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A sessão de autógrafos do meu livro "Fronteiras da Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar", na XIX Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro, acontecerá no dia 02 de setembro, das 19h00 às 19h50, no estande da Chiado 
Editora, no Riocentro, Pavilhão Verde, N100. Espero vocês lá!


A Livraria Martins Fontes Paulista tem o livro "Fronteiras da
Realidade - contos para meditar e rir... ou chorar" disponível em estoque. 
Entrega em 2 dias úteis para a cidade de São Paulo (para pedidos efetuados até as 11h; após este horário, entrega em 3 dias úteis).
Outras localidades:
- Grande São Paulo e Interior de SP: de 2 a 6 dias úteis
- Outras Capitais: de 2 a 6 dias úteis
- Interior de Outros Estados: de 5 a 15 dias úteis
- Os pedidos serão atendidos conforme a disponibilidade de estoque.
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Você também pode comprar por telefone:
11 2167-9900

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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Oração de São Cipriano para exorcizar fantasmas da alienação e destronar Bolsonaro, Moro, Dallagnol et caterva

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A Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba, lançou campanha para que seus fiéis rezem pelo procurador Deltan Dallagnol, que está com os dias contados na lava jato.

Em mensagens que circulam nas redes sociais, membros da igreja dizem que o afastamento pode ocorrer na semana que vem e rogam por “um movimento de profunda intercessão”.



o texto que circula é o seguinte:
Pedimos suas orações pelo nosso irmão DELTAN Dallagnol Procurador Federal Coordenador da Operação Lava Jato (ele além Procurador Federal é membro da Igreja Batista do Bacacheri em Curitiba. O seu pastor é o Roberto Silvado que caminha conosco no GKPN junto com o Dr Elias Dantas. Os dois pediram hoje oração e intercessão intensa por ele.
Além dele estar sendo duramente atacado, agora a ofensiva se volta, também, contra seus pais. Existe um movimento intenso e vergonhosamente orquestrado para retirá-lo da coordenação da força tarefa na próxima semana. E HÁ UMA GRANDE POSSIBILIDADE DISSO ACONTECER AINDA NA SEMANA QUE VEM!!!
Vamos fazer um movimento de profunda intercessão. Vamos mobilizar nossos conhecidos a se articularem nas mídias sociais através de hashtags como #DeltanNaLavaJato, #EuConfioNoDeltan.
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Oração de São Cipriano para exorcizar fantasmas da alienação e destronar Bolsonaro, Moro, Dallagnol et caterva

Por São Cipriano Atroz


Eu, Cipriano Atroz, servo do Deus destronado, fiel aos seus princípios, a quem amo de todo o meu coração, garanto que me pesa por vos amar vivendo num mundo de alienação, onde mais vale um pássaro na mão do que dois voando.

Porém reconheço que vós, meu Deus marginalizado mas eternamente meu Senhor, sempre vos lembrastes deste vosso ingrato servo Cipriano Atroz, que durante a primeira infância foi amigo-irmão do teu filho unigênito, Jesus, mas que, na sucessão de minhas pueris etapas existenciais, da segunda infância até esta velha infância atualmente vivida, passou a considerá-lo tão somente um “boa-praça”, aquele de quem a gente só se lembra quando os falsos amigos, que são os verdadeiros inimigos, mostram o pau com que matam as lombrigas que incomodam suas panças.

Agradeço-vos, meu Deus latente, de todo o meu coração, os benefícios que de vós sempre recebi durante toda a minha existência, mesmo que de forma clandestina, como eu sempre gostei, porém acanhado, para que ninguém soubesse que sou teu seguidor. Pois agora, ó Deus das criaturas pueris, dai-me força e fé para que eu possa desligar tudo quanto involuntariamente liguei, aquilo que equivocadamente invoquei, sempre em vosso santíssimo nome, mas nem sempre com uma santificada intenção.

É certo, ó Deus do banco de reserva, que me declaro vosso verdadeiro servo e vos considero titular, dizendo-vos: “Deus, forte e poderoso, que morrestes no cadafalso de Curitiba, onde o Deus em exercício tinha altar banhado a ouro, como os templos da Bahia e Minas, louvado sejais para sempre!” (Atire contra o espelho um bibelô dourado em forma de bezerro.)

Ó Deus relegado ao posto de quebra-galho, vós vistes as malícias deste vosso servo Cipriano Atroz, as tais malícias pelas quais fui conduzido durante uma eternidade relativa, debaixo do poder golpista de (citar o primeiro nome que assomar à sua atrofiada mente), quando eu ainda não tinha noção do que representava o vosso santo nome e ligava as mulheres a delicioso “pecado”, ligava as nuvens do céu à realidade celestial, ligava a imensidão das águas do mar a reles tsunamis. Vós bem sabeis que, pelas minhas malícias, minhas pequenas e grandes malícias, ligava as mulheres prenhes à “irresponsabilidade” de pobre parir, e tantas outras ligações que fiz entre preconceitos e conveniências, sempre em teu nome, sem notar que Belzebu usava as mais sutis das camuflagens para assumir a tua imagem, e eu caía aos pés daquele altar como um esperto otário feliz.

Agora, ó Deus em mim redivivo, que durante muitos anos foi colocado na condição de Deus alternativo, está na hora de Vós serdes reconduzido ao trono, desmascarando culpados pela nova ordem universal ditada pelo Deus em exercício e operada pelos seus capachos, vampiros travestidos de anjos barrocos. Invoco o teu esconso poder, a fim de que sejam desfeitas e desligadas as bruxarias e feitiçarias, venham das máquinas ou do corpo dessas maquiavélicas criaturas: Sérgio Moro e Deltan Dallagnol (cite o nome de quem mais você acaba de se lembrar). Pois vos chamo, meu Deus escanteado, para que, com o teu poder, rompais todos os ligamentos dos homens e das mulheres com as ideias macabras desses estúpidos falsos semideuses.

Caia a chuva da verdade sobre cabeças pensantes, para que as mulheres tenham seus filhos, e eles estejam livres de qualquer ligamento atroz. Desligue o mar de hipocrisia, para que os pescadores possam pescar a verdade. Livres de qualquer perigo. Desligue toda estupidez que está conectada a estas desencaminhadas criaturas (cite-as desembestado, durante um minuto, e pare, porque é gente pra caramba!). E eu desligo, desalfineto, rasgo e desfaço tudo que esteja se lambuzando em algum poço profundo de minha mente. Não como num passe de mágica, mas gradativamente, amadurecendo, aprendendo a viver minha última infância.

Se necessário for, resgato os monstros que no meu coração se afogam, transformando-os em garimpeiros-ourives a garimpar cascalhos e lapidá-los, criando estátuas que se derreterão ao sol, quando finalmente serão desfeitos todos os males ou maus feitos, feitiços, encantamentos ou superstições, além de destruir as artes diabólicas que fui capaz de realizar de forma inconsciente, descontrolada e irracional, ou aquelas que simplesmente utilizo de forma igualmente alienada.

O reinado do senhor das trevas está chegando ao fim. 


Não mais existirão igrejas caça-níqueis. Não mais existirão canalhas fantasiados de homens de bem. Não mais existirão rampeiras travestidas de santa, nem santa decaída se esbaldando em bordel.  

Finalmente, Vós sereis reconduzido ao trono, ó Deus verdadeiro

Amém.

Fonte de inspiração: O verdadeiro Livro de São Cipriano)

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Ilustração: APIC - Atrocious International Piracy of Cartoons


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